Anjos da Noite: O Despertar

15 Capítulo 13 - Sem Explicações


Notas iniciais
Capítulo curtinho... Boa leitura! :3 Estreando nova soundtrack do game Alice Madness Returns ♥

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Eu não sei dizer o que aconteceu. Eu simplesmente não estava morta. Quando voltei a mim mesma, eu estava em pé, completamente ensanguentada e o segurança morto, aos pedaços, diante de mim. Eu o matei? Mas como consegui sair daquele saco no estado em que eu estava?

Eu não sabia as respostas, mas também não fiquei buscando explicações por muito tempo. Quando me dei conta, estava cambaleando entre as árvores da floresta, fugindo pra longe daquele corpo dilacerado e daquela cova que, antes, estava sendo cavada para mim. O céu estava escuro, mas ainda era dia. Uma tempestade chegaria logo e eu precisava de algum abrigo. E acima de qualquer coisa, eu precisava me alimentar.

Ainda estava muito fraca e queria gastar o pouco de energia que havia sobrado para comer qualquer coisa. E a sorte estava ao meu lado naquele dia. Quando tombei, caí em cima de uma planta que tinha frutinhos vermelhos muito doces. Eu comi todos que consegui, saciando um pouco a minha fome. Eu precisava descansar, precisava de água, precisava de abrigo.

Mas ainda estava fraca. Então eu simplesmente permaneci no mesmo lugar, próxima a planta com os frutinhos. Deitada no chão daquela floresta, eu sorri. Sorri porque estava feliz. Eu era livre, livre! Queria saber se existiam outros seres humanos que também teriam ganhado a sua liberdade, sem precisar pagar caro pelo preço dela como eu. A copa das árvores estava tão distante. Eu era minúscula no chão daquela floresta. O céu, cada vez mais cinzento, denunciava que choveria muito em breve. Ao menos eu poderia matar a minha sede.

Eu não me importei de estar suja, no chão sujo, de uma floresta. A minha liberdade era tudo para mim naquele momento e eu não desejava me preocupar com mais nada. Eu só queria fugir para o mais longe possível daquela cidade, daquela sociedade louca e cruel de anjos que haviam perdido completamente a sanidade. Achar algum vilarejo abandonado. Viver escondida. Era só o que eu desejava.

Perdida em meus pensamentos, eu dormi por alguns minutos. E enquanto sonhava, mais uma vez, me lembrei do cheiro das flores, de um jardim e do sorriso de alguém que aqueceu meu coração há muito tempo atrás. Quem seria esse alguém? Se ele era tão importante para mim, por que eu não me lembrava dele? E se eu era importante para esse alguém, por que ele nunca me procurou? A partir de que momento eu fui jogada naquele laboratório? A partir de que momento a minha existência se tornou insignificante?

Deixei de lado essas perguntas que flutuavam em minha mente e nos meus sonhos, quando as primeiras gotas de chuva me acordaram. Estava gelado, mas a sensação era boa. Logo as gotas se tornaram mais grossas e mais fortes e, com preguiça por ainda estar fragilizada, simplesmente abri a boca e deixei a água entrar. Fiquei lá até conseguir matar minha sede. Não fazia ideia de que dia seria, que mês. Se havia passado mais de duas semanas ou não, desde que fui jogada fora. Mas pouco me importava. Eu precisava sair dali. A noite cairia logo e a noite era muito perigosa.

Coberta de sangue e lama, eu me levantei devagar. Precisava de algum casebre abandonado ou até mesmo uma caverna. Mas depois de andar bastante, eu não consegui encontrar nada além de árvores e mais árvores. Estava começando a anoitecer e o medo aos poucos fazia questão de afastar a minha felicidade. Estava frio e eu estava ficando molhada por muito tempo. A tempestade não cessava. Era difícil enxergar com toda aquela ventania.

Então, finalmente eu consegui abrigo. Uma enorme e grossa árvore que havia caído, formando uma espécie de ponte, serviria por hora. Fiquei lá até a chuva cessar. Quando saí, tremia por completo. Estava morrendo de frio. A temperatura havia caído muito. Foi então que eu encontrei.

Um vilarejo abandonado no meio da floresta, uma espécie de aldeia, talvez. Não sei ao certo. As casas estavam aos pedaços, mas ainda serviam de abrigo. Corri o mais rápido que pude e entrei na melhor casinha que vi. O chão estava imundo e os móveis estavam aos pedaços. Peguei algumas cadeiras velhas e as uni de modo que pudesse deitar em cima. Então eu logo adormeci.

Não sei por quanto tempo dormi, mas ao acordar, eu decidi ficar vivendo ali por alguns dias. Estava longe o suficiente da mansão do meu antigo dono e ele já deveria ter sentido falta do segurança. E ao descobrir que quem estava morto era ele e não eu, com toda certeza eu seria procurada. Era perigoso demais ficar andando em busca de um novo abrigo nessas circunstâncias.

Viver ali, por hora. Era só o que eu tinha em mente. Pela primeira vez na minha vida, eu estava feliz. Eu tinha motivos suficientes para mim para me julgar feliz. A sensação de liberdade que eu sentia, não tinha explicação.

E os dias se passaram tranquilamente, até que um dia eles me encontraram.

Notas finais
Aguardem o próximo capítulo de Anjos Caídos! :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.