Anne Bergerac: As Portas Da Contradição
17 Epílogo
Epílogo
Nossas vidas voltaram logo ao normal. Tornei-me oficialmente a senhora Sherlock Holmes poucos meses depois e enquanto isso continuamos a resolver os casos da nossa tão amada Londres. Watson casou-se com Mary e deixou Baker Street, deixando meu marido com um grande vazio no peito, que venho tentando preencher com afinco. Tem sido fácil manter este casamento, já que ambos continuamos com os costumes de antes. Há dias que Sherlock passa horas em seu laboratório e há horas em que passa dias sem falar comigo; essa parte por vezes me incomoda, mas já estou me acostumando.
Continuo a ajudar a senhora Hudson com os serviços da casa e isso ajuda há passar o tempo quando os casos não aparecem. O violino tem me ocupado durante os momentos de reflexão, assim como ajuda Holmes a pensar. Voltei a ler Edgar Allan Poe com mais calma e sem tanta confusão de sentimentos, embora ainda prefira os casos que resolvo com meu marido. Ganhei acesso livre ao arsenal de armas e a algumas entradas ao laboratório e as vezes, no primeiro, pratico tiro ao alvo... o que infelizmente incomoda alguns vizinhos, mas não o meu senhor. Ao contrário, este as vezes junta-se a mim.
Hoje, dia treze de Setembro, subo as escadas a caminho do laboratório para levar a correspondência ao meu marido. Tem sido uma daquelas semanas, em que ele ficou dois dias reclusos lá dentro e sem falar comigo. Mas agora, algum caso enviado por carta deve animá-lo. Bati a porta e entrei, fazendo com que os vários cheiros de compostos químicos sejam inalados por meu nariz.
_ As vezes me pergunto como você aguenta tudo isso querido. – disse me aproximando da bancada em que ele estava.
_ Na minha profissão, não posso temer a química e seus... pormenores minha querida. – ri de sua resposta.
_ Pois muito bem. Não pretendo incomodá-lo, em seja lá o que esteja fazendo, só vim entregar a correspondência. Uma em especial me chamou a atenção. – minha réplica não deve fazê-lo pensar que deixei de me interessar pelo que ele faz. Apenas não gosto muito do cheiro desta sala.
_ Leu as cartas? – perguntou-me ao tomar posse destas.
_ Como de costume. Mas devo admitir que só abri uma. – apontei a carta em questão. – A caligrafia era bastante elegante e me chamou a atenção.
_ O que diz?
_ Trata-se de James Hopkirk. Membro do Parlamento há seis anos, acordos de comércio com vários países. Atualmente chantageado por alguém desconhecido, não deixa transparecer suspeitos. E claro, não pude deixar de me sentir tocada com a questão, “temer a segurança da esposa e da filha”. Caso receba uma resposta positiva, virá até aqui às duas horas. – após refletir minhas palavras, ele voltou-se para o experimento em que estava trabalhando.
_ Não vai responder?
_ O que você acha?
_ Acho que sim. Casos de chantagem sempre me interessaram, sem falar que as contas precisam ser pagas no fim do mês. – ri da última afirmação.
_ Caso haja mesmo um sequestro, haverá mais trabalho do que você está pensando. Demorará mais e será muito perigoso.
_ Ora não se preocupe, eu protejo você. – ele riu e voltou-se para mim.
_ Nesse caso, pode responder que aceitamos. Estaremos esperando às duas horas. – assenti e sai dali. Ao chegar até a sala, escrevi a carta para o nosso mais novo cliente.
Tem sido assim desde então. Acreditem... Não gostaria que fosse de outro jeito. E por mais que as vezes ainda discutamos, todos que passarem por nossa porta podem ter certeza... que não há em Londres, um casal que se dê tão bem quanto Sherlock e Anne Holmes.
Notas finais
E se tivermos várias reviews, prometo que assim que terminar com o projeto do meu segundo livro, voltarei a postar Anne Bergerac para vocês.
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