Anjo da Salvação

12 Capitulo 12 - O que Vem Depois


Notas iniciais
Oii amados, como foram as festas? Desculpe pela demora, estava com saudades de vcs.. Muito obrigada pelos comentários, eles estão cada vez mais maravilhosos. Tenho os melhores leitores do mundo... *_* Eu sei que disse que postaria no sabado, mas ta tão longe e eu acabei de terminar que não consegui. E tambem, vcs devem estar anciosos para ler o próximo. Mas esse foi uma exceção, vou fazer isso so dessa vez, por vcs. :* Para compensar, capitulo longo e com surpresa no final.... Boa Leitura e nos vemos nas notas finais.

O caminho até o departamento foi rápido. Sentado ao meu lado, Sasuke dirigia como um piloto de fuga pelas ruas de Kanoha. A todo momento perguntava se eu estava bem, se precisava de algo. Eu apenas balançava a cabeça. Como posso ficar bem depois de ser quase assassinada? Depois de Sasori trazer lembranças que a muito esqueci?

— Chegamos. – diz Sasuke.

Desafivelo o sinto de segurança enquanto ele dá a volta no carro e abre a porta para mim.

— Obrigada. – murmuro.

O vento gelado bate impiedoso em meu rosto, fazendo com que o corte queime ainda mais. Instintivamente levo a mão até o machucado, afagando- o com cuidado.

— Não se preocupe, vamos cuidar de você. – sua voz sai enganosamente calma, tentando ocultar sua ira.

Colocando os braços protetoramente em volta dos meus ombros, ele conduz para dentro do departamento. Uma moça com os cabelos negros vestida com um vestido muito decotado olha para nós espantada, enquanto cumprimenta Sasuke calorosamente. Franzo o cenho.

Entramos no elevador e ele aperta o botão de número 5 no painel. No espelho do elevador me assusto com meu reflexo. A palidez toma conta do meu rosto. Em minha bochecha esquerda, a marca da mão de Sasori contrasta assustadoramente com a palidez. Meu olhar se prende ao corte na bochecha, latejando pela dor. O sangue parou de escorrer, deixando apenas um filete seco. Minha roupa está suja, rasgada. Olho para minhas pernas e contenho um gemido, elas estão marcadas por diversos cortes. Fecho os olhos e a imagem de Sasori me arrastando pelo chão coberto de cacos de vidro toma conta de minha mente.

— Não pense mais anjo. — Sasuke me puxa para junto de si.

Seus braços abraçam meu corpo, num gesto protetor. Descansando a queixo em minha cabeça, ele afaga meus cabelos.

— Vai ficar tudo bem. – murmura.

Fecho os olhos e inspiro seu perfume.

As portas do elevador se abrem nos tirando do transe. Ainda com o braço ao redor de meus ombros Sasuke me conduz para fora do elevador.

Assim que saímos, um burburinho começa. Nunca pensei que o departamento estaria repleto de ANBUS num domingo à noite. No andar, vários agentes andam apressados de um lado para o outro. Nas mesas a pilhas de papeis. Todos olham para nós estupefatos. As poucas mulheres que vi, me olham com raiva e inveja.

— Não ligue para isso.

Enquanto andamos, Sasuke olha irritado para os colegas de trabalho.

— Quero Naruto na minha sala, AGORA. – ordena ele para um ANBU que passava por nós.

— Sim, senhor mais alguma coisa? – diz o jovem olhando para mim chocado.

— E chame Tsunade rápido, é uma emergência.

— Sim senhor. – o jovem sai apressado.

Paramos em frente a uma sala com paredes de vidro. Relutante, tira o braço em volta do meu corpo e abre a porta para que eu entre. A sala é espaçosa e tem uma vista incrível. No centro a uma mesa grande de vidro e ferro e atrás, um armário preto com várias gavetas toma conta da parede. Ele me conduz até um sofá de couro preto na outra extremidade da sala.

— Como se sente? – diz se sentando em cima da mesinha de centro, ficando de frente para mim.

Ergo o olhar e me deparo com um par de ônix olhando preocupadas para mim.

— Não sei.

— Está com dor?

— Um pouco.

Ele fecha os olhos e quando os abre estão repletos de angustia, arrependimento.

— Sakura, por favor me perdoe. – pega minhas mãos e aperta.

— Pelo que? – do que ele está falando?

— Se eu tivesse subido com você isso nunca teria acontecido.

Sasuke abaixa a cabeça e fita minhas mãos.

— Ei... – digo pegando seu rosto, fazendo com que ele olhe para mim – Está tudo bem, não é culpa sua.

Ele me olha perplexo. Com a palma da mão, acaricia minha bochecha devagar.

— Se eu tivesse subido, isso nunca teria acontecido – diz parando com a mão perto do corte.

— Como pode ter tanta certeza? – indago num sussurro.

Seus olhos prendem os meus. Devagar ele se aproxima de mim, ainda com olhos presos ao meus. Ele está tão próximo que posso sentir sua respiração. Seu hálito quente encosta em minha pele fria, seu perfume embriagador toma conta de mim. Nesse momento, nesse único momento, é como se existe apenas nós no mundo. Um sorriso torto surge em seus lábios perfeitos.

— Confie em mim anjo. – pede.

O torpor toma conta de nós. Ele está tão próximo que posso ouvir seu coração. Minhas pálpebras ficam pesadas, querendo a todo custo se fechar. Minha respiração sai entrecortada fazendo com que meus lábios fiquem entreabertos. Sasuke desliza a mão até meu queixo e o segura devagar.

— Você confia em mim anjo? – sua voz é macia, provocante.

Abro os olhos e encontro o par de ônix me fitando, esperando ansiosamente uma resposta.

— Confio. – digo quase num sussurro.

Eu confio por que é a verdade, confio nele com minha vida. Seu sorriso aumenta ainda mais, fazendo meu coração falhar uma batida. Como esse homem meche tanto comigo? Como ele me deixa assim, fora de controle, fora de mim. Sasuke se aproxima ainda mais. Sua outra mão sobe devagar por meu pescoço, indo em direção a minha nuca. Está quase lá, quase lá. Só mais um pouco. Estou pronta.

— SASUKE.

Um grito acaba com o momento. Sasuke se afasta de mim bruscamente e se levanta. Droga.

Naruto invade a sala e se assusta ao me ver sentada no sofá.

— Que porra, o que aconteceu?

Ele passa por Sasuke e rapidamente se ajoelha na minha frente. Seus grandes olhos azuis me avaliam da cabeça aos pés.

— Sakura – chan, o que aconteceu com você?

Olho para Sasuke e ele está fuzilando Naruto com o olhar.

— Sasori, ele...

— Sasori atacou ela. – interrompe Sasuke se ajoelhando na minha frente.

— Como aconteceu? – pergunta Naruto incrédulo.

— Ele estava me esperando no meu apartamento. – digo.

— Filho da puta.

— É, já mandei uma unidade para prédio. – diz Sasuke assumindo o ANBU que é.

— Ele machucou muito você Sakura – chan?

— Não. – ele estende o braço para afagar meu rosto mas antes que ele tocasse minha pele, Sasuke agarra o braço dele.

Que isso?

Pisco algumas vezes. Naruto olha para Sasuke com um sorriso irônico nos lábios, arqueando as sobrancelhas. Sasuke olha para Naruto feito um falcão, olhos entreabertos e ameaçadores, a boca contraída formando uma linha rígida, impassível. Pigarreio. Naruto estende os braços como forma de “não vou tocar nela” e Sasuke relaxa.

— Somos o centro das atenções. – diz Naruto olhando para a parede de vidro atrás de mim.

Sasuke e eu olhamos para a parede e no mesmo instante, coro violentamente. Praticamente todo o departamento parou de fazer sei lá o que para nos observar. Olho para minhas mãos e mordo o lábio.

— Tsc. – Sasuke revira os olhos e se levanta indo em direção a porta.

Naruto se senta ao meu lado não conseguindo disfarçar o divertimento.

— Ligue pra Kakashi. – ordena Sasuke.

Naruto pega o celular do bolso do terno e se levantando, liga pro tal Kakashi. Sasuke vai até o armário e de lá tira uma manta. Com cuidado a enrola no meu corpo.

— Melhor?

— Sim, obrigada.

— Mandou me chamar Sasuke? Fala uma mulher loira entrando apressada na sala com uma maleta de medicamentos nas mãos.

— Tsunade, que bom que veio rápido. – diz Sasuke indo ao encontro da mulher.

— Vim assim que chamou. O que é a emergência?

Ela olha para mim e se assusta. Minha aparência devia estar pior do que eu pensava.

— Meu Deus, querida o que houve? – pergunta preocupada se aproximando de mim.

— Foi Sasori. – diz Naruto sentando perto de mim.

— Fique calma, eu vou cuidar de você. – seus grandes olhos castanhos avaliam meus machucados cuidadosamente.

Olho com receio para Sasuke, pois não conheço essa mulher. Ele parece entender meu olhar e se aproxima.

— Tsunade é a melhor medica da ANBU, não se preocupe. – sua voz sai calma e me tranquiliza.

Solto o ar, não percebi que estava prendendo. Balanço a cabeça concordando. Sakura pare de bobagem.

— Pode tirar a manta? – pergunta ela em tom profissional.

— Claro. – minha voz sai fraca.

Tiro a manta devagar e a coloco no sofá. Tsunade pede que eu levante os braços, depois para que eu mexa com as pernas.

— Sente dor? – pergunta olhando cuidadosamente cada movimento que eu faço.

— Um pouco.

Ela se levanta e pega meu braço. De dentro da maleta, tira um frasco com não sei bem o que é, mas acho que é um gel. Com delicadeza, aplica o gel na minha pele e a massageia com movimentos circulares. Ela é habilidosa, muito habilidosa. Seus olhos castanhos não deixam nada escapar.

— Isso vai melhorar a dor. – afirma concentrada.

— Como ela está, Tsunade? – pergunta Sasuke.

— Aparentemente não a fratura, só algumas escoriações no braço e nas pernas.

Sasuke relaxa depois das palavras de Tsunade. Pega o celular e vai para a outra extremidade da sala.

— Vamos cuidar do seu rosto agora. – diz guardando o gel.

Abrindo a maleta, ela coloca as luvas. Pega o vidro de éter e coloca um pouco num chumaço de algodão. Quando ela se aproxima de mim, recuo.

— Isso vai arder só um pouquinho. – me tranquiliza.

Olho para Sasuke assustada. Ele larga o telefone e se aproxima de mim, pegando minha mão. Tsunade limpa cuidadosamente o corte no meu rosto e, quando aplica o éter, meu ferimento queima. Num reflexo aperto com força a mão de Sasuke. Nossa como isso arde.

— Tsunade. – chama.

Ela dá um sorriso de canto e continua cuidando dos meus ferimentos com muito cuidado.

— Bom, não vamos precisar dar pontos no corte. – diz com a voz doce. Tira da maleta esparadrapo, pomada e uma gaze.

— Passe essa pomada todos os dias, assim o ferimento não deixará cicatriz. – ela me estende a pomada, mas Sasuke a pega e guarda no bolso da calça. Faz um curativo e coloca com leveza sobre o corte.

— Estenda as pernas no sofá, por favor. – pede.

Assim como pediu, me sento no sofá com as pernas estendidas. Sasuke e Naruto me ajudam. Os cortes começaram a cicatrizar e, os hematomas começaram a ficar violeta.

Como fez no meu rosto, Tsunade pega vários chumaços de algodão, colocar éter e limpa os ferimentos, depois enfaixa minha pele.

— Pronto querida. – sua voz é suave. Guardando o restante do material na maleta, se levanta.

Ela vai ao encontro de Sasuke. Olho fascinada para a mulher, não só por sua beleza mas pelo modo de como ela cuidou de mim. Desço o olhar até minhas pernas, e vejo que estão enfaixadas até as coxas. Estou como uma múmia enfaixada pela metade.

— Quer deitar um pouco? – pergunta Naruto. Sua voz sai doce e delicada, muito diferente da qual estou acostumada.

— Não obrigada, assim está bom. – murmuro.

Ele pega minhas mãos e aperta devagar. Seus olhos prendem os meus, é como se eu mergulhasse no mar em Cabo, o mais azul dos mares azuis. Diferente dos olhos de Sasuke, o de Naruto me traz calma, serenidade. Sorrio com carinho para ele e aperto minhas mãos nas suas.

— Muito obrigada, por tudo. – digo, pois sinto que seremos bons amigos, amigos e nada mais.

Sou recompensada com um sorriso maravilhoso, que iluminou seu rosto. Hinata tem sorte por ter Naruto ao seu lado. Eles formam um belo casal.

— Não tem o que agradecer, Sakura – chan.

— Atrapalho? – indaga Sasuke. Sua expressão é impassível neutra, mas seu olhar revela como se sente de verdade. Seu par de ônix nos olha com um brilho frio, intimidador. Engulo em seco.

— Não, só estava conversando com a Sakura – chan.

— Entendo. – ele sorri, mas o sorriso não alcança seus olhos.

A temperatura na sala está subindo, ou talvez seja só a minha. Nervosa olho de Sasuke para Naruto. Tento retirar minhas mãos das de Naruto mas ele me impede. Franzo o cenho pois não estou entendendo nada. Naruto me lança um sorriso presunçoso e logo percebo o que está acontecendo: ele está provocando o Uchiha.

Olho para Sasuke e vejo uma sombra passar em seus olhos. Ele muda de posição, apoiando o peso do corpo na outra perna. Naruto o encara, com os olhos brilhando de provocação e eu, apenas observo o concurso de quem mija mais longe. Como que por um milagre, Naruto desvia o olhar e se levanta, soltando minha mão. Sasuke continua impassível, frio.

— Desculpem a demora. – entra dizendo um homem com uma máscara no rosto.

— Que porra Kakashi, não disseram que era urgente? – Sasuke diz irritado.

Todos na sala olhamos assustados para Sasuke. Ele está irritadiço, olhando para Kakashi com aquele olhar fulminante.

— Gomem. – o homem levanta as mãos em pedido de desculpa.

— Calma Sasuke. – Naruto bate no ombro do Uchiha.

Exasperado ele passa as mãos nos cabelos revoltos. O tal Kakashi percebe minha presença e pergunta quem sou.

— Haruno Sakura. – digo contida.

— Prazer, Hatake Kakashi. Diretor do setor Investigações e Operações Táticas da ANBU.

Arregalo os olhos. Ele é o chefe do Sasuke, mas não aparenta ter a idade que pensem que tivesse. Seu corpo é robusto, atlético. Alto e grande parte de seu rosto está coberto por uma máscara negra. Seu olhar é calmo, doce e o cabelo grisalho complementa o ar de militar que emana dele.

— A senhorita se importaria se a deixarmos por uns minutos? – pergunta gentilmente. – Mandarei alguém ficar e lhe fazer companhia.

— Não, de forma alguma.

Ele sorri e pede para que os rapazes o sigam para fora da sala. Naruto o segue, mas não antes de lançar uma piscadela para mim. Sasuke revira os olhos para o loiro e, se aproxima de mim.

— Eu já volto. – sussurra.

— Tudo bem.

E assim, ele sai me deixando sozinha na sala de vidro, ficando apenas eu e os olhares curiosos dos ANBUS do lado de fora.

POV SASUKE

Fora da minha sala, o departamento estava um alvoroço. Praticamente todos os ANBUS me olhavam. Merda. Cerro os punhos e sigo Kakashi até a sala de reuniões.

— Nervoso Teme? – indaga Naruto, com um sorriso irônico no rosto.

Cerro o maxilar e continuo seguindo Kakashi. O que diabos Naruto estava conversando com a Sakura? Ele tinha que ficar tão próximo? E até pegar nas mãos delas.

Entramos na sala e me deparo com Neji e Shikamaru a nossa espera.

— Espero que seja importante. – começa Shikamaru.

— É importante sim. – diz Naruto se sentando ao meu lado.

— Bom Sasuke, pode começar.

— Sasori atacou de novo.

Neji e Shikamaru ficam pálidos e olham para mim. Não conseguimos pega – ló antes dele fazer mais um movimento. Isso me deixa puto de raiva.

— Vítima fatal? – Neji quebra o silencio.

— Felizmente não. – digo.

— Ela está na sala de Sasuke. – Naruto fala com uma risadinha irritante.

— Na sala de Sasuke? – indaga Shikamaru com os olhos curiosos.

— É, na sala de Sasuke. – Naruto pisca para Shikamaru.

Que porra é essa? Naruto tirou o dia para me irritar?

— Quem foi a vítima?

— Haruno Sakura. – digo sério.

— Ela está muito machucada. – acrescenta Naruto.

Fecho os olhos e me lembro de quando salvei Sakura. Ela estava caída, frágil. O corpo estava preso por Sasori, que a olhava como um caçador que conseguiu abater sua presa. Seu rosto sangrava, suas pernas arranhadas. Rapidamente saco minha arma, Desert Eagle 44 e disparo em Sasori, mas o filho da puta conseguiu fugir, pulando a janela. Corro até ela e a tomo nos braços, abraçando-a forte.

— O que vamos fazer Kakashi? – a voz de Naruto me traz de volta.

— Temos que protege – lá, isso é fato. Pois Sasori vai voltar para terminar o serviço. – diz olhando para mim.

— Para a casa ela não pode voltar, está tudo destruído. – digo chamando a atenção deles para mim.

Shikamaru fica o tempo todo calado, com certeza formulando um plano, pois ele é nosso melhor estrategista.

— Ela pode ir pra minha. – sugere Naruto com um sorriso sacana no rosto.

Que? Fuzilo Naruto com um olhar paralisante que o faz engolir em seco.

— Creio que na sua casa ela não ficaria tão segura, Naruto. – responde Kakashi.

— Temos que deixar alguém tomando conta dela. – sugere Shikamaru, com o olhar sério. – Pois Sasori irá voltar e não podemos correr o risco que ele faça uma nova vítima.

— Tomando conta onde? O apartamento, como Sasuke disse está revirado. – observa Naruto.

— Vamos arranjar uma casa fora do centro, num bairro mais afastado.

— Não podemos, pois os custos serão muito altos e não podemos deixar um esquadrão tomando conta dela. – enfatiza Kakashi.

Espera, acho que não ouvi direito. Os custos serão muito altos para proteger a vítima de um serial Killer? Olho para Kakashi incrédulo. Somos ANBUS porra, nosso trabalho é proteger a população.

— Não me olhe assim Sasuke, você sabe que estou certo.

— E se algum de nós tomasse conta dela? Pois somos muito bons em campo e não precisamos de muito apoio tático. – diz Naruto.

— Concordo, mas quem poderia ficar com ela? – indaga Neji – pois estamos atolados de trabalho aqui no departamento.

— Que tal o Sasuke?

O que? Isso está ficando cada vez melhor, porra.

— Por que eu? – pergunto ríspido.

Naruto quer foder comigo hoje, só pode. Eu servir de babá da Haruno. Passo a mão no cabelo, numa vaga tentativa de conter minha irritação.

— Você tem uma casa no campo e é o melhor de nós com armas, luta corporal. É discreto, se adapta com facilidade. Você é perfeito para essa missão. – diz Naruto sério.

Isso é verdade. Sou ótimo em combate tanto armado quanto luta corporal. Mas onde ele quer chegar com isso?

— Ótimo, então está decidido. Sasuke você será o guardião da Haruno. Vou mandar um esquadrão até sua casa para fazer uma averiguação. – diz Kakashi se levantando. — Naruto e Shikamaru vão lhe dar todo o suporte necessário para termos sucesso nessa missão.

— Mas...

— Sem “mas” Uchiha, isso é uma ordem. – diz ríspido, virando – se para mim.

Que ótimo, agora serei baba de uma menina com cabelos rosados. Estou tão frustrado que nem consigo disfarçar.

— Você dará conta Sasuke, tenho certeza disso. – a voz de Kakashi sai calma, quase até carinhosa enquanto dava um tapinha em meus ombros.

Eu apenas concordo com a cabeça. O que mais eu posso fazer? Ele é meu chefe. Passo a mão no cabelo, tirando a franja de cima dos meus olhos. Preciso cortar, está ficando grande.

Assim que Kakashi sai da sala, as piadinhas começam.

— Qual é Sasuke, a Haruno é uma gata. – Shikamaru começa o assunto.

— Pensei que estava com a Yamanaka? – Cara, você é irritante.

— E estou, mas não posso fechar meus olhos diante duma beldade que é a Haruno.

Encaro Shikamaru. Como esse filho da puta fala uma coisa dessas? Ele está com a Yamanaka, cretino.

— Ele tem razão Sasuke, — ai, lá vem Naruto com comentários desnecessários. – a Sakura – chan é uma maravilha. Eu no seu lugar, estaria dando pulos de alegria.

— É Uchiha, você vai ficar 24h por dia com ela. Você está entendendo onde quero chegar? – Shikamaru faz aspas no ar.

Reviro os olhos, o pouco de humor que tinha foi embora. Mas pensando com o ponto de vista de Shikamaru, não vai ser tão ruim assim, vai?

É claro que não, a não ser que queira passar por aquele inferno novamente.

Não, aquilo de novo não.

— Vocês são irritantes pra caralho. – digo e sai da sala.

Tenho que contar a novidade a Sakura, já que Kakashi foi embora. Uchiha, Uchiha, onde você está se metendo.

— Sasuke.

A voz estridente de Naruto ecoa no corredor. Agora não estou com paciência pra você. O ignoro e continuo indo em direção a minha sala.

— Sasuke espera. – diz ofegante, parando na minha frente com as mãos nos joelhos.

— O que foi. – digo ríspido.

— Cara, para de bobagem. Não precisa ficar assim.

— Não? – o fuzilo com os olhos, para intimidá-lo.

— Olha se está com raiva por causa de mais cedo, eu posso explicar. – diz estendendo o braço para que eu pare de andar.

Faça ele falar Uchiha.

— Desembucha.

— Eu fiz aquilo mais cedo para provocar ciúmes em você.

Ciúmes? Franzo o cenho. Naruto sorri, e é um sorriso do tipo “Alcancei o Nirvana”.

— Por que eu sei que você gosta dela Sasuke, só não quer admitir.

As palavras dele são como um tapa na cara. Eu não posso gostar dela, não posso sentir nada por ela. Mas eu gosto e aceitar isso é mais doloroso só que ele pensa.

— Não gosto dela. – digo secamente.

Naruto cruza os braços e me lança um olhar do tipo “não sou idiota”.

— Você gosta dela. – afirma convicto. Ao dizer ele ergue a sobrancelha loira para mim com um olhar que transmite censura. Ele está deliberadamente tentando me irritar? Minha irritação aumenta.

Algo me chama a atenção na minha visão periférica. Viro o corpo e vejo Sakura, em pé diante da parede de vidro olhando o horizonte enrolada na manta que lhe dei. Seu olhar está distante, ferido. De repente, uma sensação estranha toma conta do meu peito. Uma vontade incontrolável de protegê-la, de tomá-la para mim. Será amor? Não sei dizer.

— Eu não sei o que sinto por ela Naruto, mas é algo forte. – murmuro quando sinto a presença de Naruto ao meu lado. Ele está olhando para ela também.

— Então se entregue Sasuke.

— Me entregar para eu passar por aquele inferno novamente. Não Dobe, não me peça isso.

— Você tem medo. – as palavras saem como facas reabrindo as feridas.

— O medo que me protege de sentir aquela dor. – afirmo.

— Creio que as memorias são seu pior inimigo.

Sorrio ladino. Mas é um sorriso sem emoção.

— Se de mais uma chance Sasuke, de mais uma chance ao seu coração. – sua voz sai baixa quando ele coloca a mão no meu ombro.

— E você acha que esse é o momento? – indago olhando para Sakura.

Naruto sorri como se recordasse de uma lembrança feliz. Seus olhos suavizaram, e o azul ficou mais intenso, mais vivo.

— É o momento perfeito Teme.

Notas finais
E ai, o que acharam? Tivemos momento NaruSaku, SasuSaku