Notas iniciais
Quem estiver acompanhando deixem um comentário, não continuem como fantasminhas.

Estou perdendo muito sangue, tenho que me afastar desse homem. Mas não tenho forças para andar. Olho em volta a procura de um apoio, o homem que antes me chutava agora falava sozinho perto da janela, vira poucas vezes para me olhar e volta a conversar com si. Ouço mais passos, olho para a sala e vejo um rapaz que parece ter mais ou menos a minha idade, ele segura um cigarro e uma besta, faz sinal para eu ficar em silencio. Vem andando até mim devagar, quando se aproxima de mim, me segura e leva para o canto. O homem lagarto não parece perceber o movimento na casa.

O rapaz aproveita a distração do homem e aponta a besta para o homem lagarto.

– Ei grandão! – o rapaz grita, mirando no peito do homem.

– Você é um dos piores problemas que eu já tive, mas isso acaba aqui. – o homem ataca.

Tudo acontece em uma questão de segundos, o rapaz ajeita a besta, mira e atira no homem que cai no chão gritando e se debatendo.

– Fonte das fadas, grandão você está acabado.

O homem vira uma espécie de gosma verde no chão, o rapaz anda até mim novamente me pega pelo colo e me leva para o meu quarto.

– Valentina, ainda bem que eu te achei! Vai ficar tudo bem. Você já sobreviveu a piores... – ele sai do quarto e minutos depois volta com uma sacola.

Ele tira de lá uma garrafa com um liquido que parece agua, ataduras e pedaços de panos. Ele joga em cima do ferimento o liquido, aquilo começa a queimar minha barriga, grito e me debato na cama de dor, ele segura meus braços. A dor passa aos poucos, ainda sai bastante sangue do ferimento, ele coloca um pedaço de pano na minha boca para eu morder e joga novamente, mas dessa vez ele me coloca sentada e começa a enrolar minha barriga com a atadura, ele tira o pano da minha boca e joga na mochila, remexe mas uma vez e tira um frasquinho com outro liquido incolor, ele me dá para beber.

– Que merda é essa? – percebo que os machucados estão desinchando.

– Poção curativa. Roubei de uma bruxa em Northill. Sabia que lá é cheio de bruxas? – ele se joga na cadeira que tem no meu quarto, percebo que seu rosto esta cheio de arranhões de possíveis lutas.

– Mas que merda você fumou cara? – falo em tom serio. – alias que merda aconteceu aqui?!

– Você ta brincando né Valentina? Todos os caçadores estão atrás de você. Pensávamos que estava morta.

– Eu não sei de quem você esta falando cara, não sou Valentina, sou a Laura.

– Você era mais forte Valentina. – ele acende um cigarro e começa a fumar.

– Você ouviu alguma coisa que eu disse?

– Sim, e cansei dessas brincadeiras V. – o rapaz solta a fumaça.

– Que droga, não sou essa garota que dizem que sou! –grito tentando chamar atenção do rapaz.

O rapaz me analisa, fica em silencio por alguns minutos, traga o cigarro e solta a fumaça.

– Então... Laura? Porque um meio réptil viria atrás de você se não fosse a Valentina? – ele dá outra tragada.

– Não sei, me responda você! Acabei de... de... – as lagrimas escorrem do meu rosto. Sinto tanto ódio por parecer fraca.

– O que? Não ta falando serio né? – o rapaz arqueia a sobrancelhas. – Levanta, fica de costas.

O rapaz levanta a minha camisa.

– Não, parece que não é a Valentina, é só uma garota qualquer. – ele me analisa novamente, coloca tudo na mochila e anda até a porta. – Bom já vou, boa sorte Laura.

– Espera! E se uma daquelas coisas voltar? – seguro seu braço.

– Bom, ai eu espero que dê sorte de novamente e encontre um alguém tão forte quanto eu para te proteger. – ele da uma risada.

A porta se abre, Castiel esta frente a frente do rapaz.

– Que tal eu? – Castiel fala para o rapaz que fica parado, se afasta um pouco e olha para mim.

Dou de ombros em resposta.

– Você esta bem Laura? – Castiel olha para mim, se aproxima mas evita me tocar.

– Estou... – olho para o chão evitando o olhar de pena de Castiel.

O rapaz olha para mim e depois para Castiel, abre a boca para falar algo mas fecha. Joga fora o cigarro e acende outro. Castiel se vira para o rapaz.

– Dylan Frost sei quem você é, um bom caçador, mas precisa de treinamento. Fugiu da sua treinadora?

– Minha treinadora fugiu de mim, pensei que fosse ela. – o rapaz aponta para mim. – Errei, se me conhece deve conhecer Valentina.

O rosto de Castiel fica sombrio e distante.

– Sim, ela esta morta. Sinto muito. – Castiel se vira e sai do quarto desaparecendo.

O rapaz joga a mochila no chão e a besta. Anda pelo quarto dando voltas e olhando para o meu rosto.

– Dylan? Sinto muito. – me levanto e toco no seu ombro, ele desvia o toque.

– Onde ele foi ?

– Provavelmente embora. Nunca fica muito tempo.

– Você sabe o que ele é?

– Um humano? – arqueio uma sobrancelha.

– Ele é qualquer coisa menos isso Laura... – ele passa a mão no cabelo castanho.

Ouço batidas na porta, vou andando até lá e minha tia entra, seu cabelo dourado esta bagunçado, seus olhos castanhos estão cansados. Ela me abraça depois se afasta e olha para mim.

– Desculpe querida... Arrume suas coisas, vamos sair daqui.

Dylan sai do quarto com a mochila nas costas.

– Oh, olá... – ela olha para ele e depois se dirige a mim. – Quem é seu amigo?

– É o Dylan, ficou comigo. Se não se importa tia preciso falar com ele.

– Ótimo, ótimo... vou arrumar as coisas.

Puxo Dylan para a cozinha, ajeito sua camisa e depois ajeito a minha.

– Olha, eu preciso que você finja que é meu amigo. Só por um dia. Afinal, você não vai precisa procurar mais aquela sua... Sei lá, mestra, treinadora...

– Não sou tão legal quanto aparento garota, tenho coisas a fazer. – ele abre a porta dos fundos.

– Por favor. — Seguro a mão do rapaz.

– Querida? Vamos, já arrumei suas coisas. – minha tia grita já entrando no carro.

– Certo tia, já vou.

– Certo.

Entramos dentro do carro, Dylan fica calado. Não demora muito até chegar na mansão da minha tia.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.