Anjos Humanos
20 20 – Gabriel
No convento momentos antes do ataque a Gabriel e Juriciel.
– Irmã me permitiria fazer um último exame? – Perguntou Rafael e a irmã Cecilia assentiu. Rafael aproximou suas mãos deixando uma pequena distância entre elas e suas mãos começaram a brilhar.
Entre o espaço deixando entre as palmas e suas mãos Rafael conseguia ver perfeitamente o interior do corpo da irmã com em um raio x. Rafael olhava atentamente verificando se ainda haviam vestígios da doença em seu corpo.
Gabriel caminhou até a janela e fitava a noite. Aquele dia foi longo, o céu estava limpo e poucas estrelas podiam ser vistas e naquela noite a lua não era vista no céu.
O arcanjo, olhava ao redor quando um pequeno movimento no portão de entrada do convento chamou a sua atenção, e não apenas a de Gabriel mas de seus irmãos também.
– Tem alguma coisa lá fora. – Disse Gabriel alarmado e aquelas palavras deixaram as irmãs com medo.
– Gabriel e eu iremos verificar, Rafael termine de tratar da irmã e se for preciso as proteja! – Disse Miguel ao irmão e Rafael assentiu. Ele continuava com o seu trabalho analisando cuidadosamente cada parte do corpo da irmã.
Gabriel e Miguel saíram do convento e três figuras escuras começaram a fugir. Mesmo se unindo com a escuridão da noite as figuras não conseguiam se esconder dos arcanjos que partiam em sua captura.
As figuras se dividiram, duas para a esquerda e uma para a direita, Miguel automaticamente virou a esquerda seguindo as duas figuras e restou a Gabriel seguir a que tinha seguido para a direita. O arcanjo estava se aproximando da figura quando sentiu uma aura se expandindo, um anjo estava lutando disso Gabriel sabia e conheciam bem a quem pertencia aquela aura.
– Juriciel está em ação, para um caído como ele ter que lutar isso significa que ele já estava atrás de uma dessas figuras!
Gabriel aumentou a velocidade e percebeu que estava voltando para o convento, sentia a aura do caído mais próxima e o arcanjo parou ao ver a cena em sua frente. Inúmeras figuras escuras se aglomeravam próximo o convento, elas estavam tão próximas que lembravam da grande escuridão que tentou mata-lo e aos seus irmãos quando vieram ao resgate de Miguel.
Gabriel sabia que todas aquelas figuras reunias não seriam um problema para ele, mas algo chamou novamente a sua atenção. A aura de Juriciel vinha no local aonde as figuras estavam o que comprovou a Gabriel que o caído estava realmente lutando contra elas.
Sem perder tempo Gabriel levou a mão esquerda fechada até a boca, e abrindo um pouco os dedos soprou e uma grande chama dissipou as figuras escuras que bloqueavam o seu caminho. O arcanjo avistou Juriciel em posição de ataque no meio de inúmeras figuras.
Após derrotarem as figuras escuras Gabriel percebeu que ele e Juriciel haviam caído em uma armadilha, em seu último esforço o arcanjo emitiu um sinal de socorro aos seus irmãos. Gabriel agora sentia o seu corpo sair do chão. Seu corpo ainda estava pesado mas algo o estava carregando.
Com dificuldades ele abriu os olhos e com a visão meia embaçada conseguiu visualizar quem o estava carregando.
– Mi...Miguel... – Sussurrou o arcanjo com dificuldade.
Miguel assentiu e entrou com Gabriel no convento. As irmãs se aproximaram de Miguel o recebendo na porta e rapidamente o guiaram para os quartos.
Miguel carregava sozinho Gabriel em seu ombro esquerdo e Juriciel, no seu ombro direito.
Naquele momento Rafael apareceu na porta do quarto acompanhado da irmã Cecilia e ficou chocado ao ver Gabriel e Juriciel nos braços de Miguel.
– Mas o que aconteceu com eles? – Perguntou Rafael preocupado.
– Não sei quando os encontrei eles estavam caídos e desmaiados no chão.
– Traga-os para cá rápido.
Rafael voltou para o quarto e Miguel entrou em seguida. Na cama ao lado da irmã Cecilia o príncipe colocou primeiro Gabriel e na cama seguinte Juriciel.
As roupas e os braços de Miguel ficaram sujos com a estranha fuligem que envolvia os corpos de Gabriel e Juriciel.
Rafael começou a avaliar o seu irmão bastou um pequeno olhar e surpresa era visível nos olhos do anjo da cura, ele se afastou de Gabriel e caminhou até Juriciel e percebeu que o caído estava com os mesmos sintomas de Gabriel.
– Não pode ser. – O temor podia ser ouvido na voz de Rafael.
– O que não pode ser senhor Rafael? – Perguntou a irmã Cecilia.
– Eles estão com a... – Rafael não pode concluir a sua frase um barulho o interrompeu e as irmãs ficaram alarmadas com o que viram.
– NÃO SE APROXIMEM DELE! – Gritou Rafael fazendo as irmãs ficarem em seus lugares com medo.
Miguel havia caído ficando inconsciente no chão, Rafael se aproximou do irmão e o examinou ainda no chão.
– Droga até você Miguel? – O arcanjo segurou o irmão no colo e o colocou sobre a cama.
Agora eram as roupas de Rafael que estava um pouco sujas com aquela estranha fuligem. Ao deitar Miguel na cama Rafael se afastou um pouco e olhava com atenção para os três. Seu olhar passou lentamente por Gabriel, Juriciel e terminou em Miguel, suspirando ele olhou para as irmãs que estavam alarmadas e tornando a suspirar começou a falar.
– Irmãs peço perdão pela minha atitude antes por ter gritado, é que se tivessem tocado em Miguel teriam um sério problema.
– O que eles têm senhor Rafael? – Perguntou a Madre.
– Vai soar estranho irmãs mas eles estão com a “Gripe do Século também!”
As irmãs ficaram chocadas e sem palavras, assim como Rafael seus olhares passaram pelos três e voltaram a Rafael a procura de uma resposta.
– Também não sei dizer o porquê, mas eles estão com os mesmos sintomas da irmã Cecilia e isso é novo para mim irmãs. Anjos não ficam doentes, a doença só afeta a humanos mas eu gostaria de saber como eles a contraíram e... – Rafael parou de falar e seu corpo começou a tremer as irmãs ficaram assustadas e não sabiam o que fazer para ajudá-lo.
Rafael não sabia o que estava acontecendo com ele, jamais o arcanjo havia sentindo aquela sensação, seu corpo pesava uma tonelada e aos poucos o arcanjo começava a perder os sentidos.
– Mas o que está acontecendo comigo? – Rafael começava a ficar desesperado, agora era ele que não sabia o que fazer até que algo chamou a sua atenção.
Com dificuldades Rafael conseguiu olhar para baixo para os seus braços e começou a sentir uma queimação vinda diretamente deles. Não era todo o braço que queimava apenas uma parte dele, e não apenas seus braços ele sentia a mesma queimação em seu abdômen e sua coxa e Rafael percebeu outra coisa importante.
– É isso é essa maldita fuligem! – Erguendo a sua cabeça Rafael olhava para os irmãos, o arcanjo expandiu sua aura a concentrando principalmente em seus olhos. Olhando para Gabriel ele percebeu que àquela estranha fuligem no corpo de seu irmão estava sugando sua energia, e não apenas isso ela começava aos poucos a entrar em seu avatar atacando diretamente o “Corpo Espiritual de Gabriel”. Ele percebeu também que o mesmo ocorria com Juriciel e Miguel, mas diferente dos dois a fuligem ainda estava começando a se espalhar pelo corpo de Miguel.
Olhando novamente para o seu corpo Rafael via a fuligem tentando atravessar o seu avatar e, expandindo mais sua aura o anjo da cura a envolveu e, ao entrar em contado com a aura do arcanjo a fuligem tentava sem sucesso escapar da pequena barreira criada pelo arcanjo.
– Você me subestimou muito. – Disse o arcanjo com calma. – Agora que sei o que você é não importa a forma que assuma você não tem chances contra mim!
Rafael ficou em pé com dificuldades no começo, mas aos poucos era visível que o arcanjo estava se recuperando rapidamente.
Ele aumentou a sua aura e a fuligem que estava em seu corpo começava a evaporar.
–Abram as janelas irmãs. – Assentindo algumas irmãs correram para as janelas e as abriram, Rafael continuava a aumentar a sua aura e em segundos a fuligem que estava em seu corpo havia desaparecido. O corpo do arcanjo brilhava com uma luz esverdeada, Rafael se aproximou dos seus irmãos e afastando seus braços aumentou ainda mais sua aura os envolvendo.
A fuligem nos corpos de seus irmãos começava a desaparecer evaporando. Pelo vapor uma pequena voz de dor podia ser ouvida.
– Nãooo!!! Maldito anjo da cura isso ainda não acabou a vitória é minha!!
– Game Over para você! – Rafael expandiu mais a sua aura que envolveu a todo o convento e a sua casa, toda a fuligem havia desparecido dos corpos de seus irmãos e eles acordaram e olhavam para os lados confusos.
Rafael diminuiu a sua aura e olhava para os irmãos ofegante.
– Do...dormiram bem crianças?
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