Anna

1 Anna se foi


Notas iniciais
Boa Leitura ^^

Meu caminho é cada manhã

Não procure saber onde vou

Meu destino não é de ninguém

E eu não deixo os meus passos no chão

Se você não entende não vê

Se não me vê, não entende

-Capital Inicial/Primeiros Erros

Anna saiu de casa aos dezeseis anos, cansada da vida, dos pais, dos poucos amigos, do namorado chato que pensava em se formar em direito, ela até visualizava ele todos os dias em um terno escuro e com óculos de grau, ele a amava e por alguns dias ela também o amou, mas aí que entra a parte chave da vida de Anna, ela não sabe lidar com rotinas, várias personalidades diferentes, caminhos sem rumo, sabe conquistar qualquer pessoa, sabe o que cada um vai gostar nela, o que vai trazer mais admiradores, Anna se acostumou tanto a montar personagens que honestamente nem lembra mais qual é sua personalidade verdaira, mas quem liga? Ela é Anna, Hanna, Maria, Yasmin, Claúdia, a cada cidade um nome diferente, alguns dizem que é menina linda do sorriso inocente outros apenas a julgam atraente, mas nada muda, sempre será a menina dos olhos azuis penetrantes e do longo cabelo loiro.

Todo dia uma nova aventura, festas, baladas, drogas, pichações de muro, a cada noite um novo amor e Anna os ama, todos eles, ela sempre os ama, mesmo sendo por apenas uma noite, mas o amor torna tudo mais difícil, ela ama cada pessoa com quem dorme e todo dia acaba sofrendo por os abandonar, mas ela sabe que é melhor assim, se ficasse por mais tempo acabaria em uma nova rotina e ela desistiria de novo mais uma vez, apesar de tudo ninguém consegue odiar Anna, quem odiaria?

Quem nunca provou do seu amor diz ser só mais uma, mas quem já provou, ah! esses tem sorte, cada momento com a loira é inesquecível, todos lembram da sua pele macia, tão boa de beijar, dos gemidos alucinantes, ah, Anna, os lábios rosados com sabor de cereja, doces como a fruta, o corpo pequeno se enroscando no seu, vocês não devem a reconhecer, vou ajudar-lhes um pouco....Hanna? Agora o nome fez sentido, sei que você se ligou quem é, não se culpe por não ter a reconhecido, poucos tem a minha sorte de conhecer uma moça tão bela, eu a conheço de verdade, não como esses casos de uma noite só.

Eu segurei seu cabelo enquanto vomitava e perdia toda a pose de rainha, eu a cuidei quando estava com o nariz escorrendo e com 39° de febre, quando um babaca a recusava, o que pra mim era impossível, eu a ajudei a fugir de policiais, de se esconder de caras perigosos, eu sempre estive com ela durante a minha vida toda, mas sempre vou receber o cargo de melhor amiga.

Eu escutei seus gemidos alucinantes por causa de paredes finas que me davam o prazer de escutar seus sons deliciosos, mas que muitas vezes apenas me lembravam que não era eu a causa-los, eu cresci com ela, vi ela dançar com um veterano da faculdade no baile de formatura, vi ela dar seu primeiro beijo com um menino três anos mais velho, ela sempre encantou todos e eu sempre sofri, mas nem mesmo eu a conheci de verdade, e hoje foi o dia que me fez perceber isso, hoje encontrei ela morta no banheiro do nosso apartamento que dividíamos juntas, vi seus olhos fechados, alguns remédios no chão, o corpo pálido e sem vida, com múltiplos cortes pelos pulsos, vi minha loira morta e não pude fazer nada, seu coração já não batia mais, apenas vazio e eu que nunca fui deixada por ela finalmente entendi o que todos os outros acompanhantes dela já sentiram, a dor de perder alguém tão especial como Anna.

Mesmo parecendo confiante, segura, feliz, alegre, divertida, Anna sempre se sentiu vazia, com falta de um amor duradouro, com a falta de rotina, mesmo odiando uma ela também queria uma, ah! se eu soubesse, teria feito de tudo para conquista-la, para ser sua rotina permanente, gostaria que ela tivesse me falado antes e não por uma carta de adeus, onde nada mais posso tentar, nada mais posso fazer, por que agora seu corpo se esvaiu da vida.

Feche os olhos, respire e pense em algo bom

Não preciso você é apenas o que eu preciso e sempre vai ser, seus braços ao redor dos meus ombros, sua respiração quente no meu pescoço, sua voz me acalmando e seus lábios sabor de cereja me dando um simples selinho de boa noite

Ela costuma me dizer isso todas as noites em que eu acordava chorando, ela me abraçava e dizia essa pequena frase que fazia tudo melhorar e eu sempre lhe dava a mesma resposta, mas nunca a completava, talvez se eu completasse alguma coisa teria mudado, Oh doce, minha doce Anna, por que você não está mais ao meu lado?

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!