Anjosfera 2 - Destruição Total
7 Cavaleiro da Morte
-Cavaleiro da Morte. – Anunciei. Todas as mortes que estavam a acontecer naquela pobre cidade era o cavaleiro que lá estava hospedado. Há uns dias que os humanos têm morrido inesperadamente. Pessoas saudáveis andam na rua e de repente caiem no chão morrendo. Só podia ser a Morte.
-Parece que estas correta. – Reforçou Joel. – Temos que ir.
Saímos do motel e seguimos para um grande armazém que supostamente estava a ser o covil do cavaleiro pois maior parte dos corpos apareciam em redor desse armazém.
Quando chegamos vimos imensos camiões estacionados á porta do armazém e imensos humanos que trabalhavam porem houve um camião que começou a sair.
-Bernardo, vai atras daquele e descobre para onde vai! – Pedi e rapidamente Bernardo foi atras porem algo acontecera e o camião começou a buzinar com isto os trabalhadores fecharam todos os portões em modo de segurança. Ainda tentamos pelas garagens mas in vão.
-A porta! – Sugeriu Joel correento até á porta ao lado.
-Ajudem-me! – Gritava humanos dentro do armazém.
-Afastem-se! – Pedi e espetei a minha espada na fechadura que a fez quebrar e abrir a porta então os humanos saíram a correr e eu juntamente com Joel entramos cuidadosamente.
O armazém parecia estar deserto porem começamos a ouvir guinchos de pessoas a ser mortas e aproximamos-mos calmamente. Havia imensas caixas empilhadas que nos dificultavam a visão então fomos as contornando.
Avistamos cerca de meia dúzia de trabalhadores que estavam a comer um outro trabalhador. Aquilo não era humano.
Eles avistaram-nos e com as nossas espadas nem posição marcamos território.
Começaram a correr para nos atacar e quando o conseguiram lutamos saindo vencedores ficando os corpos espalhados no chão.
-Ajude-me! Por favor, ajude! – Gritava uma mulher que nos chamou a atenção.
-Ainda há pessoas aqui. – Disse virando de onde vinha a voz.
-Serena, não! – Disse baixinho.
-Espera aqui. – Pedi e segui em direção á voz contornando as pilhas de caixas.
Avistei uma mulher a tentar subir as escadas e um homem impedindo agarrando no seu pé porem rapidamente esfaqueei-o.
-Estás bem? – Perguntei aproximando-me porem ela olhou para trás de mim avisando-me que lá estava alguém. Virando-me rapidamente enfiei a minha lâmina no peito do demónio fazendo-o cair para cima de mim e com um empurrão caiu no chão.
Rapidamente peguei na mulher e levei-a para a porta onde tinha entrado.
-Vai! Vai! – Gritou Joel para a humana sair. Voltei atrás e encontrei mais dois humanos que os levei para a saída.
-Tudo limpo. – Afirmei chegando ao Joel.
-Serena! – Gritou Joel e alguém me pós ao chão sufocando-me. Joel ia em meu socorro mas um demónio também o agarrou deitando-o no chão e lutando com ele.
Uns segundos de sofrimento e vi a cabeça do meu agressor ser cortada podendo respirar.
-Ainda bem que estava por perto. – Disse Bernardo ajudando-me a levantar e vi que Joel tinha acabado com o demónio.
-Pois… — Sorri-lhe.
-Vamos! A Morte está no restaurante mesmo aqui ao lado. Consegui senti-la. – Revelou Bernardo iniciando a saída do armazém.
Abri lentamente a porta do restaurante e principiei em ver as empregadas estendidas no chão: mortas. Entramos e fechamos a porta cuidadosamente para não fazer ruido.
Havia um pequeno degrau e depois estavam imensas mesas espalhadas por toda a sala porem havia humanos sentados com a cara espetada na mesa, também todos mortos.
Fomos-mos aproximando e contornando as mesas para o lado oposto da sala porem alguém se mexia numa das últimas mesas virada para as grandes janelas.
Toquei no Joel avistando-o com o olhar e aproximamos-mos lentamente porem a três metros da Morte a minha espada começou a ficar vermelha que me queimava a mão e deixei-a cair fazendo um enorme estrondo.
-Junta-te a mim, Serena. A pizza é deliciosa. – Pediu a morte. Aproximei-me deixando o Joel e o Bernardo onde estavam fazendo-lhes sinal que estava tudo bem.
-Senta-te! E deixa os cães de guarda lá atrás. – Falou revelando saber de quem lá estava e mesmo assim eu senti-me à frente dele. – Demorou bastante para me encontrar. Estive à espera para falar contigo.
-Tenho que dizer… Sinto por isso. – Respondi deixando revelar um pouco do meu sorriso. – Então esta é a parte onde… me mata? – Perguntei.
-Tens um senso inflamado sobre a tua importância. – Disse levantando a cabeça e olhando-me diretamente. Tinha o cabelo negro e a testa era enorme, a pele enrugada e o nariz bicudo. – Para algo como eu, algo como tu, bem… — Pós a palhinha do copo á boca e bebeu um pouco. – Pensa com se sentiria se uma bactéria sentasse à tua mesa… e começasse a fazer piadas? – Lá fora estava a trovoar e os relâmpagos entravam pelas janelas adentro dando intensidade na cara da Morte.
-Este é um pequeno planeta, num pequenino sistema solar, numa galáxia que mal saiu das fraldas. – Disse lentamente. – Sou velho, Serena. Muito velho. Então venho convidar-te a contemplar… o quão insignificante acho que tu sejas. – Tirou uma fatia de pizza colocando no prato que eu tinha à frente. – Come.
Estava assustada e as minhas feições poderiam comprovar isso. Olhei para a fatia desconfiada mas se a morte me queria bastava tocar-me então peguei lentamente nos talheres e cortei um pedaço de pizza e levei-o à boca descobrindo que não estava envenenado.
-Bom, não é? – Perguntou encarrando-me.
-Bom tenho que perguntar… Quão velho és tu? – Atrevi-me a perguntar.
-Tanto quanto Deus. – Respondeu sem olhar para mim. – Talvez mais. Nenhum de nós pode mais lembrar. Vida, morte, galinha, ovo. No final, eu também o matarei.
-Deus? – Perguntei assustada. – Vais matar Deus?
-Sim. – Respondeu friamente.- Deus vai morrer também, Serena. – E encarrou-me.
-Porque ainda estou a respirar? – Perguntei incrédula, já que Deus vai morrer porque é que eu também não morro. – Sentada aqui contigo? O que queres?
-Tirar a coleira do meu pescoço. – Revelou inclinando-se na mesa. – O Diabo prendeu-me a ele. Um feitiço qualquer. Ele tem-me onde quiser, quando quiser. Por isso não pude ir até ti. Tive que esperar que viesses até mim.
Então era isso que o Diabo estava a fazer naquela cova. Estava a prender a morte a si para a poder controlar e assim começava com o Apocalipse.
-Ele fez de mim a sua arma. – Continuou o cavaleiro. – Furacões, inundações, levantar os mortos… Sou mais poderoso do que pode imaginar… e estou preso a uma criança.
-E tu achas… que te posso libertar? – Questionei. Parece que este cavaleiro não é como os outros com o espirito de matança, até pelo contrario. Pode não considerar a Terra como um grande planeta mas mesmo assim está aqui comigo para tentar ficar livre do Diabo. Porque? Porque não quer acabar com a Terra. Sempre pensei que a morte era cruel mas parece que me enganei.
-O teu ego inflamado de novo. Claro que não pode. – Respondeu. – Mas podes ajudar-me a tirar as balas da arma do Diabo. Soube que queres isto. – E elevou a sua mão mostrando o anel que eu procurava.
-Sim.
-Estou a tentar dá-lo a ti. – Confessou surpreendendo-me.
-Dar-me? – Mas será que a morte não para de me surpreender?
-Foi o que eu disse. – E lentamente começou a retirar o anel do seu dedo. — Existem certas condições.
-Certo, quais? — Perguntei.
-Vais ter que fazer qualquer coisa para pôr o Diabo de volta na sua jaula.
-Claro. – Afirmei.
-Qualquer coisa. – Reforçou a ideia.
-Esse é o plano. – Informei-o.
-Não, sem plano, não ainda. – Esclareceu. – Tu és a única que pode deter o Diabo. A única.
-Tu achas…
-Eu sei. – Interrompeu-me. – Então preciso de uma promessa. Vais ter que saltar naquele buraco flamejante. Tu és o receptáculo do Diabo. – E levou o anel até ao outro lado da mesa deixando-o a centímetros de mim. – Tenho a tua palavra?
-Tudo bem. Sim. – Disse aterrorizada.
-É bom que seja um “sim” Serena. – Ameaçou-me. – Sabes que não podes enganar a morte. – E deixou-me pegar no anel. – Agora, gostarias de ter um manual de instruções?
Sai do restaurante rapidamente correndo para o motel.
-Serena! Que conversa é aquela de seres o receptáculo do Diabo? – Perguntou-me Joel.
-Também não sei por isso temos que ir já para Anjosfera.
-Mas prometes-te que saltavas para a jaula! – Gritou Joel. – Sem saber das consequências!
-Joel… Temos que ir a Anjosfera. Quando tudo estiver esclarecido conversamos.
Velozmente passamos o portal Sagrado e entramos em Anjosfera sendo mais rápidos ainda chegando ao castelo de Deus.
-Deus! – Gritei entrando no grande salão. – Deve estar na torre. – Informei Joel e Bernardo voando para a torre pelas escadas redondas.
-O que se passa? – Perguntou Deus abrindo a porta.
-Ela é o receptáculo do Diabo? – Questionou Joel furioso.
-Já sabem… — Começou Deus.
-Já sabem? Quer dizer que este tempo todo soube e não disse nada? – Joel estava cada vez mais furioso e parecia que a qualquer momento ia explodir.
-Eu queria arranjar outra maneira… Mas não! Quando vocês viram o Diabo a desenterrar a Morte o corpo que ele habitava estava fraco foi nessa noite, que depois de irem embora procurei nas páginas Sagradas e descobri que a Serena era o recipiente.
-Isso foi há uma semana! – Berrou o meu amado sem saber o que fazer. – Não teve tempo para nos contar quando ainda cá estávamos? Ou era parte do seu plano? Sabia que a Serena pactuou com a Morte e jurou saltar para a jaula com o Diabo? Sabia?
-Não podes fazer isso! – Pediu-me Bernardo.
-Mas é a única maneira de salvar a Humanidade… — Comecei sentindo as lágrimas rebentarem nos meus olhos.
-A Humanidade é dele! – Gritou Joel apontando para Deus.
-Joel! – Enervou-se Deus. – Tu vieste da Humanidade! Se não fosse ela tu não eras nada!
-O Diabo é teu filho! Não soubeste criar os teus filhos! – Deus elevou a tua mão e deitou Joel abaixo.
-Nunca pensei fazer isto mas estás a passar os limites! Não fui eu que decidi que ela seria o vaso dele! É o Destino.
-Que se lixe o destino e a tua Humanidade. – Respondeu Joel recompondo-se. Pegou pelo meu braço e tentou levar-me. – Tu não vais pular!
-Joel! Larga-me! – Exigi.
-Serás capaz de me deixar? – Preguntou lacrimando.
-Não… mas…
-Não há mas. Eu amo-te. – E beijou-me intensamente como há muito eu esperava.
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