Notas iniciais
Oiii tudo bem? Começando novembro com um capítulo novo ♥

— Acorda! — Um chamado estridente e extremamente animado vem acompanhado de um pulo tão forte no colchão, que o faz mexer abrupto levando o corpo de Anna para o alto. A garota do vale desperta assustada ainda tentando recobrar sua consciência. Uma risada alta e aguda é dada por Meredith que logo recebe uma repreensão de uma de suas colegas fadas.

— Meredith! Não se acorda alguém desta forma. — Dayna reclama como uma mãe autoritária.

A fada por sua vez faz um biquinho chateada, mas ao perceber os olhos de Anna abertos salta mais uma vez feliz na cama, chacoalhando todo o colchão novamente.

— Olha só você tá acordada.

— Não é como se eu tivesse escolha. — A garota coça os olhos ainda tentando entender o que estava acontecendo.

— Mil perdões Anna, — pede Flary — essa fada é maluquinha da cabeça.

Meredith por outro lado não se importou com os comentários das outras fadas, aconchegou-se em Anna ainda deitada dando seu abraço carinhoso de urso. A garota do vale sorri sonolenta e retribui o abraço de sua pequena amiga.

— Eu acho que todos vocês poderiam sair do quarto agora mesmo. — Reclama o gato se segurando com as unhas fincadas aos tecidos das cortinas. — Eu estava tendo meu amado e confortável soninho, quando uma fada selvagem maluca decide pular na cama e me arremessar aqui em cima. — Ele resmunga entre miados que parecia um choro de desespero.

— Me desculpa Noturninho. — Choraminga Meredith saindo e voando veloz do abraço de Anna e acolhendo em seus curtos bracinhos o bichando, ajudando-o a sair da situação desagradável.

— Como eu conseguiria ficar com raiva de você, — admite o gato sentindo a energia selvagem sendo emanada da fada tranquilizando-o — você tem um cheirinho delicioso de erva de gato. — Diz o felino abrindo a boca como se estivesse em transe.

— Viemos pessoalmente informar, — discursa Diluck de um jeito categórico — que enviamos o relatório para a cidade centro nesta manhã, informando que a Senhorita Anna Rampart é uma portadora de mana elemental e estará sendo encaminhada para a cidade centro, para exercer assim seu papel como cidadã do vasto continente de Rimedra. A Senhorita em questão, terá três dias para comparecer a um dos postos militares das fadas do oráculo, o mais próximo de sua casa. O não comparecimento deste ser, será considerado traição e declarado crime continental. Este mesmo traidor será caçado, julgado e condenado por seus atos criminosos.

— Criminosa? — Anna repete assustada sem entender nada do que estava acontecendo, a dois minutos atrás ela sonhara que estava voando por cima de um lago feito de mel dentro de uma xícara de porcelana gigante e agora ela pode ser considerada criminosa por algum motivo?

— Você pode ser executada. — Enfatiza Happy com um sorriso vago e assustador e sua voz sem emoção alguma.

— Executada? — A garota faz uma careta amedrontada.

— Não precisa se preocupar com isso agora Anna, — conversa Flary — a gente repete e explica tudo com mais calma depois. Agora o mais importante é que você se arrume e venha tomar café, todos estão esperando por você. — Ela sorrir para a garota deitada com todo seu cabelo bagunçado na frente do rosto. Anna assente entre grunhidos de sono e todas as fadas saem do quarto. Ela assopra frustrada e enterra sua cabeça em um travesseiro enorme e macio.

Ao realmente despertar e olhar em volta, Anna solta um riso de canto breve e aliviado ao perceber que o dia anterior de fato aconteceu. Observando atentamente os cantos luxuosos do quarto que está alojada, uma arara de pendurar roupas chama sua atenção, um vestido lilás estava pendurado e um pequeno papel dobrado preso a gola dele. A garota do vale caminha até o objeto sem delongas e abre o papel.

“Espero que possamos conversar hoje com mais calma, comprei este vestido hoje cedo e lembrei de você.

Com amor, mamãe”

Anna sorrir com suspiro aliviada, ela agarra o pequeno bilhete de sua mãe e o contrai com as duas mãos, sob seu busto. A primeira vez que ela desafia seus pais em longos quinze anos e até então ela não via motivos para fazer isto. A vida com os Rampart’s sempre fora recheada de momentos agradáveis, estudos e conversas saudáveis, até onde ela consegue lembrar. A garota alisa o tecido do vestido, sentindo a macies do algodão. Era um simples vestido longo que iam até um pouco abaixo dos joelhos, a manga era bufante com cadarço que dava um certo charme de realeza.

— Vovó o deixou logo cedo, — conta Noturno se espreguiçando na cama — ela fez um carinho na minha cabeça e deu um beijo na sua e pediu para eu fazer silêncio para não acordar você. — Anna se vira para seu amigo peludo com um sorrisinho feliz. A garota vai até uma porta dentro do cômodo e abre, se deparando com um enorme banheiro luxuoso. O lugar era todo revestido em um tipo de mármore verde e aparentemente completo, pia para lavar o rosto e as mãos, toalhas penduradas, privada, e uma banheira, tudo construído com o mesmo tipo de mármore.

Alguns minutos após o banho, Anna se veste com o presente dado por sua mãe e ao sair do quarto sendo acompanhado por Noturno e a vassoura, ela é surpreendida por uma mulher, vestida com roupas formais de criada de Esprodom.

— Bom dia senhorita. — Ela deseja com uma voz suave e um sorriso aconchegante.

— Uh. — Anna levanta os ombros e depois sorri — Bom dia.

— Fui ordenada a acompanhar a senhorita até o salão de café da manhã, todos estão aguardando. — Ela ergue uma mão indicando que Anna começasse a caminhar na direção sugerida, que assim fez.

— Qual seu nome? — A garota do vale pergunta.

— Meu nome é Jima, senhorita.

— O meu nome é Anna é um prazer conhecer você Jima, esse é o Noturno e esta é a... — Anna estreita o olhar para o utensílio de limpeza se movendo ao lado dela — Vassô? — A vassoura para de caminhar e sacode seu cabo para os lados, rejeitando dramaticamente o nome sugerido. Anna dá de ombros. — Bem, essa é uma outra amiga minha. — Jima olha para o objeto com estranheza e continha andando com as sobrancelhas franzidas.

O grupo desce alguns lances de escadas, caminham entre vários corredores, observando por entre eles quadros de pessoas que provavelmente foram descendentes reais ao longo do reinado de Platina, a antiga Gedor. Jima enfim, abriu uma grande porta e eles puderam contemplar o salão de café da manhã. Uma mesa gigantesca no meio do cômodo lotadas de cadeiras ao seu redor. O salão era iluminado por luz solar que transpassava as muitas janelas alojadas nas paredes em volta. Mesmo que não precisasse da claridade, haviam lustres cheios de velas e castiçais aos montes posicionados a mesa, que por sinal, estava farta de diversos tipos de comida. Os olhos de Anna se iluminaram admirando o grandioso banquete a sua frente e todas as pessoas que já estavam sentadas a mesa. Sentados a mesa estavam todas as fadas do oráculo, Pietrus, o rei que conhecera na noite anterior com uma bela mulher ao seu lado, seus pais e mais alguns jovens e crianças que Anna ainda não conhecera. A garota não fora despercebida, assim que Jima abriu a porta e eles entraram, a atenção de todos são voltadas para Anna.

— Bom dia. — Ela diz tímida.

— Bom dia! — As fadas gritam animadas.

— Olha ela aí, a garota do momento. — O rei levanta uma taça — Venha jovem Anna, sente-se, delicie-se com nosso banquete comemorativo de café da manhã, aliás, — ele se levanta de sua cadeira espalhafatosa — não é todos os dias que Platina possui dois reagentes ao mesmo tempo, digam-me se isto não é motivos para comemorações? — Ouve-se um grito de concordância de algumas pessoas presentes. — Um brinde a Anna filha de minha grande amiga Deborah e a Pietro, meu terceiro filho. — Quase todos levantam a taça acima da cabeça brindando junto com o rei. Deborah por outro lado, revira os olhos em uma discordância nada discreta.

Anna senta-se entre Happy e Dayna em uma cadeira vazia, seus pais estavam a sua frente que a observam com um olhar preocupado. Noturno passar por debaixo da mesa e senta numa cadeira ao lado de Bentley que logo faz carinho no topo de sua cabeça.

— O vestido ficou lindo em você querida. — Elogia sua mãe um pouco sem jeito.

— Obrigada mãe, — Anna agradece com um humor doce que os Rampart’s estão acostumados — obrigada pelo vestido.

— Não precisa agradecer meu bem. — Ela sorrir gentil.

— Ficou muito linda mesmo. — Concorda o Sr. Rampart.

— Obrigada pai. — Ela agradece enquanto pega um pão doce numa cesta, a iguaria era um enorme pão transado coberto por bastante açúcar refinado e recheado com algum tipo de geleia de frutas. Anna passa um olhar rápido para olhar todos sentados a mesa, até encontra Pietro encarando-a franzindo o cenho. A expressão tensa dele se dissipa quando ele encontra os olhos dela e logo ele dá um sorriso amarelo e lhe mostra uma taça, ele levantando em sua direção. Anna revira os olhos e faz uma careta de reprovação, deduzindo que o conteúdo na taça provavelmente era vinho. Ele dá de ombros e finge prestar atenção na conversa de seus pais que estavam próximos a dele.

— É bom ver você de novo Anna. — Comenta Dayna enquanto beberica seu chá.

— Digo o mesmo Dayna, — a garota do vale sorrir abocanhando seu pão doce, assim que mastiga e engole com um pouco de dificuldade a massa açucarada e recheada ela se vira para a fada sombria — como foi sua noite Happy, você dormiu bem?

A fada sombria se vira lentamente para Anna e a observa comer seu café da manhã sem esboçar qualquer reação.

— Foi magnifica. — Ela diz tediosa. Anna não entende se foi sarcasmo ou se a fada realmente estava sendo sincera, mas não se sentiu confortável para fazer qualquer outra pergunta, ela desviou o olhar e se concentrou em comer seu doce. — Isso que você está comendo é bom? — Ela pergunta ainda sem nenhum pingo de entusiasmo na voz.

— Tá uma delícia, — Anna fecha os olhos enquanto saboreia — quer um pouco?

— Todas as fadas sombrias sofrem de alergia a glúten. — Ela afirma encarando Anna nos olhos.

— Uh? — Anna engasga um pouco e bebe dá uns goles de suco — Não era minha intenção envenenar você, me perdoa.

— Eu menti. — A fada em preto e branco alarga a boca em um sorriso sinistro sem mostrar os dentes.

— Ah. — A garota do vale sente um leve medinho tomar conta de seus sentimentos.

— Happy, você não tá assustando a Anna para se alimentar do medo dela né? — Reclama Dayna de um jeito maternal.

— Estava. — Happy admite e dá uma piscadela para Anna.

— O que falamos sobre assustar e se alimentar dos amigos?

Happy dá de ombros e revira seus olhos pretos e brancos.

— Cadê a Bela? — Ela pergunta para Anna.

— Bela? — A garota do vale estranha.

— É, a sua vassoura mágica, hoje de manhã cedo, quando fui te acordar com as outras, ela me disse que gostaria de ser chamada assim.

— Ela te disse? — Anna questiona.

— A Happy, — explica Dayna — tem um dom bem incomum. Ela consegue se comunicar com objetos animados.

— Isso é incrível, — elogia a garota observando a fada alvinegra olhar para os lados procurando a vassoura — você é maravilhosa Happy. — A fada, no entanto, parece ignorar suas companheiras até avistar Bela encostada numa parede longe de todos. Ela retira-se da mesa e vai até o objeto que parece ficar feliz com a chegada mórbida da fada.

— Então, — começa Dayna — temos que conversar sobre seus planos para ir a cidade centro.

— Não sei se eu poderei ir. — Anna olha de relance para sua mãe que também ouvira o argumento da fada mística.

— Preciso ser sincera — admite a fada com semblante mais sério que de costume — as leis são muito claras sobre os seres que possuem uma das cinco forças e são descobertos por nós fadas do oráculo. — O silêncio desconfortável entre ambas fora tingido por uma tensão ansiosa da jovem.

— Se ela não quiser ir, — Deborah finalmente fala alguma coisa — ela não irá.

A calada que preencheu este lado da mesa era escalada por uma aflição dos envolvidos. Deborah, Anna, Dayna e Bentley se entreolhavam. A fada mística dá uma breve golada em sua bebida e então respira fundo.

— Meu intuito aqui não é colocar pressão para sua família. — A fada de cabelos em roxo mantém um olhar tão sério e ameaçador quanto Anna nunca vira em alguém. — Porém, você quer mesmo que sua filha seja uma traidora continental e inimiga oficial da aliança Rimedriana? — Apesar das palavras duras que acabara de entoar, sua linguagem corporal de calma era incontestável.

— A minha recusa pode ter efeitos desastrosos, — Anna reflete em voz alta enquanto encarava com uma expressão vazia o pão doce mordido em seu prato — o fardo desta escolha cairia apenas sobre mim, ou também sobre a minha família?

— Anna, — Deborah intervém — escute sua mãe, você não é obrigada a ir para cidade centro. — A frase de Deborah ecoa por todo cômodo, quando um silêncio repentino tomou conta de todo espaço. A atenção de todos estava centralizada sob poquissonea, que percebe o quão alto suas frases saíram. O rei Rogah ergue uma sobrancelha em descrença ao perceber o desrespeito escancarado de sua convidada.

— O que você acabou de dizer? — Ele se levanta de seu trono na ponta da enorme mesa.

Notas finais
Eita! Que a coisa agora ficou séria D:' Até o próximo :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.