Anjos caem
8 Capitulo 8
Eu sabia que aquilo era verdade, mas o peso da verdade foi maior do que eu podia aguentar e sai dali correndo indo para meu dormitório ouvindo Sebastian e Vincent me chamando, mas não parei, entrei no meu quarto e sentei na minha cama, eu me senti confusa, por um lado estava feliz por ser unida aos dois e do outro me sentia arrasada por ser unida aos dois, acabei me deitando e dormindo. Na manhã seguinte acordei sentindo meu corpo dolorido, tomei um banho e coloquei um vestido, mas curto de malha em branco, me sentei no parapeito da janela e fiquei olhando o dia, eu me sentia cansada, mas era como se não fosse eu, eu sabia que cedo ou tarde teria que enfrentar os dois e isso me fazia vacilar, mas eu estava com fome e foi assim que sai sem me importar com as minhas marcas, enquanto andava muitos me olhavam, mas eu simplesmente ignorei, todos estavam a vontade e era possível ver as marcas de outros Caídos.
Na mesa do café da manhã ninguém deu atenção pra mim e os Caídos pareciam quase a vontade comigo ali, era como se eu fizesse parte dali, fui a biblioteca e nada de Sebastian e Vincent e os Elevados simplesmente fingiram que eu não estava ali, aproveitei para pegar um livro sobre união e sai para os jardins, a mesma mesa estava vaga e acabei sentando lá.
O livro era do assunto exclusivo de união e pude ver sobre união de sangue, de alma, simples e como eram feitas e no último tópico estava união de morte, suspirei fundo conforme ia me aproximando da página e meus olhos procuraram mais uma vez os gêmeos antes de se prender a página do livro, uma única página.
O restante era só orientações e alertas sobre o perigo dessa união e sobre alternativas que eram tão boas, eu sabia que o que sentia era estranho, aquele cansaço e tristeza, mas poder imaginar que isso vinha dos gêmeos me assustava um pouco, mas eu sabia que tinha que me acalmar, se fosse verdade ficar assustada os faria sentir e isso não era o que eu queria, fechei o livro e voltei para a biblioteca, lá já estava vazio devido se aproximar do horário do almoço o que era perfeito, sentei em uma cadeira no fundo e tentei me concentrar, podia ser loucura, mas eu estava ficando preocupada, eu precisava encontrar o fato de sentir aquele cansaço que estava se tornando desesperador pra mim era motivo suficiente para ficar preocupada, já que ontem eu simplesmente sai dali sem nem mesmo falar nada, fechei meus olhos e tentei pensar apenas neles, meu coração errou uma batida imaginando o pior, mas eu tinha que me focar, e com isso senti um leve puxam no meu corpo, não era uma imagem, nada magico apenas uma sensação como um instinto, comecei a andar pelo colégio em corredores que eu nunca tinha ido, eu sabia que podia estar errada, mas eu começava a ficar com medo, continuei andando quando o céu começou a escurecer, eu não conseguir me concentrar bem sentindo meu corpo cansado e pesado, e tive que parar várias vezes, me sentia fraca e meu corpo só queria deitar, quando vi uma porta lateral escondida, eu sabia que já tinha passado naquele corredor inúmeras vezes, mas não tinha visto antes, passei por ela entrando no que parecia ser os fundos do colégio, não tinha nada a não ser um precipício e o mar lá embaixo, meu coração acelerou imaginando os gêmeos ali caindo, olhei ao redor quando vi uma enorme rocha, andei devagar quando vi um casaco, comecei a correr quando vi Sebastian e Vincent encostado, parecia desacordados.
— Sebastian, Vincent, acordem. – comecei a balançar eles, mas nada.
Por um momento senti meu coração apertar e não pude evitar as lagrimas, sentei entre ambos e encostei a cabeça na pedra, eu estava cansada e acabei adormecendo.
Acordei sentindo minha cabeça e corpo doer, e olhei ao redor, e reconheci a enfermaria mais uma vez, estava escura, sentei na cama com dificuldade e joguei minhas pernas para o lado saindo do leito e comecei a andar, eu podia sentir os dois ali, e depois da cortina ao meu lado lá estavam eles, deitados um do lado do outro, sentei na cadeira entre os dois e peguei suas mãos, e devo ter adormecido mais uma vez.
Acordei com o Sol no meu rosto e por um momento tentei lembrar do que tinha acontecido, vi o teto da enfermaria e fiquei tensa, tentando achar os gêmeos.
— Eles estão bem. – Era a voz do meu pai
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