Anjos da Morte - A Iniciação

2 Capitulo 1 - Pequenos flashes


Notas iniciais
Agradeço aos comentários que vocês deixaram meninas, isso me fez ter mais vontade de postar esse capitulo :) Esse já é um pouco maior, porém tão tanto, mas creio que toda a ação vai acontecer depois deste capítulo, já que ele é uma maneira de vocês se situarem em tudo. Espero que vocês gostem dele e que comentem o que acharam, como eu disse antes, isso vai me animar, e muito. Tenham uma boa leitura e até a próxima, Angel.

Capitulo 01 – Pequenos flashes

Algum tempo atrás

Destruída. Era assim que eu me sentia, sentada no meio da floresta, olhado para o nada e desejando poder voltar no tempo e o impedir que fosse embora. Minha mente ainda não podia raciocinar direito com o que havia acontecido a poucos minutos atrás, meu corpo tremia violentamente com o vento e a chuva fria que caia em meu corpo.

Eu não podia ficar muito tempo ali, mas meu corpo não reagia aos meus impulsos de levantar, de se mexer, simplesmente ficava ali, fixo, na mesma posição. Aquilo já estava me agonizando, meus músculos começavam a reclamar e eu quase não sentia meus membros por conta do frio.

Não sei por quanto tempo fiquei ali, mas de um momento ao outro, a chuva parou, o vento cessou e se ouvia apenas os pequenos animais da floresta ao meu redor. De repente, ouvi um pequeno graveto se partido atrás de mim. Não me preocupei, se fosse algum animal feroz, que me atacasse e me tirasse desse lugar, se não fosse, infelizmente.

Meus olhos se cansaram e livremente deixei eles se fechassem. Quem sabe assim eu conseguisse descansar um pouco.

*

Hoje era 04 de outubro. A casa estava silenciosa, como todos os outros dias de minha vida.

Eu estava deitada em minha cama, em baixo dos edredons e olhando para um ponto fixo qualquer no teto acima de mim. Seria mais um fim de semana tedioso e depressivo. Apesar de já estar acostumada pela minha vida inteira ser assim, ela nunca foi como é agora.

Eu estou cansada de sofrer e de procurar respostas em perguntas que não existem. Minha consciência não havia se conformado com a partida dele, de todos eles. Minha melhor amiga, meus segundos pais, meus irmãos e o amor de minha vida. Pelo menos eu pensava que ele poderia ser.

Ouvi uma movimentação na frente de casa que me tirou de meus devaneios e percebi que era o carro de Charlie. Olhei para o relógio na cabeceira da cama e percebi que ainda não tinha passado do horário do almoço. Logo estranhei e sai da minha cama, calcei meus sapatos e desci as escadas devagar.

Charlie estava andando de um lado para outro entre a sala e a cozinha, e estranhei ainda mais que ele ainda estava com seu uniforme e arma em seu corpo. Cheguei na cozinha e percebi que ele estava com o telefone em suas mãos, e balbuciava algo baixo e que eu não conseguia entender.

– Pai?

Ele olhou por um instante para mim, mas logo voltou ao telefone em suas mãos. Aquilo estava me deixando mais nervosa do que o normal, toda aquela agitação do meu pai.

Charlie ficou assim por mais alguns minutos, e eu continuei parada a sua frente, na cozinha. Quando ele finalmente jogou o celular na mesa da cozinha, frustrado, olhou para mim com um olhar cansado e abatido.

– O que aconteceu? – perguntei, receosa.

Ele continuou olhando para mim, respirando extremamente fundo, e então se sentou na cadeira e gesticulou para que eu me sentasse então, e o fiz.

– Você se lembra de que a sua mãe foi viajar com Phill noite passada, certo? – assenti. – Um pouco depois de chegar na delegacia, o pessoal ligou a televisão em um canal de noticias e estava passando algo sobre um avião que havia caído perto de uma grande cidade. No começo não me importei, vários aviões passam por diversos lugares todos os dias, mas logo depois, já que sua mãe havia me passado as informações sobre o voo para repassar a você, eu comecei a conecta-las, e desde então eu estou tentando ligar para sua mãe, porem ela não me atende, e ela já deveria ter chegado ao destino.

– Você acha que ela pode...?

– Eu não sei, mas há certezas em tudo isso.

*

Alguns dias depois, veio a confirmação. Minha mãe e Phill realmente estavam naquele avião, e o corpo de nenhum dos dois foi encontrado. Meu pai ficou desolado quando recebeu a noticia pelo telefone de minha avó; ele não conseguia acreditar que aquilo poderia estar acontecendo, e logo comprou as passagens para Flórida, onde seria o velório.

Eu não conseguia sentir nada. Eu estava tão entorpecida, tão chocada, que não vinha absolutamente nada para mim.

Eu arrumava minhas malas como se estivesse em um modo automático. Colocava as coisas que poderiam ser necessárias e já estava tudo pronto. Quando entrei no carro de Charlie, tudo ficou em absoluto silencio e a viajem até Flórida foi exatamente assim.

Alguns meses depois

O som da geladeira se abrindo pela centésima vez naquela noite ecoava pela casa, os gritos na TV por conta do jogo e os carros passando na rua eram os únicos sons além deste.

Respirei fundo, eu simplesmente não aguentava mais o que acontecia durante esses meses que se passaram, todas as bebidas, as reclamações. Se não fosse pelo fato de eu estar trabalhado na loja dos pais do Mike, não teríamos dinheiro algum, já que Charlie havia saído da delegacia.

Depois da morte de minha mãe, eu continuei com Charlie apenas pelo fato de que eu sabia que ele não iria aguentar sozinho. Apesar de ele estar em um estado deplorável, ele poderia estar pior. E eu, como filha dele, devo estar aqui, apesar de tudo o que eu sinto.

Ele havia, literalmente, se entregado para a bebida. Charlie não era mais o mesmo homem que era a poucos meses, cuidadoso, atento e cauteloso, agora ele era um homem que não se importava com absolutamente nada, que a única coisa se fazia era sentar na frente da TV e beber cada vez mais e mais.

Não sei por quanto tempo nós dois iremos aguentar isso.

Ouvi passos no corredor e virei em direção a porta do meu quarto. Ouvi uma porta sendo aberta e um barulho alto de algo caindo no chão pouco tempo depois. Fechei meus olhos e respirei fundo, tentando tirar a minha atenção dos sons ao meu redor com qualquer pensamento que vinha a minha mente.

De repente, ouvi a madeira sendo prensada e abri meus olhos rapidamente. Meu pai estava a minha frente, com os olhos ligeiramente fechados e não conseguia se manter no mesmo lugar por mais de dois segundos, obviamente estava bêbado.

– Pai? Quer alguma coisa? – perguntei, me levantando da cama e ficando a sua frente.

Ele abriu totalmente os olhos e ficou olhando fixamente para meu rosto, como se estivesse pensando no que dizer. Percebi que ele movimentava os braços, e que estava suando um pouco mais do que o habitual.

– Pai? – o chamei novamente.

Ele fechou firmemente seus olhos, e ouvi um estalo perto de sua perna. Quando eu o olhei para o lugar onde vinha o som, eu senti uma pressão em meu peito e um barulho ensurdecedor. Caí de olhos fechados em minha cama, e senti um liquido quente escorrendo pelo meu corpo. Abri meus olhos e então senti a dor.

Era como se estivessem introduzindo facas em meu peito sem cessar, a dor não me deixava respirar, todo meu corpo estava paralisado devido ao choque.

Meus olhos começaram a pesar, e os fechei, porém não caí na inconsciência.

Apesar de tudo, eu ainda conseguir ouvir tudo ao meu redor. Passos nervosos no assoalho não paravam, andando de um lado para o outro. Então, depois de algum tempo, tudo ficou em silencio. Meu corpo estava adormecendo, como se estivesse desistindo, porém, um pequeno barulho fez com que meu corpo, obrigado por mim, ficasse em alerta.

Depois de alguns segundos, o barulho estrondoso se repetiu, mas agora um outro barulho se juntou a ele. Um barulho que poderia significar que eu estava sozinha novamente.

*

Eu não sentia absolutamente nada. Ao meu redor, não havia nem mesmo o som de uma brisa qualquer. Era como se eu estivesse em um lugar vazio, abandonado e sem vida.

Abri meus olhos e vi apenas o breu do escuro. Sentei no lugar em que estava e vi apenas a mesma coisa, um infinito espaço de nada. Me levantei com um pouco de dificuldade pela falta de visão, e então tudo clareou com uma luz branca e forte, que por um momento me cegou.

Eu estava em um cômodo sem janelas ou portas, e havia poucas mobílias espalhadas pelo espaço. Havia algumas pinturas nas paredes brancas, como se fossem representações de fatos terríveis descritos na Bíblia. Pessoas sendo queimadas, torturadas ou até mesmo crucificadas. Tudo estava em um tom totalmente obscuro, apesar de toda a mobília e cômodo serem da cor branca pura.

– Olá.

Uma voz calma se pronunciou atrás de mim, fazendo com que meu coração saltasse pelo susto.

Me virei e havia um homem velho, em um paletó negro. Em suas mãos havia um tipo de bengala, também negra, com uma representação de um dragão no topo. Ele me olhava sem expressão alguma, como se aquilo não importasse para ele.

– Tenho uma proposta a lhe fazer. – falou novamente. – Receio que, devido as suas memórias, você saiba o que aconteceu, e que acabou perdendo sua vida nas mãos de seu pai. – assenti, com um aperto no peito. – O que eu tenho a lhe oferecer é a volta de sua vida, andar novamente entre as pessoas. Porém, terá que fazer algumas coisas por mim, que serão ditas para você por meio de meus ‘ajudantes’, digamos assim, e você terá que fazer tudo o que mandar, da forma que quiser, respeitando o que será pedido. Se aceitar, alguém irá lhe procurar em um lugar marcado e explicar como as coisas irão funcionar, e qual será seu primeiro teste. – deu uma pausa. – Aceita?

– O que você ganha com isso? – perguntei, desconfiada.

– A sua total ajuda. E não se esqueça, você receberá a sua vida novamente.

Eu não tinha muitas escolhas, tinha? Quem sabe para onde eu vá se eu negar essa proposta. Mas há um grande vazio aqui, essa lacuna pelo lado dele. O que eu, uma humana, posso fazer para esse ser que seja tão benéfico e que possa custar a volta de minha vida?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.