Anjo Negro

1 O Anjo Negro


O homem, bem vestido, com um terno, abriu a janela e foi até a sacada, onde, depois de andar um pouco de um lado para o outro, se sentou em uma cadeira, para pensar.

-- E aí, não vai pular? -- Perguntou uma mulher, que estava sentada na sacada.

Ela havia aparecido do nada, e usava um decotado vestido vermelho, que combinava com seu cabelo, e este parecia chamas.

-- Essa sua decisão de pular parecia tão pensada, ponderada e decidida. --Falou a mulher, desanimando. -- Será que vou ter que sujar as minhas mãos?

O homem estava muito pálido e surpreso com ela.

-- Quem é você?

-- Bom, digamos, um anjo.

O homem parou, e se levantou.

-- Mas eu não sei se quero me matar.

-- Então não pule.

-- Mas a minha vida é um lixo.

-- Então pule. Caramba, que homem mais indeciso. Parece até gato. Eu odeio gatos. Eles têm sete vidas. Tem que matá-los sete vezes, e isso é um saco. -- A mulher reclamou.

O homem nem estava ouvindo. Ele andava de um lado para o outro, pensando baixo, alto. De vez em quando, andava até a sacada e fazia menção de subir, mas desistia e voltava.

-- Dá para você andar logo? Está ficando tarde. -- A mulher falou, sem paciência.

-- Você não deveria me convencer a não pular? -- O homem perguntou, incrédulo.

-- Não. Por quê diabos eu faria isso? -- Ela tampou a boca. -- Desculpem-me.

O homem continuou a andar de um lado para o outro.

-- Quer saber, ótimo. Quais são os motivos que você poderia ter para continuar vivendo?

-- A vida é bela? -- O homem respondeu, sem jeito.

-- Olha isso: você é um perdedor, é humilhado no trabalho, não tem esposa ou namorada, ganha mal, mora em um lugar ruim e está prestes a se suicidar do seu trabalho, que é uma droga e você estava fazendo horas extras. Que tal isso?

-- É verdade, você está certa.

Ele subiu no parapeito, mas se segurou de repente em um cano, como se tivesse se arrependido, mas o cano começou a se desprender da parede com seu peso.

-- Mas, eu deveria fazer mesmo isso?

-- Você não tem amigos nem família. -- A mulher falou, com desdém.

Depois dela falar isso, o cano estourou ao mesmo tempo em que o homem o soltou. Após do corpo cair, a mulher subiu no parapeito, como se fosse pular também.

-- Esses humanos. Indecisos até a morte.

Depois de falar isso, pulou, abrindo asas negras e desaparecendo logo em seguida. Agora ela estava em outro lugar. Era uma sala escura, com pinturas em vermelho. No fundo, alguém estava mergulhando os dedos em um pote de “tinta” vermelha, e estava escrevendo na parede.

-- Luci, cheguei. -- A mulher falou, misteriosa.

-- Tenho outro trabalho para você. -- Falou “Luci”.

Notas finais
Por favor, dêem reviews, ajuda na auto estima da autora e te da uns pontos extras =)