Anjo Da Meia Noite
5 Planos de esperança
Notas iniciais
Cap 5
Amu abre os olhos devagar, piscando varias vezes por causa da claridade vinda da janela. Olha ao seu redor e se vê enrolada em lençóis brancos e macios em uma cama bem maior do que o tamanho necessário para alguém como ela. Ela se levanta e tenta se lembrar de como fora parar naquele lugar, afinal, onde ela está? Amu olha novamente ao redor e percebe que está em um quarto que devia ter aproximadamente o tamanho da sua própria casa. Em frente a cama ela vê uma TV de plasma enorme pendurada na parede sobre um móvel um pouco maior cheio de pequenos enfeites, CD’s e DVD’s. Ao seu lado ela vê uma porta detalhada em madeira branca e vidro que se abre para uma varanda lotada de trepadeiras. Além disso, do outro lado havia um móvel com um abajur branco entalhado também na madeira, uma porta que devia dar para um banheiro e um pequeno frigobar.
Uns minutos depois, Amu, ainda analisando o quarto, escuta alguém abrir a porta do banheiro. De lá sai uma mulher de olhos azuis e cabelos brancos ondulados na altura do ombro. Ao ver Amu sentada na cama a mulher sorri.
De repente Amu não está mais no quarto claro. Ela encara fixamente o teto escuro tentando entender o que tinha acontecido. Pouco tempo depois Amu percebe que aquilo não passara de um sonho. Ela se vê novamente em uma cama, agora de dimensões bem menores. Ela tenta se levantar, mas uma dor excruciante a domina fazendo-a gritar. Um homem, que estava deitado ao seu lado a ajuda a se deitar novamente. Ainda zonza por causa da dor ela nem percebe quando o homem tira os lençóis de cima dela para examinar os curativos de sua barriga e perna. Depois de cobri-la novamente ele a passa um comprimido.
– Isso aliviará a dor. – Ele diz suavemente – Vou pegar um copo d’água.
Só então, quando o homem se levanta e vai em direção a porta do quarto Amu percebe que é Ikuto. Vê-lo faz ela se lembrar subitamente dos acontecimentos da noite anterior. Porém ela não se lembrava de nada depois de entrar na casa de Ikuto. Devo ter desmaiado... Depois de tudo isso não me surpreenderia. Pensou. Enquanto aguardava Ikuto, Amu percebeu que não conseguia se mover por causa da dor. Ao olhar pra baixo viu que seu braço, perna e barriga estavam enfaixados e com pequenas manchas vermelhas. Logo descartou a teoria de ter desmaiado assim que chegou na casa. A menos que... Amu se lembrou de Utau falando que ela e Ikuto queriam devorar Amu mas não podiam. Por que?
Nesse momento Ikuto entrou no quarto segurando um copo de água. Amu percebeu que ele tinha olheiras que eram verdadeiras bolsas debaixo dos olhos e seu cabelo estava realmente bagunçado. Sua expressão era do mais puro cansaço e parecia que ele não dormia há dias. Ele chegou perto de Amu e se ajoelhou do lado da cama, lhe entregando o copo. Amu hesitou em pegar o copo e Ikuto percebeu.
– Sei que não sou lá algo digno de confiança, mas pode beber. Não vai durar muito tempo, mas a dor vai passar por umas horas.
Amu olhou para o comprimido em sua mão. Era uma capsula vermelha, não muito grande nem muito pequena. Parecia ter um tipo de liquido pastoso dentro.
– O que é isso? – Amu perguntou.
– Creio que não vai querer saber...
Ikuto respondeu dando um sorrido sarcástico.
– Se eu não souber, eu não tomo.
Amu respondeu decidida. Depois de tudo o que ela tinha passado, não tomar um comprimido era o mínimo que podia fazer. A menos que Ikuto resolvesse enfiar o comprimido goela abaixo.
– Ta bom... Eu digo. Mas não se arrependa. Isso é saliva de vampiro.
Amu demorou a processar a informação. Ele quer que eu tome um comprimido com baba de vampiro? Nem fodendo.
Pela expressão de nojo no rosto de Amu, Ikuto percebeu que ela recusaria e logo falou:
– Saliva de vampiro tem substâncias analgésicas. Ou você bebe isso ou não vai conseguir se mexer por uns três meses. Imagina só! Eu tendo que te dar comida na boquinha, te levar pro banheiro, te dar banho...
– Ta, chega! – Amu interrompeu – Eu tomo essa droga!
– Droga não. Baba.
– Se você não calar a boca eu juro que te dou um murro.
Ikuto riu.
– Como?
Com raiva e tentando não pensar no que tinha dentro do comprimido Amu o tomou com a água. Depois de uns minutos a dor em seu corpo foi diminuindo ate restar só um formigamento nas partes machucadas. Reunindo coragem Amu peguntou:
– Ikuto... O que aconteceu ontem?
– Você não se lembra? – Amu negou com a cabeça. – Bom... Você chegou aqui em casa e surtou por causa do seu cachorro. Aí você saiu correndo, um ato bem idiota, pra procurar por ele. Mas você foi atacada por alguma coisa e quando eu te encontrei, bom, você não estava muito bem. Apesar de ser completamente anormal você se curar tão rápido quanto um demônio, não é estranho você não se lembrar de nada. Aquilo deve ter sido um puto choque.
Amu concordou. Agora que Ikuto mencionara, Amu se lembrou de Kido. Onde ele está? E quando exatamente nós nos separamos? Ela se perguntava. Havia também outra dúvida em sua mente. Por que ela mal se lembrava de Kido? Apenas quando alguém o mencionava.
– Amu? — Ikuto disse, despertando a garota de seus pensamentos. – Vou ver se Utau tem alguma roupa para te emprestar. Creio que você não possa continuar... Assim. – Ele sorriu e Amu percebeu que estava apenas com uma blusa gigante, que deveria ser dele e calcinha. Por impulso ela se cobriu.
– Não se preocupe. – Ikuto sorriu novamente, o que fez Amu quase suspirar. Quase. – Não me interesso por garotas com seios tão pequenos. – Amu sentiu o sangue subir para seu rosto e tinha certeza de que estava vermelha igual um tomate. – Consegue se levantar?
Amu assentiu com a cabeça e se sentou na cama, nervosa. Ikuto a ajudou a ficar de pé e a levou pelo corredor até o quarto de sua irmã. Utau abriu a porta e, pela sua cara amassada e seu cabelo solto, ela também devia estar dormindo. Era a primeira vez que Amu via a garota de cabelo solto. Ela percebeu que Utau era realmente linda. Seus olhos lilases pareciam brilhar e seus cabelos emolduravam seu rosto de forma angelical. Amu se sentiu uma verdadeira mendiga ao olhar para ela.
Depois de alguns xingamentos por causa do horário, Utau finalmente cedeu e permitiu que eles entrassem. O quarto de Utau, com certeza era bem maior que o de Ikuto. Porém era menor do que o do sonho. Ela tinha uma escrivaninha Com detalhes em roxo em um canto perto da cama “Queen size”. A TV era menor que a do sonho e, ao invés de ser pendurada, estava em cima de um móvel simples. Um closet, dois pufes e uma mesinha redonda completavam o quarto. Utau levou Amu para dentro do closet enquanto Ikuto esperava as duas sentado em um pufe. Amu observou a coleção de Utau. Apesar de ela ser maior do que Amu, parecia que a maioria daquelas roupas ficariam pequenas. Amu percebeu, enquanto a loira se trocava, que ela tinha uma cicatriz na barriga que pareciam três garras. Depois de um tempo de escolha, Utau estava vestida com um tomara que caia cheio de fivelas, um short com três cintos caídos, meias três quartos, cada uma de uma cor, e botas. Tudo em detalhes preto e roxo. Amu também estava com um tomara que caia vermelho, uma saia de amarrar, também vermelha, meia arrastão e sandálias pretas. Utau colocou uma gargantilha roxa e deu para amu um colar de diamante vermelho.
Quando as duas saíram Ikuto olhou boquiaberto de Amu para Utau e vice-versa. Depois de um tempo balançou a cabeça e falou:
– Você transformou minha garota numa puta?
Amu, que já estava vermelha, ficou ainda mais com a pergunta. Mas mesmo assim retrucou:
– Eu não sou sua garota muito menos uma puta! – Ela disse séria — Não é minha culpa se sua irmã só tem roupas que dariam pra vestir bonecas.
Ikuto riu com o comentário e Utau bufou. Em seguida, eles ouviram o som de uma campainha. Ikuto olhou para sua irmã que assentiu levemente. Ele olhou pra Amu:
– Fique aqui, apague as luzes e tranque a porta. Se puder, se esconda.Não abra pra ninguém. Nós já voltamos.
Ele e Utau saíram do quarto. Amu trancou a porta e apagou a luz do quarto. Ela entrou no closet e se enfiou em um dos armários apagando a luz. De lá ela podia ouvir algumas vozes abafadas que vinham de baixo. Reconheceu a voz do Ikuto e da Utau, além de mais uma voz masculina. Ela não podia entender o que falavam mas pelo tom de voz deles parecia que Ikuto brigava com Utau, que, por sua vez, tentava defender alguém.
Depois de um tempo o silêncio dominou. Amu esperou no escuro tentando ouvir mais vozes quando uma batida na porta a assustou. Logo ela tampou sua boca para que não emitisse nenhum barulho. As batidas continuaram até que ela ouviu Ikuto a chamando. Aliviada ela se levantou e saiu do closet. Ao abrir a porta ela se deparou, não com Ikuto, mas com algo que parecia um pássaro cinza gigante deformado. Ela ficou paralisada encarando os olhos vermelhos da criatura. De repente Amu soltou um berro e a criatura também. O berro dela parecia algo sufocado e agudo ao mesmo tempo. Enquanto a criatura berrava os ouvidos de Amu começaram a sangrar. Ela já estava quase perdendo a consciência quando o barulho parou. Amu estava tonta e caída no chão quando percebeu que o pássaro estava morto com o pescoço nas mandíbulas de um cachorro marrom enorme. O cachorro largou o pássaro e foi pra perto dela, fazendo-a perceber que não era um cachorro e sim um lobo. Amu desmaiou.
Depois de um tempo Amu se viu com a cabeça deitada no colo de Ikuto. Utau e um cara de olhos verdes e cabelo marrom espetado a observavam. Ikuto percebeu que ela tinha acordado.
– Que tipo de merda você tinha na cabeça? – Ele falou em um tom ríspido – Eu falei para não abrir a porta!
Amu ainda meio zonza respondeu:
– Mas eu pensei que fosse você! Era a sua voz na porta! Como eu ia adivinhar que era um pássaro gigante?
– Quimera. – O cara de olhos verdes corrigiu. – Não era um pássaro e sim uma quimera. Ela pode imitar vozes.
– Foda-se! – Amu e Ikuto falaram em uníssono.
– Desculpe... – Ikuto suspirou. – Eu devia ter te falado que tinha a chave então não bateria.
– Ta bem. – Amu respondeu ainda emburrada.
Utau logo decidiu entrar na conversa.
– Viu Ikuto? É disso que eu estava falando! Ela não está segura aqui! Mesmo com nós dois. Kukai pode levá-la aos nefilins. Lá sim ela estará segura.
– O caminho até os nefilins é uma armadilha atrás de outra! — A raiva no rosto de Ikuto estava de volta. — Não tem porque colocá-la em maior risco!
– Por isso Kukai está aqui! Ele sabe chegar até lá e sabe onde esta cada armadilha! Com ele nós podemos ir sem perigo nenhum!
– Mesmo se desviarmos das armadilhas ainda tem merdas como essa – Ele apontou pra porta onde a quimera estava. – Virão atrás dela!
– Nada que não possamos dar conta! – Utau rebateu. – Vamos Ikuto. Sei que quer mantê-la perto de você mas aqui não é seguro.
Ikuto suspirou e sua testa franzida mostrava que ele refletia sobre o assunto. Amu se virou para o cara que ela supôs que era o tal Kukai e perguntou de que merdas eles estavam falando. Ele explicou que os nefilins eram filhos de anjos com humanos e que haviam dois que moravam não muito longe dali. Ele também falou que nefilins eram criaturas poderosas o suficiente para impedirem que criaturas como aquela quimera chegassem perto dela. Kukai disse que ele era um lobisomem e que mantinha contato com os nefilins, por isso por isso poderia facilmente farejar as armadilhas e chegar até a casa deles sem problema.
Depois de um tempo em silêncio, Ikuto concordou em levar Amu até lá. Enquanto eles se preparavam Amu percebeu que Utau e Kukai eram bem próximos e que Ikuto tinha saído. Quando perguntou para Utau, ela apenas respondeu que ele tinha que resolver algumas coisas antes de partirem.
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00:00
Makaru aguardava pacientemente a volta do gato preto. Sentada em uma árvore ela observava uma cidade pequena ao longe. Suas luzes já se apagando devido ao horário. Alguns minutos depois seu gato preto se posta diante dela fazendo uma reverência.
– Notícias?
Ela pergunta.
– Vamos levá-la para os nefilins. Utau acredita que lá ela estará mais segura mas não sei se podemos confiar neles.
– Os nefilins? – Makaru repete surpresa. – Conseguirá ficar de olho nela mesmo na presença daqueles dois?
– Admito que a presença deles me atrapalhe um pouco, mas nada que vá prejudicar minha missão.
– Você deve ficar mais alerta, meu gato preto, Moka já entrou em ação.
– Sei disso — O gato preto suspirou. – Uma de suas quimeras apareceu lá em casa.
Makau suspirou também – Ai ai... aquela amadora.
Com isso o gato preto se foi, deixando Makaru sozinha com seus pensamentos.
Continua...
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