A figura desapareceu e consegui-me aproximar do Lionel.

Ajoelhei-me e coloquei a cabeça dele nas minhas pernas e senti o seu sangue na minha pele. As lagrimas foram inevitáveis.

Rapidamente Joel chamou os guardas e estes tiveram que arrancar o anjo que eu tinha nas minhas pernas. A dor estava a ser enorme e nada conseguia a acalmar…

-Calma… — Pediu-me Joel.

-Quem é que ele era? – Perguntei.

-Não sei meu amor mas sei que tens que ter calma se não, não conseguiras pensar direito!

-Quero saber quem é que ele era! Terá vingança! Como é que se atreve a vir ao meu reinado, passar pelos meus guardas, matar o meu amigo e sair em pune! Não pode! – A raiva cresceu dentro de mim de uma maneira que achava impossível.

-Vamos! – Joel agarrou no meu braço e fez-me levantar mas por alguma razão não conseguia-me manter em pé então estremeci e quase que cai porem Joel voltou a agarrar-me e pegou-me ao colo, agora sentia-me segura. Ele dava-me esta sensação de segurança. Poucos segundos depois acabei por adormecer nos seus braços…

Acordei nos meus aposentos, era um quarto enorme com uma grande cama no centro, um espelho por cima dela e outro á direita com uma pequena comoda debaixo e á frente da cama um enorme guarda-roupa.

Remexi-me na cama e senti a seda roçar o meu corpo, libertei um riso irónico pensando em como teria ficado nua. Dirigi-me ao guarda-roupa e abri-o, um enorme leque de roupas estava á minha espera só que era toda branca, no céu só se utiliza roupa branca o que para mim não é de bom agrado porque adoro cores. Vesti a minha roupa interior e arranquei um vestido com um bom decote e que me dava pelo joelho quando a minha filha entra pelo quarto a dentro.

-Mãe! – Ela rompeu pela porta a dentro, espetou-me um beijo na face e sentou-se na borda da cama.

-Luanda! Já te disse que não podes entrar no quarto das pessoas sem bater! – Reclamei.

-Mas não és uma pessoa – riu-se – és um anjo!

-Filha, foi uma forma de expressão. De qualquer maneira não podes entrar assim no quarto dos anjos e das pessoas… Sabes que para completares a tua transação para anjo tens que ter uma missão na terra, já que nunca lá foste! Todos os anjos devem conhecer os filhos de Deus!

-Sim, mãe! Mas onde está o meu pai?

-Também não sei, acordei há pouco. Deve estar na sala do trono.

-Mãe, senta aqui – A minha filha pousou a mão na cama de deu umas leves palmadinhas como chamamento. E assim o fiz. – Eu sei o que aconteceu… De certeza que o pai já te disse isto mas tens que ter calma e pensar em tudo o que está em jogo. Sim?

-Sim minha …

-Pronto mãe, não quero entrar em lamechices – Interrompeu Luanda – mas agora tenho que ir para a escola, se não, não conseguirei concluir a transação. – Ainda a falar, saiu pelo quarto a fora.

Olhei para ela a sair e senti um enorme orgulho. Ela estava linda e mais forte que nunca e ficaria assim para sempre, com vinte anos. Como lhe disse, ela terá que ir para a terra fazer uma missão mas isso assusta-me imenso pois sei quais são as tentações da terra e tenho medo que ela mude o seu caminho e nunca mais queira voltar para o céu e assim perderei a minha linda menina. Porem tenho que ser forte e confiar nela e ajuda-la no que quer que ela necessite.

Levantei-me e dei com os meus olhos enxaguados de água. Estava a chorar. Sacudi as lágrimas para trás e sai do quarto encontrando rapidamente as escadas e cheguei á sala do trono.

Deus agora cuidava dos seus filhos, os humanos, e eu fiquei com a responsabilidade de governar Anjosfera. Fiquei no novo palácio que foi construído propositalmente para mim e que fica um pouco abaixo do de Deus, assim ele pode cuidar dos humanos e dar uma espreitadela em Anjosfera. Por isso é que ele se encontrava na sala do trono.

-Deus! – Disse gratificada e fiz uma vénia.

-Minha querida rainha, não precisas de fazer isso. – Disse ele puxando pelos meus ombros. – Já sei o que aconteceu e ele morreu mesmo.

-Mas como é que alguém conseguiu matar um anjo? – Perguntei confusa.

-Provavelmente Lionel descuidou-se e deixou a sua espada desprevenida! – Respondeu pensativo.

-Não. – Retorqui Joel que acabara de entrar na sala do torno. – Acabaram de examinar a espada dele e não foi essa a arma do crime. Vamos esperar que examinem o corpo de Lionel e depois descobriremos quem fizera tal maldade!

-Sim – Disse olhando para baixo.

-Quando souberam de alguma coisa avisem-me! – E destas palavras Deus saiu da sala do trono.

Joel envolveu-me nos seus braços e sussurrou:

-Estou sempre aqui!

-Eu sei – Respondi-lhe. – Tenho saudades em que o menor dos meus problemas era conquistar-te!

-Olha que também não foi tarefa fácil! – Riu-se convencido.

-Consegui, não consegui?

-Quer dizer fiquei hipnotizado pelas tuas azas. – Deixou escapar um leve sorriso que me fez sentir uma menina. — Juntos conseguimos derrotar o Rodrigo, lembras-te? – Subiu-me aos pensamentos a imagem de ver Joel trespassar com a sua espada o corpo de Rodrigo.

-Foste tu que o derrotas-te, meu herói – Consegui finalmente soltar uma pequena rizada.

-Fomos juntos porque se não o tivesses distraído nunca o conseguiria aniquilar. – E juntou os seus lábios aos meus e pode sentir o calor que senti da primeira vez que o beijei.

Ficamos umas horas na sala do trono a receber alguns anjos com missões concluídas ou mandar alguns para missões.

-Minha rainha – Joana e Bernardo entraram porta a dentro.

-Bernardo! – Quase que gritei pois já á muito que não o via. Ele ainda cuidava das novas almas mas agora tinha uma família e eu ando sempre com os problemas do reino por isso não temos tido tempo nenhum para falarmos. Como tenho saudades de poder desabafar com ele! – Vocês não precisam tratar-me dessa maneira! Para vocês sou vossa amiga, certo?

-Claro que sim! – Bernardo deu-me um forte abraço, um abraço que já á muito esperava sentir. -Mas receio ter notícias que não te agradem!

-Porquê? – Perguntou Joel ao meu lado.

-Encontramos isto no pescoço de Lionel! – Dizendo isto, Joana levanta um pequeno saco que continha um minúsculo pedaço cinzento.

-O que é isso? – Perguntei.

-Pelo que o laboratório nos disse, é kríptaps.

-Joel, de que é que são feitas as nossas espadas? – Perguntei confusa.

-De diamante derretido. – Respondeu.

-Então quem matou Lionel não foi um anjo! — Conclui

-Pois não minha querida. – E lá estava Deus entrando pela sala a dentro.

-Sabe quem matou o Lionel? – Perguntei indo ao seu encontro.

-Kríptaps é um material que só existe no Inferno…

-Mas o Inferno foi destruído – Começou Bernardo.

-Não totalmente. Há alguns messes que recebi notícias que o inferno tinha sido reconstruido. Não queria acreditar mas agora isto prova tudo!

-Quer dizer que os demónios podem criar paredes mágicas? Porque não fizeram isso antes? – Perguntei.

-Paredes mágicas? – Deus perguntou confuso.

-Quando tentei me aproximar de Lionel uma parede não me deixou…

-Não acredito! – Deus estremeceu e pela primeira vez pude ver receio na sua face. – É pior do que eu pensava!

-Sabe quem matou Lionel? – Interrogou Joel.

-Sim…

-Quem? – Quase gritei. Queria imenso saber quem fizera tal atrocidade.

-Foi o Diabo!

Silêncio.