Anjo
2 Diego.
Segui sozinha pela estrada até minha casa. Coloquei os fones, e enquanto andava observava a floresta e o céu, que começava a ficar nublado, e sem perceber m peguei novamente pensando no encapuzado, e me fazia perguntas “Como será seu rosto sem o capuz?” “E por que vai a pé para casa sendo que é um bilionário?” “Será que tem namorada fora do colégio?” Sem perceber estava quase no meio da rua, quando vinha um carro em minha direção e uma mão fria e firma me puxou. Tirei os fones para agradecer, quando me virei em direção à pessoa, vi Diego. Que antes que eu falasse algo foi logo me repreendendo:
– Tome mais cuidado, não é coerente andar em uma via com o volume dos fonas tão altos. – Mesmo com o capuz todo preto (o que dificultava ver seu rosto), eu consegui ver apenas um pouco de seus olhos, vi também nitidamente seus lábios, que eram bem desenhados e grossos. Sua voz era rouca e firme.
– Há claro. Obrigado por me salvar! Meu nome é Francesca. – Estendi a mão para cumprimenta-lo.
– Prazer, como você deve saber sou o Diego. – Sua mão fria e grande, em um aperto de mão firme mais ao mesmo tempo leve. – Mora muito longe?
– Um pouco, mais gosto de andar. –Respondi.
– Percebo que sua casa fica na mesma direção da minha. Posso lhe acompanhar? – Ele pediu educadamente, com certeza era um rapaz muito educado. Seguimos juntos sem falar muito.
– Você não tira o capuz? – Pergunto quebrando o silêncio.
– E porque deveria tirá-lo?. Pergunta sem olhar para mim.
– Para mostrar seu rosto às pessoas.
– Não sou uma pessoa que goste de se mostrar..- Responde. Ele fica em silêncio por alguns segundos. – Desculpe lhe incomodar, mas feria a gentileza de me informar que horas são?- Perguntou mantendo o rosto virado para frente.
– Faltam dez minutos para uma hora. – Apesar de ser cedo, o céu estava muito nublado junto de uma leve neblina que cobria a via, e um vento frio soprava ás vezes, me fazendo arrepiar.
– Obrigado. – Ele parou e ficou olhando para o céu.
– Algum problema? – Perguntei, olha também.
– É que costumo esperar meu pássaro aqui á essa hora. Hum.. mas já deve estar em casa.- Fiquei olhando para ele, sem perceber que ele fazia o mesmo. – Nunca ninguém me olhou por tão longo tempo. Disse Diego com um sorriso.
– Me desculpe! – Tentei disfarçar, tinha acabado de ficar encarando o cara mais antissocial da escola – Qual é a espécie desse pássaro? — Perguntei enquanto continuávamos.
– É um corvo. Você cuida de algum animal?
– Não, mas gosto de gatos.
– Também gosto de gatos, porém não é uma boa ideia criar gatos na mesma casa que um pássaro.
Andamos mais um pouco até que chegamos em minha casa. Meu pai só chegaria à noite, então terei que cuidar da casa. Paramos enfrente ao portão branco, ele ficou me olhando por uns segundos. Até estranhei, ele quase não virava o rosto para mim no caminho.
– Bom acho que é tchau, foi um prazer conhece-la.
– Igualmente! Ei, você faz o mesmo caminho para ir a escola?
– Sim.
– Bom, então quem sabe não nos esbarramos por ai. – Disse sorrindo.
– Quem sabe né...- ele saiu sem falar mais nada. Entrei pra casa, precisava colocar algumas coisas em ordem, alguns livros e um monte de roupas minhas.
Fui direto pro meu quarto, passei pelo escritório do meu pai. Entrei no meu quarto que não era muito grande, porem o suficiente para mim, fechei as cortinas azul marinho, troquei de roupa, coloquei um short jeans preto não muito curto e uma regata branca, apesar de estar frio a casa tinha aquecedor.
Comecei esvaziando uma mala minha, que tinha mais vestidos e saias que eu pouco usava, coloquei tudo no seu devido lugar. Levei uns vinte minutos para fazer isso. Logo desci para o andar de baixo. Comecei varrendo tudo, como fazia desde a nossa chegada, ainda tinha algumas coisas para organizar e limpar. Tirei o pó de tudo, fiz praticamente uma faxina na casa.
Coloquei todo o lixo em um saco e já fui colocar lá fora, já que era coleta do lixo hoje. Tinha um lugar separado para colocar o lixo. Saí um pouco para fora daqueles muros, fiquei encostada na parede quando algo brilhante sobre a calçada me chama a atenção. Abaixei para pegar, era um triângulo de pontas arredondadas não muito grande, e o que indicava ser de prata, cabia na palma da minha mão, era de um colar. Me surpreendi quando virei do outro lado, havia uma caveira com dois chifres para baixo, e em cada ponta tinha pedrinhas roxas, muito bonitas pareciam emitir brilho próprio, era assustador aquilo. “Diego. Será isto dele? Deve ser, aquele jeito meio sinistro dele, talvez eu tome coragem e pergunte para ele amanhã” – pensei. Voltei para dentro de casa, coloquei aquilo em cima do balcão da cozinha. Como o tempo havia passado rápido e eu mal percebi por está fazendo a limpeza da casa, comecei então a preparar o jantar. Preparei uma macarronada, e fiz um suco natural de maracujá. Após a morte de minha mãe, fiquei um bom tempo sozinha, então tive que aprender a me virar. Quando terminei de arrumar minha pequena bagunça na cozinha, meu pai entra na cozinha, nem percebi sua chegada já que estava virada para a pia.
– Tudo bem filhota? Como foi o seu dia? – Disse me dando um beijo na bochecha, tentei retribuir igualmente, porém meu pai é bem alto, ele já tem seus quarentas, mas é bem forte como um homem de vinte e seis anos, algumas mulheres oferecidas ficam dando de cima dele ás vezes, e isso me deixa com raiva (sim eu tenho ciúmes do meu pai), mas ele fala que nenhuma mulher irá ocupar o lugar da minha mãe.
– E como foi o trabalho hoje? – Pergunto me sentando a mesa de mármore enquanto ele preparava seu prato.
– Foi como sempre, cansativo, conheci minha nova secretária, que por um milagre não deu de cima de mim. – Respondeu rindo e sentando à mesa.
– Milagre mesmo... hum o senhor por acaso já ouviu falar num herdeiro, da maior empresa de tecnologia do país?
– Você deve estar falando do Sr. Diego, sim uma das empresas com que já trabalhei e inclusive essa que estou agora, são parceiras da famosa Blue Sky. Ele nunca deu entrevistas nem nada do tipo, praticamente ninguém sabe quem é, vi ele apenas uma vez quando seu pai ainda estava vivo e foi visitar uma de nossas empresas, ele era só um bebê. Mas por que a pergunta?
– é que tipo, ele mora aqui nessa cidade, e estuda no mesmo colégio que eu, e agora na mesma sala, e vai a pé para sua casa. – Respondi.
– Dessa eu não sabia, você é sortuda hein? Ele é legal? – Perguntou enquanto comia feito lobo.
– Bom ele me acompanhou até aqui em casa...- ele me interrompe.
– Ele veio com você até aqui?? Olha pra Fran rapaz, mau chegou e já está quase namorando. – Fala enquanto se engasgava de rir, ele sabia que eu ficava furiosa quando tocava nesse assunto.
– Para! Nem vem, ele só me acompanhou por acaso. E ele é daqueles antissociais, não fala quase nada. Um caladão.
–- Acho que ele é assim porque não foi criado por seus pais, e sim pelos seus empregados. É uma pena que seus pais tenham morrido, eram pessoas de bem.
– É talvez seja por isso, ele me salvou de levar uma baita de uma bolada na cara hoje. Falei rindo.
– Que bom, agradeça ele por mim, por não deixarem machucar o rosto do meu anjinho. Rimos.
Terminamos de jantar, eu e ele arrumamos a cozinha. Ele subiu para seu quarto e eu para o meu. Quando entrei no quarto meus olhos se depararam com um vulto negro com olhos vermelhos na janela, soltei um grito, meu pai veio correndo.
– O QUE FOI FILHA??? Estava sentada no chão, sem ação, meu coração parecia que ia sair pela boca, eu ouvia meu pai bem baixo. Apontava para a janela, tremia feita vara verde, minha pele já era branca depois disso ficou ainda mais.
– Na jan...na janela, eu vi .. eu vi.
– O que filha? O que você viu? – Estava tão nervosa que nem falar conseguia. Ele me abraçou forte. Tudo bem deve ter sido coisa da sua imaginação, se acalme querida, já passou.
Pude ouvir seu coração batendo quase tão forte quando o meu.
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