Anjos e Demônios
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Estou perdendo muito sangue, tenho que me afastar desse homem. Mas não tenho forças para andar. Olho em volta a procura de um apoio, o homem que antes me chutava agora falava sozinho perto da janela, vira poucas vezes para me olhar e volta a conversar com si. Ouço mais passos, olho para a sala e vejo um rapaz que parece ter mais ou menos a minha idade, ele segura um cigarro e uma besta, faz sinal para eu ficar em silencio. Vem andando até mim devagar, quando se aproxima de mim, me segura e leva para o canto. O homem lagarto não parece perceber o movimento na casa.
O rapaz aproveita a distração do homem e aponta a besta para o homem lagarto.
– Ei grandão! – o rapaz grita, mirando no peito do homem.
– Você é um dos piores problemas que eu já tive, mas isso acaba aqui. – o homem ataca.
Tudo acontece em uma questão de segundos, o rapaz ajeita a besta, mira e atira no homem que cai no chão gritando e se debatendo.
– Fonte das fadas, grandão você está acabado.
O homem vira uma espécie de gosma verde no chão, o rapaz anda até mim novamente me pega pelo colo e me leva para o meu quarto.
– Valentina, ainda bem que eu te achei! Vai ficar tudo bem. Você já sobreviveu a piores... – ele sai do quarto e minutos depois volta com uma sacola.
Ele tira de lá uma garrafa com um liquido que parece agua, ataduras e pedaços de panos. Ele joga em cima do ferimento o liquido, aquilo começa a queimar minha barriga, grito e me debato na cama de dor, ele segura meus braços. A dor passa aos poucos, ainda sai bastante sangue do ferimento, ele coloca um pedaço de pano na minha boca para eu morder e joga novamente, mas dessa vez ele me coloca sentada e começa a enrolar minha barriga com a atadura, ele tira o pano da minha boca e joga na mochila, remexe mas uma vez e tira um frasquinho com outro liquido incolor, ele me dá para beber.
– Que merda é essa? – percebo que os machucados estão desinchando.
– Poção curativa. Roubei de uma bruxa em Northill. Sabia que lá é cheio de bruxas? – ele se joga na cadeira que tem no meu quarto, percebo que seu rosto esta cheio de arranhões de possíveis lutas.
– Mas que merda você fumou cara? – falo em tom serio. – alias que merda aconteceu aqui?!
– Você ta brincando né Valentina? Todos os caçadores estão atrás de você. Pensávamos que estava morta.
– Eu não sei de quem você esta falando cara, não sou Valentina, sou a Laura.
– Você era mais forte Valentina. – ele acende um cigarro e começa a fumar.
– Você ouviu alguma coisa que eu disse?
– Sim, e cansei dessas brincadeiras V. – o rapaz solta a fumaça.
– Que droga, não sou essa garota que dizem que sou! –grito tentando chamar atenção do rapaz.
O rapaz me analisa, fica em silencio por alguns minutos, traga o cigarro e solta a fumaça.
– Então... Laura? Porque um meio réptil viria atrás de você se não fosse a Valentina? – ele dá outra tragada.
– Não sei, me responda você! Acabei de... de... – as lagrimas escorrem do meu rosto. Sinto tanto ódio por parecer fraca.
– O que? Não ta falando serio né? – o rapaz arqueia a sobrancelhas. – Levanta, fica de costas.
O rapaz levanta a minha camisa.
– Não, parece que não é a Valentina, é só uma garota qualquer. – ele me analisa novamente, coloca tudo na mochila e anda até a porta. – Bom já vou, boa sorte Laura.
– Espera! E se uma daquelas coisas voltar? – seguro seu braço.
– Bom, ai eu espero que dê sorte de novamente e encontre um alguém tão forte quanto eu para te proteger. – ele da uma risada.
A porta se abre, Castiel esta frente a frente do rapaz.
– Que tal eu? – Castiel fala para o rapaz que fica parado, se afasta um pouco e olha para mim.
Dou de ombros em resposta.
– Você esta bem Laura? – Castiel olha para mim, se aproxima mas evita me tocar.
– Estou... – olho para o chão evitando o olhar de pena de Castiel.
O rapaz olha para mim e depois para Castiel, abre a boca para falar algo mas fecha. Joga fora o cigarro e acende outro. Castiel se vira para o rapaz.
– Dylan Frost sei quem você é, um bom caçador, mas precisa de treinamento. Fugiu da sua treinadora?
– Minha treinadora fugiu de mim, pensei que fosse ela. – o rapaz aponta para mim. – Errei, se me conhece deve conhecer Valentina.
O rosto de Castiel fica sombrio e distante.
– Sim, ela esta morta. Sinto muito. – Castiel se vira e sai do quarto desaparecendo.
O rapaz joga a mochila no chão e a besta. Anda pelo quarto dando voltas e olhando para o meu rosto.
– Dylan? Sinto muito. – me levanto e toco no seu ombro, ele desvia o toque.
– Onde ele foi ?
– Provavelmente embora. Nunca fica muito tempo.
– Você sabe o que ele é?
– Um humano? – arqueio uma sobrancelha.
– Ele é qualquer coisa menos isso Laura... – ele passa a mão no cabelo castanho.
Ouço batidas na porta, vou andando até lá e minha tia entra, seu cabelo dourado esta bagunçado, seus olhos castanhos estão cansados. Ela me abraça depois se afasta e olha para mim.
– Desculpe querida... Arrume suas coisas, vamos sair daqui.
Dylan sai do quarto com a mochila nas costas.
– Oh, olá... – ela olha para ele e depois se dirige a mim. – Quem é seu amigo?
– É o Dylan, ficou comigo. Se não se importa tia preciso falar com ele.
– Ótimo, ótimo... vou arrumar as coisas.
Puxo Dylan para a cozinha, ajeito sua camisa e depois ajeito a minha.
– Olha, eu preciso que você finja que é meu amigo. Só por um dia. Afinal, você não vai precisa procurar mais aquela sua... Sei lá, mestra, treinadora...
– Não sou tão legal quanto aparento garota, tenho coisas a fazer. – ele abre a porta dos fundos.
– Por favor. — Seguro a mão do rapaz.
– Querida? Vamos, já arrumei suas coisas. – minha tia grita já entrando no carro.
– Certo tia, já vou.
– Certo.
Entramos dentro do carro, Dylan fica calado. Não demora muito até chegar na mansão da minha tia.
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