Anjo da Salvação
21 Capitulo 21 - Rescue me
Notas iniciais
Sasuke
Acordei com o barulho da chuva na janela. Olho para o relógio no criado mudo e são 9horas da manhã. Puta merda, nunca acordei tão tarde desde que entrei para a ANBU. Passo as mãos no rosto e olho para o lado. Meu coração para. Sakura está dormindo lindamente ao meu lado, mas não é isso que me assusta, e sim o fato dela estar sem roupa. Levanto o lençol e vejo que eu também estou nu. Droga, não acredito que transamos.
Me levanto rápido e silenciosamente da cama e corro até o banheiro. Ligo o chuveiro e tomo uma ducha fria, apesar do tempo lá fora. O que diabos me deu para cometer essa loucura? A regra mais importante do meu trabalho é nunca envolvermos mais que o necessário com nossos casos. E cá estou eu, Uchiha Sasuke quebrando a regra máster da organização. Maravilha. Volto ao quarto e ela ainda está dormindo. Seu sono é leve e sereno. O sono de uma inocente. Bem, não tão inocente agora. O quarto está impregnado com seu perfume e seus cabelos tão incomuns contrastam gritantemente com a harmonia do ambiente. Meu pau dá um espasmo e corro para o closet. Visto moletom preto e uma camisa branca.
Meu telefone toca e corro para atender antes que o barulho perturbe o sono dela. Atendo rápido e vou para a varanda.
— O que aconteceu? – digo.
— Hey Sasuke, como vai? – Naruto grita do outro lado da linha.
Sorrio com isso.
— Bem Dobe e você? Não me diga que já está trabalhando?
— Cara, sou um profissional no que faço. Você sabe. – sua voz sai orgulhosa e divertida.
— Aconteceu alguma coisa? – pergunto observando o tempo.
Parece que o sábado vai ser de tempo fechado e muita chuva por aqui.
— Nada de mais. Liguei para informar que o Sasori desapareceu do mapa. No apartamento, os peritos encontraram algumas pegadas, impressões digitais, fios de cabelo, o de sempre.
— Não encontraram nada que indicassem sua localização? – pergunto.
— Nada Sasuke. – diz com a voz pesarosa – mas não desanime ok? Vamos pega-lo, é só uma questão de tempo.
Esse sujeito é bom, muito bom. Mas não é melhor que minha equipe. Vai nos dar um pouco de trabalho, o que será interessante.
— Tudo bem então Naruto, qualquer novidade me avise. – digo.
— Claro. E a propósito, precisa de alguma coisa?
Quando ia responder, minha visão periférica mostra Sakura. Não sei por que, mas ela está mais linda do que nunca. Seus cabelos estão presos em coque alto, deixando alguns fios rebeldes soltos. Descalça e usando apenas uma camisa e uma box minha, ela vai até a cozinha. Tão graciosa, frágil.
— Sasuke? Ainda está ai? – a voz de Naruto me desperta do transe.
— Sim. Preciso de roupas para a Sakura por favor. – digo ainda olhando para ela.
— Roupas?
— É Naruto, roupas.
— Ta legal, de que tipo?
— Qualquer tipo, só traga roupas.
— Pelo menos posso saber qual o tamanho? – pergunta.
— Hum, acho que 36, 38. – sugiro.
— Tudo bem. Até amanhã elas serão entregues. – diz.
— Obrigado. Naruto eu... – começo a dizer que transei com Sakura mas paro. Será que ele me entenderia? É melhor dizer pessoalmente.
— Pode falar Sasuke. Aconteceu algo? – sua voz sai preocupada.
— Não é nada. Amanhã nos falamos. – digo.
— Até amanhã então. – desliga.
Entro na sala e sou pego por um aroma delicioso de café fresco. Vou até a cozinha e ela está terminando de fazer o café da manhã. Sem ser visto, me sento na banqueta e assisto ela terminar de preparar o café. Sinto uma sensação de familiaridade nessa cena, como se eu já vivi isso antes. De repente ela se vira, me vê e fica paralisada. Sorrio com isso.
— Bom dia. – digo.
— B- bom dia. – gagueja. O rubor toma conta de seu rosto.
— Fazendo o café?
— Sim. Espero que esteja com fome.
— Muita fome, Haruno.
Seu rosto cora ainda mais com minha resposta e em seus olhos à brilho com um certo tom de malicia. Bom.
— Como gosta dos ovos? – pergunta ficando de costas para mim.
— Bem mexidos. – digo.
Olho para a bancada e está devidamente arrumada. Pães, manteiga, geleia, suco que parece ser de laranja e uma flor branca simples. Tudo muito bonito, dando a sensação de que estou em casa, lar. Lar. A muito não sei o que é um lar.
Com delicadeza, ela começa a me servir os ovos. Se senta de frente para mim e se serve de café, enquanto eu me sirvo de suco.
Dou uma garfada nos ovos e o sabor é incrível.
— Está muito gostoso. – digo pegando um pedaço de pão. Ela sabe cozinhar e bem.
Seu sorriso em resposta é maravilhoso, assentindo em agradecimento, ela toma seu café.
— Como se sente? – pergunto.
Ela me olha antes de responder e quase me arrependo da pergunta.
— Dolorida. – responde tímida.
— Dolorida quanto?
— Bem, para ser honesta, não tenho com o que comparar isso. – diz sarcástica.
Dou de ombros e continuo a comer. Não tomo um café da manhã tão gostoso e completo a muito tempo. Terminamos de comer em silencio enquanto a chuva cai majestosa e furiosa do lado de fora. Quando Sakura termina de comer, começo a retirar a mesa. Ela me olha sorridente, com a sobrancelha erguida.
— O que foi? – indago – Você cozinhou e eu tiro a mesa. Justo não?
— É justo. – diz se levantando e me ajudando com a louça.
Enquanto eu lavava, ela enxugava e guardava a louça no armário. Tão coisa de casal, penso. Mas depois de ontem, do que fizemos, damos um passo frente. Isso quer dizer que somos um casal? Ai que confuso. Não sei se estou pronto para iniciar um relacionamento.
Terminamos com a louça e digo a Sakura que tenho algumas coisas para resolver e vou para o escritório. Entro no cômodo, ligo as luzes e olho para os monitores nas paredes. Nada de estranho. Fico preocupado, pois já faz semanas e nada sobre o Sasori veio à tona. Nenhum endereço, número de celular, antecedentes criminais. Nada. É como se ele fosse fumaça. Mas não é isso o que mais me incomoda. Me incomoda o fato dele não ter se movido desde o dia no apartamento de Sakura. Pela minha experiência, era para ele ter tentado algo de novo, ou ter voltado a cena do crime. Só que nada disso aconteceu. Passo as mãos pelo cabelo. Droga. Quando aceitei esse caso, eu tinha em mente que seria um caso complicado, que se minha equipe o resolvesse teríamos uma promoção com certeza. Mas, sinceramente, não previa me envolver com a vítima, criar laços afetivos, morarmos juntos, muito menos ter feito sexo. Passei por cima da minha regra, do meu código de conduta e me sinto um lixo por isso. Pois no mundo em que vivo, aqueles que quebram as regras são lixo. E por tudo o que ocorreu desde então, agora eu sou um lixo.
Suspiro e ligo o mac. Entro no e-mail e vejo algumas mensagens de Kakashi, perguntando como vão as coisas, se o plano está correndo bem, etc. Respondo que sim, que está tudo sobre controle e não tem com o que se preocupar. Saio do escritório e vou até o bar na sala e me sirvo de uma boa dose de Bourbon. Vou até a parede de vidro e olho o temporal que cai lá fora. A tempestade castiga os céus, lançando sobre a terra trovoes tão fortes que faz parecer que é a própria montanha se movimentando, se lamentando. Empurro o vidro e a parede se abre. Um vento gelado bate em meu corpo, me dando boas-vindas. Olho para o lado e vejo Sakura sentada numa poltrona no deck da varanda, comtemplando o temporal.
— O que está fazendo? – digo me aproximando.
— Nada, só pensando. – diz e logo depois, beberica algo da xicara que está em sua mão.
— Hum. – digo e me sento numa poltrona ao lado dela.
Ela está linda, com os cabelos presos em um coque frouxo, vestindo uma camisa branca minha deixando suas pernas muito brancas completamente expostas ao tempo frio.
— É engraçado – começa a falar olhando para a chuva – como minha vida mudou de uma hora para outra.
Não respondo, pois, minha vida também mudou.
— Antes eu era uma estudante de medicina. Tinha uma vida simples, amigos e me dobrava para pagar as contas do mês. E agora, sou perseguida por um cara que cismou comigo e tenho que ficar escondida se eu quiser ficar viva. E ainda por cima – ela olha para mim – fizemos aquilo.
— Eu sei. – Suspiro.
Ficamos em silencio olhando a chuva cair. Não nos encaramos.
— Quer conversar sobre ontem à noite? – pergunto um pouco sem jeito.
— Tudo bem, não precisamos. – diz ainda olhando para a chuva – Não vou forçar nada que você não queira. Somos adultos, não é?
Olho para ela perplexo. Ela se vira para mim, esbarra no meu ombro e sorri.
— Eu sei que foi difícil para você ontem.
— Como sabe? – indago.
— Você fala dormindo. – sua voz sai baixa, contida.
Olho para ela perplexo. Como assim eu falo dormindo?
— Não me olhe assim. Não tenho culpa por ter acordado com você falando. – diz dando de ombros.
— O que eu disse? – pergunto com o coração a mil, já prevendo o que ela vai dizer. Não posso ter falado sobre ela, não posso ter falado.
Ela me olha com seus grandes olhos de um verde tão puro, tão incomuns que por um instante me sinto em casa, em um lar.
— Nada com que se preocupar – diz me olhando. Levantando o braço, ela retira alguns fios rebeldes de cabelo de cima dos meus olhos. – Quando estiver pronto para se abrir, eu estarei pronta para te ouvir.
Devagar, ela deita a cabeça delicadamente sobre meu ombro e segura minha mão. Seu toque é quente, é macio. Inspiro o perfume de seu cabelo e me contenho para não depositar um beijo ali, nos seus cabelos.
E ali estávamos nós. Sentados de mãos dadas vendo o mundo cair nos nossos pés. Nada do que estava acontecendo me importava, pois o que ela me disse foi tudo o que eu precisava ouvir e, estar aqui de mãos dadas com ela, sentindo seu calor foi o que bastou para a tempestade dentro de mim dar lugar a calmaria, dar lugar mesmo que um pouco que seja, a paz.
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