Anjos Humanos
6 6 - Miguel
As irmãs foram na frente se dirigindo ao convento. Rafael informou que em um minuto ele e os irmãos estariam no local para o café da manhã, quando a porta foi fechada Gabriel e Miguel olharam curiosos para Rafael.
– Qual o plano? – Perguntou Miguel.
– Esse aqui. – Rafael ergueu a manga da blusa de Miguel e Gabriel e saiu os deixando no local. Alguns minutos depois o arcanjo retornou com um kit de primeiros socorros. – Como estamos sem tempo irei fazer apenas isso aqui. – O kit que Rafael trouxe havia itens básicos uma tesoura, luvas de látex brancas, gaze, algodão, esparadrapo e mertiolate. Pegando a tesoura Rafael segurou o braço de Miguel, com o objeto metálico fez um corte em seu bíceps quando, o sangue de seu irmão escorria por seu braço Rafael tratou do ferimento o limpando com algodão e esterilizando com o mertiolate. Retirando duas tirar do esparadrapo o arcanjo cobriu o ferimento com a gaze e nas laterais o cobriu usando o esparadrapo.
– Esse é o seu plano? – Agora era Gabriel quem perguntava.
– É isso mesmo. – Rafael cobriu o braço com a manga da camisa e pegando a tesoura a realizou o mesmo processo com Gabriel. – Agora vocês podem ir comer mais tarde irei a ensina-los como comer com mais frequência, vamos lá e falta de educação deixa-las esperando depois do trabalho que tiveram preparando o banquete para nós.
Rafael caminhou até porta seguido por Gabriel Miguel, que foi o último a sair e junto o irmão os arcanjos caminharam em direção ao convento. Chegando foram recebidos pela irmã Patrícia que os guiou para dentro do convento até o refeitório.
O refeitório era um grande salão com paredes brancas e várias janelas, cinco fileiras com longas mesas brancas com bancos acoplados da mesma cor. Próximo a parede uma grande mesa onde estava a comida pães, sucos, café, achocolatado, chá, mortadela, mussarela, variados tipos de bolos, chocolate, cocô, morango, frutas uvas, maçãs, peras, mangas fatiadas.
– Uauuu as irmãs capricharam. – Comentou Rafael surpreso e seus irmãos concordaram admirados.
As demais irmãs chegaram cumprimentando os arcanjos e junto com elas estavam chegaram algumas pessoas. Homens e mulheres idosos, adultos, crianças, bebes e até alguns animais que que ficaram no canto gatos, cachorros, coelhos e até pássaros. Observando suas vestimentas Miguel, percebeu que aquelas pessoas eram de baixa renda, alguns estavam com as roupas sujas ou rasgadas. As irmãs conduziram as pessoas para se sentarem e em segundos as mesas foram preenchidas. Rafael junto com os seus irmãos se dirigiram ao almoxarifado juntos com a irmã Carol e Gabriela e trouxeram outra mesa junto com os bancos deixando as irmãs surpresas com sua força.
De volta ao refeitório os arcanjos, colocaram a mesa próximo a mesa que guardava a comida e, uma cena chamou a atenção de Miguel. O arcanjo havia memorizado quantas pessoas e animais adentraram ao local, ele sabia exatamente o número de pessoas que estariam no refeitório, mas uma em especial chamou sua atenção. Um rapaz alto usava calça jeans azul e uma simples camiseta branca, estava com sapatos pretos e em seu pescoço uma corrente de prata com uma cruz se destacava em seu corpo musculoso. O rapaz aparentava ter em torno de vinte a vinte dois anos de idade, tinha a pele branca como Miguel e seu irmão Gabriel. Seu rosto era arredondado com olhos castanhos escuros e cabelos pretos. O rapaz olhava para Miguel com um olhar felino e o arcanjo respondeu com um olhar a altura.
– A não eu me esqueci dele. – Sussurrou Rafael com receio atraindo a atenção de Gabriel e das irmãs.
– Quem é ele é Rafael? – Perguntou Gabriel.
– Juriciel.
Gabriel e Miguel olharam surpreso para Rafael que suspirando assentiu. Miguel voltou a fitar o jovem que mantinha o olhar de desafio ao arcanjo, seu olhar, revelava que o rapaz estava pronto para um confronto e não temia que o seu adversário era um arcanjo.
– Juriciel? – Perguntou a irmã Carol?
– Sim irmã. – Respondeu Rafael.
– Mas Dr. esse é o irmão Juliano.
– Irmão Juliano? – Novamente Gabriel perguntou ficando confuso.
– Falaremos sobre isso depois ok? – Rafael fitou cada um deles que ao verem o seu olhar entenderam e assentiram somente Miguel que continuava encarando o jovem.
– Isso vale para você também Miguel!
O arcanjo assentiu continuando a olhar para o jovem que despreocupadamente caminhou passando ao lado de Miguel que o seguiu com o olhar.
O jovem sentou-se no último banco do fundo próximo a porta aonde estavam os animais. Ao passar o momento de tensão os arcanjos, juntos com as irmãs se sentaram em seus lugares.
Ministrado pela Madre superiora todos no recinto oraram a Deus agradecendo pela comida, os arcanjos junto com as irmãs e o jovem Juliano serviam a comida as pessoas e os animais que felizes desfrutaram de um excelente banquete. Miguel estava animado e saboreava seu café da manhã, mas não deixava de reparar em Juliano hora ou outra Miguel flagrava o jovem o olhando.
Quando as pessoas deixaram o local, e as irmãs os informaram para voltarem as quatorze horas para o almoço comunitário. Após a última pessoa ter deixado o local as freiras voltaram e deixaram os pratos sobre as mesas, os animais puderam permanecer no local parecendo estar curiosos sobre o assunto inacabado minutos antes do banquete começar.
Sentado em seu lugar estava Juliano. Ele voltava a fitar Miguel o mesmo fazia o Arcanjo, parecia que os dois estavam tendo um confronto pessoal pela maneira como se olhavam.
Rafael e Gabriel estavam atrás e ambos olhavam com cautela para a cena. A irmã Carol foi a única no local que teve coragem e começou a falar quebrando o silêncio.
– Dr. Rafael porque o senhor Miguel olha dessa forma para o irmão Juliano? Eles por um acaso se conhecem?
Rafael fitou cada uma das irmãs que o olhavam mostrando estar curiosas, seu olhar passou pelos animais que curiosamente tinham o mesmo olhar das irmãs. Passando por Gabriel que também o olhava da mesma forma o arcanjo, estava reunindo coragem para explicar tudo a eles. A coragem de Rafael pareceu sumir quando, ele percebeu que agora Miguel e o Juriciel ou Juliano também o fitavam.
– Vamos lá hora da verdade. – Levando a mão fechada a boca o arcanjo pigarreou antes de começar o seu discurso.
– Sim irmã Miguel o conhece. – A revelação surpreendeu a todas antes que pudessem fazer qualquer tipo de perguntar Rafael as interrompeu continuando a falar. – O irmão Juliano na verdade é Juriciel, ele era um anjo a serviço do céu. Ele era um querubim um anjo guerreiro e era liderado por Miguel. Em uma missão aqui na terra ele junto com um grupo de querubins expulsaram uns demônios que estavam aterrorizando uma vila, Juriciel salvou uma jovem e nisso eles se apaixonaram, foi amor à primeira vista mas ... nós anjos não podemos nos relacionar e ainda mais com seres humanos exceto eu como sabem, mas os anjos, que se relacionam só tem um caminho a seguir. – Rafael observava novamente a face de cada um que estava no recinto. As irmãs o olhavam surpreso e seus rostos mostravam que estavam assimilando e tentando entender tudo que o arcanjo havia dito. Voltando a fitar seus irmãos Juriciel e Gabriel, que no começo estava curioso agora o olhava com uma expressão indecifrável.
Miguel por sua vez continuava com o seu olhar sério e frio, e para a surpresa de Rafael Juriciel tinha o mesmo olhar de Miguel.
– E qual é esse caminho? – Perguntou a Madre rompendo o silêncio.
Rafael pronunciou uma única frase. Ao saírem de sua boca o choque e a surpresa tomaram conta das irmãs e, curiosamente até dos animais.
– A queda!
– A queda? — Perguntou a Madre.
– Sim a queda.
– Então está dizendo que o irmão Juliano... – Ela não completou a frase de alguma forma a Madre não conseguiu terminar uma simples frase.
Percebendo o ocorrido Rafael, completou a frase por ela.
– Ele é um caído Madre, um anjo que perdeu suas asas e agora ele está fadado a viver na terra até o fim dos dias!
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