Cap. 1
Tudo se encontrava calmo na van, após uma pavorosa missão num prédio lotado de infectados. Tinham conseguido os suprimentos, mas isso quase custara a vida de um dos nossos. Não sabíamos que o prédio estaria tão infestado, uma vez que nossos superiores nos passaram que essa cidade tinha sido evacuada antes de ser atingida. Era algo suspeito, mas não podíamos fazer mais nada. Grant tinha sido ferido, e não havia nada que pudéssemos fazer. Tínhamos que esperar e ver se ele se transformava, mas isso causava enorme dor.
–“Nora, por favor, faz alguma coisa!” Suplicava Justice, que tentava conter seu desespero para que Dean se mantivesse calmo.
–“Jus, o que eu poderia fazer? Se ele foi infectado, não nos resta muito a ser feito e você sabe disso. Me dói falar isso, mas teremos que matá-lo se isso acontecer.” Eu teria que ser dura com ela, ela teria que entender. Todos nós ali estávamos com medo, não era só ela que amava Dean. Como ela, havíamos conhecido Dean e seu irmão, Samuel, no colégio. Ambos tinham vindo de algum país da Europa e eram a “carne nova” do pedaço e logo ficaram conhecidos por toda escola. Nossos amigos, Gabe e Oliver também acabaram entrando na turma e acabamos no formando juntos. O tempo e as responsabilidades nos separam, uma vez que Sam, Gabe e Oliver decidiram optar por medicina e os outros seguiram carreira militar, o que, futuramente, acabou por uni-lôs mais uma vez. Mas com Justice, era diferente. Desde o colégio, ela havia sido apaixonada pelo irmão de Dean, Samuel. Haviam namorado por alguns anos antes da relação se desgastar e eles deciderem que eram mais felizes sozinhos. Porém, com a proximidade e companheirismo que ela estabeleceu com Dean na carreira militar, Jus havia descoberto um novo amor, algo que ela havia de proibido desde que terminara com Sam. Mas o apocalipse acontecera e ambos, eu, Leah e Alec, fomos convocados para missões para estabelecer a paz. Algo estranho acontecera e todos foram designados para uma mesma missão, resgatar civis numa cidade em estado crítico e aqui estávamos nós, tentando socorrer a vida de um dos nossos melhores soldados.
–“Isso não é justo, você sabe! Eu não posso perder o Dean agora, não posso...” Soluçava Jus, inconsolável.
–“Nenhum de nós quer perder o Dean, Jus. Você sabe que se pudéssemos, daríamos nossa vida por ele” Murmurava Alec, que vinha tentando acalmar Justice desde que chegamos.
–”Jus, vem comigo. Vamos tomar uma água, conversar, você precisa se acalmar. Deixe que Leah cuidade dele e quando estiver melhor nós voltamos” Pedi, pegando no braço de Justice e a trazendo pra cabine do motorista.
Ao chegarmos na cabine, percebemos que havíamos recebido um sinal e corremos para atendê-lo. Num dia normal, sinais como esse eram comuns, uma vez que as linhas de comunicação da policia permaneciam interligadas para que a viatura mais próxima pudesse atender os pedidos. Agora não existiam mais pedidos, nem chamados frequentes, o que dizia que estávamos perto de algo muito importante.
–“Pantera 1 na escuta, algum sobrevivente? Localização ABR 2583*, algum sobrevivente? Estamos num posto militar com segurança intermediária e temos suprimentos, alguém na escuta?”
–“ MEU DEUS JUSTICE, TEMOS SINAL. RESPONDA E PERGUNTE MAIS INFORMAÇÕES!” Gritei para ela, e nos esprememos no posto de comunicação da van.
–“Aqui é a oficial Justice Wayland, Serviço de Segurança, qual sua situação? Repito, qual sua situação?”
–“ Aqui é o soldado Logan Murray. Estamos localizados à leste Rodeo Drive, ABR 2583. Qual sua localização, senhora?”
–“ Estamos a oeste da Rodeo, mas conseguimos chegar ai em 20 minutos, no máximo. Como se encontra a situação do exterior do local?” Perguntou Justice.
–“Temos contenção intermediária dos infectados, mas terão que usar armas de fogo para fazer a entrada no local. Podemos auxiliar seus oficiais com as câmeras que temos, mas não podemos sair.” Disse o oficial, com um ar de pesar.
–“ Estimativa de infectados? Conseguimos passar com 4 oficiais ativos e um ferido?”
–“ Estimativa em cerca de 20/25 infectados. Dependendo da habilidade de seus oficiais senhora, mas eles terão que ser extremamente hábeis.”
–“ Ok soldado, entendido. Nos aguarde, estaremos ai em 20 minutos.”
–“Entendido senhora, boa sorte. Vocês vão precisar.” Murmurou o oficial antes de sairmos da cabine.
Dei um breve aviso para equipe para que se preparassem para o que íamos enfrentar e todos, com excessão de Dean, foram se posicionar. Essa equipe que fora destinada para o resgate colocaria inveja em qualquer superior que se preze. Sabiam como trabalhar em grupo e, quando estávamos em campo, preparados para a missão, esquecíamos nossas diferenças, nossas amizades, nossos laços. Éramos simplesmente soldados que tinham como objetivo completar sua missão. E precisaríamos disso, mais do que nunca nesse momento, para que ajudássemos Dean e para que puséssemos fim em nossa missão o mais rápido possível.
Vinte minutos depois, chegamos perto da localização que nos foi passada e vimos o posto. Tudo parecia mais calmo do que o esperado e isso assustava. Os infectados se sentiam atraídos pelo barulho e nosso veículo não era muito silencioso. À vista, tinham apenas uns cinco infectados, todos vagando, como se não tivesse sequer nos notado ali. Algo estava errado, estranho demais.
–“Atenção! Foi-nos passado a presença de 20/25 infectados no local. São visíveis apenas 5/10, então eles podem estar em qualquer lugar. Precisamos do dobro de atenção, uma vez que esses parecem que eles são diferente de tudo que enfrentamos. Precisamos de mais atenção ainda, porque temos que levar Dean em segurança para dentro. Conto com vocês e sei que teremos sucesso. Preparados?” Perguntei à todos, tentando passar algum tipo de confiança.
–“Sempre!” Responderam em uníssono.
Abrimos a porta da van e fomos nos posicionando. Alec, por ser o único homem consciente dali, ficou encarregado de carregar Dean até o posto. Leah, Justice e eu flanqueávamos os dois, atentas a qualquer sinal de movimento.
Vimos os soldados que tinham entrado em contato conosco na torre de observação. Eram três e apontavam fuzis em nossa direção, nos escoltando por cima. Até agora, tudo parecia bem. Fomos andando, armas em mãos, esperando pelo pior. Chegamos aos portões do posto militare nada havia acontecido ainda. Os infectados que havíamos visto vagavam para longe, sem ao menos notar nossa presença. Os portões foram abertos e para nossa infelicidade, nosso pesadelo começava ali.
Com o barulho das engrenagens do portão, inúmeros seres aparecem de todos os lados possíveis. Atirávamos como se estivéssemos em um jogo, mas eles não paravam de vir.
–“ROBERTS, POSICIONE GRANT EM ALGUM LUGAR SEGURO APÓS O PORTÃO E VENHA AQUI.” Gritei para Alec, que ainda amparava Dean.
–“NÃO HÁ LUGAR SEGURO PERTO DO PORTÃO, ELES ESTÃO VINDO DE LÁ DE DENTRO TAMBÉM”Gritou Alec de volta, sacando sua pistola e abatendo três infectados, com tiros precisos em suas cabeças.
Corri em auxilio de Alec, visando limpar o caminho para dentro para que as meninas pudessem passar por ali também. Avistei uma porta aberta e dois soldados armados de prontidão nos chamando e mostrando o caminho para dentro. Gritei para Alec pegar Dean e correr para lá, que eu daria cobertura a eles enquanto o soldado remanescente na torre cobria as meninas mais á frente.
A situação piorava, mas pelo menos Alec havia alcançado os soldados e eu poderia ir em direção as meninas. Chamei as duas mais para perto do portão, para que quando acionassem o mesmo para fechar, pudéssemos pular para dentro a tempo. Mandei o soldado da torre fechar o portão e ficamos alertas, para que as três pudessem entrar. As engrenagens do portão começaram a funcionar e as bestas foram à loucura. Se já estava difícil contê-los antes, agora parecia impossível. Mas eu não desistiria. Colocaria aquelas duas para dentro, nem que isso custasse a minha vida.
–“JUSTICE, LEAH, PASSEM PARA O LADO DENTRO E CONTINUEM ATIRANDO. TENTAREI CONTÊ-LOS AQUI ATÉ VOCÊS PASSAREM NA PORTA.” Ordenei para as duas, enquanto recarregava minhas armas.
–“NORA, MAS E VOCÊ? NÃO PODEMOS ENTRAR SEM VOCÊ. NÃO DEIXARIAMOS VOCÊ AQUI!!!.” Gritou Leah de volta para mim.
Cheguei bem perto de Justice e falei:
–“ Jus, você sabe que é necessário. Leve Leah para dentro e deixe que eu cubra vocês aqui. Com alguma sorte, antes do portão fechar eu consigo passar.”
Jus acentiu e continuou atirando. Gritou para que Leah a seguisse e quando a mesma não o fez, agarrou seu braço e a puxou para dentro. Continuaram atirando, mas seguiam em direção aos soldados na porta. Eu estava sozinha. Por mais que eu quisesse, seria praticamente impossível que eu tivesse alguma chance. Eles estavam cada vez mais perto e minha munição estava no fim. Com um ultimo apelo, desejei que Justice continuasse a missão e conseguisse chegar nos sobreviventes que procurávamos. Senti o hálito pútrido deles cada vez mais perto e sabia que essa seria a ultima vez que sentiria alguma coisa. Um deles havia me alcançado e tentava morder meu pescoço e surpreendentemente, a ultima coisa que senti, foi um tiro.
Fale com o autor