Anjos Peculiares - A ilha das crianças felizes.
2 A Mansão Fraga
Buenos Aires Argentina 5/9/1998.
Outro dia começava na vida de Belén, a moça acordou com o canto dos pássaros, o cheiro de pão quente, a vontade de levantar e ir para a faculdade, era seu ultimo semestre na faculdade de psicologia e faltavam tres meses para terminar.
Ela se levantou animada, foi ao banheiro, fez sua higiene, lavou os cabelos castanhos, a água quente molhava seu corpo trazendo uma sensação de paz e alegria.
Ela saiu do banho enrolada em uma toalha, pegou sua roupa que sua mãe já havia deixado passada encima da cama, era uma calça jeans azul e uma camiseta Rosa com alguns detalhes florais, ela se vestiu, penteou os cabelos castanhos em um rabo de cavalo e calçou umas sapatilhas brancas com alguns enfeites, se maquiou cuidadosamente e escolheu seu perfume preferido, desceu as escadas e se dirigiu a cozinha. Se deteve por uns breves segundos enquanto contemplava a imagem de sua mãe que estava retirando uma bandeja de cupcakes da geladeira.
Cris tinha a pele bem cuidada e seus olhos castanhos brilhavam intensamente. Ela usava uma calça social preta e uma blusa branca com listras vermelhas. As unhas pintadas de branco estavam muito lindas e bem cuidadas. Os cabelos presos em um coque mostravam que a loira estava cozinhando pois quando ela estava na cozinha ela prendia os cabelos em um coque para que eles não caíssem nas panelas.
Belén sorriu levemente, se sentou à mesa e Maria Cristina se aproximou com uma bandeja, o cheiro de chocolate penetrava em suas narinas enquanto sua mãe a olhava com admiração.
— Bom dia mamãe. — a moça cumprimentou enquanto se sentava em uma cadeira de metal com o assento estofado em couro sintético.
— Bom dia filha, tudo bem? — a mulher loira se aproximou e sorriu docemente.
— Sim. — a jovem respondeu com uma expressão alegre enquanto Maria Cristina acariciou seus cabelos.
— Feliz aniversário princesa! — a mulher sorriu e abraçou a jovem que a olhou com uma expressão que variava entre feliz e confusa.
— Ah? Já é hoje? — a moça perguntou e olhou o calendário que estava pendurado na geladeira, o TCC estava enlouquecendo a jovem e ela havia esquecido que aquele dia era 5/9.
— Sim, há exatos 24 anos você nasceu, esse foi o dia mais feliz da minha vida. — a mais velha sorriu e Belén retribuiu o sorriso enquanto sentia o cheiro de lavanda que sua mãe exalava.
— Obrigada mamãe. — as bochechas de Belén ficaram vermelhas e a jovem sorriu desconfortavel, era estranho esquecer o próprio aniversário.
— Ei, não precisa se envergonhar, você foi amada desde o começo da sua existencia! — Cristina respondeu com um tom de voz meigo, sorriu e abraçou sua filha, ela sorriu de volta e a mais velha lhe deu um embrulho quando Belén abriu, viu um livro lindo com capa branca e estrelas douradas.
A moça sorriu animada e começou a folhear o livro, quando se deu conta que ele estava totalmente vazio e já era sete horas, ela estava atrasada para ir á faculdade, correu o mais rápido que pode para chegar até a porta enquanto Maria Cristina sorriu e a moça a olhou com uma expressão confusa.
— Hoje eu vou te levar. — Maria Cristina sorriu e pegou as chaves do carro. — Aliás eu preciso ir pro centro comercial comprar algumas coisas pro bar.
— Está bem. — a jovem suspirou. — Mamãe por que esse livro não tem nada escrito?
— Porque ele será escrito por você, quando chegar a hora certa você vai saber o que fazer com ele.
— Tudo bem. — a moça assentiu e Maria Cristina ligou o carro, botou um CD dos rollings Stones.
O caminho foi bastante tranquilo e Belén conversava com sua mãe enquanto a mulher mantinha o olho fixo na estrada e depois de meia hora dirigindo a mulher conseguiu chegar a universidade, Belén saiu do carro e se despediu da mãe com um sorriso alegre.
— Bença mãe.
— Que deus te abençoe meu amor. — a loira sorriu e se despediu da filha com um sorriso carinhoso.
Havia chegado o momento da missão começar e Cris estava ansiosa pois sabia que a vida de Belén nunca mais seria igual. Entretanto a loira havia preparado a sua filha para cumprir seu destino e ser guardiã, foi mandada a Academia de ymbrynes na ladolescência e aprendeu a controlar seus poderes e também aprendeu a língua e as tradições peculiares, além de estudar todas as matérias normais do cotidiano humano como Espanhol, matemática, ciencias naturais, geografia, história, inglês, artes e educação física, afinal ela ainda era uma adolescente e precisava aprender as matérias que eram ensinadas aos adolescentes normais. Logo que a moça fez dezessete anos e terminou o ensino médio ela ingressou na faculdade de serviço social e se formou aos 20 años e aos 21 começou a cursar psicología, en circunstancias normais o curso duraria 5 anos mas pelo fato de a moça ter se formado em serviço social e os dois cursos terem materias em común a jovem conseguiu adiantar um ano de grade curricular e com isso se formaria um ano mais cedo.
Depois de deixar a Belén na faculdade, a loira foi ao centro comercial onde comprou alguns produtos para a festa surpresa que estava fazendo para celebrar o aniversário de sua filha. Após fazer as compras a loira voltou pra casa e começou a decorar o local, a decoração alegre e colorida começava a tomar conta da sala e como Belén ficaria fora o dia todo por conta do estágio, Cris teria tempo suficiente para organizar a festa, a loira organizou a decoração em tons de azul e violeta, e depois disso, se sentou no sofá e ficou lendo uma revista quando percebeu que um jovem com uma toca com orelhas de coelho a olhava sorridente e animado, ela retribuiu o sorriso e o jovem aplaudiu como se estivesse assistindo uma obra de teatro, na verdade esse jovem era eu o tempo todo.
— BRAVO!
— Que susto reloginho. — a loira reclamou e me jogou uma almofada.
— Você está se saindo muito bem, vejo que já entregou o livro da vida a Belén.
— Não havia outro remédio. — a loira fechou os olhos e depois voltou a abri-los enquanto me entregou um saco de balões coloridos.
— Não tenha medo, a Belén vai ficar muito tempo nesse plano, o tempo necessário para o cumprimento da missão. — disse tentando tranquilizar a Maria Cristina, porém ela ainda tinha medo.
— Beleza, mas quantos anos eu vou poder estar com ela? — a loira demonstrava ansiedade com sua pergunta, suas mãos já estavam suadas e ela estava a ponto de ter um ataque de pânico.
— Não vem pedir spoiler do futuro, eu não posso sair revelando tudo. — falei de um jeito irreverente e a mulher de cabelos loiros me olhava com uma expressão angustiada.
— EU QUERO A VERDADE. — Cristina revirou os olhos castanhos, e eu inevitavelmente soltei uma gargalhada pela expressão que a mulher mantinha, era uma expressão de pânico.
— Oh céus não me olhe com essa cara. — ri e vi que a mulher abaixou a cabeça tristemente. — Tá, foi mal, eu não quis te ofender. — Á olhei confuso e logo ela se sentou ao meu lado.
— Já me acostumei com seu sarcasmo ... — ela me olhou e eu revirei os olhos ao ouvir seu tom de voz e sua postura mais frágil que o normal.
— Não faz essa cara, eu não posso dar spoiler do futuro. — reclamei e me sentei no chão. — Mas eu posso te assegurar que a Belén vai ser muito feliz, afinal ela vai fazer algo que gosta, ou ela nunca gostou de crianças?
— Ela ama crianças, e ela é capaz de dar a vida pra que as crianças sejam felizes ... — A mulher respondeu mais tranquila e eu sorri.
— Então não tem crise, tudo vai estar bem, e como vão os preparativos pra festa? — Perguntei ao ver a maneira que a casa já estava decorada.
— Bem. — A loira sorriu e eu à ajudei a ajeitar os balões e decorar as mesas. .
Depois de que a loira decorou as mesas e ajeitou os balões nós fomos fazer o bolo e os docinhos, logo chegaram algumas tias de Belén r começaram a ajudar com a decoração e os doces, os tios faziam o típico churrasco argentino e ajeitavam tudo para a festa enquanto Cris falava ao telefone com Ariel que estava morando na casa da avó materna há dois anos pois a avó já tinha 74 anos e não podia morar sozinha então Ariel decidiu que moraria com a avó para que ela não vivesse seus últimos dias de vida em um abrigo para idosos, Ariel sempre foi muito carinhosa com sua avó e conviver com ela era algo que a alegrava muito pois ela amava a avó e se negava a acreditar que alguém pudesse deixar um idoso vivendo em um abrigo sem ter alguém que lhe fizesse companhia pois em um abrigo geralmente os cuidadores não eram muito pacientes com os idosos.
— Alô.
— Bom dia mamãe. — a jovem respondeu com um tom de voz gentil.
— Feliz aniversário princesa!
— Obrigada mamãe. — a moça respondeu com um sorriso doce.
— De nada minha linda! — a loira sorriu. — Eu te amo.
— Também te amo mamãe. — a jovem sorriu. — Você tá bem?
— Por que eu não estaria? — a loira abaixou a cabeça.
— Você tá triste.
— Nao é nada sereia. — a loira suspirou.
— Eu te conheço dona Maria Cristina, o que houve? — Ariel perguntou.
— Não é nada meu amor, eu só fiquei emocionada, lembrei de como foi seu nascimento e do medo que eu tive de te perder pra sempre. — a loira começou a chorar. — As vezes tenho medo de tudo ter sido um sonho e que quando eu acordar eu vou estar sozinha e você não vai estar viva.
— Ei dona Maria, não chora! Agora eu estou aqui e sempre vou estar ao seu lado sabe?
— Eu acabei estragando seu dia.
— Mamãe! Você não estragou nada, você sempre foi guerreira, valente, amorosa, você sempre esteve comigo e com a Belén, você me ensinou a brincar, você me ensinou a sonhar, você me ensinou a andar de bicicleta, você me ensinou a desenhar! Eu era um desastre desenhando! — Ariel começou a rir.
— Lembra o dia que você e a Belén tentaram fazer um bolo de chocolate?
— Aquele bolo era de terra, a gente estava brincando de casinha.
— Eu passei meia hora lavando seu cabelo que estava cheio de terra.
— E você sempre foi paciente e gentil, mesmo eu te sujando com a espuma do banho você não brigou e ainda entrou na brincadeira de guerra de espuma.
— Eu adorava brincar com você e ver os seus olhinhos brilhando! — Maria Cristina sorriu. — Desde o dia que eu soube da gravidez eu senti que podia ser feliz de novo, eu te amo minha menina.
— Também te amo mamãe!
— Eu vou ter que desligar, eu só queria te desejar feliz aniversário, eu te amo muito princesa. — Dito isso a loira sorriu e desligou o telefone pois não queria estragar a surpresa que estava preparando.
Aquilo foi o suficiente para alegrar o coração de Ariel, a jovem sorriu e se dirigiu ao banheiro onde tomou um banho demorado, após alguns minutos a moça saiu do banho e vestiu um vestido azul com detalhes florais e deixou os cabelos soltos, logo chegou sua prima Luz que já estava sabendo da surpresa, a garota maquiou a Ariel e penteou seus cabelos em uma belíssima trança lateral.
Cris por sua vez terminava de arrumar a decoração e apanhar o presente que havia escolhido para entregar a Ariel pois logo as aniversariantes estariam presentes e a festa tinha que ser perfeita, e assim fizemos tudo como havia sido planejado, e logo os convidados foram chegando, ato seguido, me tornei invisível e observei como as gêmeas festejavam seu aniversário, elas estavam rodeadas de amigos e familiares, e o fato de Belén e Ariel se sentirem amadas era um ponto positivo para a missão que elas iriam começar.
— SURPRESA! — Gritavam os convidados muito animados com a chegada de Belén e Ariel.
— Eu não acredito! — Belén respondeu com um sorriso radiante e um tom de voz alegre.
— É sério que fizeram essa festa de aniversário pra gente? — os olhos de Ariel brilhavam intensamente.
— Feliz aniversário maninha! — Disse um jovem branco de olhos azuis. — Feliz aniversário bebê.
— Valeu Piojo.
— Valeu maninho. — Ariel respondeu sorrindo e logo veio uma menina pequena com cabelos loiros.
— Feliz aniversário mamãe! — A pequena sorriu e abraçou a Belén enquanto entregava um embrulho.
Era uma menina de baixa estatura, cabelos loiros e olhos azuis como o mar, a pele clara e suave, os cabelos lisos e sedosos. A personalidade doce e gentil escondia a força interior que Sol possuía, desde seu nascimento a pequena enfrentava dificuldades diversas. Aos seis anos havia perdido a mãe biológica que faleceu com uma grave doença no cérebro e desde então vivia sob os cuidados de Belén que cuidava dela como se fosse sua filha e sempre fazia o impossível por sua felicidade.
— Obrigada meu amor. — a jovem sorriu e abriu o embrulho. — Oh que lindo!!! — Ela pegou o presente e sorriu. — Você desenha muito bem Sol!
— Eu desenhei eu, você, a vovó, o Piojo, a tía Ariel e a sininho. — A menina sorriu e mostrou a cachorrinha que estava desenhada.
— Eu amei esse presente meu amor! — A jovem sorriu e pegou a menina no colo. — Eu te amo!
— Também te amo mamãe. — a menina sorriu e se aproximou de Ariel. — Feliz aniversário tia Ariel. — Dito isso a menina entregou um embrulho para a moça de cabelos lisos.
— Obrigada meu amor. — a jovem sorriu e abraçou a Sol, ao abrir o embrulho viu um lindo desenho das duas brincando de boneca.
— Feliz aniversário Belén. — Disse uma garota de olhos claros que entregava um embrulho.
— Obrigada Clarita. — Belén sorriu e abraçou a amiga de olhos verdes.
— De nada amiga. — a jovem sorriu alegre e gentil. — Feliz aniversário Pequena Sereia.
— Valeu. — Ariel sorriu com a brincadeira de Clarita.
— De nada. — a moça entregou um embrulho a jovem.
— Feliz aniversário minha linda! — disse uma senhora de cabelos grisalhos enquanto olhava a Belén e a Ariel. — Feliz aniversário minha florzinha.
— Obrigada vovó! — A moça sorriu e abraçou a mulher que a olhava com doçura.
— De nada minha menina! — a mulher sorriu e entregou um presente.
— Nossa, isso é tão lindo! — a jovem sorriu e abraçou a avó que havia lhe dado uma medalha da virgem de Guadalupe.
— Que a virgem te abençoe minha linda! — Rosa sorriu e Belén a olhou.
Logo dona Rosa entregou um embrulho a Ariel que também ganhara uma medalha da Virgem de Luján que era a santa padroeira da Argentina.
— Venha, vamos tirar uma foto! — Belén sorriu e olhou o irmão que estava com uma câmera fotográfica portátil.
— Digam Chocolate. — Piojo sorriu e logo bateu uma foto da jovem com sua avó. — Agora é a minha vez de entregar os meus presentes!
— Já estou curiosa. — Belén sorriu e ficou olhando pro irmão que se aproximou.
— Estou ansiosa também! — Ariel complementou.
— Bem, foi difícil escolher um presente, queria escolher algo que refletisse o quanto você é especial pra mim, o quanto eu te adoro e o quanto eu me sinto feliz em ter você como irmã, você me aguentou quando eu fiz presepadas, me ajudou no dever de casa, me defendeu dos meninos briguentos da escola, e esteve comigo quando a Marcela terminou comigo, eu te amo maninha. — O jovem sorriu e se aproximou dela. — Você é uma princesa, nunca deixe que alguém te diga o contrário. — Dito isso, o jovem se aproximou da irmã e entregou o presente, era uma tiara dourada foleada a ouro.
— Você guardou ela todos esses anos?
— Sim, você me deu ela quando você foi pra academia das ymbrynes, e você disse que enquanto eu guardasse a tiara, eu sempre teria você comigo, daí eu não teria medo do escuro. — Falou o jovem de olhos claros. — E graças a você, eu nunca mais tive medo do escuro.
— Eu te amo maninho, você é o melhor irmão do mundo! — A moça sorriu e abraçou o irmão. — Esse menino aqui, é o melhor irmão que alguém podia ter, ele esteve comigo nos momentos bons e ruins, ele me defendeu de vários namorados idiotas, me abraçou quando eu fiquei triste, me ajudou a criar a Sol depois que a Letícia se foi, arrumou tretas com várias pessoas pra me defender, e eu me meti en tretas pra defender ele, e eu faria tudo de novo! — Dizendo isso, ela beijou as bochechas do jovem que a abraçou fortemente.
— Eu te amo. — o jovem sorriu e segurou a mão de Ariel enquanto a jovem se unia a aquele abraço. — E você, você é uma irmã incrível Ariel, sempre brincava de carrinho comigo, me ensinou a jogar bola, me ajudou a fazer as zueiras mais épicas, me ensinou a amarrar os sapatos quando eu era pequeno, me ensinou a fazer continhas de divisão e me ensinou a ter empatia pelos meus semelhantes, eu te amo sabe? — Dito isso ele entregou um urso de pelúcia.
— Também te amo bebê. — a jovem sorriu e abraçou o urso, era um urso enorme e colorido. — Você é o melhor irmão que alguém poderia ter.
— Não diga isso que eu vou acabar acreditando. — Piojo riu.
— Seu bobo. — Ariel riu e abraçou o seu irmão mais novo.
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