Anja
1 Anja
Ele estava debaixo do chuveiro. Apenas lá, sem fazer nada, apreciando o calor da água. Ouviu um barulho estranho na janela.
— Oi?
Não houve resposta. Ele tentou de novo.
— Tem alguém aí?
— Shhhh! Calma, já falo com você.
Era uma garota. Ela parecia assustada com algo, falava extremamente baixo. O que aquela garota estaria fazendo ali, do lado de fora da janela de seu banheiro? Ele esperou alguns segundos.
— Pronto.
Então ele viu aquela pequena garota que entrou pela janela do banheiro voando. Ela devia ter uns 15 centímetros de altura, no máximo. Estava nua, tinha asas negras e flutuava graciosa frente ao nariz do garoto de olhos arregalados.
— Mas o quê? Vo...
— Não grita, por favor, não grita. Se aquele gato me achar ele me mata.
— Não vou gritar mas... Você é uma fada?
Ela pareceu levemente ofendida.
— Fada? Eu sou um anjo, não tá vendo como são minhas asas?
Ele observou mais atentamente as asas da garota. Feitas de minúsculas penas negras, realmente lembravam mais um anjo do que uma fada.
— Anjos são tão... Ahn... Pequenos?
Ela pareceu ainda mais revoltada.
— VOCÊS É QUE SÃO GRANDES DEMAIS, OK?
Ela arregalou os olhos e voou rápida para trás de uma garrafa de shampoo. Não podia ter gritado, o gato poderia ouvi-la. Ela sussurrou.
— Por favor, me tira daqui.
Ele foi rápido em se enrolar na toalha, visivelmente a criatura alada estava com medo de algo. Um gato? Pelo que ela disse era isso. Ele a chamou e a garotinha voou, sentando-se no ombro dele. Ela era quente, confortável de se ter no ombro.
— Pra onde te levo?
—Lá fora, é só me levar no telhado que de lá eu consigo me virar. Só que se eu sair sozinha...
A voz dela falhou. O garoto entendeu e ainda de toalha correu para o lado de fora da casa. Do lado de fora, segurava-a perto do peito, protegendo-a de qualquer coisa que pudesse ataca-la. Pegou uma escada de madeira que sempre era ali deixada, apoiou no telhado e subiu.
— O que você vai fazer ali em cima?
Ele perguntou enquanto começava a andar pelas telhas.
— Pronto Frederic.
O garoto sentiu as costas serem rasgadas. Caiu nas telhas, escorregando um pouco, mas conseguindo se manter no telhado. Olhou para trás e viu um gato enorme, bípede, talvez mais alto do que ele próprio, e a pequena garota nua alada sentar-se no ombro dele.
— Acabe logo, não brinque com nossa comida.
O gato avançou e tudo acabou rápido.
Fale com o autor