Annie Electric
2 Gastly, Haunter e Gengar - Pânico na floresta de Viridian!
Notas iniciais
Cavalguei minha Ponyta durante muito tempo, ia rápido, como se estivesse decolando na velocidade da luz...
Até que chegou um momento em que parei de ver a luz do sol, o ambiente à minha volta era uma floresta fechada, escura. Desacelerei, agora andando devagar entre as árvores, estava tudo muito silencioso. Me virei para procurar o caminho por onde tinha vindo, nada. Quando me virei de novo... Fui surpreendida por um Haunter pairando à centímetros do meu rosto, gritei. Ponyta se assustou com meu grito e empinou seu corpo, me derrubando e em seguida fugindo rápido por entre as árvores.
Meu Pokémon tinha me abandonado...
Ao meu redor, diversos Pokémon fantasmas se aproximavam, e, com certeza, não tinham boas intenções. Me levantei de um salto e corri sem rumo, apenas querendo escapar de ser alvo de fantasmas. Quando parei, exausta, vi que havia chegado à uma construção misteriosa: O edifício era um retângulo na horizontal com as pontas arredondadas, feito de um metal escuro. Só havia uma porta (protegida por um sistema de senha) e diversas pessoas usando roupas pretas, com um R vermelho desenhado, todas muito suspeitas.
Eu permaneci escondida atrás de uma árvore, prendendo a respiração toda vez que passam perto. Depois de quase todos entrarem, eu relaxo. A única coisa que eu não esperava era não dar sorte... Meu nariz começou a coçar e espirrei baixinho, torcendo para que ninguém percebesse, porém um garoto e uma garota que aparentavam ter não mais de 14 anos perceberam. Os dois contornaram a árvore e me levantaram pela gola da camiseta, rindo.
– Olha só essa agora James — Disse a garota de cabelos rosa pink, rindo maldosamente — Mais uma cobaia para o chefe!
– Agora com certeza ganharemos uma promoção! — Falou o garoto de cabelos roxos que devia ser o tal James — Seremos membros de elite da Equipe Rocket, Jessie!
– Meow — Miou o Pokémon (um Meowth) que se esfregava nas pernas do garoto.
– Me soltem! — Gritei, esperneando no ar — Vocês não tem o direito de fazer isso comigo!
–Ah, temos sim. -Sussurou Jessie com uma cara assustadora — Todos que entram na área do QG da Equipe Rocket são cobaias, meu bem.
– E vamos levá-la ao chefe agora mesmo! — Afirmou James, me arrastando em direção da construção, que imaginei ser o Quartel General da tal equipe.
Time Skip: Meia Hora depois
Estou presa em um cilindro transparente, cheio de um líquido estranho, por alguma razão eu consigo respirar normalmente, mesmo cercada por essa "água". Bati no vidro com força:
– Me deixa sair! — Minha voz sai abafada, como se eu estivesse realmente debaixo d'água — Me deixa sair!
– A Equipe Rocket não liberta prisioneiros! — Diz o cara sentado em uma grande cadeira, quase como um trono, com um Persian ao seu lado — Nem mesmo se for uma garotinha medrosa.
– Não sou medrosa! — Grito
– Então não vai se importar de servir de cobaia no meu experimento — diz ele com um olhar sádico no rosto (que está começando a me assustar) — Pequena... Qual é o seu nome, garota?
– Não vou dizer! — Grito, o pânico começa a crescer dentro de mim — Ash! Gary! Socorro!!!
– Como conhece esses nomes, garota medrosa? — Pergunta o homem, desconfiado — De onde você é?
– Não vou falar nada!
– Se vai ficar em negação então não tenho razões para prolongar essa conversa. Guardas! Preparem o gerador! — Ele dá ordem para os seus capangas do mal.
– Não! — Eu grito, em uma tentativa de poupar mais algum tempo da minha vida — Eu falo tudo o que você quiser saber! Por favor, não faça isso!
– Está tentando prolongar sua vida, pequena? — Pergunta, com um tom de deboche — Então vou perguntar, mas você é obrigada a responder com a verdade, a mais pura verdade e nada mais do que a verdade.
– Tudo bem — Digo — Pode perguntar.
– Então vamos lá... Qual é o seu nome e de onde você veio? — Pergunta ele — Eu quero seu nome completo, e seu apelidinho também!
– Eu sou Annie! -Respondo com convicção — Ann H. Ketchum, da Cidade de Pallet, na região de Kanto!
– Ketchum... — murmura com um tom de dúvida, como se conhecesse de algum lugar — Quem são seus pais? E quem são os garotos que chamou agora a pouco?
– Minha mãe é Délia Ketchum, não conheço meu pai — Respondo — Ash Ketchum é meu irmão, somos gêmeos idênticos e Gary Carvalho é meu vizinho e também meu melhor amigo, ele é neto do professor Carvalho, a maior atualidade em Pokémons presente em Kanto.
– Ótimo, ótimo... — murmura pensativo — Agora minha última pergunta.
Hesito, última pergunta, provavelmente é outra dessas coisas sobre identidade, se eu entrar em detalhes e conseguir alongar a resposta ao máximo, talvez consiga viver por mais um tempinho.
– Qual é a pergunta? — Digo hesitante, mas decidida a sobreviver. — Pode falar.
Ele sorri, mas não é um sorriso bom, é um sorriso que apenas alguém mal de verdade consegue dar.
(para entender melhor essa parte, leia enquanto ouve essa música: https://www.youtube.com/watch?v=TuqKlgE1yIg )
– Qual é o seu tipo de Pokémon favorito?
Enquanto ele pergunta, a capsula onde estou presa começa a se mover, entrando em um compartimento escuro.
– Elétrico! — digo, alto o bastante para ser ouvida em meio ao barulho da máquina.
Vejo um pequeno Pichu ser colocado em um compartimento parecido com o que estou e um outro Pokémon estranho, de coloração arroxeada, ter sua capsula plugada na minha.
Grandes portas de metal se fecham ao redor dos Pokémon. O líquido à minha volta começa a brilhar com um tom estranho de azul, sinto uma dor terrível em todo o meu corpo. Grito alto, o mais alto que minha garganta pode suportar, um grito agudo capaz de furar um tímpano humano. Jessie e James tapam os ouvidos enquanto olham a cena assustados, parece que eles também não sabiam o que ia acontecer.
Sinto como se meu cérebro estivesse sendo cozido em uma panela à mil graus centígrados! De repente começo a esquecer pequenos pedaços importantes da minha vida, como quando aprendi a andar de bicicleta, quando conheci Gary, quando minha mãe encontro o Mimie. Tudo está sumindo, meus olhos escurecem, é como se eu dormisse de olhos abertos, não tenho mais controle sobre o meu corpo. Agora tudo que lembro é vago, apenas meu nome prevalece, quer dizer, não meu nome, mas meu apelido: Annie.
– O corpo da menina vai suportar a descarga, Giovanni? — Pergunta um dos capangas — Ou isso é só um teste para verificarmos o quão amplo é o funcionamento do Gerador de Fusão?
– Se fosse um teste não usaríamos Mewtwo — Responde o homem, Giovanni, com um olhar cada segundo mais sádico — A Equipe Rocket criará a arma mais poderosa do mundo!
Essas são as últimas palavra que escuto, as últimas lembranças se apagam.
Ouço uma explosão, parece ser muito ao longe, até que começo a sentir minha pele queimando.
Meus olhos entram novamente em foco, à minha volta só resta alguns vestígios do que um dia deve ter sido um laboratório de pesquisas. Perto de mim há um pequeno Pichu dentro de uma capsula, quebro o vidro com um soco, pego o Pokémon no colo e corro, a floresta está em chamas.
Corremos até chegar a um rio. A essa hora, os Pokémon aquáticos já conseguiram apagar o fogo e está começando a ficar frio. Finalmente tenho tempo de me preocupar com minha cabeça, não me lembro de nada.
Olho meu reflexo na água e me surpreendo com a imagem. Uma garota megrela e pálida, seus cabelos pretos levemente ondulados tem mechas amarelas e há pequenas sardas em seu nariz. Ela (eu?) veste um collant amarelo e uma minisaia preta, seus sapatos são tamancos de dez centímetros com fitas longas que se enrolam à perna da garota, formando um laço logo abaixo da saia. Os sapatos são amarelos com um tom parecido com glitter. E finalmente o mais intrigante no reflexo: Cauda e orelhas de Pikachu. Como se fosse uma fusão Humano-Pokémon.
Suspiro, Pichu me olha de um jeito estranho, me abaixo para falar com ele.
– Quer ser meu Pokémon? — Digo — Não me lembro de nada, mas juro que cuidarei bem de você!
Pi-pichu! — Considerei isso um sim, ele pulou na minha cabeça, eu ri.
Estava calma até escutar um barulho vindo de uma moita próxima, estiquei meus braços naquela direção para me defender caso algo pulasse em mim, um pensamento apareceu em minha mente: "Atirar"
Disse a palavra mentalmente, como comando para mim mesma e um raio saiu das minhas mãos, atingindo e, consequentemente, queimando a moita. Um Plusle e um Minun pularam para longe da planta a tempo de se salvar e começaram a me observar de longe.
– Sinto muito! — Me desculpei com os dois — Foi sem querer, eu juro!
Eles se aproximaram hesitantes, mas parece que ao sentir meu cheiro perderam o medo, pois pularam cada um em um dos meus ombros, o Pichu ainda na minha cabeça.
– Então eu tenho poderes... — Murmurei para mim mesma e depois para eles — Então vamos aprender a controlá-los, vamos partir em uma jornada agora mesmo e vingar minhas memórias, nem que seja preciso cruzar o mundo inteiro para isso! Encontrarei cada uma das pessoas que eu ainda lembro o nome e descobrirei tudo sobre o meu passado! Ficaremos sempre juntos e eu serei Annie Electric, a mutante elétrica! Eu juro por todos os Pokémon! Eu juro por Arceus!
Um trovão ressoou ao longe e raios cortaram o céu noturno, alguns nomes apareceram na minha mente e jurei encontrar e descobrir o que significam todos eles: Ash, Annie, Giovanni, Jessie e James, Equipe Rocket e Gerador de Fusão. São as únicas coisas de que me lembro.
Comecei a caminhar, sem um rumo certo a seguir, indo sempre em frente, em busca do futuro! Sem nunca mais conviver com pessoas, apenas com Pokémon, pois algo dentro de mim me diz que pessoas representam perigo. E mesmo não sabendo se devo ou não confiar nessa voz interior eu vou segui-la, pois ela é a única coisa que me guia nessa escuridão.
Eu sou Annie Electric e vou ser a maior mestre Pokémon!
Continua...
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