Eudamon 5/9/1974
Era uma manhã de setembro, o sol brilhava incessante quando uma mulher loira se levantava para tomar o café da manhã, ela penteava os cabelos longos e se olhava no espelho.
Sua barriga grande demonstrava seu avançado estado de grávidez, um bebê logo chegaria e isso lhe trazia uma felicidade inigualável.
Sempre foi seu sonho ter um bebê e poder compartilhar seu mundo mágico com ele, ela escrevia canções nas quais demonstrava o amor que sentia por seus bebês que estavam por chegar, ela fora abençoada com a notícia de que teria gêmeos idênticos porém, não sabia o sexo dos bebes, em meio a um sorriso ela voltou a tocar em sua barriga e proferiu algumas palavras afetuosas aos seus pequenos anjinhos:
— Estou muito feliz em saber que vocês vão chegar, eu amo vocês. — a mulher sorriu enquanto falava com um tom de voz doce e logo veio um homem sorrindo e tocando sua barriga.
— Oi meus anjinhos, eu quero que saibam que nós os amamos muito. — disse o jovem de cabelos loiros com um sorriso gentil, logo depois de dizer isso aos bebês que estavam à caminho o homem sorriu e a mulher o olhou incrédula pois as crianças pareciam escutá-los. — O que houve meu amor?
— As crianças vão nascer. — a moça apontou o vestido que se encontrava molhado enquanto uma expressão de ansiedade tomava conta de sua face jovem.
O homem ao perceber o estado em que sua amada se encontrava saiu correndo, pegou as chaves do carro e desceu as escadas com a mulher em seus braços e uma bolsa branca pendurada nos ombros.
Ele entrou no carro, colocou a esposa no banco traseiro e dirigiu até o centro médico mais próximo, chegou no local onde a mulher logo foi atendida.
★★★
Alguns minutos se passaram e a loira estava na sala de parto do centro médico acompanhada por seu marido a mulher sofria com aquelas dores intermináveis porém aquele esforço sobrehumano foi recompensado, e logo depois de algumas horas a mulher contemplava com ternura a face infantil de uma das crianças que havia nascido.
Ao mesmo tempo na sala de espera do centro médico alguns jovens estavam conversando e rindo, aquele dia era um dia feliz e todos estavam ansiosos por conhecer as novas integrantes da família, ainda que naquela família poucos tivessem laços sanguíneos, todos estavam felizes pela chegada das bebês e por saber que aquele jovem casal seria feliz.
Todos que estavam ali sabiam das lutas Que o jovem casal havia enfrentado para que aquele nascimento podesse acontecer e as lutas foram muitas. Por isso os sete melhores amigos de Augusto e Maria Cristina estavam presentes no local, eles conversavam bastante ansiosos.
— Aposto que o Augusto desmaiou na hora do parto.
— Ai Giulia você é uma comédia. — Disse um jovem de cabelos castanhos.
— Mas já pensou, eu já vi várias histórias de pais que desmaiaram na hora do parto. — a garota magrela com mechas vermelhas sorria e tentava amenizar o clima de ansiedade que tomava conta do local.
Logo um jovem magro de cabelos loiros saiu da sala de parto com os olhos marejados e a patota curiosa se aproximou enchendo o jovem de perguntas.
— Como foi o parto? — perguntou uma magra de cabelos cacheados.
— A Cris tá bem? — perguntou uma menina magra de cabelos lisos.
— E como estão os bebês? — perguntou o mais jovem da patota.
— Sim, a Cris tá bem e já vão transferir ela pro quarto com as crianças, levaram as crianças pra fazer o teste do pezinho e os exames de rotina.
— E como elas são? — perguntava uma mulher mais velha que chegava ao local com dois embrulhos na mão.
— Elas são lindas dona Rosa, se parecem com a Cris e tem os pezinhos bem pequenos. Eles são minúsculos.
Passou meia hora e logo Cris foi transferida ao quarto, a moça estava bastante ansiosa por ver as gêmeas já que na hora do parto só havia visto uma delas, logo chegou uma enfermeira e entregou uma das gêmeas nos braços de Maria Cristina.
Ao ver a pequena em seus braços Maria Cristina sorriu emocionada e beijou a pequena face da menina que se movia lentamente e tentava se acostumar ao ambiente estranho que estava, a menina era muito linda, possuindo cabelos castanhos e um nariz pequeno, a pele rosada e 49 centímetros de pura ternura.
Os dedos da menina eram pequenos e finos, e os pezinhos eram minúsculos, mal cabiam na palma da mão de sua mãe que não se cansava de admirar tamanha beleza.
— Oi meu anjinho, estou muito feliz com sua chegada, eu te amo muito! — a jovem sorriu enquanto uma lágrima caiu em sua bochecha, era uma lágrima de alegria pois apesar da pouca idade ela se sentia feliz por trazer um ser tão pequeno ao mundo.
— Nossa filha é linda Cristina. — Disse o jovem que era pai da menina, o rapaz possuía cabelos loiros e os olhos em um tom de azul profundo.
— Sim, ela parece com você Augusto, tem o seu nariz. — A moça sorriu e ficou brincando com os dedinhos da menina que parecia estar bem cômoda já que estava recebendo carinho e estava aquecida com um cobertor cor de rosa.
— E tem sua testa e suas bochechas redondas. — Augusto se aproximou da menina e tocou em seus cabelos lisos. — Eu te amo princesa! — Dito isso o homem começou a chorar.
— Ursinho, você está Chorando? — a loira sorriu com ternura e olhou o marido que a abraçava.
— Fiquei emocionado com a nossa filha, eu sempre quis ter uma menina.
— Eu também fiquei emocionada, só que a gente nem botou um nome na menina, que nome a gente coloca? — a mulher sorriu e olhou o marido que estava acariciando o cabelo da menina.
— Acho que tenho um nome para a menina.
— Que nome? — Indagou Cristina com um sorriso tímido.
— Belén. — Disse o loiro enquanto seguia olhando a menina de pele clara.
— Belén é um nome lindo. — Disse a loira enquanto contemplava a face infantil e terna de sua filha. — Acho que combina com ela.
— Sim, ele combinou com a nossa filha. — O homem sorriu e olhou a menina com ternura. — Belén, nós te amamos muito.
— Quanto tempo vai demorar pra trazerem a outra bebê? — a loira perguntou com a voz embargada.
— Augusto tu pode segurar a Belén enquanto eu falo com a Cris? — perguntava Rosa, a mãe de Maria Cristina e avó das crianças que haviam nascido.
— Onde está o meu bebê? — a loira perguntou com um fio de voz.
— Ela tá fazendo os exames de rotina, já devem estar trazendo ela, você sabe que demora um pouco em casos de auto risco.
— Eu quero a minha bebê. — a moça abaixou a cabeça e logo uma enfermeira chegou com outra criança.
A menina tinha 48 centímetros de comprimento e estava usando uma roupinha lilás, a menina tinha bochechas rosadas e era tão bela quanto a irmã gêmea, já que ambas eram univitelinas, Cris sorriu embobada e começou a falar com a menina.
— Oi meu amor, eu sou a Cris, eu sou a sua mãe, você é a menina mais linda do mundo, eu te amo.
— Oi meu amor, eu sou o seu pai, como você é linda! — Augusto tomou a menina em seus braços e a menina abriu a boca em um sorriso sem dentes.
— Tudo lindo, mas como vamos chamar a menina? — a loira perguntou.
— Eu acho que agora é a sua vez de escolher o nome.
— Ela tá usando uma roupinha lilás e verde como a pequena sereia, acho que ela podia se chamar Ariel. — a loira sorriu. — Ariel Romina Fraga Gutiérrez.
— É um ótimo nome pra nossa princesinha, acho que é hora de descansar amor pois você fez muito esforço pra dar a vida as nossas meninas.
— E quem vai cuidar delas? — Cris perguntou.
— Eu fico aqui com a sua mãe, a gente cuida das meninas.
— Tudo bem, eu te amo amor. — dito isso a jovem se deitou na cama para descansar.
Enquanto a jovem dormia Augusto a deixou com sua mãe e foi a um cartório que ficava próximo a maternidade, registrou as meninas e logo após registrar as crianças o homem retornou a maternidade para ficar com sua mulher e suas filhas recém-nascidas. Após ver as menores dormindo o homem pegou uma câmera fotográfica e tirou uma foto das gêmeas, logo uma lágrima molhou sua bochecha e eu apareci tocando seu ombro.
— Parabéns.
— Reloginho! — o loiro me cumprimentou e sorriu.
— Como tá o coração?
— Saindo pela boca, por um momento achei que iria perder as três. — o homem começou a chorar.
— Foi por muito pouco, mas o importante é que tudo acabou bem.
— Não acabou nada, a história das minhas filhas está apenas começando, sei que minhas filhas terão um longo caminho a percorrer. — Augusto olhava as crianças de forma amorosa e sorria ao ver que Ariel despertava.
★★★
Passaram dois dias e eles voltaram pra casa, aquele momento ffoi especial pois Belén e Ariel esbanjam saúde e se desenvolviam perfeitamente, porem algo havia chamado atenção de seus pais, o fato de que uma das meninas ter olhos celestes enquanto a mãe possuía olhos castanhos e o pai possuía olhos azuis escuros.
Além disso, a criança possuía um pequeno sinal de nascença que parecia um par de asas. Ainda em choque, por perceberem essa aparente anormalidade, os dois olhavam a menina com preocupação, porém o amor que possuíam pela criança os tornavam mais fortes para encarar os desafios que viriam, assim os dois se esforçavam e davam amor e carinho a menina de olhos celestes que ia crescendo forte e feliz.
Porém a grande revelação veio quando o casal recebeu a visita de Rosa, a avó materna da criança, uma mulher doce e amorosa que havia chegado ao lar da menina portando um livro de capa branca com estrelas douradas.
Ao ver a pequena a mulher sorriu e olhou sua filha que parecia estar triste, se sentou ao lado da jovem e começou a falar com ela enquanto segurava a menina em seus braços e contemplava a face inocente da criança:
— Meu anjo, o que houve?
— Básicamente tudo. — a loira respondeu com tristeza e olhou a menina. — A Belén tem um sinal de nascença em forma de asas.
— Asas? — a mulher de cabelos escuros sorriu pois era a primeira criança dessa geração a possuir aquele sinal de nascença, ela sabia exatamente o que aquilo significava e as consequências do ocorrido.
— Sim, minha filha tem asas ... — a mulher respondeu com tristeza e a mãe segurou suas mãos enquanto lágrimas quentes molhavam seu rosto.
— Uma pergunta, a Ariel também tem asas?
— Eu não olhei. — Cris comentou.
— Posso ver
— Pode, ela está no quarto das bebês. — a loira entrou no quarto e viu que a menina estava acordada com os olhinhos abertos. — Oi mocinha.
— Oh que menina mais linda! — a avó olhava a pequena com uma expressão encantada e apanhava a menina em seus braços quando percebeu algo. — Parece que alguém precisa trocar a fralda.
— Tá aqui na gaveta. — Cristina apanhou a menina e começou a trocar a fralda da menina.
Enquanto ela trocava a fralda da criança a confirmação de suas suspeitas veio a tona, a criança também possuía um sinal em forma de asas e ficava bem no meio das costas. Ao constatar tal evento a loira olhou a menina com carinho e ficou brincando com seus pés pequenos enquanto olhava a dona Rosa e a mulher começou a tranquiliza-la.
— Ótimo! A Ariel também tem asas! — a loira cruzou os braços e começou a chorar.
— Filha, isso não é um motivo pra estar triste, o fato da Belén e da Ariel ter asas é por elas serem especiais.
— Como assim especiais? Elas tem alguma deficiência? — indagou a loira com um fio de voz e uma expressão desesperada.
— Não, não é isso, as meninas são perfeitas, acontece que as meninas são especiais em outro sentido.
— Qual? — perguntou Maria Cristina com ansiedade.
— Suas filhas são anjos Cris.
— Anjos? — a loira arqueou uma sobrancelha pois não estava convencida do que sua mãe lhe alertava.
— Sim, anjos mensageiros da felicidade. — respondeu a morena de olhos celestes.
— E o que isso vai mudar na vida das meninas?
— Muita coisa, começando pelo fato de as meninas terem uma missão pra cumprir. — disse a morena de olhos azuis com um tom de voz doce e gentil.
— Que missão? — Perguntou a loira de olhos castanhos.
— A missão da Belém e ser guardiã do livro da vida. — a morena entregou o livro à loira e assim a loira foi criando as meninas com amor e carinho.
★★★
Já havia se passado 8 anos desde o nascimento das gêmeas e Cris preparava tudo para a festa de Natal quando ouviu alguém bater na porta, a moça abriu a porta e viu um adolescente pálido e triste a olhando.
O adolescente então foi caminhando e entrou em uma casa e Cris o abraçou.
— Eu nem acredito que você está aqui!
— É, eu, eu precisava falar com você. — Felipe segurou a mão de Cris. — Como está a Belén?
— Ela está bem, no terceiro ano do primário e está crescendo feliz.
— E ela já despertou a peculiaridade dela?
— Ela está escrevendo os primeiros contos, algumas coisas já aconteceram mas ela ainda não percebeu que as coisas que ela escreve se tornam realidade. — a loira explicou.
— Por tudo que é mais sagrado, não oculte a verdade, conte pra Belén que ela é peculiar, isso vai evitar muitos problemas, e por favor, ensine ela a se defender e a usar seus poderes, o Evaristo é o menor dos nossos problemas, tem gente pior que ele, além disso, eu queria pedir pra você cuidar do vô Augusto pra que o Juan Cruz não o escureça.
— Eu prometo cuidar do ursinho, você não quer ficar pra ceia de natal?
— É, eu aceito. — Felipe abraçou a Maria Cristina e sorriu, a jovem então o apresentou diante dos outros membros da família que estavam presentes.
— Mamãe quem é esse menino que tá falando com a senhora? — perguntava uma curiosa e adorável menina de olhos celestes.
— Ele é o Felipe.
— Ele é muito lindo. — Belén se aproximou do menino e tocou seu rosto. — Você estava chorando?
— Não, nada a ver.
— É porque o River perdeu pro Boca Juniors? — a menina perguntou com um sorriso inocente.
— É, por isso eu tô triste. — Felipe mentiu más não podía romper o paradoxo temporal.
— Não fica triste, na próxima vai ser pior e o Boca vai meter dez a zero no River.
— Então você torce pro Boca?
— Sim, igual o papai e minha mamãe, eu torço pro Boca e adoro futebol.
— Que legal pequena, feliz natal. — o menino sorriu e abraçou a Belén.
— Feliz natal Felipe, espero que a gente se veja de novo.
— Eu também, obedeça os seus pais e seja uma boa menina.
— Eu prometo. — Belén sorriu e se despediu do novo amigo sem saber que o encontraria alguns anos mais tarde.
Logo após a ceia de 1natal e a partida de Felipe, Cris chamou a Belén para uma conversa privada pois Cris percebeu que a menina estava um tanto angustiada e se sentou ao lado da pequena.
— Amor o que houve?
— Aquele menino estava no meu último conto mamãe, ele era um menino que veio do futuro pra falar com você e estava triste porque aconteceu algo bem ruim mas fingiu que estava triste pelo River ter perdido o clássico só pra não me preocupar por eu ser pequena. — Belén abaixou a cabeça. — Sei que você e o papai já conhecem ele desde antes pois ele já veio aqui outras vezes mas ele era mais velho.
— Eu não posso mentir filha, o Felipe é um amigo muito especial pra gente. — a mulher apanhou um álbum de fotos. — Lembra quando eu te contei sobre o orfanato de crianças peculiares?
— Eu lembro, se chamava Cantinho De Luz.
— Sim, essa história não é um simples conto de fadas, acontece filha que nós somos peculiares e você tem uma peculiaridade muito especial.
— Que peculiaridade mamãe? — Belén perguntou.
— Você é uma ymbryne.
— Igual a senhorita Peregrine do livro do papai? — a menina perguntou.
— A senhorita Peregrine existe de verdade.
— Como.assim?
— Sabe a tia alma?
— Aquela mulher de olhos azuis que sempre trás chocolate no meu aniversário e que cuidava de mim quando era pequena e a senhora saia pra trabalhar? — Belén perguntou.
— Sim, a Alma é minha tia avó e ela é uma ymbryne, ela se transforma em falcão peregrino.
— E eu vou me transformar também? — Belén perguntou com um sorriso doce.
— Vai, quando ficar mocinha. — Cris explicou.
— E a Ariel também vai ser uma ymbryne?
— Vai, ela ainda não despertou a peculiaridade dela mas em breve vai despertar.
— Eu vou ligar pra vovó pra contar que eu sou peculiar.
— Ela já sabe meu amor.
— E eu não posso contar pra ninguém, não é mamãe?
— Exato, isso vai ser nosso segredo.
— Tudo bem mamãe.
— Vamos ver o que o papai Noel trouxe?
— Vamos!!! — Belén sorriu e foi saltando até o quarto. — É UMA CASA DE BONECAS COR DE ROSA!
— Você gostou?
— Eu amei!!! Vou escrever uma cartinha pro papai Noel pra agradecer pelo presente.
— É uma ótima ideia. — Cris sorriu e viu como Belén escrevia para o papai Noel.
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