– Vamos de avião?! Serio mesmo? — Perguntou Emilly rodopiando pelo aeroporto.
– Querida do que achou que iriamos de ônibus?
– Nem imaginei do que poderíamos ir...
– Bobinha!- Respondeu a mãe sorrindo.
Emilly via no rosto de sua mãe o quanto feliz ela estava o que deixava a jovem aliviada amortecendo um pouco seu coração.
– Não é tão grande quanto eu imaginava. — Lamentou a garota olhando as poltronas da aeronave.
– É melhor eu tomar meu acalmante que por um triz foi barrado lá na entrada assim eu durmo e não vejo nada.
– Vai perder a viagem.
– Tenho pavor de altura.
– Serio?! — Perguntou a menina desiludida. — A senhora nunca me contou sobre seus medos.
– Eu não seria louca de contar minhas fraquezas. — Respondeu Melissa piscando o olho direito.
Emilly instantaneamente lembrou das palavras de Victor deixando seus olhos imensamente tristes.
– O que foi? — Perguntou Melissa.
– Nada não.
– Por que essa tristeza toda?
– Lembranças.
– Quer conversar sobre isso?
– Não.
– Eu não tenho que saber de nada?
– Não! — Respondeu a menina passando o sinto.
– Por que você decidiu vir assim do nada nunca nem me deixou falar sobre os hospitais.
– Eu estava sendo egoísta pensando apenas em mim mesma de um modo errado agora eu mudei de ideia talvez eu tenha amadurecido um pouco.
– Amadurecido? Desde quando você era infantil? Sempre digo que tenho uma filha de dezesseis anos com cabeça de sessenta! — Respondeu Melissa sorrindo.
– Quase dezessete!
– Só você que não enxerga o quão madura você é.
– Somente eu! — Respondeu a garota lembrando se de Gabriel.
A viagem foi longa e cansativa fazendo com que a garota adormecesse por um longo período acordando apenas com a mãe injetando algo em seu braço.
– Você não está acordando sozinha mais... — Respondeu Melissa aflita.
– Só estava cansada.
– Precisamos ir.
– Já chegamos?
– Já sim faz dois dias de viagem só consegui te colocar no outro avião por que uma boa alma me ajudou e quando fui comer algo ele cuidou de você por que você não acordava foi ele que me deu a ideia de aplicar isso para que você acordasse.
– Quem é essa alma caridosa eu tenho que agradecer.
– Do jeito que você dormiu ele já deve ter ido embora.
– O jeito é irmos também estou muito cansada.
–Claro!
Melissa ajudou a filha a caminhar pelo aeroporto.
– Espera um pouco. — Resmungou a Emilly olhando as placas. — Não estamos na frança!
– Então minha filha eu não te disse nada pra não te assustar mas acabei pedindo as passagens para o lugar errado acabei me confundindo com as cartas e os e mails e só fui perceber quando embarcamos mas o hospital que temos aqui é o melhor do mundo e eu não queria arriscar cancelando tudo e perdendo a chance de salvar você. — Respondeu Melissa choramingando.
– Tudo bem mãe onde estamos?
– Russia!
– Russia mãe a senhora enlouqueceu?
– Eu sabia que se te contasse antes você iria enlouquecer. — Respondeu a mãe entristecida.
– Não mãe ela é perfeita! — Resmungou a menina tentando consolar a mãe. — Sempre quis conhecer a Russia quando meu professor nos contava sobre a guerra e que mesmo sofrida ela era linda no inverno eu não imaginava um dia poder pisar nesse chão não sei como não reparei no embarque para onde estávamos indo e não tive noção do tempo.
– Você apagou meu amor e acho melhor entrarmos em um táxi antes que você apague. — Respondeu Melissa puxando a filha pela mãe.
– A senhora parece feliz. — Resmungou Emilly quase para si mesma.
– Como não ficar feliz finalmente você esta lutando para vencer.
– Desculpe se demorei tanto para perceber o quanto isso era importante para a senhora mãe.
– Não se desculpe filha o importante é que você abriu os olhos.
– Digamos que um anjo iluminou eles.
– E quem é o seu anjo?
– Prefiro guardar ele só pra mim.
– Tudo bem não vou exagerar nas perguntas. — Respondeu Melissa abrindo a porta de um táxi.
Emilly teve certeza que ouviu a mãe falar russo com o motorista mas preferiu fingir não notar, no fundo ela sabia que sua mãe trocou as passagens de proposito e havia ensaiado isso a muito tempo foi com esses pensamentos que a menina apagou acordando em uma cama hospitalar exageradamente confortável com vários fios ligados em seu corpo.
– Já chegamos... — Resmungou Emilly irritada por ter apagado.
– Está tudo bem minha filha.
– Aqui é muito frio. — Respondeu a menina olhando algo parecido com um prendedor preso em seu dedo.
– Quer que aumente a potencia do aquecedor. — Perguntou um rapaz loiro dos olhos azuis.
– Se possível... Não estou acostumada com temperaturas abaixo de zero.
– Entendo quando cheguei do Brasil eu também estranhei. — Disse o rapaz sorrindo.
– Você também veio de lá? — Perguntou Emilly reparando que o garoto fala em português.
– Aqui temos funcionários e pacientes de todo canto do mundo para cada ala de nacionalidades diferentes temos três enfermeiros e dois médicos eu por ser brasileiro fico só na ala brasileira.
– Entendo... Isso é surreal.
– Temos a melhor clinica do mundo tudo aqui é difícil mas é real.
– Como se chama? — Perguntou Emilly estranhando as respostas do jovem.
– Desculpe acabei me esquecendo de me apresentar. — Pediu o garoto sorrindo. — Me chamo Gabriel.
– Gabriel? — Perguntou Emilly sorrindo feito uma louca — Que Ironia da vida.
–Ironia? — Perguntou o rapaz.
– Nada não.
– Bom seguindo com meu trabalho como você se sente Emilly?
– Digamos que já tive dias melhores.
– Bom pela manhã passaremos por uma bateria de exames para darmos um diagnostico preciso sobre sua doença.
– Só pra adiantar eu tenho um câncer no sangue um tipo raro.
– Quem foi que te disse isso? — Perguntou Melissa se aproximando.
– Um amigo meu. — Respondeu a garota.
– Querida não precisa ter medo aqui te daremos a certeza do que tem e como tratar você vai ficar bem. — Respondeu o Rapaz desafiando Emilly.
– Eu sei por isso estou aqui só estou dizendo que eu sei o que eu tenho!
– Em poucos dias vamos saber o que você tem.
– Okay não vou discutir.
Os primeiros dias para garota foram sufocantes com tantas agulhas perfurando seu corpo outras injetando e as reações que seu corpo sofria e mesmo com tanto sofrimento a garota não deixava de sorrir. No terceiro mês o diagnostico foi dado mostrando que ela estava certa mas agora tudo havia mudado a doença havia comprometido seu rim direito e enfraquecido seus pulmões dando como tratamento experimentos piores do que ela havia sofrido desde o inicio.
– Emi querida parece que seu rim voltou a trabalhar estou ansiosa para te tirar daqui hoje me disseram que você não vai passar pela quimioterapia que seu organismo está correspondendo bem ao novo método que estão criando aqui. — Disse Melissa se aproximando da filha que estava no oxigênio.
– Quando a senhora fala assim me sinto um ratinho de laboratório. — Sorriu a garota puxando um pouco a mascara para poder falar.
– Não fale assim você é o meu ratinho e não do laboratório. — Sorriu a mãe. — Filha eu quero te contar uma coisa.
– Diga.
– Me ligaram do meu antigo trabalho eles precisam de mim tem algo acontecendo por lá e eu sinto que preciso ir ajudar.
– Quanto tempo para senhora voltar?
– Me disseram que talvez eu possa vir daqui a dois meses.
– Tudo bem! — Respondeu Emilly depois de refletir que sua mãe amava seu trabalho.
– Quando eu voltar vou tentar me transferir aqui para esse hospital.
– E quando a senhora vai partir?
– Hoje a noite.
– Entendo! — Respondeu Emilly. — Só não deixe de me ligar.
– Sim senhora! — Respondeu a mãe batendo continência.
Emilly novamente caiu no sono acordando com o sussurro de sua mãe.
"Até logo meu bebe feliz aniversario"
A jovem levantou se arrancou os fios e o oxigênio em esperança de ver a mãe caminhou para fora do quarto com as pernas tremulas se escorando pela parede gelada vendo a sua frente um esboço de pessoas sem poder ver seus rostos tudo se escureceu aos poucos pode ver apenas uma das pessoas correr em sua direção e pegar seu corpo magro nos braços acordando novamente em seu quarto iluminado pela luz do dia.
– Bom dia bela adormecida que vergonha que você passou essa noite se não fosse um de nossos médicos vocês estaria cheia de hematomas hoje. — Disse Gabriel.
– Queria me despedir da minha mãe. — Respondeu ela choramingando.
– Que bebe chorão.
– Garoto cale a boca você nem me conhece.
Gabriel nada respondeu apenas saiu do quarto.
– Bom dia Emilly!
– Bom dia Christien.
Christien era a inferneira que Emilly mais conversava ela era alta magra dos cabelos longos sempre em um coque sua pele negra aveludada e seus olhos verdes a deixava ainda mais atraente.
– Como se sente moça? — Perguntou Christien olhando o prontuario.
– Estou bem. — Respondeu Emilly olhando Christien pegar uma caixa pequena e abrir em cima da mesa. — O que é isso?
Christien se aproximou com um bolinho branco açucarado.
– Parabéns querida hoje é seu dia.
Emilly não segurou o choro se derreteu como o assucar que cobria o bolo.
– Hó não querida não chore por favor. — Respondeu Christien colocando o bolinho novamente à mesa e correndo abraçar a menina. — Logo ela estará aqui só não chore.
– Desculpe Chris só esta sendo muito difícil para mim nunca fiquei longe dela nunca passei meu aniversario sem ela.
– Vai ficar tudo bem Emilly se ela não fosse viver a vida dela iria ficar doente aqui.
– Eu sei só não quero me sentir sozinha.
– Então enxuga as lagrimas por que você não vai comer esse bolo sozinha hoje chegou uma novata e vai dividir o quarto com você ela se chama Mellody é francesa mas fala fluentemente português sua mãe era brasileira e sua madrasta também é.
– Eu vou ter uma companheira de quarto então.
– Claro de presente para você os médicos acharam que você precisa de companhia para não fugir no meio da noite. — Sorriu Chris. — Ela se tratava na clinica da França o estado dela até melhorou mas o pai dela acha que aqui vai ser melhor para ela ele não vai perder a unica filha você entende não é mesmo?
– Claro!
– Então tudo bem assim que ela se alojar cortamos o bolo pode ser?
– Claro mas só nós três?
– Quer que eu chame mais alguém? — Perguntou Christien.
– Quero todos os que cuidam de mim até mesmo o Ga... Briel... Quero que chame também o homem que me ajudou ontem.
– O Doutor creio que não conseguirá vir ele está em uma cirurgia acabou de entrar na sala.
– Então quero que deixe um pedaço pra ele comer quando sair pode ser?
– Claro meu bem o bolo é seu.
Emilly e Christien foram interrompidas por dois homens entrarem no quarto carregando uma penteadeira com luzes de LED em seguida um guarda roupa, uma poltrona cor de rosa e uma TV. Não demorou muito para uma garota de cabelos laranja encaracolados com uma boina preta e um chale xadrez entrar no quarto rodopiando como uma bailarina
– Mellody venha conheça sua companheira de quarto Emilly.
Emilly estremeceu com seu sub consciente lembrando se de Tiffa.
– Prazer. — Disse Mellody estendendo a mão para Emilly.
– Prazer é todo meu. — Respondeu Emilly olhando a garota extremamente branca enxergando até mesmo as veias de seu rosto.
– Hoje é seu aniversario não é mesmo o Gabriel me contou lá embaixo parabéns. — Disse Mellody abraçando Emilly. — Espere um pouco. — Mellody caminhou pelo quarto pegou sua bolsa abriu um pacotinho preto e retirou um colar prata com um pingente em forma de gota verde nitidamente podia se ver que se tratava de uma joia esmeralda pura. — Tome comprei á umas duas horas.
– Oh eu não posso aceitar isso deve ser caríssimo. — Respondeu Emilly assustada.
– Do que adianta o dinheiro se não pudermos presentear as pessoas boas a nossa volta? — Perguntou Mellody sorrindo e colocando o colar no pescoço de Emilly. — Ficou lindo em você.
– Nem sei como agradecer. — Respondeu Emilly sem graça.
– Eu aceito um obrigado. — Respondeu a garota.
– Bom meninas já fazem um pouco mais de três meses que a Emilly esta aqui e não conhece nada além de seu próprio quarto é seu aniversario e a chegada de Mellody que tal passearmos um pouco pelo jardim para festejar? — Perguntou Christien.
– Achei que eu não pudesse sair do quarto. — Respondeu Emilly.
– O Doutor te liberou só acho que não vai conseguir ir andando pode ser na cadeira de rodas?
– Pode! — Respondeu Emilly empolgada. — Só me diga uma coisa como pode vocês terem um jardim nessa temperatura?
– Quando queremos muito uma coisa Emilly o impossível é apenas um detalhe. — Filosofou Christien.
Emilly foi guiada por Christien e seguida por Mellody até um lugar fantástico uma estufa gigante onde os pacientes se encontravam na beira do lago pescando, havia alguns pela grama, as garotas decidiram descansar um pouco debaixo de uma sakura a mesma arvore de cerejeira que havia no jardim de Clarisse.
– Aqui é tão quente. — Resmungou Mellody retirando o chale e a boina.
– Você parece uma boneca! — Resmungou Emilly pensando alto.
– Vou levar isso como um elogio. — Respondeu Mellody.
– Com certeza é um elogio. — Respondeu Emilly olhando para o lago.
Emilly adormeceu por alguns segundos acordou com Mellody e Chris rindo, o calor do jardim a tranquilizava e por um desvaneio Emilly observou alguém parado do outro lado do lago, a jovem apertou os olhos e pode ver nitidamente Clarisse ali mesmo alimentando as carpas laranjadas. Emilly levantou da cadeira correu em direção ao lago que não parecia fundo precisava alcançar Clarisse do outro lado assim que seu pé esquerdo tocou a água sua vista embaçou pode ver que Clarisse a olhou assustada em seguida deu espaço a forma de uma pessoa de branco. A jovem nem percebeu o quanto o lago era fundo nem sentiu quando a água se tornou superior a sua cabeça apenas fechou seus olhos para adormecer novamente sentindo apenas alguém pegar seu corpo e levar para fora do lago forçou seus olhos a abrirem pode ver quem era seu salva vida sem sucesso apenas ouviu a voz familiar sussurrar em seu ouvido.
"Parabéns Emilly"
Acordando novamente em seu quarto.
– Você é louca.
– Mellody quanto tempo apaguei? — Perguntou Emilly atordoada.
– Cinco dias.
– Está de brincadeira?
– Não!- Respondeu Mellody sorrindo. — Você preocupou muita gente virou suicida?
– Achei que tinha visto alguém.
– Sorte que o Doutor estava lá e te salvou pela segunda vez pelo que me disseram todas as noite ele veio aqui e te aplicava todas as injeções e as bolsas de sangue.
Emilly tentava lembrar de algo mas nada vinha a sua cabeça passando a mão pelo pescoço reparou que o colar não estava com ela.
– Não acredito que eu perdi... Isso só pode ser brincadeira.
– Está tudo bem tenho mais alguns se quiser.
– Não acredito nisso! — Respondeu Emilly colocando as mãos sobre o rosto.
– Está tudo bem eu comi o resto do seu bolo como punição! — Respondeu Mellody sorrindo.
– Todos comeram?
– Sim até mesmo o Doutor... Ele foi mais cauteloso que eu veio no meio da noite e devorou o pedaço ali mesmo. — Respondeu Mellody apontando o indicador para a poltrona cor de rosa encostada na parede.
O Tempo passou muito rápido Emilly foi se tratando aos poucos os períodos de apagões se prolongavam as vezes dormia por dois meses e não conseguia ver sua mãe que aos poucos passou a visita lá com menos frequência uma vez por ano. Com dois anos na clinica Mellody teve alta e a jovem nem pode se despedir da amiga, Christien foi transferida para africa o que causou muito sofrimento a Emilly quando acordou encontrando se sozinha novamente e foi assim por mais dois anos com o total de quatro anos dentro da clinica e o que a mantinha ali firme era o amor por sua mãe.
Emilly já não precisava do balão de oxigênio agora com seus vinte e um anos andava sozinha até o jardim todas as tarde recebia a visita de Gabriel que aplicava seus medicamentos todos os dias.
– Por que eu ainda tenho que ficar aqui?
– Você ainda não está cem porcento Emilly. — Respondeu Gabriel. — Aproposito esqueci de te falar sua amiga foi transferida novamente ela chega hoje.
– Que amiga?! — Perguntou Emilly espantada.
– Mellody.
– Mel! — Sorriu Emilly.
– Por que está feliz?
– Vou ver ela novamente depois de dois anos.
– Isso é motivo de alegria? — Perguntou Gabriel encarando friamente a menina. — Ela está morrendo.
A noticia de Mellody chocou Emilly que tentou se preparar para chegada da amiga mas falhou em segurar o choro quando viu Mellody entrar no quarto empurrada por uma cadeira de rodas estando uns quinze quilos a menos do que pesava quando se conheceram com o rosto fundo e abatido.
– Mellody... — Chorou Emilly.
– Engole o choro Emi odeio que sintam pena de mim.
– Me perdoe amiga mas não consigo.
– Ei Emi olhe pra mim... — Pediu Mellody sorrindo como sempre. — Tenho muita coisa para te contar.
Emilly correu abraçou Mellody e as duas começaram a chorar.
– Você vai ficar bem. — Chorou Emilly.
– Eu estou bem senti sua falta louquinha e que mulherão você se tornou.
– Senti muito a sua falta mais do que de qualquer pessoa.
– Pronto agora estou aqui.
Emilly acomodou todas as coisas de Mellody ajeitou os travesseiros para amiga enquanto Gabriel ligava todos os aparelhos ao corpo da mesma olhando a com uma expressão estranha.
– Gabriel não mudou nada não é mesmo. — Sorriu Mellody. — Até parece imortal.
As palavras de Mellody soaram um calafrio em Emilly que instantaneamente olhou para Gabriel que se encontrava com os olhos vidrados em Mellody.
Emilly antes de adormecer refletiu sobre as palavras de Mellody já fazia um bom tempo que não pensava na existência de tal especie que ela mais do que ninguém sabia estar no topo da cadeia alimentar.
Quando Emilly acordou percebeu que Mellody estava ainda mais pálida que o normal.
– Eu apliquei tudo certo doutor. — Explicou Gabriel ao ancião a sua frente.
– Entendo ela precisa de algo mais forte pare com a droga ou ela não vai aguentar.
– O que ela vai tomar doutor? — Perguntou Gabriel.
– Não sei ainda preciso de alguns exames.
– Ela precisa de sangue o senhor não vê como ela está pálida. — Respondeu Emilly aflita.
– Pare de fala besteira Emilly ou vou ter que aumentar o seu sedativo.
– Sedativo? Você me droga para eu dormir? — Perguntou Emilly irritada.
– Você aplica sedativos nela? — Perguntou o Senhor.
– Antes sim ela me causava muitos problemas acordada.
– Gabriel isso lhe trará problemas. — Respondeu o velho. — Coloque uma bolsa de sangue para a jovem pelo que vejo ela precisa de sangue.
Emilly não sabia de onde vinha a ideia de dizer que Mellody precisava de sangue, mas sua ideia deu mais que certo a jovem ruiva acordou em pouco tempo se sentindo mais forte.
– Que cara de espanto é essa estou muito feia? — Perguntou Mellody.
– Você está linda.
– Então quando você sai daqui?
– Espero que seja depois de você.
– Eu quero sair logo e ver minha filha. — Respondeu Mellody.
– Filha?!
– Eu não te contei não é mesmo.
– Sabe Emi quando eu melhorei voltei a estudar e em uma das festas da faculdade conheci um cara Henrique no começo meu pai foi totalmente contra mas eu e o Henrique nos amávamos demais eu abandonei tudo por ele.
– Agora entendo por que não veio nenhuma poltrona com você.
– Isso... Meu pai me tirou tudo eu nem me importei por que eu tinha o Henrique até o momento que eu conheci a família dele todos ciganos... — Continuou Mellody fechando os olhos. — Eu amava me vestir como eles e amava ouvir as historias que o Henrique me contava sobre os Anjos imortais que matavam e sobre no que ele e a família dele acreditavam que a família dele tinha uma maldição mas que eles usavam para salvar a família deles eles não eram ruins.
– Que loucura é essa?
– Espere deixe me contar o resto... — Continuou Mellody. — Eles me chamavam de rainha do sol e filha do fogo devia ser pela cor do meu cabelo o Henrique era filho do chefe da família eles sempre saiam por dias e deixavam apenas as mulheres e depois voltavam fartos e cheios de historia mas um deles não era da família era um anjo imortal mas arrependido esse homem se chamava Miguel ele insistiu que todos tinham que ir de frente para os anjos extingui-los por que ele havia sido banido de sua antiga família e queria seu trono novamente e assim começar uma nova era... — Mellody parou para respirar um pouco piscando algumas vezes para não chorar. — Henrique e o pai dele foram contra mas Miguel não os deu escolha tomou sua verdadeira forma e os matou na frente de todos nós enquanto ele aniquilava os outros eu me aproximei de Henrique que estava no chão coberto de sangue todos haviam se transformado em monstro tentando combater aquela coisa Henrique ainda respirava ele me deu as chaves do carro e disse que me amava eu vi a vida dele se apagar em seus olhos e só então eu corri Emilly eu corri despedaçada o grande amor da minha vida foi levado tão rápido eu nem consegui dizer adeus por uma semana eu andei por tudo quanto é lado com aquele carro abastecendo apenas com o cartão que Henrique havia deixado no carro quando ele estava no limite eu voltei para casa lá estava meu pai e minha madrasta desesperados eles já sabiam sobre a chacina meu pai me recolheu de braços abertos eu pude ver que ele estava sofrendo com meu sofrimento eu fiquei muito ruim por dois meses até que meu pai pediu que eu realizasse meus exames de rotina e foi assim que eu descobri que havia um pedacinho do Henrique vivendo em mim eu adoeci em pouco tempo a doença voltou e eu não podia me tratar por causa da Clara quando ela nasceu eu vi que meu pai ficou todo bobo com ela voltei a fazer meu tratamento em casa um dia eu estava pegando a minha correspondência no correio quando eu o vi era ele Emi era o Miguel ele me olhou fixamente eu estremeci temi pela vida da minha filha por isso liguei para o meu pai e disse que eu estava vindo me internar aqui e não queria que ele me ligasse nem me mandasse nada apenas cuidasse da Clara e aqui estou eu venha vou te mostrar uma foto dela. — Terminou Mellody pegando seu celular.
Emilly se aproximou e viu as fotos da bebe ruiva dos olhos castanhos.
– Ela é linda.
– Ela tem os olhos do pai veja esse era o meu marido. — Respondeu Mellody mostrando as fotos de Henrique em seguida apagando todas as imagens.
– O que esta fazendo?
– Eu não vou deixar ele achar a minha filha.
– Ele quem?
– Gabriel... Eu tenho certeza que ele também é um sangue suga.
Emilly não sabia o que dizer nem o que pensar pois sabia que a historia de Mellody só podia se tratar de seres como Carmichael.
– Eu acredito em você! — Respondeu Emilly.
– Então quero que se afaste de Gabriel.
– Me afastar? Mas nós nunca fomos próximos!
– Não?!
– Não! — Respondeu Emilly sorrindo.
– Eu pensei que você estivesse apaixonada já que as vezes falava o nome dele enquanto dormia. — Respondeu Mellody.
– Ah é sobre isso não se trata desse Gabriel e sim do meu ex que mora na minha cidade muito longe de onde estamos.
– Me desculpe eu não fazia ideia.
– Isso já faz muito tempo nem me importo.
– Entendo... — Suspirou Mellody. — E você e o Doutor bonitão já deu uma chance para ele?
– Doutor bonitão?
– O que te salvou do lago.
– Meu anjo da guarda se eu te disser que não o conheço você acredita?
– Não acredito Emilly é serio?
– Sim por que? — Perguntou Emilly.
– Durante os dois anos que eu estive aqui ele vinha quase todos os dias te ver e colocar bolsas de sangue pra você depois ele acariciava seu rosto beijava sua testa e saia em algumas vezes ele ficava sentado na minha poltrona apenas te olhando as vezes eu achava que ele estava sofrendo.
– Você está brincando!
– Claro que não... — Respondeu Mellody sorrindo. — Vamos até o jardim agora mesmo... Vamos pegue minha cadeira e me ajude a subir.
– Você ficou louca eles nem te liberaram.
– Você esta presa aqui a quanto tempo?
– Quatro anos.
– Meu Deus Emilly você tem que viver ande traga me a cadeira de uma vez.
Emilly nada respondeu pegou a cadeira ajudou Mellody a subir desconectou a bolsa de sangue já vazia e correu para fora empurrando Mellody parecendo duas crianças.
– Você tem que cortar esse cabelo. — Disse Mellody olhando Emilly arrumar o longo cabelo escuro.
– Eu gosto dele assim.
Emilly e Mellody se encostaram na arvore de flores cor de rosa assim como no dia em que se conheceram.
– Nada mudou por aqui alem das pessoas. — Resmungou Mellody fechando os olhos. — Esse calor delicioso.
– Esse lugar meche comigo e eu nem sei por que.
– Emi olhe... — Chamou Mellody segurando a mão de Emilly.
Emilly alucinou no momento em que Mellody tocou sua mão todas as pessoas desapareceram o cenário tomou um tom amarelado e por um instante Emilly ouviu alguém chamar por ela lentamente virou se para olhar Mellody que ainda segurava sua mão e assim que seus olhos encontraram a pessoa que a segurava pode ver uma criança era uma menina de no máximo três anos olhando fixamente para ela sorrindo apontou para uma outra criança na beira do lago um menino da mesma idade que lembrava alguém a jovem sentiu alguém se aproximar e quando encontrou a pessoa sabia de quem se tratava era ele o tempo todo o cheiro de perfume que sentia em seu quarto toda manha era dele e quando tudo tomou sua verdadeira forma Emilly desmaiou.
Emilly acordou com o quarto extremamente frio ouviu um gemido e olhou em direção da cama de Mellody se assustando em ver alguém segurando a e tomando seu sangue. Mellody arregalou os olhos para Emilly e começou a chorar.
– Saia. — Sussurrou Mellody.
Emilly empurrou seus aparelhos sobre a pessoa que soltou Mellody caindo no chão. Emilly deu a volta pela cama pegando Mellody em seus braços.
– Fuja Emi eu estava certa.
– Não vou te deixar.
– Corre agora Emilly eu estou morrendo grite no corredor só se salve.
– Não!
– Não seja burra garota seu anjo da guarda vem rapidinho é só gritar.
"Gritar"- Pensou Emilly.
Emilly correu até a porta assim que encostou no trico sentiu algo apertar seu punho e a levantar do chão.
– Vou ter que acabar com a predileta também.
– Gabriel... Ela estava certa. — Sorriu Emilly.
– Por que está sorrindo? — Perguntou Gabriel soltando Emilly.
Emilly correu até a varanda do quarto que se encontrava aberta.
– Por que está sorrindo ratinho? — Perguntou novamente Gabriel.
– Por que você é muito fraco conheço coisas mais fortes que você. — Respondeu Emilly distraindo o monstro enquanto Mellody se arrastava até a porta.
– Idiota! — Gritou Gabriel pegando Emilly pelo pescoço perfurando sua pele de porcelana sugando seu sangue com força.
– Isso não vai me matar! — Respondeu ela gemendo de dor.
– Sim ... Emilly... Isso vai... Te matar! — Respondeu ele perfurando a arteria da menina.
– Ele vai te matar!
– Ele estará ocupado demais para vir atras de mim. — Respondeu ele pegando os punhos da garota com apenas uma mão novamente levantando a do chão. — Você sabe voar?
– O que?
Emilly sentiu o vento gelado queimar sua pele enquanto Gabriel subia no parapeito da varanda ficando de pé.
– Não sei o que ele vê em você. — Disse Gabriel sorrindo em seguida soltando a garota no ar.
– Emilly. — Gritou alguém.
Emilly sentiu alguém puxar seu punho e joga- lá para cima dando a ela toda a visão de seu anjo da guarda arrancar o coração do demônio em fração de segundos em seguida pegar seu corpo ainda no ar fazendo com que a menina visse tudo em câmera lenta voltando ao normal quando encontrou os olhos de esmeralda a sua frente.
– Victor... Por que demorou. — Chorou a garota enquanto sentia o rapaz abraça la nervosamente.
– Me perdoe querida.
Emilly olhou Mellody estendida no chão correu em direção da amiga.
– Não... Não Mel vamos tenha força... — Gritou Emilly tomando a amiga nos braços.
– Está tudo bem. — Respondeu Mellody.
– Não faz isso comigo... Victor venha por favor.
– Claro! — Respondeu Victor se ajoelhando perto de Mellody.
– Não! Emilly me deixe partir.
– Jamais Mellody. — Respondeu Emilly chorando desesperada. — Deixa ele te transformar Mel.
– Não Emilly eu quero partir eu preciso encontra o Henrique. — Respondeu Mellody começando a chorar. — Eu sinto muito a falta dele Emi quero ver ele mais uma vez quero sentir ele só me deixe ir.
– Mel não me deixa sozinha eu te amo Mel.
– Você nunca esteve sozinha Emi ele nunca te deixou sozinha... Emi escute bem valorize as pessoas que te amam e por favor se não for pedir muito cuide da Clara pra mim diga a ela que eu a amo muito diga a ela que eu e o pai dela cuidamos dela em algum lugar.
– Mellody obrigada por tudo foi você que me manteve viva aqui amiga.
– Eu te amo Emi... Cuida bem dela...
Victor apenas acenou com a cabeça.
Mellody sorriu e fechou os olhos.
– Não Mel... Oh Senhor não Mellody por favor acorde vamos Mel... — Gritou Emilly abraçando o corpo da amiga.
– Emilly querida vamos para minha casa por hoje. — Chamou Victor se levantando assim que os médicos chegaram no quarto.
Sem sobra de duvida todos no hospital eram subordinados de Victor pegaram o corpo de Gabriel e colocaram fogo em seguida se aproximaram de Mellody.
– Emilly querida sinto muito eles tem que preparar o corpo.
– Não Mel... Não! ­- Gritou a menina assim que os enfermeiros tomaram o corpo da jovem de seus braços.
– Emilly não. — Chamou Victor pegando a menina e a apertando sobre seu peito. — Vai ficar tudo bem Emilly eu estou aqui.
– Victor. — Chorou Emilly.
Victor se dividiu em milhares de partículas junto com Emilly aparecendo em um quarto onde pode cuidar de Emilly.

–Você precisa descansar. — Alertou Victor.

– Eu preciso voltar ela precisa de mim. — Respondeu a garota abrindo a porta a sua esquerda saindo até uma grande varanda onde o vento e os flocos de neve reinavam. — Me leve de volta.

– Já estão cuidando do corpo dela Emilly não há nada que possamos fazer. — Respondeu Victor tentando chegar na jovem.

– Ela estava certa e ele era um subordinado seu como foi deixar isso acontecer?

– Eu não imaginava Emilly.

– Ela morreu...

– Eu sinto muito querida.

– Por que você está aqui?

– Eu trabalho aqui.

– Há quanto tempo Victor?

– Já faz algum tempo.

– Você nunca para tanto tempo em um lugar por que decidiu ficar. — Se aproximou ela.

– Não me pergunte isso se você já sabe a resposta.

– Por que eu?

– Eu não sei por que.

– Eu vou acabar como a Mellody não vou?

– Não vou deixar isso acontecer novamente... Eu não posso. — Respondeu Victor puxando Emilly e lhe roubando um beijo até que a mesma apagasse em seus braços. — Não vou perder você de novo... Não assim.