Anjos Mortais

2 Um passo de cada vez


Notas iniciais
- Muito, nunca gostei de ninguém assim Emilly chega a me sufocar, quando trocamos mensagens eu fico feliz demais em saber que existe alguém lá fora que gosta de mim, que se preocupa comigo, quando ele sorri para mim meu corpo flutua, minhas pernas se estremecem e eu tenho um medo muito grande, medo de estar sonhando e ele não ser real, medo de perder o que nunca foi meu mas que meu coração teima em achar que ele é tão meu quanto eu sou dele é algo forte demais.

Os dias foram se passando rápido na pequena cidade, agora já se faziam 3 meses desde que os vizinhos de Emilly haviam chegado e desde aquele dia a jovem não pronunciou nenhuma simples palavra com seus vizinhos apenas trocava olhares com Gabriel, o observava da janela de seu quarto que ficava de frente a uma janela na casa do jovem, era algo novo em sua amarga vida.

– O Richard quer sair comigo!- Exclamou Roberta entrando no quarto de Emilly na companhia de Karin.

– O que como assim? — Perguntou Emilly espantada. — Eu nem sabia que vocês se falavam!

– Então um dia desses eu estava em casa fazendo meu trabalho do colégio, aquele sobre a tabela periódica... Lembra? — Começou Roberta.

– Não Roberta não lembramos e eu mesma nem quero lembrar apenas quero saber da parte do Richard não da parte sem graça... — Interrompeu Karin.

– Deixa ela Karin isso é importante, e então Roberta continua...

– Então como eu dizia, eu estava fazendo o trabalho mas me esqueci de alguns elementos e liguei para você Emilly lembra?

– Lembro sim Roberta eu tentei te passar pelo telefone mas você ficou confusa e me pediu para passar por e mail foi isso não é mesmo? — Perguntou Emilly.

– Gente acorda! Eu quero saber a parte em que o bonitão pediu para sair com a Roberta e não ter uma aula de química.- Reclamou Karin começando a se irritar.

– Para de interromper e deixa a Roberta continuar! — Respondeu Emilly vendo o bico de Karin.

– Eu lembro que corri checar meus e mails e para minha surpresa havia uma mensagem do Richard perguntando se eu tinha feito o trabalho, eu não pensei duas vezes e respondi que estava terminando e em seguida perguntei se ele estava precisando de ajuda, ele me respondeu que sim, quando terminei o trabalho eu imediatamente passei todas as respostas para ele... Quando eu vi que nosso assunto tinha terminado eu perguntei de onde ele tirou meu e mail, ele respondeu que pegou no formulário do colégio... Só sei que a partir daquele dia eu e o Richard trocamos e mails todas as noites.

– E por que não nos contou antes? — Perguntou Emilly.

– Fiquei com medo porque vocês sabem que eu não estou acostumada a me envolver com nenhum garoto, eu nunca tinha feito isso e pensei que poderia estar errada a respeito dele e que ele pudesse estar apenas sendo amigável pois no colégio não fazíamos nada mais do que trocar olhares e sorrisos, mas logo começamos a falar de assuntos particulares e ontem ele me disse assim... "Roo sabe me aproximei tanto de você nesses últimos dias como nunca havia me aproximado de ninguém, eu sei que você é tímida, não gosta de conversar muito pessoalmente, eu sei que você vive presa em universo particular, mas sabe ultimamente eu sinto que você me permitiu entrar um pouco nesse seu mundo e fico eternamente agradecido por isso, por poder te conhecer um pouco mais, eu gostaria de saber se você se você topa sair uma noite dessa comigo, sei que por conta de sua timidez você pense em recusar, mas te peço venha me encontrar traga suas amigas que eu levo uns amigos é bom para elas também fazer novas amizades."- Terminou Roberta com os olhos e as mãos fechadas.

– E o que você respondeu? — Perguntou Karin alarmada.

– Amigos? — Resmungou Emilly pensando em Gabriel.

– Eu ainda não respondi! — Sussurrou Roberta.

– O que você está louca? Responda agora que aceitamos, digo que você aceita! — Gritou Karin.

– Mas eu nem sei como me comportar. — Assumiu Roberta.

– O pior que ele pode fazer é te beijar. — Respondeu Karin.

– Me beijar?

– Que foi Roberta parece que nunca beijou ninguém. — Atacou Karin.

– Claro que já beijei... Meu primo... Mas já faz tanto tempo.

– Primo? Você me deixa cada vez mais perplexa!- Responde Karin.
Enquanto as meninas discutiam, Emilly levantou pegou seu Notebook e colocou no colo de Roberta.

– Responde, não perca uma oportunidade tão boa quanto essa minha amiga, essa pode ser sua chance de ser feliz e estaremos ao seu lado para sempre, EU PROMETO!- Disse Emilly.
Roberta sorriu e respondeu o e mail e ficou a espera nervosa pálida e suando frio, em segundos ouviu o sinal alertando um novo e mail.

– Ele já respondeu? Como pode responder tão rápido. — Perguntou Karin.

– É ele mesmo...

– E o que ele disse Roberta? — Perguntou Emilly.

– Ele respondeu assim... "Estou muito ansioso, temi que recusasse, conversou com suas amigas? Os meninos estão dispostos! Quando prefere sair?"

– Então responde ele... — Disse Karin ansiosa — Sera que o Edmundo vai estar la?

– Oque eu respondo?

– Diga para ele escolher o dia. — Respondeu Emilly.
Roberta respondeu rapidamente e como anteriormente não demorou muito para receber a resposta.

– O que ele respondeu? — Perguntou Karin quase arrancando o Note das mãos da amiga.

– Ele respondeu... "Se vocês não tiverem nada para fazer hoje a noite seria um ótimo sábado para irmos a lanchonete do centro comer uma pizza" — o que eu respondo ele quer sair hoje! — Perguntou Roberta desesperada.

–Você tem algo pra fazer hoje? eu não tenho e garanto que a Emi também não tem o que acha que tem que responder?

– Karin a Roberta tem que responder o que ela quiser... Roo você gosta do Richard?

– Muito, nunca gostei de ninguém assim Emilly chega a me sufocar, quando trocamos mensagens eu fico feliz demais em saber que existe alguém lá fora que gosta de mim, que se preocupa comigo, quando ele sorri para mim meu corpo flutua, minhas pernas se estremecem e eu tenho um medo muito grande, medo de estar sonhando e ele não ser real, medo de perder o que nunca foi meu mas que meu coração teima em achar que ele é tão meu quanto eu sou dele é algo forte demais.

– Então aproveita para transformar esse conto em algo real quando os sonhos ficam presos dentro de nós eles desbotam e em pouco tempo perdem toda a cor se tornando apenas uma lembrança do que nunca aconteceu.- Respondeu Emilly sorrindo mas no fundo sabendo que jamais sentiria algo como o que sua amiga sentia. — Você sabe o que responder.
Roberta respondeu o e mail e logo recebeu a resposta.

– "Está marcado, hoje a noite na pizzaria as vinte horas, quer que passemos buscar vocês?" O que respondo agora?- Pergunta Roberta ao terminar de ler a resposta do amado.

– Diga para nos encontrarmos lá no horário marcado.

– A Karin está certa!

– Prontinho respondido, agora acho que devemos nos arrumar não é mesmo?- Pergunta Roberta fechando o Notebook.

– Peguem suas coisas e venham se arrumar aqui em casa podem posar aqui também vai ser muito legal.

– Serio Emilly eu já topei então. — Respondeu Karin.

– Tenho que ver lá em casa mas quero muito poder dormir aqui e conversarmos sobre essa noite. — Disse Roberta muito ansiosa. — Certo, voltem rápido meninas temos muito o que fazer. — Finalizou Emilly. Karin e Roberta desceram as escadas do pequeno sobrado seguidas por Emilly.

– Já voltamos! — Disse Karin ao fechar a porta.

– Filha quer tomar um café? — Perguntou a mãe.

– Acho que vou tomar sim mãe...

– Que cara é essa? — Perguntou a mãe de Emilly que sabia todas as expressões da filha.

– Vou sair com as meninas hoje e não sei que roupa usar...

– E vão onde hoje?

–Na lanchonete e pizzaria do centro.

– E não pode colocar qualquer roupa?- Pergunta a mãe olhando a filha abaixar a cabeça

– Vai ter garotos lá?

– Pois é... Então...

– É um encontro?

– Não exatamente, vamos sair apenas como amigos...

–Certamente o carinha que você espiona pela janela vai estar lá. — Reponde a mãe

– O que como a senhora...

– Não precisa se assustar eu já tive a sua idade e nós moramos na mesma casa já vi você procurando algo com o telescópio.

– Eu poderia estar olhando as estrelas! — Respondeu Emilly.

– Até em noites de chuva? ou durante o dia?

– Então mãe está pronto o café?

– Pode mudar de assunto agora Emilly mas um dia vai ter que me contar essas coisas.

– Vai demorar muito para isso acontecer mãe! A mãe de Emilly foi sorrindo para a cozinha e voltou com uma toalha de mesa.

– Toma estenda na mesa que vou pegar o restante das coisas.

– Ordenou a mãe. Emilly estendeu a toalha xadrez foi a cozinha e pegou duas xícaras azuis e colocou sobre a mesa sua mãe chegou com o bule de café e a jarra de leite.

– Pode deixar que eu pego o pão e a manteiga. — Disse Emilly.

– Se quiser tem biscoitos de chocolate no armário.

Emilly assentiu com a cabeça e foi para cozinha voltou com a manteiga e o pão e os biscoitos colocou sobre a mesa e sentou se de frente para sua mãe.

A jovem admirava a mãe que havia sido abandonada pelo namorado quando descobriu que estava gravida, ainda muito jovem com apenas 17 anos saiu de casa com Emilly nos braços, trabalhou duro para o sustento da filha e para o próprio. Emilly e a mãe eram muito parecidas as duas de cabelos longos e castanhos escuro dos olhos castanhos. Emilly amava a mãe de forma intensa sua unica família

. — Quer mais leite? — Perguntou a mãe.

– Não mãe já é o suficiente obrigada, sabe mãe eu não estou gostando do rapaz mas ele me chama atenção acho que é porque ele é novo aqui.

– Assumiu Emilly.

– Ele é nosso vizinho?

– Sim!

– Entendo os Carmichael sempre arrancaram suspiros das jovens e acho que vai ser sempre assim.

– Como assim mãe?

– Os Carmichael sempre foram muito populares na cidade meu amor, faz muito tempo desde que eles foram embora e deixaram nossa cidade tudo voltou a ser sem graça em preto e branco.

– Eles faziam bem a vocês?

– Sim eles nos ensinaram a apreciar o luxo as festas eram sem comparação mas quando nos acostumamos com eles aconteceu algo de muito ruim ninguém sabe a verdade sei que muitas pessoas desapareceram e logo em seguida eles foram embora e parece que só voltaram agora.

– Como assim pessoas desapareceram?

– Não sabemos direito o que aconteceu meu amor, mas muitas pessoas desapareceram sem deixar vestígio e outras foram encontradas sem vida e sem uma gota de sangue no corpo, não demorou muito para os Carmichael irem embora, uns dizem que foi por medo outros dizem que eles foram a causa de tanta tragedia jamais saberemos o certo.

– Mamãe sera que papai não...

– Não há essa possibilidade filha seu pai já estava se afastando de mim a algum tempo quando eu disse que estava gravida ele surtou disse que não podia ter um filho agora, me disse coisas horríveis aquele dia e eu nunca mais o vi.

– E a senhora não foi atras dele?

– Quando seu avô me colocou para fora de casa eu fui até a casa dele minha sogra não sabia de nada só seu pai e todas as coisas dele havia desaparecido do quarto, ela me culpou por tudo e três anos depois ela morreu de desgosto.

– Respondeu a mãe com uma expressão fria.

– Eu sinto muito mãe!

– Tudo bem filha o importante é que eu tenho você.

Emilly não procurou saber mais de seu pai sabia que no fundo sua mãe se entristecia com esse assunto.

– Mãe eu chamei as meninas para dormir aqui em casa tudo bem?- Perguntou Emilly mudando de assunto.

–Tudo só tentem não chegar muito tarde.
Emilly apenas sorriu.

– É serio não quero ficar esperando a noite toda.- Insistiu a mãe.

– Está bem mãe...

– Até porque você tem que tomar seu remédio no horário certo e você sabe que...

– Tudo bem mãe não quero ficar lembrando disso agora.- Interrompeu a filha.

– Sinto muito filha mas pra você melhorar tem que tomar tudo certinho.

– Eu sei mãe eu nunca me esqueço disso nem se eu quisesse meu corpo me alerta os horários.

– Filha é por isso que você tem que se cuidar é para o seu próprio bem.

– Mãe já disse que não quero falar sobre isso... Por favor!- Respondeu a filha agora entristecida.

– Você é meu bem mais precioso Emilly enquanto eu puder lutar por você assim farei!- Respondeu a mãe segurando a mão da filha.

Quando Emilly tinha três anos ficou 8 meses internada em um hospital tratando de uma doença desconhecida, os médicos realizaram milhares de formas possíveis para mante la viva, não havia maneira de diagnosticar uma doença jamais vista. Entretanto acharam uma maneira de controlar ou retardar o avanço da doença eram muitos medicamentos mas a pesquisa estava avançando quando Emilly completou 12 anos a doença começou a retroceder diminuindo também os medicamentos e aumentando a esperança da mãe. Emilly jamais havia contado sobre a doença a ninguém.

– Eu sei mãe!

O silencio tomou conta da mesa Emilly havia entristecido a mãe em relação ao seu pai e a mãe havia entristecido a filha relembrando sua enfermidade. Cada uma terminou seu café e foram para cantos distantes da casa.
Emilly havia acabado de sair do banho quando ouviu suas amigas baterem na porta.

– Entrem.- Disse Emilly ao abrir a porta do quarto vestida em um roupão.

– Ai Emi estou muito ansiosa! — Disse Roberta.

– Eu imagino Ro e eu estou muito feliz por você!

– E você Emilly não esta ansiosa? — Perguntou Karin erguendo uma das sobrancelhas.

– Eu? Por que estaria?- Perguntou Emilly confusa.

– E se um dos amigos que ele levar seja o Gabriel?

– E que diferença faz? — Perguntou Emilly sentindo a face queimar.

– Emi nós já reparamos nos olhares que vocês trocam...- Começa Roberta. — Não adianta esconder ele te chama atenção.

– O que? Não é bem isso meninas ele só não é daqui e isso me chama atenção.

– Então por que justo ele e não o Edmundo ou o Richard?- Desafia Karin.

– Meninas chega disso vamos nos arrumar.

– Vamos insistir nisso mais tarde! — Finalizou Karin.

Emilly, Karin e Roberta eram muito unidas desde o primário melhores amigas quase irmãs, uma amizade quase pura se não fossem os segredos.