Anjo Protetor
28 A última noite de amor
Notas iniciais
*POV BELLA*
Eu tentava a todo custo abrir os olhos, mas sentia que algo me impedia, era como se alguma coisa pesasse minhas pálpebras. Não conseguia sentir direito meu corpo, parecia que eu estava presa em algum lugar entre o sonho e a realidade. E além de não conseguir encontrar o controle do meu corpo, eu sentia uma coisa estranha. Uma coisa ruim. Eu tinha certeza que eu estava sendo observada.
***
Pela milésima vez eu tentava abrir os olhos e sentia que estava cada vez mais perto de conseguir, eu me sentia muito estranha, meu corpo parecia dormente, mas aos poucos fui recuperando a sensibilidade e o comando dos movimentos. Agora já podia sentir meus membros quase que normalmente. Minha garganta estava queimando, tão seca que parecia não ter saliva nenhuma na minha boca. Comecei a perceber luz através das minhas pálpebras.
E finalmente consegui abrir os olhos. Minha primeira reação foi fechá-los novamente, pois a claridade me incomodou. Me sentia perdida sem saber onde estava, será que eu tinha desmaiado de novo? A última coisa de que me lembro é de estar no sofá do Jake esperando ele pegar a chave pra me levar pra casa, o Edward tinha sumido por causa do incêndio...
— Ah, meu Deus! O incêndio! – exclamei levantando assustada. Ao olhar me volta puder perceber que eu estava em um quarto, e eu conhecia este lugar. Era o quarto do Jacob. Eu dormi aqui naquele dia em que desmaiei na rua. Ao olhar pra cama onde eu estive deitada me deparei com o Jacob só de cueca me olhando assustado. Eu esperava encontrar tudo menos isso. – Ai meu Deus! O que está acontecendo? Por que você está quase sem roupa? Por que eu estou aqui? Por que não me lembro como vim parar aqui? – eram tantas perguntas... O Jacob continuou me olhando de boca aberta como se não soubesse a resposta para nenhuma das minhas perguntas. Ele só levantou a mão e apontou pra mim. E só aí eu fui notar que eu me encontrava apenas com a lingerie de renda vermelha. Imediatamente eu agarrei um lençol que estava sobre a cama e me cobri. Senhor! Eu não estou entendendo nada. – Jacob, pelo amor de Deus fala alguma coisa? O que estava acontecendo? – pedi desesperada. Nesse ponto minha voz já começava a ficar embargada pelo choro que queria sair.
— Eu não sei! Também não estou entendendo nada. – ele finalmente respondeu. Deixando-me ainda mais confusa.
— Como assim não sabe? Eu me lembro de estar te esperando, e depois eu acho que desmaiei. Você me trouxe pra cá? Por quê? Por que tirou minha roupa? – cada minuto que passava me vinha mais e mais perguntas. Nada fazia sentido.
— Bella, eu também não lembro de nada. Lembro de ver você apagada no sofá, e depois tudo apagou também. Eu não tirei a sua roupa, nem trouxe você pra cá. – o Jacob parecia estar tão confuso quanto eu. Mas o que ele falou não fazia nenhum sentido, só tínhamos nós dois aqui.
— Isso não faz sentido Jake... Ai meu Deus! – eu congelei assim que olhei para o relógio de cabeceira que marcava 16h37min. Como assim já era outro dia. E o Edward? Será que ele não tinha sentido minha falta. Por que ele não veio me buscar? Já tinha se passado tanto tempo... Só aí que a ficha caiu. Provavelmente ele tinha vindo atrás de mim, só que me encontrou seminua na cama de um homem, homem esse de quem ele morria de ciúmes. Meu melhor amigo que... que... armou pra mim?
— Fala alguma coisa Bella. Sua cara está me assustando. – assim que ele falou, minha expressão de dor e confusão foi substituída por uma de ódio. Ódio que eu nunca havia sentido antes.
— Como você pôde? – perguntei. Mas ele nada respondeu. – Me responde Jacob! Por que fez isso comigo? Por que destruir minha vida desse jeito? Responde merda! – em meus gritos estavam presentes toda mágoa e ódio que eu estava sentindo, pois eu sabia que agora estava tudo acabado. Se o Edward tivesse mesmo visto o que eu acho que ele viu. Coisa que eu tenho certeza. Claro! A sensação de ser observada, era ele, eu tinha certeza. Céus! Ele não ia mais querer olhar na minha cara, por mais explicações que eu desse, explicações que eu nem tinha. Pois não tinha como desmentir o que ele viu.
— Eu não sei do que você está falando Bella! Eu não fiz nada. Eu juro! Nunca faria nada pra te prejudicar. Eu te amo, lembra? – ele falou num falso tom desesperado.
— Me ama? – eu ri amarga. – Se me amasse de verdade não teria armado isso! Você sabia que ele viria atrás de mim. Tenho certeza que armou tudo para que ele visse. Pois sabe que jamais vou ter uma explicação pro que ele viu! – gritei. Eu já não conseguia controlar mais o choro, meu corpo tremia tanto que eu mal conseguia me manter em pé.
— Ele quem Bella? Pelo amor de Deus! Eu não estou entendendo nada, estou perdido assim como você. – a cada desculpa esfarrapada meu ódio crescia mais.
— Não se faça de sonso! Você sabe muito bem que eu estou falando desse plano inescrupuloso. Essa armação imunda! Sério que você achou que mesmo depois de me dopar e fazer o Edward acreditar que eu dormi com você teria alguma chance comigo? Fala sério Black! Você está duvidando da minha inteligência? – como ele podia creditar que mesmo depois disso tudo eu ficaria com ele.
— Eu jamais faria isso! Não armei nada! Eu não sei como vim parar aqui! Nem sei o que você está fazendo aqui. Estou tão confuso... – ele não desistia.
— Eu tenho nojo de você Jacob! Você me traiu! Abusou da minha confiança em você! Nunca mais olha na minha cara, ouviu?! Nunca mais! – disse me retirando do quarto a procura do meu vestido. O encontrei no chão na entrada do quarto, e imediatamente o vesti. Abaixei pegando meus sapatos nas mãos. E fui a procura de minha bolsa. A avistei sobre o sofá e a peguei. Assim que ia sair pela porta Jacob saiu do quarto, agora vestido com uma bermuda.
— Bella, espera. Eu estou falando sério. Eu não fiz nada. Não tenho culpa. Não pode me acusar dessas coisas, por favor, eu te amo! – ele segurou meu braço impedindo que eu saísse pela porta aberta. Era incrível a capacidade que ele tinha de chorar, como se fosse mesmo uma vítima.
— Me solta. – disse puxando o meu braço. – Para de dizer que me ama! Eu nunca vou amar você! Nunca! Você pode até ter destruído meu futuro com o Edward, mas é ele que eu amo, e vou amar sempre! Só ele e nosso filho. Você tem noção do que você fez? Eu te odeio! – eu sai correndo pelo corredor, ia descer pelas escadas, mas por sorte o elevador abriu assim que eu passei em frente a ele.
Entrei na caixa de aço aos prantos, atraindo olhares das duas mulheres que estavam ali. Ao sair do prédio me senti meio perdida, sem saber pra onde ir. Mas não havia outro lugar que eu pudesse ir agora. Tinha que ir pra casa. Não podia adiar, tinha que enfrentar tudo isso agora. E rezar, mesmo não adiantando, para que existisse uma possibilidade de tudo se resolver.
Caminhei lentamente pelas ruas até chegar em frente ao meu prédio. Será que o Edward estaria em casa? Por mais que tentasse me encher de coragem, eu temia esse momento. O momento em que ele me acusaria, que me expulsaria de sua vida, eu e o nosso bebê, que ele ainda nem sabia que existia. Num último impulso de coragem consegui chegar até o apartamento. Ao entrar, parei na porta, fechei os olhos e esperei a enxurrada de acusações, mas elas não vieram. Então, eu percebi que estava sozinha. A sala completamente destruída, me provava que ele tinha estado aqui, e que como eu supunha, tinha caído naquela armadilha horrenda.
Eu não podia acreditar que isso estava acontecendo logo quando tudo ia tão bem. A gente assumindo nosso namoro, realizando os nossos sonhos... Nós formaríamos uma família. Nosso bebê, mesmo inesperado, veio pra fechar com chave de ouro a nossa felicidade. Mas eu não entendo por que ainda tenho a ilusão de que as coisas ainda podem dar certo na minha vida, eu já deveria ter me acostumado, sempre quando tudo está bem acontece alguma coisa. Será que eu nunca vou poder ser feliz? Por que eu sempre tenho que perder tudo que amo? Mas isso não aconteceria normalmente eu não deixaria nada nesse mundo tirar meu filho de mim, o protegeria com todas as minhas forças.
Edward não estava mesmo aqui. Talvez fosse melhor assim, talvez se nos encontrássemos agora seria pior. Eu imaginava o que ele estaria sentindo. A dor da traição é uma das piores que existe, doía muito ser traída pelo meu melhor amigo, uma pessoa que eu confiava tanto, eu ainda não conseguia compreender como o Jacob havia sido tão sujo, talvez aquele menino que eu conheci na adolescência não existisse mais, ou talvez sempre foi tudo um teatro, um simples jogo, em que ele imaginou que eu seria o prêmio. Eu podia sentir a dor de Edward, a dor de pensar que eu tinha sido de outro, coisa que eu jamais seria capaz de ser. O amor que eu sentia por ele era tão grande, que não passava pela minha cabeça a possibilidade de pertencer a outro. E agora tudo vai simplesmente acabar, por uma infeliz coincidência do destino, e um plano imundo de um traidor.
Acho que teve um momento em que minhas lágrimas secaram, eu continuava embolada num canto perto da porta, e só conseguia pensar em como vai ser agora. O que vai acontecer... Estava me sentindo fadigada, dolorida, e ainda podia sentir algum efeito daquela droga que me fez apagar no meu organismo. Até meu cheiro me incomodava. Com algum esforço, mais psicológico do que físico eu consegui me levantar indo até o quarto em que ficava meu closet. Fui direto para o banheiro. Eu tirei a roupa e me enfiei debaixo da água quente, pegando uma esponja e esfregando meu corpo com muita força, até tirar todo aquele cheiro de mim. Analisei meu corpo com um certo medo do que poderia encontrar, e fiquei muito aliviada ao constatar que Jacob não desceu tão baixo ao ponto de abusar de mim. Ele já havia feito estrago demais. Assim que terminei o banho, vesti apenas um roupão. E não aguentando mais a falta de notícias de Edward, fui até o quarto em que a gente dormia, precisava ao menos sentir o cheiro dele, mas meu coração perdeu uma batida assim que abri a porta. Pelo chão e sobre a nossa cama havia várias pétalas de rosas vermelhas, velas apagadas em cima dos móveis, no chão, uma garrafa do mesmo champanhe que tomamos em nossa viagem de ano novo jazia quebrada e sobre a cama ainda tinha um buquê de rosas vermelhas. Eu me aproximei devagar e sentei na cama alcançando as flores, logo encontrei um cartão. Ele queria tanto que não fossemos a festa, disse tantas vezes que tinha preparado uma noite especial. Por que eu simplesmente não larguei tudo e vim pra casa com ele? Como eu pude perder um homem como Edward? Mesmo não tendo noção que aconteceria, um simples sim meu evitaria toda essa tragédia. Não tinha como não me sentir culpada. Tudo que eu queria agora era poder voltar no tempo. Ainda com o cartão entre os dedos, eu o olhava sem ter coragem de abrir. Sabia que sentiria uma dor muito grande assim que soubesse as palavras que o meu anjo queria dizer para mim nessa fatídica noite. Mais alguns suspiros depois eu finalmente o abri. Não tinha nenhuma declaração de amor, eram apenas duas palavras, escritas de próprio punho. Só duas palavras. E as lágrimas, que eu pensei terem secado, caíram outra vez. Eu não conseguia tirar os olhos daquelas palavras.
Casa Comigo?
*POV EDWARD*
Eu estava destruído. Passei o dia todo perambulando pela cidade, sem rumo certo até escurecer. Eu só conseguia pensar que eu não fui suficiente para ela. A dor que assolava meu coração era tão insuportável que eu não conseguia compará-la a nada que eu já tivesse sentido. Era sufocante, em momentos eu me esquecia realmente como era respirar, tamanho era o meu sofrimento. Tinha instantes que restava apenas uma dormência, como se tudo ficasse branco, como se eu esquecesse quem eu era, e o que tinha acontecido, e depois voltava tudo de novo, ainda pior.
Quando percebi eu estava novamente parado a porta do meu apartamento. Eu já tinha estado aqui antes, quando sair daquele maldito lugar, mas a dor de ver tudo o que eu tinha preparado em vão não me permitiu ficar aqui.
Eu planejei tanto a noite passada. Fiz tudo com todo cuidado do mundo para não estragar a surpresa, imaginei que seria uma noite mágica, talvez a melhor das nossas vidas. Visualizei milhares de vezes ela dizendo sim pra mim, dizendo que aceitava se casar comigo, que aceitava ser minha de todas as formas possíveis. Uma doce ilusão.
Abri a porta lentamente imaginando se ela poderia estar aqui. Talvez nem estivesse. Talvez ela nem voltasse. Já que eu não era bom pra ela, não era eu quem ela queria, não foi comigo que ela passou a noite que eu pensei que seria uma das mais marcantes das nossas vidas. Ela não era minha como eu pensei que fosse.
Adentrei a sala a encontrando toda bagunçada do modo que eu deixei em um momento de raiva antes de sair daqui, exceto pelo par de sapatos vermelhos jogados próximo ao sofá. Ela estava aqui. E eu não sabia o que pensar, fazer, ou sentir. Queria olhar bem nos olhos dela e perguntar o porquê. Mas tinha medo do que ouviria, apesar de que o que eu vi já foi suficiente pra me destruir, mas depois da noite passada aprendi que tudo que é ruim ainda pode piorar.
Vagarosamente, andei até nosso quarto, mais guiado pelo instinto do que pela razão, não sabia o que iria acontecer, o que eu iria falar ou ouvir, só sabia que eu precisava confrontá-la, eu tinha o direito de saber.
A porta do quarto estava entre aberta, me permitindo ver as pétalas de rosa no chão. Um sorriso amargo alcançou meus lábios. Abri mais a porta e entrei. Ela não olhou pra cima. Nem se mexeu. Estava encolhida entre as pétalas de rosas vermelhas que cobriam a cama, seus braços abraçavam seus joelhos onde tinha o rosto apoiado, seus cabelos molhados cobriam seu rosto vermelho e manchado de lágrimas secas, a sua frente o buquê de rosas e o cartão.
Continuei parado sem me aproximar, ao vê-la ali tudo pareceu pior. Abri a boca pra falar, mas não saia som algum. O silêncio se tornava insuportável. Eu dei mais alguns passos, agora estava muito próximo dela, se esticasse o braço conseguiria tocar seu rosto, e assim o fiz.
— Por quê? – perguntei levantando seu rosto delicadamente em minha direção. Ela continuou em silêncio, seus olhos ainda evitavam se encontrar com os meus. – Por que eu não fui o suficiente? – tornei a perguntar.
— Edward... – ela disse meu nome em tom de súplica.
— Por favor me responde! Eu só preciso saber... – insisti.
— Eu... eu não lembro de nada. – respondeu, finalmente olhando nos meus olhos. Ela não tinha respondido minha pergunta.
— Eu não quero saber das circunstâncias, eu quero o motivo. O porquê! – eu falei utilizando a última gota de calma que me restava.
— Eu não fiz... Eu não lembro... Estou com medo. – ela falou em entre soluços sufocados. Novas lágrimas banhavam seu rosto agora.
— Acho que quem deveria estar chorando era eu. Afinal não foi você que me viu na cama de outra, não é? – falei, agora frio. Aos poucos a raiva foi se mesclando a dor, tornando tudo mais insuportavelmente intenso, a letargia que me dominara até agora foi embora, agora eu podia sentir o sangue queimando nas minhas veias, o coração batendo acelerado. – Por que você não pode responder a porra da minha pergunta?! – gritei.
— Edward... por favor... eu te amo... – seu corpo sacudia ainda mais entre os soluços do choro violento. Eu me mantinha imóvel.
— Ama? – acreditar nisso era uma ilusão da qual eu não podia me dar ao luxo.
Ela apenas balançou a cabeça.
— Eu te dei todo amor que uma mulher poderia querer! Te entreguei meu coração, de forma que ele pertence a você como nunca me pertenceu! Eu ia deixar toda uma vida pra trás só por não suportar a ideia de ficar mais que algumas horas longe de você! Você não entende? Eu não tenho mais nada, minha vida é sua. Mas você não é... minha. Talvez tenha sido algum dia, mas não mais. Por que Isabella? Por quê??? – as palavras saiam da minha boca em enxurrada, as indagações, as acusações, as verdades, eu só queria respostas.
— Você tem que acreditar em mim! Eu não consigo me lembrar. É tudo tão confuso. Dói tanto... — ela disse levantando-se da cama e parando a minha frente.
— Sabe, eu não sou aquele tipo de pessoa que só acredita vendo, mas eu vi. Preferia não ter visto, mas vi. Não há nada que eu possa fazer agora. – aquela imagem ia ficar guardada pra sempre em minha cabeça, como uma ferida que não cicatriza nunca. – Em que ele é melhor que eu? Eu não te dei amor o suficiente? Olha bem em volta. Tudo que eu queria era uma noite especial, você sabe o que significa isso? – alcancei o cartão na cama e o coloquei bem a frente de seu rosto. – Eu imaginei que diria sim, imaginei que seria minha esposa, que seríamos felizes, que construiríamos uma família. Mas tudo que eu consegui nessa noite foi a droga de um restaurante incendiado e minha mulher na cama de outro!
— Eu diria sim. – foi tudo o que ela disse. E foi o suficiente para fazer as lágrimas que não caíram durante todo esse tempo virem a tona.
— Você não sabe o quanto eu fantasiei ouvir isso. – disse dando um passo a frente, minha mão alcançando sua face molhada. – Mas agora não importa mais. Acabou. – pronunciar a palavra foi pior que pensá-la. Só quando eu falei caiu a ficha de que o fim era real.
— Não Edward... por favor... – ela se agarrou a mim me fazendo desequilibrar. Como uma piada cruel do destino caímos na cama forrada de flores.
— Isso será o adeus. – disse antes de tomar seus lábios. Ela correspondeu afoitamente. E a partir daí nada foi pensar, tudo foi sentir. Nossas roupas desapareceram como num passe de mágica. Minha boca viajava por todo seu corpo de forma a decorar o sabor de cada canto de sua pele. Minhas mãos faziam a mesma coisa. A primeira vez que ela veio foi assim, com meus lábios adorando seus seios até que eles estivem bem vermelhos como as pétalas a sua volta. Não a esperei se recompor, não podíamos pensar agora, acabaria com esse último momento perfeito. Desci meus lábios por seu corpo até chegar ao seu centro encharcado, a chupei com vontade, como nunca antes, minha língua se infiltrando em suas dobras e provocando seu broto pulsante, meus dedos a invadiram fazendo seus gemidos serem ainda mais potentes, seus gritos e suplicas quase me levavam ao ápice. Então... ela veio pela segunda vez, derretendo-se em minha boca. Menos de uma respiração depois eu a estava penetrando, precisava mais dela naquele momento do que precisava de ar, ao sentir sua carne quente me apertando quase fui a loucura, meu corpo agia primeiro, minha mente pensava depois. Eu estocava ora de forma lenta e profunda, ora de forma rápida e dura. Éramos somente, gemidos, suor, e lágrimas, não sabia quando elas começaram, nem sabia se eram de prazer ou pela consciência de que esse era o fim, eu só sabia que elas escorriam misturando-se do mesmo modo que nossas bocas e nossos corpos se fundiam. Quando Bella gozou pela terceira vez, me levou com ela, e caímos no precipício chamado êxtase. Mas eu continuava duro, não havia tido o suficiente dela, e sabia que uma noite era pouco para isso. Antes que nos permitíssemos trocar qualquer palavra destruidora de encanto, coloquei-a de bruços, a possuiria de todas as formas possíveis essa noite. Afastei os cabelos grudados em sua nuca pelo suor de deixei beijos ali, podia sentir sua pele se arrepiando a cada contato. Minhas mãos acariciaram sua bunda redonda, antes de afundar meus dedos na carne quente de sua boceta, ela estava encharcada por nossos gozos misturados, e com meus dedos bem melados eu voltei para a sua bunda, lubrificando seu buraquinho. Estive ali uma vez, e hoje estaria de novo, precisava tomar cada parte dela. Enfiei primeiro um dedo, depois outro. Ela estava tão entregue que nem ao menos ficou travada, seu corpo totalmente relaxado estava inteiramente a minha mercê. Logo troquei meus dedos pelo meu pau, que entrou lentamente naquele lugar muito apertado. Bella gemeu, não sei se de prazer ou de dor, na verdade era difícil distingui-los nesse momento, ambos estavam presentes, em proporções extremas. Quando seus gemidos ficaram mais frequentes, eu perdi o controle, e comi sua bunda com vontade, sem pensar em ser delicado, quis aproveitar de mais aquele pedaço de seu corpo que ela me oferecia, e que pelo menos naquele momento, era meu. Minhas investidas eram firmes, meus beijos em sua pele eram quentes, quentes como o clímax que nos alcançou novamente.
*POV NARRADOR*
Edward e Bella se amaram por diversas vezes durante aquela noite. Mas tomaram o cuidado de não dizerem uma só palavra. Estavam tratando o momento como se fosse a mais delicada bolha de sabão, que com um só toque suave estoura. Mas infelizmente a manhã chegou trazendo a realidade, e com ela as dores e decepções esquecidas durante a noite ardente.
Edward foi o primeiro a acordar. E ele não consegui segurar as lágrimas que transbordaram de seus olhos assim que olhou para o amor da sua vida, adormecida ao seu lado, seu corpo totalmente nu, apenas com algumas pétalas de rosas vermelhas grudadas a pele. Ele chorava porque sabia que mesmo depois da melhor e da pior noite de amor da sua vida, nada tinha mudado. Ela tinha sido de outro, mesmo que por um momento, mesmo que ela insistisse em dizer que não se lembrava, ele sempre iria lembrar daquela cena. Pela forma como ela se entregou essa noite ele não tinha dúvidas que ela realmente o amava, mas parece que para ela não havia sido suficiente. Ela o traiu, traiu seu amor, amor que tinha pertencido somente a ela, como seu corpo, coração e alma, tudo tinha sido seu desde o momento em que ela abrira a porta pra ele em Seattle. Mas ele perdoaria qualquer coisa que ela fizesse, mas a traição era uma coisa além da sua capacidade de perdoar. Ele queria, e como queria, mas não conseguia, a ferida em seu coração já havia sido aberta, e era incurável.
Quando Bella acordou levantou-se num sobressalto ao perceber que Edward não estava mais ao seu lado. Mas logo o encontrou já vestido sentado ao pé da cama. Por um momento só se olharam. Só que na cabeça dela havia uma pergunta: “E agora?” E ela pensou muito antes de externá-la, mas era necessário. Não podiam ficar se encarando pro resto da vida.
— Edward? – ela chamou olhando pro rapaz.
— Sim. – respondeu com uma calma que ele não tinha. No coração do jovem chefe de cozinha só havia desespero, e saudade, muita saudade pela separação iminente.
— O que vai acontecer com a gente agora? – a moça finalmente teve coragem de perguntar. No fundo do seu coração tinha esperança de que depois de tudo o que passaram essa noite ele pudesse ouvi-la e acreditar nela, então poderiam ser felizes junto com seu pequeno bebê.
— Apenas não existe mais a gente. – Edward continuava aparentemente calmo. Mas essas palavras foram as mais difíceis que disse na vida.
— Edward... a promessa... – ela apenas choramingou.
— Eu a cumprirei. Mas a partir de hoje serei apenas seu tutor.
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