Annelise
44 Capítulo 44: Bônus Personagens [Matt] Part. 2
Terça-feira, depois de mais uma briga besta com meu pai eu fui a praça esfriar minha cabeça. Essa praça é o único lugar em que eu me sinto livre de verdade. Quando eu era mais novo me sentia dono dela. Comandava tudo. Do lago até a barraquinha de cachorro quente. He he. Engraçado né? Mais quando não se tem ninguém qualquer lugar é chamado de casa.
Quando cheguei a praça, vi Yasmim e Liam, o namorado dela, sentados no banco..
_Oi gente.
_Oi Matt.
_Esta vamos falando de você. — Liam disse sorrindo.
_É sobre a festa.
_Por falar nela, você ainda tem aquele cd que eu te emprestei?
_Tenho mais, emprestei pro Lucas.
_Matt!
_Eu pego de volta. Juro. Ainda hoje.
Sai correndo até a casa do Lucas, ele tinha que estar em casa se não a Yasmim ia me matar. Cheguei a casa dele bati na porta e ela abriu.
Alguém deixou aberta. Ouvi uma vozinha doce e linda e sabia de quem era. Na hora esqueci do estava fazendo, só segui a voz até a lavanderia. E não é que ela cantava bem. E como dançava. Meu cérebro queria se mover mais quem disse que meu corpo e meus olhos obedeceram.
Continuei lá até ela me perceber. Assim que abriu os olhos e me viu eu sorri pra ela. Não conseguia vê-la e não sorri.
_Eu posso saber o que você tá fazendo? — ela gritou.
_Vendo você dançar. — era verdade.
_Como você entro?
_A porta tava aberta. Você é muito descuidada roxinha.
_Olha aqui Matheus por que você não vai pra...
_Antes de começar a me mandar pra esses lugares maravilhosos, por que você não vai pegar o cd no quarto do seu irmão pra mim?
_Cd?
_É cd. Aquela coisa redonda que se você colar no rádio sai música. — eu não queria chamá-la de burra, mais sim ser engraçado. Mais isso nunca funciona com ela.
_Há há. Muito engraçado Matt.
_Matt? — eu perguntei surpreso.
_É Matt. Seu nome não é Matheus? Matheus, Matt. — estranhei aquilo. Só meus amigos me chamavam assim.
_Já tá me dando apelidos bebê. — falei sem tirar os olhos dela.
_Bom se você prefere estúpido, desocupado, idiota, inconveniente eu continuo te chamando assim. É só escolher.
_Eu prefiro amor. Ou benzinho. Ou xuxuzinho que tal? — por que ela tinha que ser tão má?
_Nem que me cortem a língua eu te chamo assim.
Eu ri. Como ela é engraçada.
_É por isso que eu gosto de você. — Eu não conseguia ficar longe dela. Minha vontade era de beijá-la. Estava tão linda com aquele avental.
_Você não devia ficar tão perto.
_Por que?
_Meu namorado pode entender errado.
_Aquela cenoura ambulante? — aquilo não é namorado, é um atraso de vida.
_Quem é você pra falar dele seu Jared Leto Fajuto.
_Hum??
_Esquece.
_A vai dizer que se você não tivesse chance não saíra comigo? — perguntei brincando.
_Nunca.
_Mais você me acha bonito.
_Não!
_Não? Então por que você não consegue se afastar quando eu chego tão perto da sua boca como eu estou agora?
_Sai! — Ela me afastou. Por pouco não a beijei. _Eu vou trazer seu Cd então você cai fora! — ela gritou, subiu as escadas correndo e eu a segui.
Chegamos ao quarto do Lucas e ela começou a procurar. Eu vi o cd em cima da tv, mais cada minuto com aquela pequena era precioso demais pra desperdiçar achando logo o cd, então fiquei quieto.
_Por que você quer tanto esse cd?
_É pra Yasmim.
_Hum.
_Pra festa. Ela é DJ.
_Serio? Que demais. — ela sorriu. Isso é bom.
_É. Você pode ir a festa sabe. É mais um Wake Up. É daqui a três semanas. Vai ser um grande evento lá no parque.
_Hum.
_Tem certeza que está com o Lucas?
_Tenho ele disse que estaria em cima da tv.
_E por que você não disse logo?
_Eu queria ficar mais tempo ao seu lado. Sua companhia é exuberante. — eu não faço idéia do que seja isso, mais eu queria dizer que ela era linda, especial, incrível.
_Você sabe o que é exuberante?
_Não. Mais é uma coisa boa. — disse sorrindo.
_Tá...
_Você quer ir com comigo ao Wake Up? — finalmente tomei coragem e pedi.
_Por que está me convidando?
_Eu não tenho com quem ir então vai você mesmo. — que coisa idiota. Seu idiota!
_Que gentil.
_Ah, vamos. Você pode fingir ser minha namorada. Pelo menos uma noite. — que história é essa? A essa altura eu não sábia nem o que falar mais então deixei no automático.
_Namorada? Você é dois anos mais velho que eu. Você poderia ser meu avô.
_Então netinha se você não for eu vou te dar palmadas no bumbum.
_Que idiota.
Eu a segurei pelo braço. Podia beijá-la, mais isso só me rediria um tapa e nada mais.
_Por favor.
Olhei bem nos olhos dela, estava desesperado.
_Eu vou pensar.
Quando mulheres dizem que vão pensar meu amigo já era. Mais eu não desistiria tão facilmente.
_Então, é isso. Seu cd. Entregue. Adeus.
_Obrigado.
Antes de eu fechar a porta eu disse:
_Vou esperar.
_Esperar o que?
_A resposta.
Sai daquela casa disposto a fazê-la dizer um sim a todo custo.
***
Eu sempre discuti muito com meu pai. E naquele dia a discussão foi horrível. Sai de casa e fui até a casa do Lucas.
_Oi. — eu a vi, e sorri.
_Oi Matheus. O que você quer?
_Nossa é assim que você trata as visitas?
_As inconvenientes sim.
_Quer dizer que eu sou inconveniente? — eu tentei olha-la nos olhos.
_Claro que é. — ela se afastou e foi para a cozinha.
_Onde está seu irmão?
_Ele foi pegar os \'\'equipamentos\'\'. Que historia é essa?
_\'\'Equipamentos\'\' \'\'Futebol\'\'.
_Hum.
_O que esta fazendo?
_Lanches.
_Que cheiro bom. Você cozinha bem.
_Desculpe mais eu me recuso a aceitar elogios do cara que colocou areia nos meus cabelos.
_Foi por isso que você pintou de roxo? — eu ri alto.
_Não eu pintei por que acho bonito. E você por que escureceu o seu? Pra não pensarem que você é mais burro do que aparenta?
Legal. Essa magôo. Mais o real motivo de eu ter pintado o meu cabelo é por que o meu pai também é loiro.
Cansei de ouvir comentários do tipo \'\'nossa como ele é parecido com o pai.\'\' \'\'Vocês são idênticos.\'\' Eu não sou nada parecido com aquele crápula.
_Posso esperar seu irmão na sala? — eu perguntei.
_Claro.
Eu me sentei no sofá e fiquei vendo as crianças. Eu também era assim, feliz. Mais aquele cara tirou tudo de nós. Como eu tenho raiva dele.
_Aqui seu lanche. — Anne disse me tirando dos meus devaneios.
_Obrigado.
_Disse alguma coisa que errada? — ela perguntou arrependida.
_Não.
Ela se sentou ao meu lado e eu sorri. Do nada. Na maioria das vezes em que estou perto dela não sei o que falar, então tento ser engraçado.
_Pode ir empregada.
_Como?
_Eu gosto de comer sozinho.
_Que abuso. Olha aqui por que você não vai para...
Antes dela terminar a frese Lucas chegou.
_Oi gente. — Lucas parou e nos olhou _Algum problema?
_Nenhum. Sua doce irmã me preparou um lanche enquanto você não estava.
_Ótimo. Poe pra mim também Anne.
_Por que não coloca você mesmo.
Ela saiu batendo pé.
_O que deu nela? — perguntei.
_TPM. — Lucas riu e se sentou do meu lado.
_Eai cara?
_Meu pai. De novo.
_Calma.
_Mais, eu vim pedir permissão pra levar sua irmã na festa.
_Claro.
Quando aquelas palavras saíram da boca do Lucas eu me senti muito mais leve. Apareci na escola dela só para confirmar que ela iria mesmo. Domingo chegou e eu estava em casa deitado no sofá tirando um cochilo quando meu pai chegou. Estava bêbado. Odeio quando ele chega assim em casa.
_O que você está fazendo ai deitado igual a vagabundo?
_Não sou eu quem chega bêbado todos os dias.
_Você me respeita seu moleque. — ele já levantara a mão pra me bater mais eu desviei.
_Me deixa em paz.
Me levantei peguei meu casaco as chaves da moto e fui até a praça. Nem liguei para a hora, eu precisava sair daquela casa ou mataria aquele velho.
Guardei a moto no estacionamento e caminhei um pouco. Pensar nos meus problemas era algo muito dificil pra mim. Eu sempre pensava, pensava e não chegava a lugar algum.
Olhei para frente ao longe e vi Anne sentada no banco com um dos maconheiros. Alguma coisa estava errada. Corri a té lá e antes que aquela coisa tocasse nela eu disse:
_Por que não deixa a moça em paz. Ela quer ficar sozinha.
_E quem é você?
Assim que Luck me viu ficou com medo. Ele não é má pessoa mais quando está sob efeito dessas drogas e capaz até de matar.
_Matt. Eu não vi que era você. Ela é sua garota?
_É. — disse com cara fechada.
_Foi mal cara. Desculpa ai gatinha. Até a próxima valeu!
Ele se levantou e saiu.
_Você está bem? — eu perguntei com medo.
_Sim.
_AGORA VOCÊ PODE ME DIZER O QUE TÁ FAZENDO AQUI SOZINHA A ESSA HORA?!
_Não grita comigo!
Uff! O que ela está fazendo aqui a essa hora? Espera, ela estava chorando?
_O que foi? — ela perguntou.
_Você andou chorando?
_Não.
_Não mente. Parece que você estava fumando maconha com aqueles caras. Seus olhos estão vermelhos.
_Eu... Nada.
_Hei. Eu salvei sua vida. Tenho o direito de saber.
_Eu briguei com o Nico.
_Deixa adivinhar. Brigaram pra saber quem tem a cor de cabelo mais bonita?
_...
_Desculpe.
Ficamos em silêncio olhando para o céu. Ela começou a tremer de frio e eu tirei meu casaco.
_Você esta com frio? — disse colocando meu casaco sobre seus ombros.
Eu sorri e a abracei. Só Deus sabe o quanto precisava daquele abraço. Apesar de Anne e eu brigarmos pelas besteiras que eu falo, eu sinto um carinho muito grande por ela. Eu não sei ao certo o que é, mais sinto.
_Isso vai passar. — disse me separando dela. _ Essas coisas... elas acontecem. Mais por mais duro que seja elas passam.
_Obrigada.
_Seu irmão sabe onde você está?
_Não.
_Então vamos embora! Ele deve tá colocando a policia atrás de você.
Corremos até a moto eu subi a chamei.
_Vem!
_Tá de zoa.
_Não.
_Eu não posso andar de moto com esse vestido.
_Eu não vou olhar nada vou estar pilotando.
O que ela acha que eu sou? Algum tipo de tarado? Ela finalmente desistiu e colocou o capacete.
_Segura firme. — eu gritei antes de ligar a moto.
_Por que?
Saímos em disparada para casa. Tadinha estava com medo. Mais era bom sentir ela abraçada a mim. Quando chegamos na casa, todos a olhavam como se ela estivesse desaparecida a séculos.
_Anne. Onde você estava sua garota maluca? — Lucas correu para abraça-la.
_Eu tô bem.
_Não não está. Você vai ficar de castigo por um ano. — esse é o Lucas sempre exagerado.
_Você... Matheus? – Lucas me viu e sorriu.
_Oi cara. — eu disse.
_Por que vocês vieram juntos?
_Longa historia. — falei coçando a cabeça.
_Anne. — o cenoura se levantou e foi até ela. Eu achei que seria mais uma daquelas ceninhas melosa mais, ela desviou e veio até mim.
_Obrigada. — ela sorriu.
Eu me senti o cara né. Foi muito legal. Depois disso foi só um passo pra ela cair nos meus braços. Tá não foi bem assim teve o nosso encontro. Que não foi um encontro foi mais uma saída. Eu fazia de tudo mais ela sempre escapava. Já estava desistindo quando aconteceu, aquilo. O acidente.
Eu estava em casa. Meu pai chegou bêbado, como sempre. Ele começou a falar um monte de coisas, e como sempre me deixou irritado. Acabamos brigando.
_Por que você não me deixa em paz?! — eu gritei saindo do meu quarto e indo para o corredor.
_Quer viver em paz? Vá embora! Como a vadia da sua mãe.
Não aguentei e minha paciência esgotou. Já estava pronto para socá-lo, mais meu celular tocou, era a Anne. Dei as costas a ele e fui atender quando o senti me empurrar escada abaixo. Eu ainda conseguia vê-lo quando ele começou a me dar chutes. Acabei desmaiando, eu acho.
Me lembro de acordar no hospital. Minha vista estava embaçada e vi alguém em pé. Alguém de cabelos roxos. Eu sorri, sabia que era ela. Ela estava de costas e estava... chorando. Mais por que?
_Por que tá chorando? — eu perguntei com dificuldade.
_Tô ficando doida. Até sua voz to escutando agora.
Ela disse, se virou e me viu.
_Matt!!
Mais um de seus gritos explosivos. Ela correu até mim e me abraçou.
_Ai.
_Seu idiota! Estúpido! Bosão!
_Isso lá é jeito de dizer que me ama mulher?!
_Eu, achei que ia te perder.
_Não achou que ia se livrar tão fácil assim de mim.
_Espera só pode ser um sonho. Eu tô sonhando.
_É... — Do que que ela estava falando?
_Não espera. Me belisca. — ela acariciou meu rosto e voltou a pirar _Oh, Deus você está bem.
_Anne, eu acho que você é que não está nada bem. Da cabeça.
_Você voltou. É mesmo você.
Ela ficou me olhando como se eu fosse um bebê recém nascido. Yasmim entrou no quarto e também me abraçou.
_Nossa desse jeito eu vou cair da escada mais vezes. — eu disse brincando.
_Matt!! — Gritamos juntas.
_Desculpa.
_Você está bem? Está sentindo dor? — Yasmim me olhava de cima e baixo.
_Não. Só um pouco. Meu braço e no peito. — agora sim me dei conta de que a coisa era seria. Meu braço estava engessado e meu peito doendo muito.
_Foi um milagre. — Anne disse os olhos brilhando. Como eu estava feliz em ver aquelas duas.
_Como você me achou roxinha?
_É, uma longa historia.
_A Anne veio aqui todos os dias pra te ver. — Yasmim disse no meu ouvido.
_Serio?
_Não começa a se achar tá. — ela falou corando, não sei por que.
Eu peguei a mão dela e olhei fundo em seus olhos. Eu não sabia como dizer o quanto eu era grato. Estava feliz. Ela me ama. Me ama tanto que cuido de mim esse tempo todo.
_Obrigada. — foi a única coisa que saiu na hora;
_Annelise? O meu Deus você acordou. — O doutor de cabelos brancos entrou no quarto. _Como você está meu rapaz?
_Bem. Muito bem.
Bem, era a última coisa que eu estava. Sentia tanta dor que estava dormente. Estranho né? O doutor me examinou e trocou meus curativos. Depois chamou a Anne e eu fiquei com a Yasmim.
_Que bom que você acordou. O que você sentiu esse tempo todo?
_Sono.
_Como assim?
_Eu dormir o tempo todo. — disse rindo.
_Hum...
_O que sera que eles tão falando?
_Não sei.
_Vai lá ver. E me conta tudo.
_Curioso.
Que lugar estranho. Sempre odiei hospitais. Meu quarto é azul. Azul... Preciso ir ao banheiro. Eu vou ao banheiro. Tentei me levantar mais TUDO doeu.
_Onde o senhor pensa que vai? — as duas me seguraram uma de cada lado para eu não cair.
_Ao banheiro. Ai! — eu disse sentindo dor no peito.
_Espera vou chamar a enfermeira. — Yasmim saiu do quarto correndo. E a Anne, ficou me olhando estranho de novo.
_Me incomoda você me olhar assim. — eu disse olhando para o chão.
_É agora você sabe como é.
Eu sorri.
_Você já sabe pra onde vai? — ela perguntou do nada.
_Pra casa.
_Seu pai foi...
_Preso. É eu sei. Foi melhor assim. Já estava na hora. — é o que ele merece.
_Você pode ficar lá em casa. — gritei.
_O que? Na sua casa?
_É eu posso cuidar de você.
_Você? Cuidando de mim?
_É. Eu já cuido de duas crianças não deve ser difícil cuidar de você.
_Há há.
_Você aceita?
_Com uma condição.
_Qual?
_Você vai usar aqueles uniformes sexy de enfermeira??
_Matt!!
_Desculpa eu não resisti.
Agora eu tinha certeza. Eu amo Annelise. É a primeira vez que isso acontece na minha vida, e eu estou muito feliz. Anne é incrível, e eu vou fazer de tudo para fazê-la feliz. Agora eu não estou mais sozinho. Agora eu tenho ela.
Fim.
Notas finais
Matt é um dos meus personagens favoritos.
e todos gostam dele. apesar de ter sofrido tudo isso ele ama tanto a anne que faz de conta q nada aconteceu.
ele é um amor.
gostaram???
proximo cap mais confusões.
Bjuss
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