Anjo
1 Angel
Notas iniciais
Sem mais delongas, lhes desejo uma boa leitura.
Kissus de luz da Talia.
Era primavera, Zeref sabia, olhava as flores dançando sob seu olhar, o vento batendo suavemente em seu corpo, seu olhar transmitia calma e paciência. De fato em meio a seus afazeres com seu próprio reino, ele procurava por ela, pela dona de longos cabelos, que dançavam como fios de ouro, seus olhos tão expressivos como se lembrava, sua pele branca demonstrava pureza, uma pele nunca tocada pelo pecado.
Suspirou ao se levantar e controlar novamente seu poder, ele sentia que já era a hora, em que ela acordaria para si mesma, veria o quão desprezível seria sua vida, então seria como um anjo, um anjo caído sem suas formosas asas brancas, sem sua pureza intocada, sem sua divina aura.
E ele estaria lá quando ela caísse, por que por mais que um anjo fosse bonito, por mais que ela pudesse ficar nos céus o olhando, ele a queria ali na terra com ele. Ele cuidaria de suas feridas, não deixaria que o mundo a rejeitasse.
❤
Mavis andava sem rumo por entre as cidades, os pequenos vilarejos, tudo que via em sua volta era destruição, que a mesma causava por onde passava, havia se passado um ano desde que saíra de sua própria guilda, seu lar. Havia se passado um ano desde que matara a mãe de Makarov e como a sua vida virara injusta. Não sentia fome ou sede, não tinha sonhos, não tinha nada.
Era como o vácuo.
Por tantas vezes tentara se matar, mas como sempre não conseguia, sua maldição não deixava, era sua penitência por um dia ter salvado a vida de um amigo querido, para anos mais tarde matar sua esposa sem sequer querer isso. Olhou para o céu, este se encontrava nublado, suspirou e se abrigou a sombra de uma árvore antes que a chuva caísse de vez, quem sabe algum ser superior olhasse para seu sofrimento e a levasse daquele mundo.
Riu sem humor com seu pensamento, estava começando a ficar louca, não conversava com ninguém desde que partira, por vezes imaginava coisas até cair em si. E como se fosse um reflexo de sua alma, a chuva caiu sem pudor, gota por gota molhava o chão, formando uma lama, Mavis olhava aquilo e sabia que aquela era sua alma, que chorava em meio a escuridão e sujeira por ter matado tantas pessoas, tantas vidas desperdiçadas.
Vida esta que tanto amava, e não podia nem chegar perto, chorou então como todos os dias fazia, chorava sozinha toda a sua dor. Até que a chuva parou dando lugar ao sol, tão vivido, Mavis olhou para aquele céu que tonalizava o pôr do sol, ao menos aquilo ela poderia ver sem que pudesse destruir, aquele sol era a expressão de uma vida que ela já teve, entretanto como fizera no início, não sorriu, não demonstrou nada, afinal não havia o porquê fazer isso.
Ouviu-se passos, novamente achou que estava sendo traída por sua mente, estava de fato ficando louca, os passos foram ficando mais altos, na mesma intensidade, virou então sua cabeça para onde o som provinha e viu ali, aquele que menos esperava ver.
- Mavis. – Falou em um tom ameno, a pessoa que estava a sua frente, aquele que lhe ensinou a magia.
- Zeref. – Sem sequer uma sombra de humor, ela o olhava e ele não tinha mudado nada desde que ela o conhecera.
- Vejo que finalmente acordou. – Sorriu-lhe.
- Eu... – Começara a chorar, como sempre que se lembrava de tudo. – não como há meses, não bebo sequer uma gota d’água e mesmo assim estou viva.
- É a maldição. – Então Zeref viu as lágrimas que Mavis derramava em seu rosto de porcelana, aquilo lhe doeu como uma faca.
- Mate-me, Zeref. – Aquilo foi a gota d’água para Zeref, aquilo lhe dilacerou por dentro, queria matar meio mundo se isso a fizesse sorrir novamente, ele viu ali a ruína de seu anjo, seu único anjo. Quase chorou com aquilo, se conteve, não podia piorar a situação.
- Eu já fui como você Mavis no passado, eu aprendi com o tempo a ver as coisas de um modo diferente, de um outro ângulo. – Ele deu uma breve pausa, antes de continuar. – Nosso tempo é infinito, eu criei demônios que podem ser capazes de me matar, de fato eu ainda não comprovei isso, eu criei um país, lá eu sou um imperador, é muito agradável sabe? – Pausou por um tempo para avaliar a expressão dela, e por veredito final lá estava ela atenta a tudo o que falava.
- Faço isso como uma preparação para a guerra, eu acho, neste país a maldição não faz efeito, pois tenho toda uma população, peões se assim posso dizer. É como se eu estivesse jogando com a vida. – Finalizou absorvendo a expressão surpresa de Mavis.
- Por quê? – Indagou.
- Como eu disse uma preparação para uma guerra, não que eu gosto de guerras, na verdade eu detesto mesmo agora com a expansão eu não penso em somente isso. –
- Mas... Você disse que era agradável. – Questionou Mavis.
- Sério? – Falou de forma confusa e Mavis notou que até os próprios pensamentos dele estavam confusos, como se ele tivesse caído em sua própria armadilha. Ele continuou a divagar sozinho, falando que deveria morrer, enquanto que ao mesmo tempo falava que iria destruir o mundo inteiro se assim fosse preciso. Mavis viu ali que não era ela que de fato estava ficando louca, e sim era ele.
Zeref não aguentou mais o próprio peso e caiu ao chão, com as mãos na cabeça em uma tentativa de organizar e clarear os pensamentos, tudo era confuso e obscuro, os anos que passara sozinho pesavam em sua mente, de fato ninguém merecia aquela maldição. Então em uma tentativa de trazer Zeref de volta a realidade, ela o abraçou, sentia o cheiro de sândalo que provinha dele, deixou-se afundar em seu pescoço, enquanto o cabelo do mesmo acariciava de leve sua face, Zeref ficou surpreso com a atitude da pequena maga e ficou mais surpreso ainda em ouvir tais palavras dela.
- Zeref, somente eu lhe entendo em todo esse mundo, mas, por favor, não desista, juntos vamos achar uma forma de destruir essa maldição, eu prometo. – Mavis se soltou um pouco de Zeref para que pudesse olhá-lo com clareza enquanto os dois se desmanchavam em lágrimas, por conta de todo o passado que ambos já vivenciaram. – Vamos descobrir juntos, Zeref. – Sussurrou a mesma com a voz embargada.
- Sim... – Ele a olhou com carinho, com um sentimento fluindo em seu corpo, em suas veias. Ela apenas lhe sorriu.
- Mavis... – Dessa vez foi ele quem a abraçou, enterrando sua face nos fios de ouro que Mavis continha, se deliciando daquele momento único entre os dois. – Você foi a única que me tratou dessa forma. -
- É claro que não. – Riu sem humor – Você apenas não se lembra. – Zeref se afastou um pouco para que pudesse contemplar o anjo a sua frente, já a amava desde o dia em que se encontraram pela primeira vez, e desde então vem querendo aquele anjo para si, e lá estava ele a tocando, sentindo seu corpo próximo a si, e foi como se tudo que viveu fosse reduzido ao pó e nada naquele mundo era mais importante que ter ela ali.
- Essa é a primeira vez que eu amei tanto uma pessoa. – Declarou-se com todo o amor que continha para com ela, segurou seu rosto com cuidado, observando cada traço de seu rosto, as bochechas levemente coradas devido ao choro recente, sua boca pequena e convidativa estava entreaberta pedindo claramente sua atenção, mas o que mais lhe fascinou naquele rosto foram seus olhos, seus olhos em um tom verde demonstravam tudo aquilo que ele queria que demonstrassem.
Era o amor.
Ficou extasiado em sentir e ver isso vindo dela, enquanto que a mesma observava ele fazer seu próximo movimento que nada mais era do que se aproximar de seu rosto, no qual ela automaticamente fechou os olhos prevendo o que iria acontecer. E sem demoras ela sentiu os lábios dele sob os seus, em um leve toque que logo se transformou em uma pequena valsa, ao dar a ele sua permissão, o toque dele em seu rosto era leve, enquanto que sua outra mão foi em direção as suas costas para aprofundar o ato. Por sua vez Mavis apenas espalmava suas mãos nos ombros daquele que amava.
Sentindo-se mais firme perante aquele beijo, Zeref a puxou pela cintura, fazendo com que a mesma sentasse em seu colo, ela por sua vez enlaçou os braços em seu pescoço buscando um contato mais profundo, estava nas nuvens e ambos dançavam uma dança que outrora fora calma, agora estava urgente.
Separaram-se, apenas para se fitarem ambos ofegantes perante o beijo, Zeref pela primeira vez em anos se sentia completo, assim como Mavis que sempre procurava seu lugar no mundo, finalmente o achou nos braços daquele no qual amava.
- Mavis, se você é de fato um anjo, não vou deixar que você volte nunca para o céu, para ser somente o meu anjo. – Sussurrou ele, enquanto acariciava o rosto de porcelana de Mavis, esta por sua vez corara ao máximo por se lembrar de como estava com ele, mas como um vento passageiro isso logo se dissipou e ela sorriu-lhe com carinho e amor.
- Sim... Zeref, eu estarei aqui para sempre, para sempre ser seu anjo. – Disse-lhe antes de puxá-lo para o selar de lábios, o selar de destinos, contradizendo a todos, indo contra a maré do mundo. Afinal ela era a luz e ele era a escuridão.
Dizem que algumas vidas estão ligadas através dos tempos
Ligadas por um antigo chamado que ecoa através dos tempos.
Notas finais
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Kissus de sol da tia Talia.
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