POV Maria

Enfrentar Angélica foi como declarar guerra para um inimigo ainda desconhecido, e em uma guerra, atacar em terreno desconhecido é um erro. Me senti como me sentia quando passei a procurar o assassino de Patricia, talvez eu me sinta mais ágil e feroz ao atacar Angélica. Senti meu sangue ferver nas veias ao ver Angélica relembrar o meu passado e definir a minha vida com o jeito hipócrita que só ela tem. O que sinto em relação à Angélica não tem nome, ou talvez tenha e eu não queira admitir. Existem mães que não se desentendem com seus filhos, e também existe o contrário disso, estaria eu "fingindo" ter uma má relação entre mãe e filha com Angélica? Talvez eu esteja ficando louca com a semelhança entre ela e Amara, Angélica está me deixando louca!
O meu arrependimento percorre a alma ao lembrar que destruí o resultado do teste de DNA, me sinto uma marionete nas mãos de Angélica ao lembrar de tal ato. —Angélica deve estar satisfeita com isso. —Falo da ponta da escada.

Eu preciso entender que Amara, a minha filha, aquela que um dia carregou o meu sangue na veia, carne da minha carne, agora está morta. A mulher que acabei de enfrentar não é minha filha, aquela mulher não pode ser a minha filha. Nem mesmo sem memória, Amara poderia agir daquela maneira. Eu posso ter passado pouco tempo com Amara, mas sei bem que ela não tinha a mesma personalidade que Angélica.

—Acabou com seu teatro? —Ouço Angélica perguntar furiosa e vir em minha direção.

—Eu quem te faço essa pergunta. —Falo enfrentando Angélica novamente, a sua expressão de fúria foi inevitável. Mas eu não estou aqui para ser um fantoche nas mãos dela, estou em minha casa, e além do mais, ela deve me respeitar.

—Você me deixa incrédula com tamanha frieza, você não é tão culta? Ou será que este seu papel de vítima já te cansou? —Ela pergunta com deboche. —Será que você precisa perder a vida para aprender o que ainda não aprendeu? —Angélica pergunta em tom de ameaça. Rapidamente vejo o risco que corro por estar na ponta da escada e com Angélica em minha frente me ameaçando.

—Você não seria capaz... —Me arrependo ao falar e vejo Angélica sorrir.

—Eu não sou assassina. —Angélica fala dando um passo para trás. A feição de Angélica mudou repentinamente, ela parecia segurar o choro. Suas mãos tremiam, isso me faz lembrar todas as vezes que Estevão fica nervoso, ele sente suas mãos tremerem freneticamente.

—Você está tremendo. —Minhas palavras soaram como uma ameaça para Angélica, então ela voltou a me enfrentar.

—Como se você se preocupasse com algo que me faça mal. —As palavras de Angélica me fizeram ficar muda, o seu olhar era de puro ódio, ela parecia sentir rancor com fúria enquanto me olhava. Acredito que se Angélica pudesse, ela me espancaria até sentir todos os sentimentos ruins saírem de sua alma.

—Você me odeia. —Falo sem pensar, todavia minhas palavras surtem efeito. Seu olhar ainda era de puro ódio, mas eu vi uma lágrima quase cair de seus olhos. Acreditei que ela fosse gritar e chorar, mas ela teve a capacidade de segurar o seu choro e me enfrentar novamente.

—Você acabou te comprar o meu ódio, Maria. E talvez eu te odeie até o resto dos meus dias...

—Mas eu não tenho medo. —Acabo de reverter a minha situação com tais palavras. —O que é o seu ódio diante do amor que as pessoas sentem por mim? —Minha pergunta faz Angélica me segurar pelos braços. Eu sentia suas unhas afiadas machucarem a minha pele, todavia eu consegui me livrar de suas mãos. —Você enlouqueceu! —Falo ao ver o estado de Angélica.

—Pare de dizer que sou louca! Você só tem este argumento? —Angélica pergunta irritada e se aproxima de mim bruscamente, mas empurro seu corpo tentando me defender de suas garras novamente. Me arrependo amargamente ao ver Angélica rolar pelos degraus da escada, todavia ela consegue permanecer de sóbria.

—Angélica? —Estevão chama por ela ao ver que ela estava caída no chão e com as mãos na cabeça. —O que aconteceu?

—Eu cai da escada. —Angélica fala e olha para mim, Estevão fez a mesma coisa e então temi uma possível retaliação deles. —Eu me senti tonta e cai... —Angélica mente para me defender. Ela me olhava desconfiada e Estevão a auxiliava, ela sentia dor em sua perna por causa da queda. —Foi tão rápido que nem Maria conseguiu impedir a minha queda... —Ela fala plena de ironia.

—Melhor irmos até o hospital... —Estevão fala preocupado, mas Angélica recusa.

—Eu não quebrei nada, não precisa... —Angélica fala com calma, todavia Estevão insiste.

—Você não pode ter levado uma queda com tamanha gravidade e não se preocupar, Angélica. Você não tem noção do perigo? —Estevão pergunta deixando Angélica sem argumentos. Percebo então que Estevão é a única pessoa que Angélica respeita, a única pessoa que a deixa escassa de argumentos. —E ainda temos outro motivo para irmos ao hospital. Você sentiu uma tontura muito forte. —Foi a gota d'água para Angélica, ela não tinha outra alternativa a não ser concordar com Estevão.

—Você tem razão. —As palavras de Angélica quase me fizeram gritar de susto, como ela consegue ser tão manipulável? Não sei responder a minha própria pergunta, apenas sei que irei com eles para o hospital.

POV Daniela

Eu estava com meus pais na sala de estar, dividimos o silêncio e quem sabe, o mesmo pensamento. Desde que fomos até a mansão San Román conhecer Angélica Lafaiete, não sabemos conversar, não sabemos fazer mais nada além de pensar e esperar o resultado do teste de DNA.
Me sinto cansada, talvez eu esteja mesmo é sendo levada pelo mal depressivo de saber que minha irmã não morreu.
São vários pensamentos que se formam em minha mente, chego a pensar que irei enlouquecer, ou que já enlouqueci e todos estão conspirando contra mim. Mas não, meus pais não teriam coragem de me trair me dando um atestado de insanidade, mas sendo levados pela cobiça de Leandro eles assim fariam.
Maldito seja Leandro...
As vezes penso em matar ele com minhas próprias mãos, mas esta vontade passa todas as vezes que percebo que não tenho um motivo para cometer tal crime.
De certa forma ele é "tio" do meu noivo e meu irmão adotivo, mas a imensa decepção que sinto por ele é maior que qualquer grau de parentesco.

—Daniela? —Ouço Henrique me chamar. Sua voz acaba me tranquilizando, mas o que ele faz aqui? —Precisamos conversar. —Suas palavras estavam tão carregadas de cobrança que meus pais se retiraram da sala sem se despedirem.

—O que aconteceu? —Pergunto de pé.

—Eu pensei eu mudarmos a data do nosso casamento. —Henrique fala me deixando aliviada, quanto mais este casamento for adiado, melhor será para mim, terei mais tempo para organizar tudo. —Pensei em daqui á um mês.

—UM MÊS? —Pergunto incrédula e ele se assusta, então trato de me recompor rapidamente. —Mas para quê ter tanta pressa? —Pergunto constrangida.

—Não acha que está mais do que na hora de nos unir, Daniela? Faz tanto tempo que estamos nos relacionando!

—Nem tanto tempo assim. —Falo após dar uma risada forçada.

—Começamos a namorar antes do meu pai se casar com Lúcia, você pegou o buquê dela e até agora nosso casamento não aconteceu. —Henrique segue insistindo. —Você parece que perdeu todo o ânimo que um dia teve em relação ao nosso casamento.

—Ele vai acontecer, mas não agora. —Tento explicar, mas ele não entende. —Eu preciso de mais tempo para organizar tudo.

—Quatro anos não foram o suficiente, Daniela? —Henrique me irrita com a sua pergunta irônica e eu resolvo tratar ele com ignorância.

—Eu estou perdendo a paciência, Henrique... —Falo. —E eu prefiro te perder do que perder o resto de paciência que me resta.

—Ótimo. —A resposta de Henrique me surpreende. —Sabe o que é que eu acho? Acho que você está totalmente envenenada pelo fato de Leandro ser o que é e não precisar de você para isso. —Henrique fala por entre os dentes.

—Engula suas palavras, Henrique... —A essa altura eu estava a ponto de esbofetear Henrique, mas me contive. —Adeus. —Falei sem me importar com tudo o que vivemos. Retirei o anel de noivado do dedo anelar e o joguei no chão sem me importar com Henrique.

—Então é isso? —Henrique pergunta incrédulo. —Você vai terminar com tudo?

—Não, eu já terminei. —Falo dando as costas para Henrique. —Você sabe onde é a saída, senhor Santisteban...

POV Fernando

Saí de casa para procurar Dalila, ela pode pedir outro resultado para o laboratório onde as amostras recolhidas de Angélica e Maria foram analisadas. Maria e Angélica não querem saber a verdade, mas eu preciso saber e não vai ser a má vontade de Angélica ou o medo de Maria que vão me impedir. Eu sei que Angélica é Amara, mesmo sendo impossível, são a mesma pessoa!

—Fernando? —Ouço uma voz feminina e familiar me chamar. Me deparo com Letícia Santisteban bem na minha frente... Céus! Como ela está diferente!

—Estávamos no mesmo país, mas nunca nos encontramos... —Falo após abraçar Letícia. —O que faz aqui?

—Resolvendo o mistério da morte de Fabiana. —Letícia fala me deixando intrigado. —Depois de quase cinco anos, suspeitam que ela foi morta. —Um sorriso se forma em meu rosto ao saber que Fabiana pode ter sido assassinada ou invés de ter cometido suicídio. —Ela não merece que eu passe noites em claro investigando isso, mas eu sou obrigada a fazer.

—Você era a única coisa que ela "tinha". —Falo. —Ela nunca te fez mal, muito pelo contrário, te colocou no lugar da sobrinha morta para que você tivesse tudo do bom e do melhor.

—Ela me usou. —Letícia rebate amargurada, mas eu nego.

—Quando Fabiana sequestrou Amara e Leandro, você estava grávida de Henrique, certo? Então por quê ela não te fez nenhum mal? Por quê não tirou Henrique de seus braços, Letícia? —Pergunto até fazer Letícia mudar de expressão. —Não é a toa que ela deixou toda a sua fortuna para você, somente para você.

—Mas eu não aceitei. —Letícia fala orgulhosa. —Eu não quero nada dela.

—Mas deveria. Fabiana não seria louca de deixar tudo o que era dela nas mãos de uma mulher que não era nada sua, Letícia. —Falo e sorrio. —Você não tem o mesmo sangue que Fabiana, mas ela se importou com você como se você fosse filha dela. —Assusto Letícia ao fazer tal comparação.

—Se Fabiana fosse minha mãe, quem poderia ser meu pai? Rodrigo?

—Isso não importa mais. —Minhas palavras ferem Letícia, eu percebo isso.

—Não vamos criar expectativas insanas, Fernando... —Letícia fala tentando se esquivar. —Eu só voltei por quê Lorenzo me pediu...

—Precisa de ajuda? —Pergunto me oferecendo.

—Preciso que me ajuda a achar provas, pois eu já sei o que de fato aconteceu com Fabiana. —Letícia fala pausadamente e me olha desconfiada. —Ao chegar ouvi uma pessoa revelar o que aconteceu naquele dia.

—Você já sabe quem é, mas precisa de provas...

—O punhal. Eu preciso ter aquele punhal nas minhas mãos. —Letícia pede. —Mas não fale isso para mais ninguém.

—Não acha necessário a ajuda de Dalila? —Minha pergunta faz Letícia ficar muda. —Ótimo. Seremos só nós dois.

—Não deveria confiar tanto em Dalila. —Letícia fala com ironia.

—Por que? —Pergunto.

—Fernando! —Ouvimos Dalila nos chamar. —E então? Qual foi o resultado? —Ela pergunta eufórica.

—Eu preciso ir, com licença. —Letícia se retira com um certo incômodo.

—Eu preciso de outro resultado, Dalila. Aconteceu um imprevisto com o outro... —Falo envergonhado e ela me olha assustada.

—O que? —Dalila pergunta incrédula. —Como assim?

—Eu não posso te explicar agora, Dalila. Só te peço que me ajude a ter outro resultado. Por favor... —Peço quase suplicando.

—O que você não me pede chorando que eu não te dou sorrindo? —Dalila pergunta com ironia e eu sorrio. —Claro que eu consigo uma cópia do resultado, Fernando.

—Eu sabia que podia contar com você, Dalila.

POV Estevão

Tento dar mais atenção para Angélica para tentar esquecer os problemas que venho enfrentando. A empresa San Román já não existe mais, eu preciso contar isso para a minha família, mas não sei como dar uma notícia tão desagradável para eles. Heitor já sabe que nossa família perdeu tudo, mas não contou nada para ninguém.

—Ela já pode ir para casa. —Ouço Maria falar, mas não dou muita atenção. —Você me ouviu? —Ela pergunta brava. —Angélica está bem, ela não precisava ter vindo para o hospital.

—Fernando já entregou o resultado do exame de DNA? —Pergunto mudando de assunto.

—Sim... —Maria responde desconcertada. —E eu o rasguei.

—O que? Por quê ? —Pergunto assustado e ao mesmo tempo bravo. —Por quê fez isso, Maria?

—Não me pergunte nada, Estevão, por favor. —Maria fala e me dá as costas. —Eu estava confusa...

—Estava? —Pergunto com deboche e ela se vira bruscamente. —Era a única chance que tínhamos em saber se Angélica é Amara.

—Amara está morta, Estevão! —Maria esbraveja com soberba e me olha com puro ódio. —Minha filha morreu faz quase cinco anos e você segue se iludindo com a esperança de que ela esteja viva. Amara não tinha motivos para fingir estar morta e depois inventar uma desculpa esfarrapada de que não sabe quem é, Estevão. Nossa filha morreu, Amara morreu! O sangue que corre nas veias de Angélica não é o mesmo sangue de Amara, entenda isso de uma vez por todas!

—Ela é, sim, a nossa filha! —Esbravejo ainda mais alto. —Eu sinto isso, Maria. Eu sinto a mesma coisa que senti quando Amara foi apresentada para mim como Regina, entende? É como se eu sentisse que o pedaço que me falta voltou...

POV Dalila

Passei minutos e minutos olhando para o resultado do exame de DNA falso e o verdadeiro. No falso consta que Angélica não filha de Maria, e no verdadeiro, claro, está a verdade sobre Amara. Eu sinto uma vontade imensa de abrir o envelope com o resultado verdadeiro, mesmo sabendo o resultado sem nem mesmo ler o que tem escrito nele, eu preciso saciar essa vontade que sinto em rir da desgraça de Amara.
Ela nunca irá se lembrar do seu passado, os choques que ela levou naquela clínica clandestina foram a gota d'água para seu cérebro fritar todas as suas memórias. Eu sinto pena de Amara em alguns momentos... Sinto pena por saber que ela cruzou o meu caminho e Fernando só tem olhos para ela.
Mas eu a maltratei, eu fiz de tudo um pouco para que Amara sofresse presa naquele inferno sem ver ninguém,as todos viam seu sofrimento. Eu ri, ri muito de todas as vezes que ela tentava se aquecer naquela sala fria, e a cada dia eu fazia com que ela sentisse mais frio. Eu me diverti ao dopar ela todas as vezes que ela tocava nas quatro paredes, desesperada, com fome e frio e sentia o dope lhe atingir a veia. Eu me diverti quando cortei seus cabelos e ela ficou enlouquecida ao acordar e saber que seu cabelo estava curto, que seu cabelo demoraria a crescer.
Eu maltratava Amara todas as vezes que Fernando falava que a amava e que nunca olharia para outra mulher.

—Você será guardado no cofre. —Falo guardando o resultado verdadeiro no meu cofre. Eu olho para o resultado falso e envio uma cópia para Fernando. Eu queria estar do lado dele quando ele visse o "negativo" na tela de seu computador, mas eu irei me contentar ao saber que ele enlouquecera com isso.

POV Fernando

—Dalila? —Pergunto para mim mesmo ao ver um e-mail de Dalila chegar. —Clinica Santa Clara... —Me espanto ao ver que se trata do resultado do exame de DNA.

Leio todas as palavras na tela do computador e assusto ao ver o resultado em negrito tirar todas as minhas dúvidas. —Angélica não é Amara. —Falo ao ver o maldito "negativo" na tela do meu computador.

—Isso não é verdade! Não pode ser verdade! —Grito em sinal de total descontrole. Vejo Lúcia e Rafael me observarem assustados, eu derrubo todos os objetos da minha mesa e né ajoelho diante do birô. Se eu estou tendo um surto psicótico eu não sei,apenas sei que minha cabeça dói, minha alma queima como se estivesse no inferno.

Eu estou morto em vida, morri no mesmo instante que Amara morreu. Amara está morta, está enterrada debaixo da terra sem vida, sem cor e sem sua doçura. Eu pensei, eu imaginei que ela pudesse estar viva e que iríamos nos casar, mas foi tudo em vão, todos os meus planos foram feitos em vão.

—Eu quero Amara! —Peço para Lúcia e a mesma me abraça assustada. —Eu quero meu anjo, Lúcia. Eu quero Amara ao meu lado, entende? —Minha irmã concordava comigo todas as vezes que eu voltava a repetir o meu desejo. —Por quê ela tinha que morrer, Lúcia? Eu sofri com a morte da nossa mãe e agora vou ter que sofrer com a morte da minha noiva?

—Você está preso a uma mulher que morreu faz quase cinco anos, Fernando. Esqueça Amara ou você esquecera que você vive...

—O que está acontecendo? —Henrique pergunta ao me ver nos braços de Lúcia. —O que você tem, Fernando?

—Desgosto. —Rafael responde por mim e eu choro nos braços de Lúcia. Eu colocava minhas mãos em meu rosto tentando sentir o perfume que um dia Amata deixou cravado em mim, o seu delicado toque nobre de suas mãos nas minhas.

O rosto de Amara mais parecia ser uma obra de arte esculpida por Ele. Amara foi um anjo, e um anjo é como um cristal, precisa ser esculpido por poderosas e sábias mãos. Minha Amara sofreu desde o dia que nasceu até o seu último suspiro...

—O que? —Ouço Rafael perguntar algo para Henrique.

—Daniela ama Leandro, pai. Ela me usou por todo esse tempo... —Henrique fala decepcionado. Ao ouvir o nome de Leandro sair da boca de Henrique, sinto uma raiva enorme invadir meu peito. Maldito seja aquele homem!

—Tenho certeza que isso é um mal entendido, Henrique. Daniela não pode amar Leandro... —Minha irmã tenta acalmar o enteado.

—E por que tanto ódio, Lúcia? Daniela odeia Leandro pelo simples fato dele ter "escolhido" Amara, por ter amada Amara e não ela. Essa é a única explicação. —Henrique fala totalmente fora de si. —Ela me usou...

—Por Deus, Henrique! Você não se escuta? Daniela não pode amar Leandro! —Rafael esbraveja.

—Não se iluda com Daniela, pai. Uma mulher rejeitada é capaz de tudo. —Henrique fala fora de si. —Mas eu irei provar que um homem rejeitado é capaz de muito mais. —Após fazer sua ameaça, Henrique bateu na bandeja que estava sobre o birô e a fez ser jogada longe.

Leandro foi rejeitado por Amara e fez questão de abandonar os Gutiérrez e agora Henrique se vingará de Daniela.
No caso de Leandro eu posso dizer que ele não nega seu sangue, ele sabe ser vingativo como Fabiana. Mas Henrique... Ele não é nada de Fabiana, mas é filho de Letícia que quase se deixou levar pelo ódio, mas a sua sensatez falou mais alto.
Eu presenciei a fúria Letícia, e agora vejo Henrique ser tomado pela cólera, mas mais parece que estou vendo Fabiana falar. É como se Henrique carregasse em seu DNA a forma de se expressar de Fabiana. Parecia ser a própria Fabiana falando bem na minha frente, mas não, era seu neto. Sim, neto de Fabiana. Se dizem que Letícia parece ser filha de Fabiana então Henrique é neto de Fabiana.

POV Letícia

Eu ainda não posso acreditar no que ouvi na conversa de Maite e Dalila. Eu não sei se fico surpresa ao saber que Maite matou Fabiana, ou se Dalila traiu todos nós e ajudou no assassinato de Fabiana. Nem mesmo Lúcia, que é esperta e habilidosa, poderia imaginar que Dalila se comportaria tão... Não tenho palavras para descrever o comportamento de Dalila, apenas sinto vontade de destruir sua vida, de lhe arrancar o direito de viver.

Eu sinto ódio, ódio por lembrar que a mulher doce e amorosa que viu crescer foi morta por Dalila...

Flash Back On

—Me ensina a andar de bicicleta, tia? —Pergunto ao ver Fabiana surgir na porta de casa. Ela estava devidamente elegante, parecia ter se preparado para alguma coisa.

—Sua tia irá almoçar fora, Letícia. Depois ela te ensina... —Lorenzo fala desconfiado. Eu olhei para a elegante mulher que estava em minha frente e quase chorei ao saber que ela não iria me ensinar a andar de bicicleta, mas eu nada fiz além de admirar a sua beleza.

—Letícia... —Fabiana fala e se ajoelha bem na minha frente. Eu espero um sermão dela, todavia recebo um sorriso. —É claro que eu te ensino a andar de bicicleta.

—Mas, Fabiana... —Lorenzo se assusta.

—Eu vou ficar com Letícia, meu irmão. Nenhum pretendente seu irá fazer com que eu me afaste de Letícia...

Flash Back Off

A partir daquele dia eu e Fabiana nos tornamos tão unidas que nossa união incomodava Maite. Maite fez com que eu esquecesse Fabiana, me fez temer a imagem dela. Fabiana pode ter sido a pior de todas as mulheres, mas ela me amava. Fabiana me amava, até Fernando sabe disso. Fernando tem toda razão, Fabiana não deixaria toda sua fortuna para uma estranha que não carrega se quer um gota de seu sangue.

Todas as vezes que estou vivendo um momento crucial em minha vida, me lembro de Fabiana. É como se ela estivesse comigo todas as vezes que eu dou alguma palestra em algum evento muito importante, como se ela estivesse segurando a minha mão e falando em meu ouvido tudo àquilo que devo falar.

—Letícia? —Ouço alguém me chamar. —Letícia? —É Rafael me chamando.

—O que faz aqui? —Pergunto ao ver que minhas lágrimas caíram sobre minha camisa azul.

—Soube de Daniela? —Rafael pergunta e meu coração dispara. —Daniela e Henrique não são mais noivos.

—Eu imaginei que esse noivado nunca daria bom resultado. —Falo e faço Rafael se assustar. —Minto?

—Eu pensei que você fosse a favor da união deles.

—Eu não sou a favor de nada. —Falo dando as costas para Rafael. —Henrique irá superar isso.

—Você não viu a estado em que ele se encontrava. —Rafael fala. —Foi um mal entendido entre eles.

—Como nós dois? — Me arrependo amargamente da pergunta que acabo de fazer.

—A diferença é que não existe nenhuma criança no conflito. —Rafael adverte. —E mesmo se tivesse Daniela não faria o mesmo que você.

—Não mesmo. Até por que Henrique assumiria a criança. —Falo com ironia.

—Você pode, por favor, se concentrar no caso de Henrique? —Rafael pergunta sem paciência.

—Ele sabe o que faz, Rafael.

—Henrique não é você, Letícia. Ele é a versão masculina de Fabiana.

—Se ele for mesmo "a versão" masculina de Fabiana... —Paro de falar para suspirar. —Veremos se ele supera a loucura dela.