Anjos Guardiões

2 Capítulo 2


Já sonhou com o escuro absoluto? Com vozes pairando e te deixando com medo? Tente sonhar então. Era o escuro, a percepção de distância, tempo ou lugar estavam totalmente ineficazes. O ar, ele tinha cheiro metálico e ao mesmo tempo era úmido. Sarah procurava paredes, mas não encontrava, e caia no escuro, tropeçando em coisas invisíveis. Tentava levantar mas logo que andava caia novamente. Tentou ir ajoelhada e percebeu que o chão não era um liso perfeito, na verdade, nem sabia se poderia chamar aquilo de chão. Tinha textura extremamente lisa como um gelo polido, mas tinha falhas, altas e baixas, como degraus estreitos e extremamente finos, se pôs de pé novamente e esticou os braços. Não encostava em nada, constatando que era algo alto, mediante a sua altura. Foi ai que começaram as vozes. Elas vinham de todas as direções, eram sussurros e gemidos. Ora diziam "Sarah", ora diziam "mate-o" e ora diziam "venha para a morte". Mas o incrível foi que a garota não se assustou, apenas sentou no chão e tentou ouvir as vozes, e entender o recado. Quando o "mate-o" e "venha para a morte" começaram a se sobre sair mais que o seu nome, ela se comprimiu até o que achava ser uma parede. Não sabia o que fazer, queria gritar mas não saia som de sua boca, queria chorar mas suas lágrimas não desciam, e o medo, bem, ele não era medo, mas um sentimento de tortura e alívio. Sentia seu coração doer. Sentia remorso por algo que não sabia o que era. Até que então uma mão à puxou.

– Você não pode ficar aqui! Venha — disse um rapaz, puxando-a

– O que você quer de mim? — disse ela assustada

Então uma outra pessoa além do rapaz que á havia puxado surge.

– Ela não está segura aqui. Estamos em zona neutra, temos que leva-la para os campos — disse um voz feminina. Sarah não conseguia mais dizer nada, quem era aquelas pessoas? O que era zona neutra e campos?

– Você tem razão, se ela continuar aqui, não acordará — disse o rapaz.

Então mão passaram entorno de Sarah e a pegarão no colo. Ela encosto o rosto no ombro de seu carregador e percebeu que era uma mulher.

– Por aqui, ande — disse o rapaz mais na frente.

Os olhos de Sarah não aguentavam mais ficar abertos, e se fecharam. Quando abriu estava na sua cama, em seu quarto. Se perguntava se o que tinha sonhado poderia ser real. Ela não viu nada, apenas sentiu e ouviu. O tato e olfato não poderiam ser explicados nos sonhos, onde só se tem a visão e a sensação de movimento.

Sarah acordou antes mesmo de seu relógio despertar, então, desarmou antes que ele tocasse e foi se arrumar. Quando desceu para o café, dez minutos antes do que seria o horário normal, e vinte antes do horário que ela costumava descer, sua mãe estranhou.

– Bom dia Sarah — disse a mãe.

– Bom dia mãe — disse Sarah, dando um beijo no rosto da mãe.

– Aconteceu algo? — perguntou a mãe.

– Só um sonho estranho, perturbador e reconfortante ao final — disse Sarah enquanto ria de si mesma.

A mãe apenas concordou e terminou de tomar seu café, deu um beijo na filha e foi para o serviço. Sarah logo em seguida foi para escola. Chegou cedo, o que fez Bruno estranhar.

– O que houve com você? — perguntou o menino.

– Nada, só um sonho estranho — respondeu ela.

– Ontem tentei te alcançar na hora da saída. Acho que ficou louca, não havia ninguém durante a aula inteira perto daquela árvore — disse o rapaz preocupado.

– Eu sei o que vi Bruno, chega disso ok? — finalizou a garota.

– Tudo bem, agora pode me contar o seu sonho? — perguntou o garoto.

Sarah contou o sonho para Bruno, escondendo apenas o detalhe de que havia adormecido no colo da garota, ela achou que poderia ser meio engraçado e que ele zoaria ela para sempre.

Eles foram para aula, e assim que entrou Sarah foi olhar pela janela, mas para sua decepção, não havia coisa alguma lá. Será que poderia ser apenas sua imaginação? Ela não se conformava, sabia que tinha alguém ali ontem, mesmo que não pudesse ver, ela sabia, era como um sexto sentido. Será que se ela esperasse que estivesse, ele não estaria, e se ela esquecesse, ele apareceria? Ela achou que sim, e durante o resto da semana, tentou não olhar para a janela, mas não conseguia. Toda hora ela olhava e se decepcionava, pois não havia nada. E todas as noites, não sonhava mais com nada, como se aquele sonho nunca tivesse ocorrido. Será que era apenas imaginação dela? Ela se recusava a acreditar. Após um mês olhando pela janela, esperando pelos sonhos, e se decepcionando, no último dia de aula antes do fim das aulas, ela tem uma surpresa.