Anjos também merecem o Amor - Ezkai
2 Quando o gelo derrete

Ez:
Vamos sair quando?
[14:22]
Você:
Ez, a gente saiu faz menos de uma semana
Eu não tenho tanto dinheiro assim, pra gastar quando der na telha
[14:23]
Ez:
Por isso que eu insisto em pagar a sua parte
Dessa vez um restaurante de verdade cairia bem
O que acha?
[14:23]
Você:
Não gosto da ideia de você pagar mais coisas pra mim
Seu pai é quem custeia a Fiora e nossas horas na pista
Cristina pagou o meu figurino
[14:24]
Ez:
Não sei como você sobrevive só com o dinheiro das premiações
Sei que mora sozinha, mas não é suficiente pra bancar contas e comida
Você realmente está bem?
[14:24]
Você:
Ez
Eu literalmente estou trabalhando poucos andares abaixo de você
Ricos gostam de dar gorjetas generosas quando lhes convém
[14:25]
Kai'sa tinha voltado a trabalhar no "Sunshine Hotel" como barista e garçonete ao lado de Akshan, o indiano mexeu uns pauzinhos e ela conseguiu a vaga de volta, precisava de grana para compensar as generosidades dos membros da família Lightfeather e ela preferia não incluir Ezreal nessa lista. Perdera o emprego uma vez quando teve uma crise devido a abstinência de drogas, ela se afundou nelas quando o fatídico incidente colocou sua carreira na corda bamba, Akshan nunca a julgou em relação a isso, portanto fez o que pôde para ajudá-la a conseguir o emprego de volta.
Ez:
E eu não posso lhe dar gorjetas no lugar deles?
[14:25]
Você:
Não será uma gorjeta se não estou prestando um serviço
E o meu trabalho é anotar pedidos e servir mesas
Não ser dama de companhia
[14:25]
Ez:
Tá, então não encare como uma gorjeta
Encare como um presente de um amigo querido
Eu vou descer aí e ficar te enchendo até aceitar sair comigo de novo
[14:26]
Você:
Tens muito tempo livre, não é senhor Ezreal?
Um restaurante, você diz...
[14:26]
Ez:
Com comida de verdade e uns drinks
[14:26]
Você:
Vou recusar os drinks, mas a comida não
Aceito sair com você
Agora com licença, alguém aqui não é sustentada pelo papai
[14:27]
Ez:
Au
Sempre delicada, pesseguinho
[14:27]
[Visualizado por último às 14:27]
— Que cara grudento, saíram só uma vez e já está te enchendo de mensagens? — Akshan provoca com um sorriso debochado, Kai'sa guarda o celular.
— Pois é. — respondeu ela, indiferente — Meu plano de fazê-lo sossegar deu errado.
— Era de se esperar. — riu ele — Tenho uma novidade pra te contar.
— Hm. — resmungou para demonstrar interesse.
— Entrei pra equipe de esqui. — revela.
— Omo! Sério? Que maravilhoso, Ash! — Kai'sa não contém sua vontade de abraçar o colega, toda empolgada — Você sempre quis isso, espero que dê tudo certo!
— Obrigado KaiKai. Não conte pra Irelia, vou dizer pessoalmente. — pediu.
— Ela vai pirar quando souber que você conseguiu. E mais ainda em saber que vou sair com Ezreal de novo.
— Sem dúvida! — concordou Akshan.
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Os encontros com Ezreal se tornaram mais frequentes, melhorando o desempenho deles nos treinos, por mais que Kai não admita em voz alta. Por outro lado, Kai'sa poderia desfrutar desse envolvimento com Ezreal Lightfeather, quanto tempo fazia que seu coração não batia mais rápido? Ela já teve um namorado, mas não gostava de se lembrar dele.
— Amor, você vem ou não vem pra Los Angeles? Estou te esperando! — a voz de Jayce ecoa do outro lado da linha, Kai pensou que atender sua ligação seria o melhor para os dois, não poderia mais adiar sua decisão.
— Eu não sei se é isso o que eu quero, Jay. — responde num murmúrio.
— Kai'sa, acabou! Sua mãe não está mais te treinando, você não está mais patinando, não tem nada pra você aí! — apontou ele, implicitamente suplicando para que ela aceite morar com ele em LA.
A australiana respirou fundo antes de dizer.
— Também não há nada pra mim em Los Angeles.
Terminar com Jayce por telefone não foi a melhor das ideias, entretanto não havia opções para Kai na época, ele já tinha viajado para os Estados Unidos, e ela decidiu não embarcar nessa vida pacata. Não seria feliz sem patinar, não poderia desistir de um sonho e Ezreal de certa maneira contribuiu para que ela permanecesse onde estava, quando lhe fez a proposta de ser sua nova parceira.
A antiga parceira de Tiger sofreu um acidente e não pretendia voltar ao estrelato por um longo tempo, era para ser apenas uma substituição, todavia o loiro não queria mais patinar com alguém que não fosse Kai. Ela era como uma engrenagem que estabilizava sua sincronia na pista, o seu alicerce no gelo, seu mundo quando o mundo ao redor não mais importava.
A verdade era que Ezreal tinha se apaixonado tanto por Kai quanto por Kai'sa, mesmo que não visse diferença entre as duas.
Kai também percebeu as mudanças recentes. O toque caloroso de Ez costumava lhe incomodar nas primeiras semanas de treino conjunto, faziam-na lembrar da noite que tiveram juntos, por mais que estivesse bêbada na ocasião, certas cenas não se desprendiam de seu cérebro tão fácil. E não mais se sentia incomodada com os dedos dele lhe tocando, deixar-se ser conduzida por Tiger era automático, agora era um prazer para ambos. Gostava de patinar com ele, sentia que era capaz de fazer os movimentos mais complexos, ousava se arriscar em saltos que deixara de fazer após o triple toe mal executado que lhe acarretou o prelúdio do fracasso, por conseguinte o fantasma do medo que lhe assombrou por todos esses anos seguintes. Não havia mais fantasmas com a presença de Ezreal em seus dias, Kai se sentia genuinamente feliz com ele.
E entendia o que aquilo significava.
Beijar Ezreal novamente era uma loucura, só que não existia mais razões que lhe impedissem de tal feito. Após o jantar, Kai'sa teve de dirigir no lugar do loiro, pois ele consumiu álcool e ela preferiu evitar possíveis problemas com a guarda local, ainda que ele estivesse lúcido.
"Quer saber? Dane-se". Lembrava-se vagamente de ter dito isso antes de puxar o rosto do mais novo para perto de si e beijá-lo, não queria pensar em consequências quando estava tão envolvida por sentimentos que não conseguia descrever precisamente. Passar a noite ali não estava nos seus planos, mas, como da primeira vez, não se arrependeu nem um pouco.
Ezreal tinha razão, eles tinham uma química que poderia fluir para fora das pistas, ela se fez presente em seus últimos encontros e estava ainda mais presente nesse momento em que estão aos beijos no quarto dele.
— Tem certeza de que quer fazer isso? — perguntou ele, em um dos únicos instantes em que não estavam com os lábios colados um no outro.
— Tenho. — era a única coisa que ele precisava saber, e a única que ela precisava dizer.
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— Bom dia, pesseguinho! — assim que abriu os olhos, Ezreal notou que a mais velha ainda estava ali, e desperta.
— Bom dia, estou esperando meu café da manhã! — riu, a voz um pouco rouca por ter acordado não faz muito tempo — Ou não vai usar essa tática de persuasão comigo? Todas as outras tiveram café da manhã na cama.
— Não preciso de táticas com você. Mas um café é sempre bem-vindo. — sorriu e se levantou da cama, para tristeza de Kai'sa, que usava seu peito como travesseiro até agora — Tem uma escova de dentes extra no banheiro, é a branca, você pode usar.
— Ela é nova em folha, não é? — perguntou apenas para provocar, sabia que ele não teria coragem de lhe oferecer uma escova usada. Ezreal voltou-se para ela com as roupas nas mãos.
— Pesseguinho, você é a única que eu ofereci uma escova, normalmente eu só pago um café mesmo. — deu risada e começou a se vestir.
— Então eu tenho um tratamento diferente? — sorriu — Devo ser muito boa mesmo, então.
— Você é encantadora, Kai'sa Cellest. Era isso que queria ouvir? Eu confesso!
— Já sabia disso, não sou chamada de anjo à toa. — mesmo com um pouco de preguiça, ela não poderia se dar ao luxo de perder mais tempo enrolada nos lençóis de luxo da cama de Ezreal, ainda tinham que treinar naquela manhã e precisava ir trabalhar no Sunshine mais tardar.
— Não parecia um anjo ontem à noite! — alfinetou, terminando de passar a camiseta pela cabeça, vestindo-a.
— Anjos não são completamente inocentes, e você já sabia disso também. — rebate, observando o carpete em busca das próprias vestimentas.
Quando terminou de se vestir e achou seu casaco, seu celular começou a tocar e vibrar no bolso do mesmo, Kai'sa franziu o cenho ao ver que quem lhe ligava era Seraphine e ficou um pouco surpresa ao notar as vinte chamadas perdidas da garota. Só poderia ter acontecido alguma coisa e ela entrou em pânico imediatamente.
— O que foi? — Ezreal nota o semblante assustado da morena.
— Minha irmã. — respondeu, atendendo a chamada — Sera, o que aconteceu?
— K-Kai... — a voz de Seraphine estava um pouco abafada, mas dava para entender o que ela dizia — A m-mamãe... Por favor Kai, me ajuda!
— Fica calma, tô' indo aí agora!
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Kai'sa dirigiu da melhor forma que podia, considerando seu estado de alerta acompanhado da preocupação eminente. Chegando em seu antigo lar, deparou-se com Bel'veth, sua mãe, forçando Seraphine a fazer flexões na neve, a menina chorava enquanto a mais velha gritava para continuar os exercícios, alegando que precisava treinar mais se quisesse ser uma campeã de verdade. Estava claro para Kai'sa que sua mãe não se encontrava sã, não era de hoje que ela possuía seus problemas com drogas, aliás, foi assim que ela entrou em contato com esse mundo quando entrou em depressão pelo seu acidente. Tirou a mais velha de perto de sua irmã, pedindo para ela se acalmar, Bel'veth começou a lhe insultar:
— Você sempre faz de tudo pra me atrapalhar, não é Kai'sa? Depois de tudo o que eu fiz por você e não deu certo, agora quer estragar a chance da sua irmã também? Hã? — debateu-se, completamente fora de si — Acha que pode chegar aqui e dizer o que faz e acontece? Você sempre estraga tudo!
— Mãe, por favor, vamos entrar e conversar direito! Tá nevando e a Seraphine tá se machucando! — implora.
— Pois você não é ninguém pra me dizer o que fazer, Kai'sa! Nunca passou de um fracasso e sempre será! Um dia Ezreal também vai lhe abandonar! — debochou.
Kai'sa reprimiu o choro o máximo que pôde, Seraphine se levantou do chão e ajudou a irmã mais velha a colocar a mãe para dentro de casa. Demorou, mas conseguiram convencê-la a se acalmar, contudo o estrago já estava feito, os vizinhos viram e ouviram tudo, Sera ainda era menor de idade e dependia da mãe para tudo, quando ela tinha essas crises não podia fazer nada além de pedir ajuda da irmã. E Kai'sa saiu destruída dessa discussão. Sua mãe nunca tinha dito em voz alta o que achava dela. Muitos diriam que foi culpa das drogas, mas na realidade, Kai'sa internamente sabia e já esperava que Bel'veth a culpava por ter perdido sua chance de competir no mundial. Imaginar e ouvir são coisas bem diferentes, e sem dúvida doeu muito escutar aquelas palavras de sua própria mãe. Sentiu-se impotente como nunca.
— Como ela ficou assim? — perguntou para a irmã caçula, Bel'veth tinha ido se deitar e agora só estavam as duas na copa da casa.
— Apareceu assim, ontem à noite. Eu te liguei, mas você não atendeu. — reiterou.
— Eu sinto muito.
Ezreal havia monopolizado seu tempo nos últimos dias, isso acabou culminando na desatenção para com Seraphine. Kai'sa se sentiu culpada por tê-la deixado de lado.
— Kai, eu não sei o que fazer. — confessou — Ela é nossa mãe, mas eu odeio o que ela faz comigo. Quando você foi embora, pensei que as coisas melhorariam, ela me deu mais atenção.
— Sera...
— Mas agora ela tá assim! E vai continuar porque ela não dá a mínima, porra!
— Seraphine, você não tem que continuar passando por isso! Não importa se ela é nossa mãe, o que ela fez com você hoje superou os limites! — Kai'sa teve de pensar muito rápido e só chegou a uma solução — É melhor você ficar comigo por alguns dias, não é seguro pra você aqui.
— O que vai ser da nossa mãe, Kai? — questiona — Ela precisa da gente!
— E você precisa estar segura e longe dela no momento, então é melhor você passar um tempo fora! — insistiu convicta.
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— Hey amiga... Soube que a sua mãe deu a louca. — Irelia aparece no vestiário, nesse momento só estava Kai'sa por ali, era bem cedo — Tá tudo bem?
— Na medida do possível. — suspirou cansada — Foi mais cedo do que eu esperava, mas aconteceu. Devia ter me preparado melhor pra isso.
— Não tem como se preparar para um surto, Bokkie. — justificou Irelia, se sentando ao lado da amiga — Qualquer coisa que você precisar, eu tô' aqui, ok?
— Eu sei, Rely, você sempre está aqui. — riu.
— Como a Sera está? — perguntou.
— Tão cansada quanto eu. — responde — Tive que tirá-la daquela casa, não tinha mais condições de ela continuar lá. Nossa mãe não é mais a mesma, seria perigoso deixá-las juntas.
— Não sei como vocês aguentaram tantos anos morando no mesmo teto que aquela mulher, eu teria enlouquecido.
— Kai! — uma voz chama a atenção das duas amigas, era Ezreal — O treino já vai começar.
— Ah, sim. Já estou indo.
Assim que o rapaz deu as costas e fechou a porta do vestiário, Xan se virou para a mais nova com um semblante malicioso.
— Rolou, não rolou? — perguntou de repente.
— Rolou o quê, meu Deus? — revirou os olhos, já tendo ciência do que ela estava querendo dizer.
— Você e o loirinho! — responde — Não adianta negar, Akshan me disse que você ia sair com ele noite passada, rolou ou não rolou alguma coisa?
— Depois a gente se fala, tenho treino agora! — Kai se levanta do banco com um sorrisinho de mistério.
— Ah não! Volta aqui e tire essa curiosidade de mim! — Irelia pediu, mas a outra finge não ouvir sua súplica e se retira do local.
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— Então... Kai... — Ez inicia um diálogo no meio do treino — Sobre ontem... Olha, eu vou entender se você me disser que não quer falar sobre isso, você tem seus problemas com a sua família...
— O que tem pra falar sobre ontem? — devolve a pergunta, concentrada nos próprios movimentos.
— Ah. — ele não esperava por uma pergunta dessas — Não sei, você saiu em disparada do apartamento. Sei que foi uma emergência, mas você meio que me deixou no escuro. — riu sem humor.
— Você pode ser mais explícito? Tá achando que aproveitei que o celular tocou e saí correndo de propósito? — ela tinha ficado irritada com a própria suposição, em nenhum momento ele disse isso, mas era suficiente pra deixar a conversa mais tensa.
— Claro que não! Mas eu fiquei preocupado, o que aconteceu, afinal? Você não me explicou! — Ezreal interrompe a sequência de passos, isso deixa sua treinadora, que os observava de longe, confusa.
— A minha mãe simplesmente surtou e fez a minha irmã fazer flexões na neve, foi isso que aconteceu! — Kai patina pra longe do parceiro, o treino já não tinha mais tanta importância, estava irada com aquele questionamento.
— Pode, por favor, se acalmar? Eu não estou crucificando ninguém aqui, só quero entender o que houve! — não se dando por vencido, o rapaz a seguiu e continuou a falar — Eu quero saber se você está bem!
— E eu quero saber o que está acontecendo aqui! — Fiora interroga assim que os dois se retiram da pista de gelo — Que picuinha toda é essa? Alguém aqui vai me responder ou estou fazendo papel de idiota, vindo até aqui pra prepará-los pro campeonato?
— Pergunta pra Kai, talvez ela te responda, já que comigo ela não quer ser sincera! — decepcionado, o Lightfeather sai de perto das duas pisando duro, e ali Kai percebeu a grande besteira que fez.
— Droga! — Kai solta seu cabelo — Eu vou atrás dele.
— É melhor fazer isso rápido, não temos tempo a perder. — advertiu Fiora.
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Ezreal não estava raciocinando no momento, a última coisa que ele queria era discutir com Kai por nada, mas ela mesma dificultou as coisas. Ele só estava preocupado com ela, mas a mulher fora tão grosseira que não viu saída a não ser ir embora. Não dá pra dialogar normalmente com uma pessoa que não quer dialogar. Estava tudo dando certo até agora, como foi que as coisas desandaram dessa forma?
— Ou! Não me atropela não! — ficou tão absorto nos próprios pensamentos que quase não nota Irelia na sua frente — Tá tudo bem?
— Desculpe. — murmurou — Kai me deixou... Estressado! O que ela tem, afinal?
— Ah, ela passou por uma situação complicada com a mãe dela... Mas espera, você já não sabia disso? — a taiwanesa mostrou-se confusa com a indagação do homem.
— Saber eu até sei, mas ela não me explicou o que aconteceu de verdade! Ela não confia em mim! — esbraveja, assustando Irelia por um momento.
— Cara, você tá brincando? Ela confia pra caralho em você! Tipo, você tem noção de que não é qualquer uma que vai pular nos seus braços, esperando que não caia de cara no gelo, né? Ainda mais ela, que já caiu sozinha no gelo e rachou a cabeça! Se tem alguém em quem ela confia, é em você!
Ezreal fica paralisado com o discurso de Irelia, realmente fazia sentido o que ela dizia, porém não anestesiou nem um pouco a raiva que ele sentia.
— Eu quero que ela confie em mim pra me contar o que está passando. Não sei se consigo fazer isso. — suspirou.
— Dá um tempo pra ela, loirinho. Não é tão fácil assim pra ela, também. Todo mundo tem seu tempo. — aconselhou Irelia, dando dois tapinhas amigáveis no ombro dele — Só não a machuque, por favor. Ela já tem seus próprios traumas, incluir mais um não vai ajudar em nada. — ela olha por cima do ombro dele — Esquece o tempo, ela tá vindo aí, não entre em pânico!
— Ez! — Kai o chama, se aproximando dos dois — Precisamos conversar.
— E essa é a minha deixa pra vazar, fui! — Xan os deixa sozinhos no corredor.
Estranho como, no início da manhã, eles estavam tão bem, e agora o clima era tão denso que o ar parecia irrespirável. Kai sabia que tinha errado, mas pedir desculpas não é simples, ela era orgulhosa, todo ser humano é. Por outro lado, Ezreal não estava esperando por desculpas, só queria explicações vindas da própria Cellest.
— Eu te disse que não sabia o que minha mãe pensava sobre mim. Ela me disse tudo hoje. — inicia com a voz cautelosa — Ez, eu ouvi coisas que me machucaram demais, eu fiquei de cabeça quente e fui injusta em descontar tudo em você. Eu não estou acostumada a ter alguém que se importe comigo.
— E Irelia? Ela não se importa? — questiona.
— Se importa, mas ela não pediu detalhes. — respondeu — Só estou te dizendo o que aconteceu pra você não ficar mais preocupado. Minha mãe apareceu doida ontem à noite, Seraphine esteve me ligando desde aquela hora e hoje de manhã ela a forçou a fazer flexões do lado de fora da casa, na neve. — engoliu o nó que se formou na sua garganta, as memórias ainda estavam bem frescas na sua mente, era doloroso — Esse tipo de crise já aconteceu antes, minha mãe não lidou muito bem com a separação, nem do meu pai e nem do pai da Seraphine. Quando eu treinava com ela, sentia aquela pressão de ser impecável o tempo todo, pra mostrar que ela não desistiu da própria carreira em vão. E não adiantou de nada me esforçar, porque ela me disse que eu estraguei tudo. — um esboço de um sorriso surge na face triste — Eu já sabia. Sempre soube que estraguei sua vida, mas ouvir ela dizer isso... Dói.
— Eu entendo. — responde ele — Desculpe te fazer me contar isso. Mas eu discordo da sua mãe, você não estragou a vida de ninguém, não tem culpa de nada!
— Também sei que não tenho culpa, mas ela simplesmente existe. É uma culpa que não me deixa em paz. — elucida — Tive que tirar a Seraphine de perto dela, como não tem mais esperança de me tornar uma campeã, o alvo dela é a minha irmã. Não podia deixá-la, ela não tem nem 20 anos, enlouqueceria com o tempo. Como quase aconteceu comigo...
— Tudo bem. Você fez o certo.
Silêncio. Como pode, algo simples como o silêncio, tornar o clima pior? Desviou o olhar, não sabia mais o que poderia lhe dizer, entregou todas as respostas que Ezreal procurava, mas parece que isso não foi o suficiente para remediar a decepção dele. E eles estavam se dando tão bem...
— Kai'sa. — chamou-a pelo nome verdadeiro — Eu disse que não soltaria sua mão, e estava falando sério. Pode contar comigo quando precisar de um amigo, ok?
— Você não é só um amigo, Ez. — a frase se desprende de seus lábios como um sussurro, não tão baixo o suficiente para que Ezreal não a ouça e compreenda — Eu não sei o que somos, na verdade. — riu sem graça — Quer dizer, depois de ontem... O que nós somos?
— Você está disposta a ser alguma coisa além de amiga? — ousou perguntar, esperançoso.
Kai'sa pondera por alguns segundos. Depois de Jayce, nunca mais se envolveu romanticamente com alguém, a patinação sempre fora seu foco, sua vida dependia de seu sucesso, a paranoia de ser perfeita dentro e fora da pista de gelo a consumiu por longos anos e Ezreal está disposto a lhe libertar dessa cadeia de insegurança.
— E se não der certo? Somos uma dupla, pode arruinar a tal química que nós temos na pista. — brincou.
— Acho que vale o risco. — sorriu convencido.
Estava na hora de abandonar algumas inseguranças.
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