Anjos da Noite: O Despertar
13 Capítulo 11 - O Porão
Notas iniciais
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Anos se passaram sendo estuprada e usada por aquele anjo perverso e sádico. Meu corpo possuía vários hematomas, os quais ele me obrigava a cobrir com maquiagem. Eu deveria estar perfeita e intacta ou, ao menos, parecer assim. Quanto mais pura eu aparentasse ser, mais interesse o meu senhor teria em me possuir.
Mas eu havia completado dezenove naquele ano. A essa altura, o meu senhor estava começando a enjoar de mim. Eu já não era mais aquela inocente garotinha. Estava me tornando uma mulher e, dessa forma, ele passou a se desinteressar cada vez mais. Eu agradecia aliviada quando ele não me chamava para o seu quarto. Até que um dia, ele simplesmente mandou me chamar até seu escritório e, me analisando como quem analisa um objeto antigo e quebrado, ele disse:
– É, já estás crescidinha demais. Te tornastes desnecessária para mim. – Então ele levantou e caminhou calmamente até mim, puxou bruscamente a mão onde continha o meu chip, pegou um punhal que possuía em cima da escrivaninha e enfiando-o na minha mão, arrancou o chip que estava cravado. Agachando e segurando a minha mão que sangrava muito, eu agonizei de dor. Ainda não havia me dado conta de que pela primeira vez tinha falado sem precisar da permissão do meu dono.
Ele sorriu de maneira perversa, puxou meu cabelo para que eu ficasse de pé, lambeu as lágrimas que caíam dos meus olhos, lambeu o sangue em minhas mãos e se virou, chamando o seu segurança.
– Sim mestre. – Disse o servo obedientemente.
– Leva esta aqui pra onde sempre colocavas as demais. Deixe-a apodrecendo lá até que morra. Certifique-se de olhá-la uma vez por semana para saber se ainda está viva. Quando finalmente morrer, joga o corpo na floresta, no mesmo local onde estão as outras que um de também me foram úteis. – E, analisando a minha expressão de pavor, ele concluiu sorrindo cada vez mais enquanto puxava uma mecha dos meus cabelos para trás – Brinquedos velhos devem ser descartados.
Eu estava apavorada! Como assim? Esse seria o meu fim?
– NÃO! – Eu gritei correndo em direção à saída do escritório. Mas logo fui pega pelo segurança. No entanto, foi aí que eu percebi. Sem o chip, eu havia ganhado a minha liberdade. Eu finalmente não possuía dono. Eu podia falar e correr sem precisar da permissão de ninguém. Eu estava livre...
Mas essa liberdade estava prestes a ter um fim cruel. Lágrimas brotaram ainda mais dos meus olhos. Eu chorava desesperadamente feito um bebê, enquanto o segurança me arrastava pelos cabelos em direção a algo que julguei como uma espécie de porão. Um porão que cheirava a esgoto. Era imundo e extremamente escuro. O servo me empurrou escada abaixo e, quando finalmente cheguei ao chão de pedra que estava muito gelado, com as meias três quartos rasgadas, toda ralada e machucada por causa da queda, meu mestre apareceu na porta, o único local de onde vinha algum tipo luz. E então, ele se despediu de mim.
– Depois de teres me servido tão bem, receberás tudo o que mereces. Viver na imundice, sem água e comida. Implore para morrer rápido, serva estúpida. Seus dias de princesa chegaram ao fim.
Então ele cuspiu em mim e me deu as costas.
– Feche e tranque bem essa porta. – Disse para o segurança que assim o fez.
E tudo virou apenas escuridão.
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