Anjos Guardiões

12 Capítulo 12


Bruno estava achando estranha a ligação entre as meninas, e sentia um pouco de ciúme. Sabia que não deveria, sabia que não podia sentir ciúmes, sabia que Sarah não gostava dele da maneira que ele gostava dela, mas, poderia ser essa a explicação, poderia ser Sarah lésbica? Perguntas rondavam sua cabeça, e olhar por aquela janela ajudava-o a pensar, a refletir sobre os motivos que o fizeram se apaixonar por Sarah. Ele gostava do seu sorriso quando ela estava triste e ele a animava. Ele gostava da maneira que ela o tratava. Mas, não sabia ao certo se havia mais... será que ele só se apaixonou pelo que ela proporcionava a ele? Ele não sabia responder. Estava confuso, precisava pensar, precisava saber o que fazer.

A noite era estrelada, Gregor não havia visto nem ouvido nada de anormal, mas, já estava cansado, e sabia que deveria acordar Marcela para a outra ronda, e Felipe, para substituir Bruno que deveria estar exausto, mas, Sarah dormia tão bem que sentiu até pena de acordar o seu travesseiro particular, parecia errado. Ele sabia o quanto Sarah sofria com os pesadelos, com toda aquela mudança e Marcela era o seu conforto. Marcela era como uma irmã caçula para ele, mesmo eles sendo diferentes. Felipe era mais um bobão, um amigo que ele sabia que podia contar. Os dois haviam começado o treinamento juntos, apenas Marcela estava treinando a mais tempo, ela tinha segredos, ela tinha medos e desejos, que nenhum deles compreendia. Ela tinha uma rígida carcaça, e nunca havia visto alguém quebra-la com tanta facilidade. Sarah tinha sido a única pessoa a abraçar Marcela e receber um abraço de volta, pelo menos, que ele tivesse visto. Ele gostava de sentir todos como uma família, até mesmo Bruno, o garoto sem poderes ou atributos que tinha a coragem superior a muitos magos. Ele o invejava, mas ao mesmo tempo o admirava.

Marcela foi acordada por volta das duas da manhã. Tentava não acordar Sarah, mas foi em vão, assim que levantou da cama, Sarah sentou, esfregou os olhos e a olhava.

– Aonde você vai? — perguntou a garota.

– É a minha vez na ronda, pode dormir — respondeu Marcy.

– Não — disse Sarah bocejando — vou ficar com você, se ficará acordada, ficarei junto — e a menina de pouco mais de um metro e meio se levantou e segurou na mão se Marcela — aonde a gente fica?

– Não sei — respondeu Marcela sem jeito — quem vai dormir?

Felipe já estava acordado, sentado olhando para porta, com os olhos esbugalhados e o cajado em mãos.

– Posso dormir na cama de vocês? — perguntou Bruno para as garotas.

– Pode sim — respondeu Sarah sorrindo.

Bruno se deitou na cama e se cobriu, não demorou muito para que adormecesse. Gregor nem de coberta precisou e desabou na cama, estava exausto e era nítido nos olhos dele o quão cansado estava.

Marcela sentou-se na cadeira de frente para a janela, Sarah sentou no chão, agarrada nas pernas de Marcy.

– Está com frio? — perguntou Marcy.

– Bastante — respondeu Sarah.

Marcy levanta e vai até o armário, pega um edredom e joga sobre os ombros de Sarah. Marcela está ajoelhada enquanto cobre Sarah. A garota sorri enquanto tem seu frio amenizado.

– A gente vai ficar bem? — pergunta Sarah.

– Como assim? — pergunta Marcela.

– Não quero ficar longe de você — responde Sarah, para espanto de Marcela, que fica sem jeito com o que foi dito.

– Nem eu quero ficar longe de você — diz Marcy — não faz ideia do quanto é especial pra mim, eu gosto muito de você.

Sarah olha nos olhos da menina e a abraça, ela queria desesperadamente poder ficar com ela para sempre, dormir todos os dias agarradas na cama e nunca mais sentir medo. Marcela fazia tudo ficar tranquilo, tudo ser seguro, mesmo quando corriam perigo, pensar que ela poderia simplesmente abandona-la parecia torturante.

– Eu não sei se aguentaria ficar sem você — dispara Sarah fazendo Marcela sorrir.

– Não vai ficar sem mim — diz Marcy.

Em seguida a garota continua sua vez na ronda e vigia a janela, sentada na cadeira, com Sarah sentada nos seus pés, com a cabeça sobre seu colo e de mãos dadas. Marcela sabia que não conseguiria viver mais sem aquela menina, tinha vontade de nunca mais deixa-la, de protege-la para sempre e de poder... beija-la.