Anjo Protetor
10 Acredita em anjo?
Notas iniciais
*POV EDWARD*
Acho que nunca estive tão confuso na vida, na minha cabeça vários pensamento, no meu coração vários sentimentos…
Estava sentado no sofá da sala de TV da casa dos meus pais, na companhia do meu pai e de Emmett, estávamos assistindo um jogo amistoso de futebol entre Inglaterra e EUA, a seleção dos EUA estava ganhando a seleção Inglesa por 2x0. E eu deveria estar zoando o Emm já que apesar de morar praticamente a minha vida toda aqui em Londres e ser filho de britânicos eu sempre tive orgulho de ser americano, claro que esse tempo todo morando aqui me fez ter sim sotaque britânico e meu inglês tinha as pequenas diferenças do inglês americano, mas eu fazia questão de dizer que era americano, e por isso toda vez que as duas seleções se enfrentavam eu e Emmett travávamos aquela batalha típica de homem quando o assunto era futebol, mas hoje eu não estava no clima. Eu fico me perguntando por que não pensei sobre isso antes, o porquê do meu padrinho ter deixado a guarda de Bella pra mim e não para meus pais, isso seria a decisão obvia a se tomar não? Meus pais criaram três filhos, ainda criam uma quase da idade de Bella não seria o certo ele pensar em deixar ele sobre o cuidado dos meus pais ao invés de mim? Que sou solteiro, moro sozinho e não tenho nenhuma experiência em cuidar de adolescentes, ainda mais uma mulher como a Bella, por mais que eu tente não consigo vê-la com os mesmos olhos que enxergo a Alice ou as outras colegas dela que conheci. E isso me atormenta me sinto culpado por ter certos pensamentos em relação a ela, como aconteceu varias vezes durante a ultima noite e essa manhã, era inexplicável a sensação de tê-la em meus braços, mas isso não era certo eu não deveria estar pensando assim, não deveria ter certas reações como esta manhã quando eu perguntei a ela se ela tinha algum namorado, eu fiquei feliz quando ela disse que não e também fiquei aborrecido em pensar que ela poderia ter alguém e também tinha essa conversa que eu tive com a Vic essa tarde que não saia da minha cabeça e me deu ainda mais no que pensar.
# FLASH BACK ON #
Eu estava triste por ter que sair de casa e deixar a Bella sozinha lá, na verdade eu estava triste por não poder passar vinte e quatro horas por dia com ela. Eu estava no meu restaurante, infelizmente eu tive que vir aqui hoje, tinha umas receitas novas para passar para meus funcionários e o Emmett não poderia vir fazer isso por mim, ele já tinha dito que passaria à tarde com a Rose. O restaurante permanecia aberto o dia todo não é como alguns que só abrem na hora das refeições, quando abri o Mixing Flavors com o Emmett nós decidimos que seria um restaurante diferente dos outros e com a ajuda da minha mãe que é uma excelente arquiteta e decoradora conseguimos fazer um lugar com vários ambientes, tinha a área mais informal que era uma espécie de confeitaria; a área mais luxuosa perfeita pra jantares românticos, onde tinha música ao vivo todo final de semana; a área na entrada do restaurante que dá acesso a todas as outra é um meio termo, nem muito formal nem muito informal, um local perfeito para um almoço de negócios; existia também a área dos rodízios onde tinha rodízios de massas e churrasco; e por ultimo os jardins de inverno que eram meu local preferido no restaurante eles estavam espalhados por todos os ambientes do restaurante, perfeitos para uma comemoração particular ou uma conversa mais intima. Além dos ambientes diferentes apostávamos em cardápios variados, servíamos todo tipo de comida, das mais rebuscadas como da culinária francesa á uma simples pizza de mussarela. Apostamos muito alto, mas graças a Deus o restaurante ficou muito conhecido em pouco tempo e dá muito lucro, e não tem nem um ano que o abrimos. E isso me deixava muito orgulhoso. Não consegui evitar o sorrisinho com a sensação de sonho realizado.
— Posso saber o motivo desse sorrisinho? — nem percebi que a Vic estava atrás de mim.
— Estava pensando no restaurante, em como é bom realizar nosso sonho. — respondi.
— Hum, é bom lutar por uma coisa e conseguir no final, só espero conseguir realizar o meu sonho como você consegui realizar o seu. — ela disse com um sorriso e com olhar distante.
— Posso saber que sonho é esse, senhorita? — perguntei rindo, não sabia que ela tinha algum sonho em especial, que espécie de melhor amigo sou eu? Quase nem dou mais atenção pra ela, milagre ela não reclamar até agora.
— Nada de importante meu amigo. Vem, vamos tomar um chá comigo, você não tem me dado muita atenção ultimamente. — disse me puxando pela mão em direção à área da confeitaria. Eu não disse, estava demorando pra ela reclamar!
Sentamos numa mesa e eu fiz sinal para que Dulce uma garçonete espanhola que trabalhava nessa parte do restaurante viesse nos servir, ela trouxe chá e leite pra gente e alguns croissants, era o que costumávamos comer sempre.
— Mas alguma coisa Edward? — ela me perguntou. Eu fazia questão que todos os funcionários me chamassem pelo nome e o Emm também.
— Não Dulce, obrigado. — eu disse e ela saiu em direção à outra mesa.
— Por que não veio pra cá hoje de manhã como todos os dias? — a Vic perguntou enquanto passava geleia em um croissant.
— A Bella teve um pesadelo essa noite e ficou com medo de ficar sozinha. — respondi. Ela riu.
— Nossa… e você não veio pra não deixa-la sozinha? — ela perguntou meio desacreditada.
— Sim.
— Nossa Edward… Quem te viu quem te ver em?! — ele disse sorrindo. — Só falta você dizer que botou ela pra dormir na sua cama e ficou velando o sono dela a madrugada toda pronto para acorda-la caso visse algum indicio de que ela estava tendo outro sonho ruim.
— Foi exatamente o que eu fiz. — disse simplesmente. Ela me olhou incrédula. Eu ri.
— Não to acreditando no que eu to ouvindo. — ela riu. — Nossa você tá me saindo um paizão em Edward! Meu sorriso morreu na hora.
— Vic eu não tenho idade pra ser pai dela! São só seis anos de diferença. — eu odiava quando me lembravam de que eu era tutor da Bella, quando me comparavam com uma figura paterna ou coisa do tipo.
— Desculpa amigo eu não quis te chamar de velho. — ela disse tentando conter o riso. — Mas já posso até imaginar a cena… você sentado no sofá do seu apartamento enquanto ela te apresenta o namorado, e depois você vai ter que ficar vigiando os dois como o pai dela faria, para o garoto manter as mãos bobas dele longe. — ela gargalhou. A Bella me apresentar o namorado… eu ter que olhar enquanto outro a toca, a beija… Não! Isso nunca vai acontecer só eu podia tocar nela, abraça-la, ela só podia dormir na minha cama, comigo a protegendo. Nenhum outro cara vai tocar nela eu não vou deixar. Ninguém nunca vai toca na minha Bella.
— Para de falar besteira Victória! A Bella não pensa em namorar, ela é muito nova pra se envolver com alguém. — eu falei convicto.
— Ah… fala sério Edward! Vai me dizer que se a menina quiser namorar você vai proibir? — ela perguntou agora confusa pela minha reação. Eu pensei.
— É exatamente isso que eu vou fazer. — disse firme. Ela ficou sem entender a minha resposta. — É o que o pai dela faria. — completei usando as palavras que ela usou instantes atrás.
— Mas você mesmo disse que não tem idade pra ser o pai dela, que você é jovem e tal, então aja como um velho careta. E não empate a vida da menina. — ela me recriminou. — E também se ela conhecer alguém pode até sair mais cedo da sua casa, sei lá... — eu a olhei incrédulo.
— Vic às vezes você esquece o motivo dela morar na minha casa, ela é menor, não pode morar sozinho e com ninguém que não seja eu o… tutor dela. — minha cabeça estava confusa, tinha vezes que eu não queria ser o tutor dela, não que eu não quisesse cuidar dela, mas queria cuidar dela de outra forma como… como… um namorado cuida talvez. Eu não podia ficar pensando assim, resolvi encerrar o assunto e voltar pra casa. — Vic a conversa tá muito boa mais eu tenho que ir jantar na casa dos meus pais.
— Tudo bem Edward. Mas pense no que eu te falei, deixe a menina viver, ela não é sua…
# FLASH BACK OFF #
Fiquei repassando mil vezes a conversa na minha cabeça, tentando encontrar sentido no que eu sentia. Ela não é sua… Ela não é sua… Ela não é sua… Ela não é minha… Eu queria que fosse, mas eu não deveria querer, eu não podia querer. Mas já era tarde demais, no momento que ela abriu a porta pra mim naquele dia triste lá em Seattle eu senti uma coisa diferente, algo como a gravidade que me impulsionava a ficar perto dela, querer cuidar dela; senti uma ligação muito forte que eu não entendia, eu tinha sentimentos por ela que eu não deveria sentir; que eu tentava não pensar, eu sentia e prendia isso tudo dentro de mim, como se eu tivesse levantado um muro que me impedia de enxergar, mas agora ele ruiu e finalmente admiti pra mim mesmo o que estou sentindo… E eu estou completamente apaixonado por ela.
Agora que a ficha caiu eu estava completamente perdido, não sabia o que fazer a respeito disso. Na verdade eu não podia fazer nada, eu era tutor dela e nós nunca poderíamos ficar juntos, o que ela diria de mim se soubesse o que eu estou sentindo? Eu tinha o dever de protegê-la, mas no momento eu era o perigo, não que eu fosse fazer mal a ela ou algo do tipo, jamais faria qualquer coisa contra ela, mas se por algum milagre ela me correspondesse, nós não poderíamos ficar juntos, todos iam julga-la, e ela é tão nova, tão pura… isso poderia fazê-la sofrer, e eu nunca a deixaria sofrer, nem se a minha felicidade dependesse disso.
— Eu acho que ele tá sentindo alguma coisa. — a voz do Emmett me tirou dos meus pensamentos. Eu olhei pra ele.
— Edward meu filho esta tudo bem? — meu pai perguntou.
— É… sim. — eu ainda estava meio zonzo com a minha descoberta. — Por que não estaria? — perguntei.
— Por que sua seleção perdeu de virada e você não falou nada o tempo todo, não xingou, não disse que o juiz roubou nem nada… — o Emmett logo se apressou em dizer.
— Como assim perdeu de virada? — eu perguntei, eu me desliguei completamente do jogo.
— Onde você estava com a cabeça mano? — Emmett perguntou fazendo uma cara de concentração, depois de um tempo seu rosto se iluminou como se ele tivesse descoberto o fogo. — Já sei! Você estava pensando na mesma pessoa que fez você cortar o dedo ontem no restaurante e desperdiçar água. E eu até acho que sei quem é!
— O que? Ele tá de namorada nova e nem me contou? — perguntou o meu pai. — Quem é ela Edward?
— Não tem mulher nenhuma pai, é maluquice da cabeça do Emmett. — respondi.
— Tem sim tio ele só não quer abri o jogo! — lancei um olhar assassino pro Emmett.
— Já esta ficando tarde, é melhor eu ir pra casa, a Bella tem que acordar cedo pra escola amanhã. — eu disse e me levantei indo em direção à sala onde as meninas estavam.
— … eu sou apenas formada em psicologia, mas não exerço a profissão. — ao entrarmos na sala ouvimos a Rose terminar de falar alguma coisa.
— Na verdade ela exerce sim, com a Alice a ouvindo tagarelando por horas e horas sobre seus problemas imaginários. — o Emmett disse entrando na sala.
— Idiota! — a Alice saiu correndo atrás do Emmett. Esses dois brigavam como cão e gato. Mas se amavam, as vezes eu ficava até com ciúmes Emmett era mais apegado a Alice do que eu, eu amava a Alice e a Rose de forma igual, porem eu era mais apegado com a Rose, acho que por causa da idade.
— Crianças se vocês quebrarem alguma coisa… — minha mãe saiu correndo atrás deles para não quebrarem a casa, como já fizeram muitas vezes. Olhar pra Bella agora era diferente, eu agora a olhava como um homem olha pra sua amada. Mas eu não podia deixa-la perceber nenhuma diferença.
— Acho que esta na hora de irmos pra casa. — ela estava distraída e nem percebeu a minha aproximação.
— Ah claro. Vamos nos despedir do pessoal. — ela disse se recuperando do susto.
Despedimo-nos de todos e pela milésima vez eu tive que ouvir aquele discurso da minha mãe que eu era um filho ingrato e que quase não ia visita-la por passar o dia todo no restaurante, não sabia ela que agora eu mal conseguia ficar no restaurante queria ir logo correndo pra casa para ficar na companhia da Bella. Se antes de eu realmente entender o que sinto já era assim, imagine agora que sei que estou apaixonado por ela.
Fui o trajeto todo pensando nessa peça que o destino me pregou, a anos eu sonho em encontrar uma mulher que desperte algo intenso e verdadeiro em mim e quando encontro não posso tê-la, não posso nem dizer o que sinto…
Parei o carro na minha vaga no estacionamento do meu prédio e desci do carro dando a volta e abrindo a porta para Bella. Mas ela continuou parada, com cara de quem estava longe.
— Ei pretende dormir no carro hoje? — eu perguntei a ela descontraindo com a brincadeira, ela estava tão imersa em pensamentos que eu pensei que não ia me responder.
— Estava distraída. — ela respondeu depois de um tempo. Em que será que ela estava pensando. Parecia ser uma coisa séria, ela estava tão concentrada.
— E posso saber em que a senhorita estava pensando? — perguntei enquanto entravamos no elevador. Ela sempre me contava tudo, até mesmo os seus sonhos, ela iria me dizer o que estava pensando.
— No amor. — sua resposta me surpreendeu. O que ela estaria pensando sobre o amor? Será que ela estava apaixonada por alguém?
— Hum... Amor? Por acaso a menina que não acredita em amor esta apaixonada? — eu perguntei tentando parecer descontraído, tentando esconder o desespero que eu estava sentindo. Por favor, diz que não… diz que não…
— Eu nunca disse que não acreditava no amor, apenas que ele era raro, jamais achei que aconteceria comigo. — ela fugiu da pergunta. Isso não era nada bom!
— Então quer dizer que aconteceu com você? — eu perguntei novamente tentando não parecer muito interessado enquanto abria a porta do apartamento. Eu já ia perguntar por que ela não me respondia quando ela falou.
— Eu também não disse isso Ed. — essa resposta não me deixou nem um pouco tranquilo, ela não disse que sim e nem que não. — Ai eu to morrendo de sono. Boa noite. — ela disse de repente me dando um beijo na bochecha e correndo em direção ao seu quarto.
— Sonhe com os anjos! — disse meio sem reação por causa da sua evasão repentina.
Fui para o meu quarto e entrei no banheiro a fim de tomar um banho frio, precisava esfriar a cabeça e colocar meus pensamentos em ordem. Não bastava eu ter descoberto que estou loucamente apaixonado por ela, agora tenho serias suspeitas, quase certeza, de que ela esta apaixonada por alguém, um alguém que provavelmente não sou eu, como eu queria que fosse eu, mas e se fosse? O que eu ia fazer? Eu não vou conseguir dormir com essa duvida, eu tenho que perguntar a ela. Decidido desliguei o chuveiro e me sequei. Vesti a primeira calça de moletom que achei em meu closet e fui até o quarto dela. A porta estava fechada. Respirei fundo algumas vezes, me preparando para o que quer que fosse que eu iria ouvir.
— Bella, você tá acordada? Posso entrar? — perguntei dando leves batidas na porta de seu quarto.
— Um minuto Ed, eu to trocando de roupa. — ela disse. Eu juro que tentei me conter, mas não resisti, tentando imaginar ela sem roupa, isso era errado e eu estava me sentindo um pervertido. — Algum problema? — ela perguntou ao abrir a porta, mas não sei antes da uma analisada no meu corpo. Eu gostei disso.
— Não, na verdade eu só queria conversar com você. — eu disse meio sem graça.
— Conversar sobre o que? — ela perguntou pegando minha mão e me levando até sua cama, onde fez um sinal para que eu me sentasse.
— Sobre o que você falou quando a gente estava subindo, você sabe que pode falar comigo sobre qualquer coisa não sabe? — eu disse segurando em suas mãos, queria deixar claro que ela podia confiar em mim.
— Edward é sério, não tem nada pra falar. — ela continuava tentando fugir do assunto. Mas eu não ia desistir. Não iria sair daqui sem uma resposta.
— Tem certeza Bella? — eu insisti. — Se você tiver gostando de alguém sabe que pode falar comigo, quem sabe eu não posso te ajudar. — ou atrapalhar quem sabe…
— Eu estou sim apaixonada Ed. — eu estava torcendo para que a resposta não fosse essa, mas foi o que eu ouvi; na hora se passou tanta coisa pela minha cabeça, tristeza por saber que ela gosta de outro, medo de perdê-la, dor, angustia, mas no fundo, bem no fundo, esperança… podia ser eu… Senhor que exista essa chance! Pedi a Deus.
— E você pode me dizer quem é o sortudo que ganhou seu coração? — eu perguntei, chegando mais perto, alisando sua bochecha, olhando no fundo de seus olhos, eu queria, queria muito, mas não estava nem um pouco preparado pra ouvir sua resposta.
— É… é… você. — não deu tempo de pensar em nada, de separar realidade da ilusão… Eu senti seus lábios se colarem aos meus… Eu fiquei sem reação, como um menino inexperiente em seu primeiro beijo, ela estava apaixonada por mim, era eu… ela estava me beijando. Sentir seus lábios nos meus me fez acordar, sua boca era tão macia, e o gosto era… não sabia como explicar eu tinha que provar mais, passei a língua por seus lábios pedindo passagem e ela cedeu prontamente, senti uma corrente elétrica muito forte se apoderar dos nossos corpos assim que nossas línguas se tocaram. Eu já havia beijado muitas mulheres, mas nunca foi tão bom, tão excitante, tão mágico… Eu queria mais, segurei em sua cintura e forcei com delicadeza seu corpo para trás nos fazendo deitar na cama sem desgrudar nossas bocas um instante sequer. Meu corpo inteiro estava aceso, sentir eu corpo assim tão colado no meu enquanto eu me apoderava da sua boca me fez perder o juízo completamente. Ela era minha, só minha… Senti suas mãos adentrarem em meus cabelos e puxarem com vontade perto da nuca, mas ela não queria nos separar, ela queria mais também eu podia sentir isso, apertei minhas mãos em sua cintura e o nosso beijo que começou calmo e romântico agora estava pegando fogo. Eu não estava acreditando que isso estava acontecendo, não podia ser verdade, era bom demais pra ser verdade. Inevitavelmente tivemos que quebrar o beijo, pois o ar ficou escasso. Eu olhei no fundo de seus olhos, e vi toda paixão que eu sentia refletida em seus olhos. Seus sentimentos por mim tinham a mesma intensidade que os meus por ela, mas eu nunca poderia a fazer sofrer, ela era tão perfeita… Se a justiça descobrisse isso com certeza tiraria ela de mim, se os outros nos vissem juntos iriam julga-la mal, eu não queria que ninguém pensasse mal dela, eu preferia ficar sem ela a fazê-la sofrer desse jeito, a gente podia esperar um pouco, mas ela não iria querer esperar, então só tinha um jeito… e me doía muito ter que fazer isso, mas é o certo. Por mais que eu quisesse, nós não poderíamos ficar juntos, pelo menos não agora…
Eu ainda olhava no fundo dos olhos dela, seu olhar era de expectativa, ela queria que eu a beijasse, e eu queria beija-la de novo, uma ultima vez… Colei nossos lábios mais uma vez num beijo calmo e apaixonado, quando ambos precisamos respirar novamente separei lentamente nossas bocas. Olhei pra baixo, meu coração apertou.
— Desculpa Bella, isso foi um erro. — sai praticamente correndo do seu quarto antes que ela pudesse falar alguma coisa que me fizesse voltar atrás e fui pro meu quarto, praticamente batendo a porta. Escorreguei encostado na mesma, abracei meus joelhos e chorei.
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Anjo — Saulo Fernandes (Versão que me inspirou: ImaginaSamba part. Sorriso Maroto)
Acredita em anjo?
Pois é, sou o seu…
Soube que anda triste
Que sente falta de alguém
Que não quer amar ninguém…
Por isso estou aqui
Vim cuidar de você,
Te proteger, te fazer sorrir,
Te entender, te ouvir
E quando estiver cansada,
Cantar pra você dormir.
Te colocar sobre as minhas asas
Te apresentar as estrelas do meu céu
Passar em Saturno e roubar o seu mais lindo anel…
Vou secar qualquer lágrima que ousar cair
Vou desviar todo mal do seu pensamento
Estar contigo a todo o momento
Sem que você me veja
Farei tudo… tudo… tudo que deseja.
Mas, de repente você me beija…
O coração dispara
E a consciência sente dor
E eu descubro que além de anjo
Eu posso ser seu amor…
Eu posso ser o seu amor… Além de anjo protetor…
Eu posso ser o amor… seu amor…
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Sabe quando você descobre uma coisa boa e se sente feliz, mas logo você percebe que as coisas não são do jeito que você pensa, e é como se um balde de água fria caísse em cima de você… Foi exatamente assim que eu me senti há pouco mais de uma semana atrás. Entender meus sentimentos, ser correspondido, ser beijado por ela… e no fim perceber que eu não poderia viver esse sentimento.
Os dias se passaram lentos e dolorosos após aquela quarta-feira, hoje já era sexta-feira da semana seguinte, há exatamente nove dias a Bella não fala comigo. Na verdade eu também não tentei em momento nenhum falar com ela, fui um covarde, mas não sabia o que falar, nem o que fazer, e nem podia seguir meu coração como eu sempre faço, porque se fizesse isso eu iria dizer que a amo e passar o resto do dia beijando-a, e eu não podia fazer isso. Não só porque tinha que ser sensato e agir como seu responsável, mas porque como um homem apaixonado eu não queria que ela sofresse e era egoísta demais pra permitir que ela ficasse longe de mim. Eu preferia ter ela aqui comigo sem poder toca-la ou falar com ela a ter que deixa-la ir pra longe, um lugar onde eu não possa protegê-la. Era isso que aconteceria se eu assumisse que o sentimento era recíproco, nós não poderíamos morar na mesma casa, ela sendo menor e eu como seu tutor e termos um relacionamento, qualquer juiz me julgaria um aproveitador e tiraria ela de mim, e o que as pessoas iam pensar dela? Com certeza coisas boas não eram.
Na manhã seguinte ao beijo foi bem estranho, eu não sabia o que iria falar pra ela, eu sabia que precisava dizer alguma coisa, mas sabia também que eu não teria coragem de negar meus sentimentos por ela. Então achei melhor esperar ela falar alguma coisa primeiro, mas ela não falou, saiu de seu quarto direto pra escola sem dar um bom dia ou olhar pra minha cara. E assim se sucedeu nos próximos dias também, menos no sábado e no domingo que não tinha aula, nesses ela nem sequer saiu do quarto quando eu estava aqui. Eu voltei a me enfiar o dia todo no restaurante, saia cedo e chegava depois das 10h00min. Até quando será que íamos ficar assim? Eu precisava fazer alguma coisa, mas me sentia de mão atadas. E eu fiquei ainda pior com o que a Alice me contou ontem.
# FLASH BACK ON #
Eu estava no Mixing Flavors sentado no escritório da Vic sem fazer nada, ela já tinha ido pra casa após perguntar cem vezes o que estava acontecendo comigo, eu tinha me escondido no escritório dela todos esses dias. Cozinhar me relaxava, mas do jeito que eu estava era bem capaz de eu trocar sal por açúcar, queimar os pratos ou derramar lágrimas na comida dos clientes, e eu não podia botar em jogo a reputação do meu restaurante, como também não podia ficar em casa, eu me enfurnei nesse escritório e passei a semana toda aqui. Eu tentava pensar em uma solução, mas nada vinha na minha cabeça, eu sempre tive mulheres que eu não amei ao meu lado e quando eu tenho uma que amo tenho que conviver todos os dias com ela, mas não do jeito que eu queria. Eu não tinha sorte mesmo no amor…
Deitei minha cabeça sobre os meus braços na mesa e fechei os olhos, queria fingir que quando chegasse em casa iria conversar com a minha Bella, como fiz nas ultimas semanas e íamos nos divertir, e eu ia poder beija-la de novo…
— Edward? Você esta acordado? — a voz de Alice me tirou dos meus sonhos. Levantei a cabeça e olhei pra ela.
— Oi Alie, o que você quer?- perguntei sem um pingo de vontade de conversar.
— Uh, já vi que pelo visto a depressão é contagiosa. — ela disse fazendo uma careta.
— Por que tá dizendo isso? Tem mais alguém deprimido hoje? — perguntei.
— Hoje e a semana toda. Alias foi isso que me trouxe aqui. — ela disse adotando uma expressão séria que quase nunca aparece em seu rosto.
— Então vai direto ao assunto Alice. — eu já imaginava o que ela iria me dizer. E fiquei com medo de ouvir.
— É sobre a Bella, ela está tão deprimida… vive chorando pelos cantos no colégio e não sai mais pra lugar nenhum comigo, eu estou preocupada com ela Edward. Aconteceu alguma coisa com ela? — ela disse preocupada. A Alice realmente gostava muito da Bella.
— Eu não sei Alie. — menti. — Acho que às vezes bate saudade dos pais dela. E eu não tenho dado muita atenção a ela, tenho muitas coisas pra fazer aqui. — meu cérebro só processou uma coisa: Bella esta sofrendo. E por minha causa.
— Você precisa fazer alguma coisa, como fez antes. Ela tá cada dia pior, sabia que ela não almoça a uma semana? Ela sempre almoçava comigo antes, mas agora ela me pede pra deixa-la direto em casa, às vezes vai até andando pra casa. Ela tá sofrendo Edward, e eu sei que ela gosta muito de você, só você pode fazê-la melhorar. — como eu queria não ser o motivo dela estar assim. Como eu queria poder a fazer melhorar… Depois de um tempo a Alice foi pra casa e eu voltei ao meu tormento, só que agora pior.
# FLASH BACK OFF #
Ela estava mal por minha culpa! Provavelmente se sentindo rejeitada, a se ela soubesse…
Essa era uma hora tensa pra mim, quando eu chagava em casa. Eu queria vê-la e mais que nunca cuidar dela. Eu me sentia um fracasso, eu tinha quebrado minha promessa, eu tinha prometido que iria fazê-la feliz, mas eu fiz exatamente o contrario.
Girei a chave na porta e a abri. A cena que eu vi na minha frente, cortou meu coração. Bella estava toda encolhida no sofá e chorava muito, muito mesmo, na televisão passavam créditos que pareciam ser de algum filme que tinha acabado. Eu fiquei sem saber se ela estava chorando pelo filme que tinha visto ou pelo que aconteceu com a gente. Eu não podia deixa-la afundar de novo e ainda por cima por minha causa. Eu tinha encontrado a mulher da minha, eu não podia perdê-la, Bella era minha vida agora.
Ela não tinha percebido minha presença. Eu me aproximei mais, ela murmurava alguma coisa.
— Você é uma iludida… — ela deu soluço. — Nunca que ele ia sentir alguma coisa por você… nunca. — ela continuou a chorar. — Por quê? Por que eu tinha que estragar tudo? Estava tudo tão bom… Agora ele me odeia…
— Eu não te odeio Bella. — eu disse num impulso de onde estava para atrás do sofá. Ela olhou pra mim e levantou se sentando no sofá. Eu caminhei até o sofá e sentei do seu lado. Ela baixou o olhar. Levei a mão a seu rosto e seguei suas lágrimas. — Eu nunca te odiaria Bella. — levantei seu rosto olhando nos seus olhos. Ela tentou baixar o rosto de novo, não permiti.
— Me desculpa por… por… — ela começou a falar, mas não concluiu.
— Desculpa pelo que Bella? Por gostar de mim? — Eu ri sem humor e ela baixou os olhos. — Você não sabe o como eu sofri naquele dia pensando que você estivesse gostando de outra pessoa Bella. — ela me olhou sem entender. Eu não aguentava mais, eu estava perdendo a chance de ser feliz, eu estava quebrando a promessa, eu estava fazendo ela infeliz. Olhei bem fundo em seus olhos. Eu não podia esperar nem mais um segundo.
— Edward… por favor, esquece o que aconteceu. A gente se dá tão bem… eu sinto muito por ter estragado tudo… vamos voltar a viver como se nada tivesse acontecido e… — eu fui obrigado a interrompê-la. Uma sensação de eletricidade se apossou do meu corpo no instante que meus lábios tocaram nos seus. Num primeiro momento ela ficou surpresa, mas menos de um segundo depois estava se derretendo em meus braços… O beijo foi calmo e apaixonado e eu nunca desejei tanto ser como aqueles vampiros do filme e não precisar respirar, mas infelizmente eu precisava e ela também. Encerrei o beijo com selinhos. Ela me encarava. Vários sentimentos eram visíveis em seu rosto amor… felicidade… confusão… deslumbramento…
— Eu sou completamente apaixonado por você Bella. — revelei. — Eu fui um covarde naquele dia, fiquei com medo do que os outros iam pensar. Mas tudo que eu mais quero é ter você comigo. De preferencia pra sempre. — dei outro selinho nela. Ela permaneceu parada. — Isso se você me quiser… — ela colou sua boca na minha num beijo faminto e cheio de paixão, nossas línguas duelavam, o sabor da sua boca era incrível, eu nunca experimentei sensação melhor que beija-la. Quando o ar faltou nos separamos.
— É claro que eu te quero meu Ed. — ela disse sorrindo. Eu sorri também e a puxei pros meus braços. Beijei seu cabelo. Eu não sabia como a gente ia ficar, mas de uma coisa eu tinha certeza, nós ficaremos juntos não importa o que aconteça. Ela se encaixava tão bem em meus braços é como se fosse feita pra mim, especialmente pra mim. E eu iria cuidar dela e nunca mais quebraria uma promessa. Eu seria pra sempre o seu anjo.
— Sabe no que eu estava pensando agora? — ela perguntou, mas antes que eu respondesse ela continuou. — Lembra que eu te falei que meu pai deixou uma carta pra mim? — eu assenti. — Na carta ele dizia que enviaria um anjo pra cuidar de mim.
— E você acredita em anjo Bella? — eu perguntei fazendo carinho no seu rosto.
— Claro que sim, você é o meu anjo, meu anjo protetor. — ela disse com o olhar intenso.
— Pois é… eu sou. — falando isso tomei seus lábios nos meus. Eu seria tudo que tudo o que ela quisesse que eu fosse…
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