Aniversário Da Vovó
1 capítulo unico
Hoje 19 de agosto. Queria que fosse dia 30 ou qualquer outro dia que não fosse neste mês, acordei sabendo que estamos próximo do dia, sim, já estamos pertíssimo do grandioso dia, eu estava com o mínimo de esperanças de que esse ano não iria acontecer, pois Anna Maria, minha prima querida, ainda não havia vindo anunciar se teria, pois ela sempre vem avisar com antecedência de duas semanas, e já faltam três dias, e nada ainda dela aparecer em casa para falar se esse ano vai ou não acontecer para a minha felicidade.
- Pessoas queridas! – chega gritando pela porta – Daqui três dias é aniversario da vovó, eu sei estou meio atrasada para vir falar, já que sou eu quem organiza. – detesto quando ela fala com tom sarcástico.
- Sei, sei. Nós sabemos por que você faz questão de repetir toda vez que você tem oportunidade, ou seja, toda vez que você fala.
- Xii, parece que começou cedo, vejo que essa festa vai ser melhor que todas as anteriores — Disse minha mãe, com um tom quase imperceptível de sarcasmo.
- Eu vou para o meu quarto só saio de lá quando a festa da vovó acabar. – disse minha irmã Mariana.
E Anna Maria quis explicar como funcionaria a festa para meu pai, que ouviu muito bem, até saber que teria que ajudar com os custos da festa, depois disso ele ficou com dor de cabeça. Eu detesto qualquer tipo de festa, confraternização ou jantares em família, ainda mais tendo uma família como a minha, — minha ultima experiência familiar foi no ultimo réveillon. Um tio de quem eu nunca ouvira falar antes – até hoje eu duvido que ele realmente seja meu tio- ficou bêbado e começou a paquerar minha avó, sem contar que depois disso ele passou mal e vomitou na minha tia Header que estava gravida, e, por conta disso ela vomitou no tio Michael (que também estava bêbado). Meu primo John acaba por escorregar no vomito com uma taca na mão que se quebrou e cortou seu braço. Em suma, tivemos que leva-lo ao hospital onde passamos nosso réveillon lá, e essa ainda é uma das minhas lembranças boas.
No dia da festa, por coincidência acordei tendo um pesadelo, onde estou com minha família, todos sentados em volta de uma enorme mesa rustica de madeira. Todos estamos usando roupas típicas do século 19 todos educados e parecendo “normais”, eles pediam, por favor, obrigado. E todos riam sem parar e sem motivos eu já estava assustado, quando sou acordado subitamente por alguém pulando em cima de mim como se eu fosse uma cama elástica. Era minha prima mais nova Megan. Sim o dia já começou com um pesadelo e uma criança em cima de mim.
- Megan saia de cima de mim sua pirralha!
- Tio Thomaz, tio Thomaz, sua mãe me mandou vir te ver, ela me disse que ia brincar comigo.
- Não. Eu não vou brincar com você, agora saia de cima de mim, e eu não sou seu tio sou seu primo — sim eu amanheço bem irritado e mal humorado. Sem que percebece, Megan faz xixi na minha cama com a cara de sapeca que ela sempre faz quando apronta. Quando me levanto, me deparo com a roupa de cama toda molhada. Desço correndo a escada, furioso.
- Manhê, eu vou matar aquela garota que você mandou lá para cima para me perturbar.
- Mas filho eu não mandei ninguém lá para, e, além disso, a Megan esta ali no sofá dormindo praticamente desde que chegou.
Estou eu cá, ajudando a preparar a festa de minha “querida” vó que de mim não gosta desde um pequeno episódio em nossas vidas ocorrido há uns dois anos- ela estava em casa fazia um mês e desde que chegou, ficou pegando no meu pé e me criticando por tudo que eu fazia. Daí, num ela quis pegar no meu pé por comer um bolinho que minha mãe tinha feito. Quando eu retruco, ela fica tão furiosa que vem para cima de mim com uma faca, foi “tenso”, desde esse dia ela não olha mais na minha cara, e evita falar comigo.
- Gente, chegou a hora. – anuncia Anna Maria com grande entusiasmo. – a festa de aniversario da vovó vai começar. Vai ser surpresa, por isso quando ela voltar da casa de repouso em que ela passa toda tarde. – Ótimo vou ter que me esconder e depois gritar “ surpresa” como fazemos todo ano – como se ela já não soubesse que já aguarda e ainda para uma velha que tem problemas do coração, correndo o risco de que ela tenha um enfarto.
— Dona Eugênia, parabéns – saudosa minha tia, que só aparece uma vez por ano no aniversario da velha.
- Ai, obrigada querida. Obrigado por vir também – diz minha querida avó apenas para não fazer desfeita, com a nora que detesta. Como sempre soube toda reunião em família é um mar de falsidades. E como faço parte da família, convivo com isso quase todos os dias, principalmente quando meus tios, Jorge e Emma vêm nos visitar em casa e dizem que nos adoram, mas na verdade eles vêm apenas para esfregar nas nossas caras o quanto mais rico eles são.
A festa começa bem, apesar de terem prendido o Gustavo no banheiro dos fundos, que ainda esta para ser terminada, ela esta correndo bem. A festa esta programada para acabar às 23 horas, são 20 horas e agora estão tocando o LP do Roberto Carlos na picup do meu primo Chad. – Como se já não bastasse ter de assisti-lo todo fim de ano o “rei” cantando na tevê. — tia Header, tio Michael e meu avô estão sentados no sofá conversando sobre nada. Tia Kataryna, tio Benson e meus primos John e Jorge estão na varanda papeando, fumando cigarros e bebendo. Minha mãe esta na cozinha ajudando a preparar o assado para o jantar e conversando com minha avó. Já meu pai esta com meu tio avô falando sobre alguma coisa que eu estou muito interessado em não saber, por que deve ser algo bem chato.
- Jeremias, Jeremias! –grita tia Header, fingindo ter o mínimo de preocupação pelos seus filhos sem sequer notar que quem realmente sumiu foi Gustavo.
- Ele saiu junco com o David, Matheus e o Victor.
- E para onde é que eles foram?
- Como é que você quer que eu saiba, não perguntei para eles. E sai ela embevecida de raiva.
- Clara querida você sabe se o Stanislaw chegou?- diz minha vó com um ar meigo e preocupado com seu filho preferido, como se ele fosse filho único.
- Não mãe, ele ainda não chegou.
- Opa, olha eu aqui, mãe.
— Parece que ele acaba de chegar.
- Stanislaw meu filho. Dá licença- diz minha avó para minha mãe com uma pequena hostilidade na voz.
Estou sentado na sala de jantar que até o momento estava vazia, quando entram meus pais, sussurrando enraivecidos.
- Aonde já se viu uma coisa dessas? – diz minha mãe- Ela o trata como se fosse de ouro.
- Ele está é tentando fazer com que sua mãe venda a casa em que seu irmão esta morando para passar essa no nome dele... – Quando são surpreendidos pela Anna Maria.
- Está na hora do bolo vamos lá para a cozinha a vovó vai assoprar a velinha, hahahaha, a velinha vai assoprar a velinha, hahahaha. Só eu mesmo para pensar essas coisas.
- Clara, eu quero que você venha aqui do meu lado. – disse minha vó enquanto sacudia a mão, E Jorge preparava a câmera para filmar e tirar fotos.
Todos cantamos o parabéns tradicional, menos o Jeremias que se encostou à parede e desmaiou. Depois disso foi à hora de abrir os presentes, meus pais deram uma poltrona reclinável. Tia Header e o tio Michael deram o que sempre dão todo ano nada, mas o presente mais curioso foi o do tio Stanislaw, um envelope que dentro tinha um bilhete escrito: “caixão e mausoléu quitados”. Mas para meu maior choque foi à reação da minha avó, ela chorou de felicidade. Depois disso, fomos ver como ficaram as fotos e filmagem da hora do parabéns, para minha surpresa e indignação de minha mãe, tinham apenas fotos dela tentando tirar a cobertura do bolo do cotovelo com a língua, e a filmagem dela também tentando a mesma coisa por uns quase 30 segundos, todos se entre olharam e começamos a rir, e rimos durante um bom tempo. Rimos até hoje quando nos lembramos desse dia.
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