Ter aceitado iniciar “seja lá o que for” com Ezreal estava dando certo. Bel’veth se internou em uma clínica, após milhares de pedidos de desculpas, tanto para Kai’sa quanto para Seraphine. Por falar nesta última, infelizmente não tinha como pagar seu treinador e coreógrafo, portanto teve de pausar suas atividades na patinação artística e não pôde participar do campeonato a qual tanto treinou, Kai’sa prometeu-lhe que conseguiria um novo treinador pra ela, precisava de um pouco mais de dinheiro. Trabalhar no Sunshine Hotel garantia apenas o aluguel e o alimento do dia seguinte.

— O negócio com o Ez é realmente sério? Não acredito! — Akshan tinha iniciado um interrogatório no meio do horário de intervalo — Fico feliz que finalmente tenha se entregado ao amor, Bookie.

— Não vamos nos precipitar, ainda não é amor de verdade. — reitera — Estamos tentando ver se dá certo, não significa que eu ame ele.

— Até quando vai ficar negando seus sentimentos, Kai? — pergunta — Sabe, isso pode machucar o Ezreal futuramente. Se não está levando esse relacionamento a sério, ele vai ficar chateado quando acabar.

— Por que preciso de um sentimento intenso pra justificar estar com ele? Eu não tô’ dizendo que nunca vou me apaixonar ou algo assim, só não estou apaixonada agora! — retrucou a morena — Qual é? É de Ezreal Lightfeather que estamos falando, o cara que dormia com todas as meninas que via pela frente!

— E você é uma delas? Porque se fosse, não acha que ele teria só te pago, sei lá, um café da manhã e nunca mais ter falado contigo sobre?

— Eu não quis dizer isso! Meu Deus, Ash, o que eu quero dizer é que não temos esse tipo de relacionamento ainda, não é amor, é só... Olha, eu gosto dele e ele gosta de mim, e tá funcionando pros dois lados!

— Esse é o problema, Bokkie, você já se perguntou se ele “só gosta” de você? Porque, como você mesma disse, ainda ontem ele pegava todas que queria, depois parou de fazer isso por sua causa e agora vocês estão nesse “lance que não é amor”. Como ele deixaria de ser um cafajeste se não sentisse algo real por você? — Akshan levanta todos os argumentos possíveis, não havia como ela revidar — Kai’sa, não iluda o garoto se você só quer um amigo com benefícios. Pra mim tá na cara que ele te ama, se você não corresponde o sentimento, isso não vai dar certo pra nenhum dos dois.

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Uma apresentação estava próxima, Kai estava mais concentrada do que nunca, isso quer dizer que ela ficou mais fria e distante, Ez notou que ela havia mudado de comportamento e relevou quando ela disse que apenas preferia se focar nos treinos, porém ele estava estranhando tudo aquilo. Quer dizer, eles já fizeram várias apresentações como aquela antes, era praticamente impossível que Kai estivesse preocupada com a performance, eles sempre foram bons e não seria diferente dessa vez. A não ser que ele tenha feito algo que a afastou de si, o que poderia ser?

— Pesseguinho, tá tudo bem? — perguntou, estavam dando uma breve pausa no treino do dia.

— Tá tudo ótimo. Por que a pergunta? — questiona ela.

— Sei lá, você tá meio... Distante. Achei que algo tivesse acontecido. — explicou-se.

— Desculpa se pareço distante, eu só... — Kai respirou fundo — Ez, a gente se aproximou nesses últimos dias, começamos esse relacionamento que vai além de amizade, mas... Eu quero deixar as coisas claras, você me disse que me queria como algo mais do que amiga.

— Isso é verdade. — franziu o cenho, confuso com o que ela dizia — O que quer perguntar de verdade, Kai?

— Você tá apaixonado por mim?

— Sim. — responde como se fosse óbvio.

Kai abre a boca, surpresa. Não esperava que ele fosse responder de verdade, Akshan tinha razão, Ezreal possuía sentimentos muito mais fortes por ela.

— Você ficou distante porque achou que eu não sentia nada, é isso? — foi a vez dele de iniciar um interrogatório — Pesseguinho, eu já te disse que você não é como as outras.

— Eu não tinha certeza do que você sentia! — a culpa atingiu-lhe como um soco no estômago, duvidou da capacidade dele de amá-la de verdade, e pior, ela não fazia ideia do que realmente sentia por ele.

— Relaxa, não tô’ cobrando de você o mesmo sentimento, ainda ontem nós nem conversávamos direito. — Ezreal sorri — Além disso, estamos bem por enquanto, acho que consigo fazer você se apaixonar por mim.

— Ah, sem dúvida! — revirou os olhos — Ez, e se eu nunca conseguir sentir o mesmo? O que você vai fazer quanto a isso?

— Por que se preocupar tanto se vai ou não dar certo? Espera acontecer! — deu de ombros — Não estamos seguindo um roteiro.

— É estranho não seguir um roteiro quando sua vida toda já foi planejada. — suspirou, só se dando conta do que disse minutos depois — Desculpe.

— Não precisa se desculpar, eu já sabia onde estava me metendo desde que comecei com os convites insistentes pra sairmos. Parece que você viveu tempo demais seguindo um roteiro que a sua mãe planejou desde a gravidez, ainda está se adaptando ao mundo real, onde é você quem faz as escolhas. — riu.

— Minha mãe me deixou mal-acostumada, meu Deus. — Kai ri de si mesma — Tem horas que sinto que não sei o que estou fazendo. Desculpe fazer esse interrogatório e agir de maneira estranha.

— É, você é estranha mesmo. Mas se não fosse, não teria me apaixonado.

— Eu realmente não sei como reagir quando você diz isso... — desvia o olhar, embaraçada demais para encará-lo.

— E é mais um dos motivos que te fazem parecer um anjo, Kai’sa Cellest! — riu, levando sua destra até a lateral do rosto da mais velha, notando a leve ruborização em suas maçãs do rosto — Você é perfeita.

— Ninguém é perfeito. Uma hora todo mundo falha. — o toque carinhoso do rapaz a faz fechar os olhos quase instantaneamente — Eu espero não falhar com você, Ez. Não sei dizer o que estou sentindo, mas você é uma pessoa que eu não pretendo decepcionar.

— Eu sei que não. — murmurou, aproximando o rosto do dela.

— Namorem depois, o treino tem que continuar! — Fiora interrompe o momento, o australiano se afasta e bufa desapontado, já Kai fica ainda mais envergonhada por terem sido pegos e pede desculpas num murmúrio.

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Seraphine se sentia entediada por ficar tanto tempo em casa, quer dizer, no apartamento de Kai’sa, sem fazer nada. Ela nunca frequentou uma escola, sempre estudou em casa, sua mãe pensava que seria mais fácil. Com Kai’sa não foi muito diferente. Gostaria de não ter que admitir, mas a patinação lhe fazia uma falta tremenda, admirava sim sua irmã mais velha e se dedicou ao máximo no esporte pela sua mãe, porém não acreditava que poderia gostar tanto de praticá-lo, e agora que não mais treinava, sentia-se vazia. Tudo parecia ainda mais vazio por estar sozinha num apartamento, navegar na internet não era mais um bom passatempo e ver televisão muito menos.

Quando sua irmã chegou, a primeira coisa que disse a ela foi:

— Eu quero voltar a patinar!

Kai’sa a olha, fecha a porta do apartamento e pendura o casaco.

— E você vai, quando eu puder pagar pelas suas horas na pista. — refuta.

— Quero voltar agora! — esbraveja.

Um, dois, três. Kai’sa respira fundo, precisava reunir toda a sua pouca paciência que possuía para lidar com a irmã, sabia que em algum momento ela viria lhe exigir coisas, sempre foi assim quando ainda moravam juntas, com a mãe, muito antes do seu acidente.

— Sera, eu não tenho condições de pagar pelo seu treino agora! Mal dá pra nos sustentar, será que você não entende?

— Você tem um namorado rico a sua disposição, não pode pedir esse favor pra ele? — a sugestão da mais nova causa repúdio em Kai’sa.

— Eu não estou com o Ez pra ele me fazer favores financeiros! — respondeu indignada.

— Aham, e por que está com ele então? — Seraphine pergunta de maneira sarcástica.

— Não creio que está me dizendo isso... — a mais velha fecha os olhos por alguns segundos — Seraphine, que tipo de pessoa você pensa que eu sou?

— Kai, você não consegue nem se amar, como vai amar outra pessoa? Com o Jayce foi a mesma coisa. — retorquiu indiferente.

— Você... Está sendo cruel demais agora, Sera.

As duas ficaram em silêncio, se encarando.

— A mamãe vai sair da terapia em um mês. Quando isso acabar, eu vou voltar a morar com ela. — declarou a mais nova entre as duas.

— Não tenho certeza se é o melhor pra você. — afirmou Kai’sa — E se a terapia não adiantar? Vai viver todo aquele inferno de novo?

— Você não pode devolver a vida que eu tinha. Não pode pagar para que eu volte a patinar. A mamãe sempre pôde fazer isso por mim.

— Seraphine, ela não tem mais emprego! Acha que vai poder pagar? — questiona incrédula.

— Pelo menos ela sempre deu um jeito! Sem a patinação, eu não sirvo pra mais nada, Kai’sa! — esbraveja.

A morena abre a boca para retrucar, mas nenhuma palavra é dita por ela. Recordou-se de quando era mais nova e ainda era treinada pela mãe, Bel’veth era rígida e só demonstrava afeto quando ela conseguia fazer algo que a mãe considerasse relativamente bom, fora isso, Kai’sa sempre se sentiu inútil em relação a todo o resto. Não era boa nos estudos, nunca teve oportunidade de fazer uma faculdade ou qualquer coisa que fosse além das pistas de gelo e dos estudos por internet e livros velhos. Seraphine vivia a mesma experiência que ela e concluir isso era deprimente. Kai’sa já se sentia estragada o suficiente, não poderia permitir que Sera caísse nas mesmas armadilhas sombrias que ela.

De pensar que só a patinação e os treinos desenfreados faziam sentido para sua vida.

E pensando nisso, Kai’sa largou Jayce Talis justamente por não conseguir se desapegar da esperança de voltar a patinar, após o fatídico acidente. O relacionamento com ele era menos importante que seguir seus sonhos, mesmo com o caminho impedido previamente por infortúnios e a pressão desestabilizadora de Bel’veth pesando em suas costas. Patinar era sua vida, o caminho que ela escolheu, e privar Seraphine de escolhê-lo seria inútil também.

Ela e sua irmã não tinham escapatória, ou patinavam, ou desistiam de viver.

Mas, e se não for assim?

— Por que você patina, Sera? — interpela com a voz branda.

— É a única coisa que sei fazer. — responde, um pouco mais calma. Seu desejo não era mais discutir com a meia-irmã, tinha gritado o suficiente.

— E você não tem vontade de aprender a fazer outras coisas?

A pergunta de Kai’sa pegou a menor de surpresa. Quando o apartamento passou a ser um confinamento de tédio, só conseguia pensar em colocar patins nos pés e dar o máximo de si em uma pista de gelo. Porém, nunca parou para refletir sobre seus gostos, se era realmente aquilo que lhe fazia feliz. Não era exatamente felicidade que ela sentia quando recebia um elogio de Bel’veth, era mais uma sensação de dever cumprido, como se fosse sua obrigação corresponder às expectativas de sua mãe. Agora ela tinha tempo livre para ser o que quisesse ser, aprender o que tivesse interesse de aprender, talvez até descobrir quem ela era de verdade.

— Eu passei a vida toda tentando ser o anjo perfeito que a mamãe queria, e olha no que deu? — Kai’sa ri sem humor algum — Ela me enlouqueceu, Seraphine. E eu caí fora antes que piorasse, mas eu já estou presa à patinação, e dessa vez por outros motivos... — sorriu ao pensar em Ezreal — Mas você? Você não precisa ser assim. Não precisa sacrificar suas vontades para realizar as fantasias da nossa mãe neurótica.

— Eu... Não sei o que fazer, Kai. — Seraphine sente os olhos arderem, Kai’sa nota a sensibilidade da caçula e se aproxima dela — Eu quero patinar? Eu não sei mais! — e antes que ela começasse a chorar, a mais velha a abraça — Estou muito confusa!

— Tá tudo bem, Sera. — Kai’sa lhe afagou os cabelos azuis — Eu entendo que viver comigo também não está sendo tão bom, fico muito tempo fora e você se sente sozinha. Se for mesmo da sua vontade, eu farei o possível para que você volte a patinar, mas pense bem! Você está livre da nossa mãe agora, logo vai ter 20 anos, quero que pense por si mesma!

Ouviram alguém batendo na porta, Kai’sa estranhou, não estava esperando por ninguém. Se afastou da irmã no intuito de atender a visita, seja lá quem for, e deu de cara com Ezreal carregando uma sacola.

— Ez?

— Nossa última apresentação garantiu nosso lugar nas regionais, então achei que seria legal comemorarmos! — o sorriso dele foi desmanchando aos poucos ao ver, atrás de Kai’sa, sua irmãzinha com uma cara de quem chorou recentemente — Ahn... Atrapalho?

— Não, não atrapalha. — Kai’sa ri ao notar que o rapaz ficou sem graça — Entra.

Ela abre mais a porta, dando passagem para o loiro, Seraphine se retira para ir ao banheiro lavar o rosto, não chorou muito, mas seria um incômodo a sensação de lágrimas secas em sua pele e precisava se recompor. Olhou-se no espelho e as palavras de sua irmã reverberaram em sua mente.

— Ser eu mesma... — disse.

Talvez sua irmã tivesse razão. Ez era um cara legal, diferente de Jayce Talis, que fazia umas piadas sem noção e tratava Seraphine como uma garotinha, ela gostou da companhia dele e, enquanto comiam e comemoravam o sucesso da dupla, a caçula desejou internamente que Kai’sa também tivesse a chance de ser feliz e que Ezreal fosse um bom caminho para a felicidade dela.

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Mais uma vez Kai’sa passou a noite na casa de Ezreal, isso estava acontecendo com muito mais frequência, não conseguia evitar quando ele a convidava para dormir após uma boa dose de sexo, e por falar em sua vida sexual, Kai’sa estava mais ativa do que nunca. Não tinha certeza se era apenas porque seu companheiro era Ezreal Lightfeather ou se era algum tipo de vício na forma como ele a fazia se sentir bem. A verdade era que, na primeira vez em que ficaram, não houve muita conversa e nem afeto por nenhuma das partes, apenas o desejo carnal provindo do álcool, e agora que tinham esse “relacionamento sem nome”, Kai’sa passou a reparar mais na maneira como Ezreal era cuidadoso, respeitava seus limites e não media esforços em tratá-la como se fosse sua rainha, era uma devoção sem igual que nenhum outro se dispôs a ter.

Na realidade, Kai’sa se sentia mais como uma deusa do que um anjo, Ezreal fazia isso com ela e estava ficando mal-acostumada. Entretanto, amava isso.

Amar. Uma coisa que ela não esperava acontecer e que estava ocorrendo bem diante dos seus olhos. Kai’sa estava amando e não tinha mais tanto medo do que sentia, só não conseguia dizer em voz alta como Ezreal, mas um dia ela o faria.

— Bom dia, dorminhoca! Temos que tomar café rápido, lembra? — alertou, balançando o braço dela para despertá-la, a mais velha resmungou e ele riu — Vamos pesseguinho, temos que ir!

— Dois minutos e eu levanto! — afirmou, afundando o rosto no travesseiro para evitar a claridade do ambiente, o loiro ri novamente.

— Não temos dois minutos, anda! — puxou a coberta que evitava a exposição do corpo desnudo dela, mais uma vez a mais velha resmunga, um pouco mais abafado por conta do travesseiro.

— Eu estou com frio! — reclamou, querendo puxar o cobertor de volta.

— Não liguei o aquecedor ontem à noite, me esqueci. — segurou a mão dela, impedindo-a de se cobrir novamente — Gosto da sua tatuagem, já disse isso?

Embora não fosse comum, alguns patinadores faziam tatuagens, não era uma proibição, porém era evitado pela maioria. No caso de Kai, a sua apenas complementava sua aparência angelical, considerando que eram duas pequenas asas nas suas costas, próximas dos ombros. Os expectadores de suas apresentações torciam para que seu figurino tivesse uma abertura nas costas, apenas para visualizarem suas asas. A fez quando decidiu ir embora da casa de sua mãe e porque Irelia enfiou na sua cabeça que aquela seria uma mensagem para a Kai’sa do futuro, uma declaração de que sua liberdade fora a melhor escolha. Não havia arrependimentos em relação à tatuagem, foi um dos motivos de ter ficado mais famosa e o título “the Angel” realmente pegar na mídia.

— Já disse. — riu pela primeira vez no dia, dando-se por vencida e erguendo o corpo aos poucos da cama quentinha e aconchegante — Ainda te mato por me acordar tão cedo.

— Compromissos, pesseguinho. Compromissos! — aproveitou que ela estava de costas para si e deixou um beijo carinhoso na área onde ficavam as tais asas, Kai’sa solta uma risadinha curta.

— Não posso ter meus dois minutos a mais de sono, mas o senhor pode enrolar com esses carinhos? — virou o rosto tentando encará-lo por cima do ombro. Sabia que, pelo ar quente que sentiu batendo contra seu pescoço, Ezreal tinha soltado um riso soprado e agora sorria daquele jeitinho singular dele, um dos sorrisos mais lindos que Kai’sa já viu — Vamos acabar nos atrasando... — murmurou, sentindo-se derreter com os contínuos beijinhos dele em sua derme.

— Na verdade eu te acordei um pouco mais cedo só pra isso. — revelou num tom brincalhão, Kai’sa exclama indignada.

— Aff! — negou com a cabeça — Vamos logo!

Aquela manhã parecia um sonho para Kai’sa. Faz dias que ela se sente tão bem consigo mesma e com a relação em andamento com Ezreal, sentia confiança em suas próximas apresentações, o sonho de disputar o mundial não mais parecia inalcançável, Akshan também estava dando tudo de si no projeto do esqui, Irelia a apoiava como sempre e sua relação com Seraphine também progrediu.

E como num passe de mágica, uma ligação em seu telefone acaba lhe tirando dos seus sonhos. Era o número de Akshan e ele parecia temeroso do outro lado da linha.

Bokkie, desculpe se eu te acordei...

— Sem problemas, Ash! Você não me acordou, quem fez isso foi o Ez! — riu — Aconteceu alguma coisa?

O Jayce está aqui embaixo e quer te ver.

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— Kai. — Jayce a cumprimenta com um sorriso assim que ela aparece em seu campo de visão.

Kai’sa custou a acreditar, mas era verdade. Jayce Talis, em carne e osso, longe das terras americanas, estava ali em pessoa para lhe ver. Como ele sabia onde encontrá-la? Talvez Akshan tenha dado com a língua nos dentes. O que importa é que não estava preparada para um reencontro, ainda mais com a presença de Ezreal ao seu lado. As coisas entre ela e Jayce não terminaram nem um pouco bem e não fazia sentido na sua cabeça ele aparecer na Austrália tão de repente, sem um bom motivo para tal.

— Jayce. — respondeu — O que faz aqui?

— Vim visitar minha mãe, é por pouco tempo, meu avô faleceu ontem, ela está arrasada... — coçou a nuca.

— Oh, sinto muito. — compadeceu-se.

— Está tudo bem. Digo, não é como se tivesse outro motivo para eu querer retornar, você sabe. — blefou. Estava um pouco óbvio para Akshan e Ezreal que aquele cara não dizia totalmente a verdade, mas Kai’sa não percebeu suas intenções — Bem, como você está? Ainda patinando?

— Estou bem, patinando mais do que nunca, agora que tenho um bom parceiro. — sorriu espontaneamente ao entrelaçar seus dedos com os de Ezreal, Jayce nota o gesto dela e disfarça muito mal sua expressão desgostosa — Sabe que é isso o que quero fazer.

— Sei... Patinar é sua vida, não é mesmo? — um esboço de um sorriso quis surgir nos lábios do Talis, porém ele se sentiu amargurado com a própria afirmação e engoliu em seco — Minha mãe queria que você participasse do velório. Bem, ela só quer te ver mesmo, sempre gostou de você...

— Ah sim... Tudo bem, vou fazer o possível pra comparecer. — respondeu educadamente, não é porque Jayce era seu ex que tinha que tratá-lo com ignorância.

Afinal, ele um dia foi o mais próximo do que ela considerava seu amor pra vida inteira.

— Pesseguinho, temos que tomar café logo, Fiora vai nos matar se nos atrasarmos pro treino. — Ezreal advertiu com uma careta séria.

— Conversamos melhor depois, Jay. Tenho que ir! — despediu-se com um aceno, sendo puxada para longe pelo loiro.

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— Você realmente precisa ir nesse velório? — questiona Seraphine emburrada — Quando não tá com o Ez, tá em outro lugar, hmpf!

— Não vou ficar muito tempo lá, Sera! Só vou dar minhas condolências a senhora Talis e ir embora, não quero ficar muito perto do Jayce. — refuta, vestindo um casaco preto — Volto pra ver aquela série que você tanto quer que eu assista contigo!

— Não me decepcione, Kai! — resmungou, recebendo um beijo no topo da cabeça.

A caminho do velório, Kai’sa permitiu-se refletir sobre o que estava prestes a fazer. Ela não tinha nada contra a mãe de Jayce, um dia desejou tê-la como sogra, porém parecia oportuno demais para que o rapaz voltasse a se aproximar dela e não tinha certeza se suas intenções eram apenas amigáveis. Quando terminaram, não ficou esclarecido se havia algum resquício de sentimento da parte dele, se separaram apenas por conflitos de interesses, não um problema de afeto. Kai’sa não sentia amor por ele, pelo menos não o de antes, este pertencia a Ezreal que, ultimamente, tem se mostrado o cara mais incrível do mundo. E justo quando ela estava se recuperando de seus traumas passados e se dando uma chance de ser feliz ao lado de alguém, Jayce Talis adentra sua vida como um furacão, ele não tinha o direito de bagunçar sua mente daquela forma.

No entanto, por que ela ficou tão balançada com o seu retorno? Será que ainda havia alguma fagulha do sentimento que possuiu por ele um dia?

— Fico feliz que tenha vindo, Kai. — Jayce conversava com ela enquanto caminhavam lentamente para fora do cemitério, atravessando algumas lápides — Minha mãe ficou um pouco melhor tendo a sua presença aqui.

— Que bom que servi pra alguma coisa. — respondeu, sentindo um pouco de desconforto ao estar sozinha com ele.

— Odeio enterros, eles criam um clima ruim e fico pilhado o dia inteiro. — reclamou — Hey, tá a fim de beber alguma coisa?

Uma proposta bem tentadora, Kai’sa não coloca uma gota de álcool na boca há muito tempo, o clima fúnebre contribuía para que ela se sentisse tentada a aceitar.

— Tenho que voltar pra casa... — tentou argumentar, mas diante da feição insistente do moreno, ela se viu sem saída — Tudo bem.

Isso foi um erro, Kai’sa Cellest.