-Acho que está na hora de fazermos uma visita a Anjosfera. Tenho saudades da nossa filha! – Estávamos deitados na cama e eu por cima do corpo nu e quente do meu amado queria que esse momento nunca mais acabace felizmente os anjos têm boa memoria e nunca me esqueci de nenhum momento com ele.

-Podemos ir mas tem que ser pouco tempo, um dia ou dois. – Aprovou beijando-me na cabeça.

-Isso basta para poder falar com a nossa filha…

Era de madrugada e falei com Bernardo sobre a nossa decisão em deixar a Terra por uns dias e ele não se contrapôs por isso rapidamente abandonamos a Humanidade e subimos céu acima em direção ao portal para poder entrar no meu reino.

Chegamos ao portal sagrado e passamo-lo e para meu espanto tínhamos uma espera pelo povo de Anjosfera que organizara uma recessão de boas vindas. Havia imensos anjos agradecidos de todo o trabalho que fizéramos na Terra.

-Parece que em Anjosfera viramos lendas! – Riu-se Joel ao meu lado.

-É, parece que sim… — Não vou mentir e dizer que não estava a gostar daquela situação porque estava, lá no fundo gostava de saber que tinha alguém que nos olhava como heróis mas neste momento o que mais queria era que a minha filha me olhasse como heroína e não pelo que fiz na Terra mas sim por tudo o que fiz por ela.

Apressei-me para chegar ao meu castelo e isso não demorou muito até que estava sentada outra vez no meu trono.

-Que saudades! – Exprimi mostrando a saudade que tinha de Anjosfera.

-Passaram quatro semanas, sei que é difícil…

-Pai! – Olhei para as escadas e ali estava a minha filha. Ela correu pelas escadas abaixo até que chegou ao pai e o abraçou. Eu levantei-me e esperei que ela se chegasse a mim pois o meu orgulho não me deixou aproximar porem ela surpreendeu-me.

-Mãe! – Gritou e neste momento senti-me mais completa que nunca, sentir que a minha filha me perdoara e que não guardou rancor nenhum era mesmo o que lhe tinha ensinado.

-Perdoa-me… — Comecei.

-Mãe, já passou… Esquece. – Ela sempre me surpreendia com estas atitudes porque sempre que tínhamos uma discussão ela voltava no dia seguinte como se nada tivesse acontecido mas por alguma razão não me acostumei a isso e sempre que estou mal com ela isso atormenta-me. – Já passaram as notícias que derrotaram dois cavaleiros. Como eram os cavalos? – Perguntou.

-Por acaso o do primeiro era um Mustang e o do segundo era uma cadeira de rodas! – Riu-se Joel levou a sua filha junto na gargalhada então para não estragar o clima lancei um leve sorriso.

Quando me ia dirigir as escadas para subir ao meu quarto a grande porta do salão foi aberta deixando Deus entrar com todo o seu poder e soberania.

-A que devo a honra? – Perguntei aproximando-me.

-Queria saber se estava tudo bem. Sei que fisicamente sim minha querida mas quero saber se nessa cabecinha tudo está bem? – Perguntou preocupado.

-Por enquanto está… Mas parece que o Diabo está a levar o Apocalipse para a Terra.

-Eu sei minha querida! – Verbalizou triste. – E quem deveria lá estar era eu e não tu. Porque ficaste com o reinado de Anjosfera e eu com a Terra…

-Mas sem a Terra não há Anjosfera por tanto tenho que proteger os dois – Disse de bom grado. Eu até gostava das visitas à Terra porque os humanos têm sempre algo para ensinar, não é por acaso que eles têm almas. E são eles que depois vêm para Anjosfera tirando aqueles que caiem nas mãos dos demónios. Porque é que a conversa vais sempre parar ao mal?

-Que estás a pensar? – Perguntou Deus pousando a sua mão no meu ombro fazendo-me acordar dos meus pensamentos.

-Em como é bom estar com a minha família novamente! – Olhei para o Joel e a minha filha e vi-os a brincar. Poderia ficar horas afio a vê-los a brincar que não me cansava.

-Antes de ires embora vai lá acima, tenho uma coisa para ti mas agora fica com a tua família. – Deus virou as costas e saiu de roupão pela grande porta sendo esta fechada quando ele saiu.

Voltei em busca das escadas e subias em direção ao meu quarto. Abri a porta e há frente lá estava a minha enorme cama com lençóis de seda e por cima dela estava o enorme espelho á direita da cama encostada na parede estava a comoda com mais um espelho por cima dela. Ao meu lado estava o guarda-roupa que ficava de frente para a cama e á esquerda da cama estava uma porta que dava acesso á casa de banho. Entrei no quarto e passei pela comoda e vi as fotos que lá estavam e por momentos lembrei-me daquele dia: o meu casamento e o nascimento da minha filha. Continuei e cheguei á enorme janela que ficava mesmo no lado da cama e olhei através dela para Anjosfera. Uma linda paisagem de nuvens e casas flutuantes porem de vez em quando passava algum anjo.

Tomei banho e vesti as roupas brancas de Anjosfera esperando a qualquer momento que o meu marido entrasse pela porta dentro.

-Meu amor… — Disse ele quando entrou e me viu a olhar pela janela. Senti-o aproximar-se e ele envolveu os seus fortes braços na minha cintura e pousou a sua cabeça no meu ombro – Amo-te…

-Também te amo. – Verbalizando o meu amor rodei o meu corpo para ficar frente a frente com ele e beijei-o. Passei as seguintes horas ali naquele quarto proclamando o meu amor por aquele homem.

Já estava de noite quando saímos do quarto e encontramos a nossa filha na enorme sala de jantar.

-Como tem corrido as aulas? – Perguntei a Luanda.

-Estão bem. E quando tudo se resolver na Terra farei a minha missão. – A minha filha pousou a sua mão na minha fazendo querer que estava ao meu lado porem algo estava errado porque ela sempre quis ir para a Terra e agora mudava de opinião tão de repente.

-O que se passa? – Perguntei desconfiada.

-Nada mãe. Clama, simplesmente percebo que há neste momento imensos perigos na Terra que é melhor adiar a minha missão na Terra. – Exclareceu.

-Algo está errado! – Gritei.

-Calma! – Pediu-me Joel.

-Luanda! O que é que estas a esconder? – Questionei furiosa.

-Nada! – Respondeu quase lacrimando. Levantei-me e dirigi-me á cadeira da minha filha que ficava á esquerda da minha e metendo-lhe a mão na cabeça empurrei-a para a frente deixando a parte de traz do pescoço descoberto e pousei a minha mão esquerda lá. E nada. Era suposto ela ter uma marca como um diploma que informava que tinha terminado a transição para anjo mas ela não a tinha.

-Como é que não tens a marca? – Perguntei calmamente.

-Porque não tive mérito na transição… — Respondeu entre soluços.

-Então que asas são estas? – Gritei puxando as asas dela desvendado o segredo. Eram falsas. – Como és capaz de enganar e mentir? Foi isso que te ensinei? – Cada vez a minha voz elevava até fazer as paredes estremecer mas rapidamente Joel entreviu.

-Luanda, já para o teu quarto. Desta vez a tua mãe têm razão! – Pela primeira vez o pai ficou do meu lado que era coisa rara de acontecer.

-Serena, anda! – O meu amor dirigiu-me ao quarto e fez-me sentar na berma da cama.

-Como é que ela faz isto tudo? – Perguntei incrédula.

-A verdade é que ela mudou e a nossa ausência não ajudou em nada…

-Nunca devíamos ter saído daqui! – Fiz o meu amor sentar-se ao meu lado, abracei-me a ele e pousei a minha face no seu peito.

-Não digas isso… Se a Humanidade fosse extinta como é que resolverias? Há mil e uma maneiras de resolver os problemas da nossa filha…

-Tens sempre uma boa palavra para me dizer, não é?

Fomos dormir para acalmar os ânimos.

A meio da noite senti um tremor percorreu o palácio. Levantei-me e fui espreitas ás escadas e vi Deus entrar na sala do torno.

-Vai buscar o Joel e vem ter comigo… — Pediu baixinho e rapidamente Deus desapareceu entre o negrume da noite.

Fui ao quarto e chamei Joel contando-lhe o que acontecera então ele levantou-se rapidamente sendo também rápido a vestir-se e em poucos segundos estávamos a caminho do palácio de Deus.

-O que aconteceu? – Perguntei alarmada.

-Temos que ir á torre mais alta! – Então os três abrimos as grandes asas sendo que as de Deus eram bem maiores e mais velhas e voamos pelas escadas redondas em direção á torre.

-É o livro? – Perguntei quando chegamos.

-Não! Aqui… — E levou-nos para uma pequena fonte que estava um pouco afastada do livro.

-Que tem a fonte? – Questionou Joel meio adormecido porem Deus fez uns movimentos na água e uma imagem surgiu. Era um homem alto na caça dos cinquenta anos o cabelo um pouco loiro porem a pele estava seca. Esse homem estava numa enorme cova e estava a cavala.

-Este é o diabo! – Alarmou Deus. – Ele possuiu este pobre humano porem tenho algumas notícias…

-Diga! – Pedi.

-Primeiro de tudo, ele aqui, neste preciso momento está a desenterrar a Morte!

-Então é ele que tem levado os Cavaleiros para a Terra. – Concluiu Joel.

-O que mais sabe? – Perguntei.

- A prisão de onde o Diabo saiu ainda lá está no Inferno. E talvez possam coloca-lo de volta lá. – Esta foi das melhores notícias que Deus poderia dar.

-Como fazemos isso? – Interroguei.

-Têm de abri-la e engana-lo de volta para lá. – Respondeu.

-Então mas como abrimos a jaula? – Perguntou Joel cada vez mais interessado na conversa.

-A chave para abri-la está pela Terra. Na verdade chaves, plural. Quatro chaves, quatro anéis… dos quatro Cavaleiros. Guerra, Fome, Peste e Morte.

-Nós já temos duas! Guerra e Fome. – Anunciei mais feliz que nunca. Saber que este inferno pode acabar deixa-me numa harmonia perfeita comigo mesma. A verdade é que ainda há esperança.