Aniversário
1 Um dia
Notas iniciais
Um dia como qualquer outro amanheceu em Vermécia. Era primavera; as flores aos poucos se abriam felizes com a chegada dos primeiros raios de Sol. Porém, mesmo com toda a beleza do dia, a imagem de certa moça dos cabelos brancos como a neve se destacava em meio àquele festival de cores que as plantas faziam.
Os inocentes olhos azuis assistiam o espetáculo do grande astro surgindo no céu, felizes como nunca. Hoje era um dia especial para ela: o seu aniversário. Estava completando dezesseis anos de idade, a jovem guerreira cujo nome era Lin.
Rapidamente levantou-se do chão e correu até o resto dos chasers, que se encontravam provavelmente ainda dormindo em seus quartos no hotel de Canaban. Estavam passando uma temporada por lá, descansando das últimas aventuras e emoções que passaram enfrentando as criaturas de má índole que ainda teimam em trazer o caos à Ernas. Nada que o grupo não resolvesse; mas até o mais forte guerreiro precisa de seu tempo de descanso.
A sacerdotisa entrou no hotel e cumprimentou alegremente todos os que viu já acordados, esperando que se lembrassem de algo e dessem os parabéns. Mas tudo o que recebeu em resposta foram desanimados "bom-dia" e bocejos; não pareceram dar muita importância. Talvez seja o sono, pensou a garota.
Resolveu dar um tempo para o pessoal, ainda na esperança que se lembrassem da importância do dia depois que já estivessem completamente acordados. Ela mesma não iria falar; não queria parecer uma garotinha carente de alguma atenção. Mas realmente queria fazer algo de diferente para comemorar o seu aniversário.
As horas foram se passando e a cada momento a garota se encontrava em um lugar diferente. Procurava distrair a sua atenção ao máximo com atividades como: importunar o imortal, colher algumas flores, ajudar as faxineiras do hotel a realizar toda a limpeza. O que não percebera era que certo olhar a acompanhava em tudo o que fazia.
O Cavaleiro de Canaban apenas queria certificar-se de que ela estava bem... Mais do que isso, que ela estava feliz. Ronan sempre fora conhecido como o homem mais gentil da Grand Chase, mas nem toda a gentileza do mundo pode aplacar o sentimento que nutria pela sacerdotisa.
Os cabelos brancos, aqueles olhos azuis, a pele tão macia... Era a donzela mais bela que já conhecera. Mesmo sendo conhecido por sua enorme bravura, sentia-se incapaz de confessar isso a ela. Sentia-se imensamente mal por isso, mesmo sabendo que a culpa não era de todo sua.
O maior motivo de observá-la nesse dia era justamente o de saber a importância daquele momento: era aniversário da donzela que amava. Tentava desesperadamente ter uma ideia, algo que pudesse fazer para a dos cabelos brancos, no intuito de deixá-la feliz. Infelizmente, nenhuma ideia vinha à sua cabeça.
–
O dia fora se esgotando e a garota parecia cada vez mais triste. Todos os chasers estavam agora se divertindo com música e dança oferecidos pelo próprio hotel; em momento algum se lembraram de seu aniversário. Magoada e envergonhada demais para querer lembrá-los de algo que poderia ser inútil para a maioria deles, resolveu sair dali.
Encontrou uma grande sacada protegida por grades brancas nos fundos do estabelecimento, e foi lá que ficou. Sentou-se em um dos bancos, ao lado da planta e do pequeno som que lá estavam; passou a admirar a beleza da Lua, solitária assim como ela. Sim, já havia anoitecido.
Estava tão mergulhada em seus próprios pensamentos que nem notara alguns passos se aproximando. Ao escutar o som começar a tocar uma música calma e orquestrada, virou-se para olhar.
– Concede-me esta dança, linda moça? — O Cavalheiro dos cabelos azuis curvou-se em uma mesura e estendeu a mão, convidando-a para dançar. Isso a fez sorrir minimamente.
– Claro, Ronan. — Disse em certo tom brincalhão; toda aquela educação sempre lhe agradara. Segurou a mão do rapaz e ele a puxou para perto, iniciando uma valsa.
– Por que está tão deprimida, milady? — Em meio a dança, o rapaz pareceu tentar puxar algum assunto.
– Ah... Não é nada... — Ela suspirou.
– Por favor, conte-me. Não gosto de vê-la deprimida. — Ele tinha um tom sereno para falar.
– Uhn... Sinto como se todos se esquecessem de mim. — Não entrou em detalhes sobre a situação.
– Mas eu nunca lhe esqueci, milady. — Nesse momento, ele grudou mais os corpos. O rosto da garota ruborizou-se de leve.
– Ronan...
– Desculpe interromper a sua fala, milady. Mas antes de tudo, queria desejar-lhe um feliz aniversário.
A moça olhou-o surpresa, mas logo soltou um grande sorriso.
– Se me permite... — Ele continuou. — Gostaria de dizer que em hipótese alguma eu te esqueci. Na verdade, passo várias Luas lembrando de ti... Do seu sorriso, dos seus olhos, da sua beleza. — Ele sorria de maneira acolhedora. Aquilo tudo impressionou a garota.
– Ah, Ronan... — Ela olhou para baixo com um sorriso no rosto, tímida. Não sabia o por quê, mas sentia uma enorme felicidade ao ouvir tudo aquilo do cavalheiro; por que estava tão nervosa? — Isso é lindo...
– Milady... — Ao aproximar-se mais, ele segurou o rosto da garota com uma das mãos.
– H-Hm?
– Je t'aime... — Ele roubou os lábios rosados que tanto admirava ao final da frase, dando início a um beijo.
Ela não sabia francês, mas aquela era a única frase que ela entendia.
"Eu te amo."
Apenas a Lua iluminava e assistia o casal naquele momento, junto com as flores noturnas que se encontravam desabrochadas. Parece que aquele aniversário não fora tão ruim assim.
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