Anjo Protetor
3 Perdido
Notas iniciais
*POV EDWARD*
Sentado na bancada da cozinha, com uma taça de vinho nas mãos, pensava em como minha vida ia mudar daqui pra frente. Isabella estava dormindo nesse momento, no quarto de hóspedes que agora seria seu.
Era estranho ter outra pessoa morando aqui, nem mesmo Tanya que eu namorei por quase um ano, passou muito tempo por aqui, eu gostava de privacidade e sempre deixei isso bem claro pra ela. Tivemos discursões por causa disso, a última foi a que causou o fim do nosso namoro, quando faltava um mês pra completar um ano de namoro, Tanya sugeriu que ficássemos noivos e que viesse morar aqui. Eu gostava dela, mas nunca a amei. Então eu terminei com ela, não queria iludi-la, eu realmente achei que pudesse ama-la, mas em todos esses meses de namoro pra mim nunca passou de uma simples atração, desejo, nada mais que isso. Eu sempre fui fiel apesar de tudo, ela não merecia que a traísse, na verdade ninguém merece, traição é uma coisa que eu não tolero. Dois meses depois ela ainda insistia para voltarmos, mas eu não queria continuar com um relacionamento que eu sei que não tem futuro.
Mas e agora? Eu conseguiria viver normalmente com uma mulher vivendo aqui? Uma mulher… Fiquei muito surpreso quando cheguei a Seattle no dia do velório do tio Charlie e da tia Renée, eu esperava encontrar uma adolescente, mas na verdade quem eu encontrei foi uma linda mulher, ela só tinha dezessete anos, mas aparentava ter dezenove ou vinte. Sua pele era como porcelana, os olhos eram de um chocolate derretido hipnotizante, os cabelos lisos levemente ondulados cor mogno caiam até a cintura, seu corpo tinha curvas na medida certa pra mim.
– Você não deveria esta pensando nela dessa forma Edward! — Falei comigo mesmo. Depois tomei um gole do meu vinho.
Mas era impossível não pensar, ela era apenas um ano mais velha que a minha irmã Alice, mas eu não consegui comparar as duas, pra mim Alice era uma criança. Isabella era diferente, a única coisa que me lembrava duma criança nela era a inocência em seus olhos.
Lembro-me de ficar sem reação quando a vi, era um momento triste com certeza, pessoas que eu amava muito tinham partido de uma forma cruel. Se foi triste pra mim imagino como foi pra ela, perder sua família dessa forma. E ainda como se não bastasse, ser obrigada a morar com um estranho em outro país.
Eu não sei o que seria de mim se perdesse minha família, eu nem sempre a tive completa, mas graças a Deus meus pais se reencontraram e hoje vivem felizes. Tenho duas irmãs, minha irmã Rosalie que é dois anos mais velha que eu, ela é minha irmã só por parte de pai, quando meus pais se conheceram ele tinha ficado viúvo recentemente, sua esposa tinha morrido no parto de Rosalie, por isso demoraram pra se reencontrar, ele era novo e tinha uma filha pequena pra cuidar. Lembro-me de quando vim morar em Londres, viemos para casa dos meus tios, eles tinham um filho três anos mais velho que eu, Emmett. Dois meses depois de nos mudarmos minha mãe reencontrou meu pai, Rosalie tinha sete anos na época e eu cinco, meu pai era médico e tinha uma clinica em Londres, logo que a minha mãe contou sobre mim, ele ficou feliz ao saber que tinha um filho, e eles formaram uma família, dois anos depois, minha irmã Alice nasceu.
Mesmo com uma família grande, nunca esqueci o que Charlie fez por mim e pela minha mãe. Eu sempre desejei poder retribuir o que ele fez pra gente.
Mas nunca imaginei que iria ser desta forma. Lembro-me da ligação de seu advogado.
# FLASH BACK ON#
Fechei a porta do meu apartamento e me recostei na mesma. Tanya tinha acabado de sair daqui, não aguentava mais essa insistência dela! Já fazia dois meses que terminamos, mas ela ainda não aceitava o fato. Eu não sabia mais o que fazer.
Foi quando meu telefone tocou. Levei a mão no bolso para pegar o aparelho e atendi.
– Alô.
– Sr. Edward Cullen?- uma voz masculina desconhecida perguntou.
– Sim, sou eu.
– Sr. Cullen aqui quem fala é Mark Tanner, sou advogado de Charlie Swan. — estranho, por que o advogado do tio Charlie me ligaria? — Sinto lhe dizer mais não tenho noticias muito agradáveis.
– Noticias? Não estou entendendo. Do que se trata Sr. Tanner? — estava começando a ficar preocupado. Será que aconteceu alguma coisa com o meu padrinho?
– Sr. Cullen eu lamento muito ter que lhe dar essa noticia, mais ontem o Senhor e a Sra. Swan sofreram um acidente de transito em Seattle. — acidente?
– Eles estão bem? — senti um aperto no peito. O advogado demorou pra me responder. E eu preferia que ele não tivesse respondido.
– Sinto muito, mas eles não resistiram. — nesse momento eu senti o sangue fugir do meu rosto, como assim não resistiram? Não pode ser verdade. Tinha falado com Charlie ontem a noite ele disse que estava bem, estava até planejando uma visita. Não pode ser verdade.
– Sr. Cullen? Sr. Cullen? Ainda esta ai? — percebi que o advogado ainda estava na linha e falava comigo.
– Sim. Estou aqui. — não estava conseguindo pensar direito. Ele era como um pai pra mim e eu sempre me dei bem com a sua esposa também. Eles não mereciam isso. Não consegui seguraras lagrimas.
– Sr. Cullen sei que o momento é delicado, mas tenho assuntos a tratar com senhor.
– Assuntos?
– Sim. Como o senhor deve saber eles não tinham parentes além da filha e você é o único afilhado dele, portanto é o mais próximo de um parente. Acontece que eles deixaram uma filha de dezessete anos e como ela é menor de idade, precisa que alguém se responsabilize por ela até completar dezoito anos. — eu não estava com meus pensamentos em ordem ainda, não conseguia saber onde ele queria chegar — O meu cliente deixou especificado em testamento que se alguma coisa acontecesse a ele ou a esposa, o senhor deveria ser nomeado como tutor da menina.
O que? Eu realmente ouvi direito? Meu padrinho morreu e eu teria que cuidar de uma criança? Não. Isso só pode ser um sonho, daqui a pouco eu vou acordar e tudo vai passar. Meu Deus como eu iria cuidar de uma criança?! E eu nunca mais ia ver meu padrinho, ou a tia Reneé. Meu Deus! Isso não podia ser verdade!
# FLASH BACK OFF #
E foi assim.
Horas depois embarquei num avião pra Seattle. Ainda estava muito abalado com o que havia acontecido. E agora aqui estou eu, pensando em como será minha vida nos próximos meses.
Terei que conviver com uma menina linda, que eu mal conheço e que esta passando por um momento muito difícil. Não sabia nem por onde começar a puxar uma conversa com ela, eu ainda estava muito abalado, e seus olhos tão tristes me deixavam pior que eu já estava. Eu queria poder tirar toda a dor que ela estava sentindo. Era estranho ter esse sentimento, eu mal a conhecia, mas dentro de mim cresceu uma imensa vontade de protegê-la. Foi por isso que eu aceitei cuidar dela, eu devia isso ao Charlie, mas quando a vi abrir a porta pra mim dois dias atrás percebi que jamais poderia deixa-la desprotegida.
Eu não sei o que vou fazer agora. Mas com certeza as coisas seriam diferentes.
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