Anjos Guardiões
8 Capítulo 8
Eles acordam em meio a grama. Bruno estava sob o cuidado dos garotos. Sarah abre os olhos e já o procura, e quando vira pro lado a menina que tinha dito para ela tentar ficar viva estava olhando com os olhos arregalados para ela. Aquele par de olhos cinza... Ela não conseguia falar, não tinha o que dizer.
– Você está bem? — perguntou a garota.
– Acho que sim... — respondeu Sarah — cadê Bruno?
– Seu namorado está bem, ele esta com os meninos, estão tentando desintoxica-lo — disse ela.
– Ele não é meu namorado! — gritou Sarah.
– Xiiu, os Perriots ainda estão por perto — disse a garota pondo a mão na boca de Sarah.
– Perriots? — perguntou Sarah.
– Os seres que atacaram vocês — respondeu a garota.
Sarah não sabia porque, mas agora estava sentindo-se segura. Aqueles três, os cajados, tudo era tão irreal mas Sarah sentia que aquilo deveria ser assim.
– Ele está bem, mas acho que não podemos deixa-lo indefeso — disse um dos meninos.
– Gregor, será que devemos trazer algum armamento para ele? Ele está com ela, não podemos deixa-lo indefeso — disse a garota.
– Talvez, mas você ficará sozinha se formos lá — apressou-se em dizer o outro garoto.
– Eu consigo protege-los por um tempo, e conhecem as regras, mas de três chama atenção demais, mesmo ele não sendo um de nós — disse a garota.
Sarah não conseguia entender. O que eles eram? Ela devia ser um deles? Sarah queria respostas mas não sabia quais perguntas fazer.
– Se assim que prefere, assim faremos. Voltamos em no máximo quatro horas, deve ser o tempo pro garoto acordar. Ele estava impregnado, tivemos que dopa-lo para conseguir cura-lo — disse Gregor, o garoto negro.
– Felipe, Gregor, cuidem um do outro e me mantenham informada — ordenou a garota.
Ambos concordaram com a cabeça e saíram. A garota encarava Sarah com um certo estranhamento.
– Com quantos anos você está? — perguntou a garota.
– dezessete — respondeu Sarah — e você?
– tenho dezenove — disse a garota.
Sarah sorriu, a garota não era tão velha.
– Era você que estava olhando pra janela da minha sala? — perguntou Sarah.
– Janela? — respondeu perplexa a garota.
– Sim, olharam pra mim um vez, da mangueira em frente a escola, mas, só eu vi, o Bruno não conseguiu ver — disse Sarah.
– Se alguém estava te olhando, tenho certeza que não foi nem eu, em os garotos — ela responde — e se o Bruno não conseguiu ver, pode ser que ele estivesse andando pela sua dimensão através de outra.
– Como assim? — perguntou Sarah.
– Para isso acontecer, só estando aqui "a passeio". O meu mundo é como um reflexo do mundo "real", nós podemos estar aqui, sem ninguém nos ver. Se você estava vendo, é porque você tem, digamos, o sangue dos Stenfor, você vem de uma linhagem antiga, que pode se comunicar com os dois mundos — respondeu a garota sem entrar em detalhes.
– Mas, como só você me respondeu no meu último sonho? — perguntou Sarah.
– Você escolhe quem quer que te veja — respondeu a garota — normalmente se isso é involuntário, seu sub-consciente procura por alguém que lhe desperte conforto e segurança — diz a menina já com as bochechas coradas.
– Entendi, eu acho — disse Sarah.
Em seguida Sarah abraça a garota o que deixa a menina espantada e sem reação.
– Obrigada, pelo menos alguém consegue me dar respostas — agradeceu Sarah.
A garota não sabia se podia abraça-la de volta. Seu dever era protege-la, e se apaixonar pela princesa estava fora de cogitação, então ela apenas ficou quieta, e sentiu o abraço, não recebia abraço desde que seus pais haviam morrido na guerra, a dez anos, e foi treinada até os quinze para proteger a garota que recebera o nome de Pietra. Mas ela estava tão escondida que demoraram anos para conseguirem, até acharem ela vagando pelos cantos neutros. Aquilo tinha de ter alguma explicação.
Sarah olhava para a garota com tanta admiração que até se esqueceu de Bruno. Queria poder ficar mais tempo abraçada com a menina, assim, se sentiria mais segura, mas percebeu que o abraço deixou o corpo da garota um tanto febril, e não sabia se devia abraça-la novamente.
Bruno continuava desacordado, a caminhonete do pai dele estava perto da gente, e sugeri que colocasse-mos ele no banco traseiro. A garota concordou e me ajudou a coloca-lo la. Foi a nossa sorte, quando deitamos ele.
Fomos dentro do hotel e pegamos o que deu de comida, bebida e aperitivos. Colocamos tudo o banco de trás da caminhonete, no chão, e me sentei no banco do carona. Assim que minha "guarda-costas" se sentou ao volante, vimos mais Perriots chegando perto. Ela ligou a picape, deixou os faróis desligados e seguiu na estrada. Bruno acordou.
– Ei... aonde estamos?? — perguntou ele assustado.
– Não sei, mas estamos vivos — respondeu Sarah.
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