Anjo
1 One-shot
Olhou para o horizonte, gotas de chuva começavam a cair, as pessoas corriam apressadas para fugir daquela chuva que a cada momento ficava mais intensa.
Gabriel olhou para dentro do quarto escuro, foi até a cama e lá deitou, olhou para o teto e começou a pensar naqueles sentimentos estranhos que sentia por seu amigo, um sentimento que ia além da amizade, um sentimento mais profundo, que fazia as pessoas sofrerem, que fazia seu coração ir a mil quando sentia aquele perfume que tanto gostava.NÃO, NÃO PODIA GOSTAR DE UM MENINO, NÃO DEVERIA.Sabia que se atraía por eles, mas não queria ser gay, não ligava para que os outros pensavam, não ligava para o pai ou para a mãe que mal dava atenção mas e se ele descobrisse?Deixaria de ser seu amigo? Gustavo abandonaria Gabriel como provavelmente todas pessoas iriam fazer?Só de pensar nisso, sentia seu coração apertar em seu peito. Nunca havia amado alguém antes, na verdade, nunca havia sequer namorado, nem beijado. Seus amigos gozavam deve por isso, mas sempre disse: “Vou esperar a pessoa certa”. Esperou, e a pessoa era seu amigo, um menino, o que faria?Tantas perguntas sem uma única resposta, como queria dar um beijo de bom dia naquele garoto especial, como queria abraçá-lo nos momentos mais difíceis, como queria...Mostrar o seu amor.Decidiu se levantar da cama para olhar novamente as pessoas correndo da chuva, Gustavo provavelmente estava saindo do futebol naquele horário, e se ele não estivesse com guarda chuva? Poderia pegar um resfriado e não ir naquela semana de provas na escola.Correu para a cozinha, procurou um guarda chuva e abriu a porta, mas no momento que ia abri-la, parou bruscamente, não, não queria ter aquele sentimento de preocupação. Queria tirá-lo da mente, queria tirar aquele sentimento sufocante do seu coração. Mas não conseguia.Desistiu de pensar naquilo e correu para pegar seu amado, correu como nunca e em cinco minutos já estava e frente à escola onde o maior fazia futebol. -Você sabe se Gustavo Fernandes já saiu daqui?- perguntou ao porteiro -Sim, o vi saindo com a namorada.E o mundo desabou. Namorada? Quando? Não se lembrava disso. Gustavo nunca havia dito isso, então como?Ficou em transe, sentiu os olhos arderem, o coração parou um batida e logo estava tudo descompassado, correu para longe, as lágrimas teimavam em cair de seus olhos, os soluços eram altos, corria em direção oposta as pessoas, queria ir no lugar quando viu ele ela primeira vez.Naquela tarde de verão, o sol queimando levemente a pele dos meninos que jogavam bola naquela praça abandonada, o suor escorria no rosto deles, mesmo com aquele calor, ainda sorriam e comemoravam a cada gol feito.Gabriel corria para sua casa, queria chegar logo e avisar sua mãe que havia passado da faculdade, seu sorriso esbanjava alegria, sua face ficava mais corada com o sol.Quando parou para respirar, olhou para aquela gritaria e logo viu os cabelos negros ao vento, o sorriso radiante, o suor, a camisa colada no corpo, os olhos cinza, naquele momento só pensou em uma palavra: anjo.Não era como um anjo como todos diziam, mas seu jeito mostrava o quanto era especial.Quando se lembrou da notícia que deveria dar a mãe e se pôs a correr novamente.Desde aquele momento Gabriel percebeu que seu coração batia apenas por uma pessoa, percebeu que se levantava de manhã apenas para poder vê-lo jogando futebol naquela praça tão suja, mas que aquele anjo a transformava em uma praça de contos de fada.Parou de correr quando viu aquela mesma praça, aquele mesmo aspecto.Olhou para longe quando viu uma cena que o fez cair no chão.Gustavo abraçando sua irmã. Não, não acreditava, ou melhor, não queria acreditar, a sua irmã, aquela com que contava todos seus segredos, com Gustavo?Não se importou com a chuva, deixou o guarda chuva cair no chão, sentiu gotas frias o atingir como se fosse uma bala, mas a maior ferida estava em seu coração.Quando viu seu anjo dando um doce beijo na menina ruiva.Não aguentou, explodiu, e saiu correndo novamente, não queria saber de mais nada.Agora entendia porque as pessoas choravam e se magoavam com o amor, nunca queria ter se apaixonado, dizem que amar é sofrer, concordava com aquilo.Como Camila pôde? Como ela teve coragem de trair Gustavo?Trombou com uma mulher e com o impacto acabou caindo, não sabia onde estav,a não conseguia ver nada, apenas sentia seu coração sendo despedaçado. Quando olhou para frente e viu duas luzes amarelas vindo em sua direção, não conseguiu se mover e logo sentiu seu corpo sendo arremessado por alguns metros, sentiu sangue escorrendo por seu rosto longo sendo levados com a chuva.Fechou os olhos, mais lágrimas escorriam.Como queria dizer para Gustavo que o amava, como queria ser feliz com ele, mas o destino não queria isso.Sentiu alguém vendo sua respiração, sentiu alguém o chamando, mas aquela voz era tão longe, a reconhecia, mas não sabia de quem era.
Se deixou levar pela chuva e logo sentiu um espaço preto tomar conta de seu corpo, agora era tarde de mais. Apenas deixou uma frase sair de sua boca semi-aberta: -Você é meu anjo.Longe daquele lugar, naquela praça abandonada, Camila decidiu abrir o jogo para Gustavo, decidiu falar o que seu irmão sentia, decidiu juntar um casal. — Como? Gabriel me ama?- falou Gustavo mais sério do que o normal — Te amaO garoto soltou uma risada longa, não podia acreditar então seu amigo gostava dele, então os dois se amavam, poderiam viver felizes.Abraçou a ruiva, a mesma retribuiu o abraço com doçura, estava feliz por ter conseguido juntar seu irmão com Gustavo. — Mas você se lembra do que você me prometeu não se lembra?- perguntou a garota — Lembro, não entendo porque você quer isso, mas tudo bem.Se aproximou da menina e logo deu um curto beijo nela, um beijo sem sentimentos, era a promessa que havia feito com ela.Terminou o feito e correu para procurar seu amado.Quando o viu correndo e decidiu ir atrás, não demorou muito e viu que estava caído no chão no meio da rua e um carro estava indo em sua direção, correu para tentar salvar aquele que mava...Mas não deu tempo, apenas viu o menor sendo arremessado, lágrimas invadiram seus olhos, sentiu que o mundo havia parado.Correu até ele e viu sua pulsação e respiração, ambos fracos, entrou em desespero, gritou seu nome milhares de vezes, mas não havia resposta.Quando ouviu o menor soltando uma frase, não pôde ouvir, estava em pânico.Não podia acreditar que ele estavam se separando, não queria isso.Pegou o celular e ligou para emergência, mas já era tarde de mais.
Notas finais
Fiz um draminha básico Q agora
a inspiração finalmente chegou
*solta fogos*
enfi, espero que tenham gostado
Beijinhos
a inspiração finalmente chegou
*solta fogos*
enfi, espero que tenham gostado
Beijinhos
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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