Aniquila-me

43 Refém da humilhação


Notas iniciais
Olá, lindinhos! Como vão?? Estou postando bem rápido e vocês sabem como isso é raro.. Então espero que aproveitem. Não tenho muito o que dizer desse capítulo. Alguns dos acontecimentos daqui eu tinha planejado desde o inicio da fic e agora... Quase um ano depois de eu ter postado Aniquila-me, não consigo acreditar que realmente chegou a hora de mostrar a vocês tudo o que imaginei para a história! Espero que gostem. Boa leitura!

Algo gelado e duro envolvia meus pulsos. Minha nuca estava melada, gosmenta e o resto do corpo encharcado de suor. Meus pés ardiam e eu não sabia o motivo. Abrir olhos parecia impossível.

Reuni toda força inexistente do meu corpo. Mordi o lábio inferior seco e forcei que minhas pálpebras pesadas abrissem. Enxerguei o inferno diante dos meus olhos, fui atingida pelo pior deja vu da minha vida.

— Não. Não. Não. — Somente aquela negação foi cuspida de meus lábios.

Não sei dizer como, mas consegui gritar. Infelizmente não foi um grito capaz de destruir aquelas paredes ou de explodir os crânios de todos os demônios que se escondiam naquele lugar imundo. Foi apenas um berro de desespero, de dor. Não foi um grito de uma Banshee, mas sim o de uma mulher em agonia.

Piso de cimento repleto de rachaduras. Paredes irregulares com tinta desgastada. Eu conhecia perfeitamente aquele lugar, todo meu corpo gritava as lembranças dolorosas, humilhantes.

— Não, p-por favor, não! — Choraminguei para o vazio.

Só estava eu ali. Ninguém mais. Ainda assim, sentia a necessidade de implorar por libertação, implorar para que alguém me tirasse dali. Tentei mover as mãos, mas finalmente vi as algemas que mantinham meus braços abertos, esticados.

Eu estava escorada no chão, as pernas inclinadas de maneira estranha, a coluna pendendo para baixo de forma que meu rosto quase alcançava o cimento. Olhei com dificuldade para os lados e vi que as algemas estavam presas a correntes fincadas as paredes. Não tinha como fugir.

A porta enferrujada da cela onde fui trancafiada durante um ano, foi aberta. Virei a cabeça naquela direção de maneira tão brusca que a vertigem dominou minha mente. A visão saiu de foco por uma eternidade de segundos.

— Lydia. — Aquele chamado doce de uma voz extremamente dolorida, fez com que eu voltasse a enxergar.

Incrédula, vi Stiles despencar no chão. O baque de seu corpo desabando arranhou meus ouvidos. A cabeça dele atingiu o cimento com força. De sua boca um grunhido de dor escapou.

Seus olhos estavam arregalados, assustados, o tom de chocolate derretido estava repleto de pavor. Seu rosto, seu lindo rosto, estava manchado por roxo. Hematomas.

— Stiles?

Ele estava sem camisa. O tronco magro exposto e sujo de sangue e poeira. Os lábios inchados, em volta dos olhos tinha hematomas quase pretos. Mal conseguia abrir os olhos devido o inchaço.

Foi automático. Forcei o corpo para frente, lançando todo meu peso. As correntes que restringiam meus braços soaram indignadas com meu movimento. Eu precisava alcançar Stiles!

Meus pulsos giraram nas algemas causando uma dor alucinante. Meu rosto chegou ainda mais perto do chão, minhas pernas se reviraram sem minha permissão.

Ainda assim, mesmo com a dor, mesmo com meu esforço, eu continuava longe de Stiles. Longe demais. Eu não podia erguer os braços para frente, não podia nem chegar perto de tocá-lo. Por mais que usasse toda a minha força em uma tentativa inútil de me libertar, eu continuava acorrentada.

— Senti sua falta, princesa.

Aquela voz doentia, melosa, arrastada fez meus músculos se retesarem. Sem pensar, encolhi os braços o máximo que pude, lutando contra as algemas e joguei o corpo para trás.

Minha coluna bateu com fúria contra a parede atrás de mim, o pavor me fez sentir um frio repentino. Todo meu corpo estava congelando, meu estomago se revirava, meus olhos se inundaram de lágrimas.

— Não toque em mim, por favor. — As palavras impensadas saíram em um sussurro trêmulo, submisso.

Fechei os olhos, comprimi os lábios um no outro. Deixei que as unhas cravassem nas palmas de minhas mãos. Com uma lembrança muscular, dobrei as pernas, deixando que os joelhos atingissem meu peito. Era isso que eu fazia para tentar me proteger dos abusos.

Repentinamente tive consciência de cada pedaço exposto da minha pele. Fiquei dolorosamente arrependida por estar usando um vestido. Meus braços estavam a mostra, minhas pernas.

Não tinha coragem de abrir os olhos, não queria ver o rosto de Kevin. E mesmo assim, mesmo com as pálpebras tapando minha visão, eu sentia o olhar maldoso do demônio em direção do meu corpo. Sabia que ele me devorava, analisava.

— Tenho que dizer, Stiles.... Você soube deixar ela gostosa de novo! — “Não abre os olhos. Não abre os olhos. Não abre os olhos. ” Era a única coisa que me permitia pensar. — Não aguentava mais ela magra daquele jeito. Já estava cansando de ficar comendo...

Um palavrão gritado dominou o pequeno cômodo. Aquilo não veio da voz que me causava nojo, repulsa, mas sim da voz que provocava arrepios na espinha e fazia meu coração disparar. Veio de Stiles.

Eu não queria abrir os olhos, não podia. Sabia que no momento que olhasse para Kevin tudo dentro de mim iria desabar. Precisava me manter forte, precisava resgatar o ódio e a determinação que sentia quando estava no Jeep com Stiles. Mas eu estava repleta de medo e fraqueza.

Sentia como se pudesse destruir todo aquele lugar, matar cada pessoa. Menos ele, menos o demônio que me humilhou de todas as formas possíveis, que tomou posse do meu corpo, me usou como bem entendia na hora que queria.

Não sabia como ser forte, corajosa ou até mesmo, raivosa diante de quem me estuprou tantas vezes, durante tanto tempo. Só de pensar em ser obrigada a encarar mais uma vez aqueles olhos escuros, doentios, eu sentia a necessidade de chorar.

O som duro, cruel, de algo oco se chocando no piso, fez meus olhos abrirem. Eu sabia que aquela atitude me faria desmoronar, porém eu precisava ver Stiles, saber o que tinha acontecido.

— Não! Você não vai machucá-lo!

O pavor que me enchia de um frio inexplicável, não sumiu. Eu continuava congelando, meus músculos permaneciam flácidos, dormentes de medo. A dor na nuca aprisionava meu corpo. Porém, o ódio, a violência, preencheram como chamas cada um dos meus pensamentos.

O rosto de Stiles estava voltado para o chão. Uma pequena poça de sangue se formava ao seu redor. Observei com mais atenção para seu corpo e vi melhor a extensão de seus machucados.

Arranhões, hematomas, sangue fresco. Uma grande ferida aberta nas costas, marcas de sapatos cobriam sua calça rasgada. Ele tinha sido chutado, surrado. A pele pálida estava repleta de sinais de agressão.

— Vejo que voltou ainda mais teimosa, princesa. — A voz grudenta se direcionou a mim.

Meu corpo se retesou com aquele apelido. Aquele maldito apelido! No entanto, meus olhos tomaram a ousadia que eu temia. Encarei Kevin pela primeira vez, meu olhar focou em seu rosto.

O horror de encará-lo foi misturado com doses desiguais de surpresa e prazer. Sim, prazer. Pois para meu total choque e satisfação, o rosto de Kevin não era nenhum pouco semelhante ao que me assombrava. Eu só acreditava que de fato, era ele, por causa dos olhos escuros assustadores.

Kevin estava completamente deformado. Seu rosto era formado por cicatrizes e inchados permanentes. Sua boca estava torta, as maçãs do rosto amassadas, mostrando claramente onde os ossos foram quebrados. Linhas longas, avermelhadas, cobriam sua testa denunciando que foi costurado de maneira brusca.

— Você está vendo isso? — Kevin apontou um dedo para o rosto e eu tremi. Tremi por lembrar da forma como aquele dedo já tinha me invadido sem minha permissão. — Foi seu namoradinho que me deixou assim! Ele não ficou satisfeito em tirar a minha puta, que eu comia todos os dias. Não, ele ainda precisou fazer isso com meu rosto!

Naquele momento eu tinha certeza de que o ar que eu respirava era tóxico. Meus pulmões ardiam, meu estomago doía, as mãos algemadas tremiam. Não conseguia reagir, nem entender o misto de sensação que esmurravam meu corpo.

O homem asqueroso se abaixou ao lado de Stiles. Meu Stiles. Meu Stiles! Ele não podia tocá-lo, não podia feri-lo, mas ainda assim suas mãos imundas ousaram puxar o cabelo escuro do amor da minha vida.

Os lábios finos, lindos e feridos de Stiles proferiram um grunhindo de dor. A mão nojenta de Kevin, a mão que me abusou, me feriu, me penetrou, agarrou os fios da nuca de Stiles e obrigou que ele erguesse a cabeça.

— O que vocês acham que eu devia fazer para aprenderem uma lição? Alguma sugestão? — O deboche imundo que saiu do abusador fez as lágrimas se desprenderem dos meus olhos. — Então devo dizer que tenho uma excelente ideia!

Os olhos escuros foram a minha direção. Fiquei exposta, suja, frágil, refém da humilhação presente naquele rosto deformado. Eu conhecia a violência naquele olhar, sabia o que acontecia comigo toda vez que Kevin me olhava daquela forma.

— Eu vou fazer você ficar com o rosto igual ao meu... — Aquelas palavras baixar foram ditas perto da orelha de Stiles. Algo mais foi murmurado por Kevin, mas eu não consegui ouvir.

Não fazia ideia de quais foram as palavras do demônio, mas Stiles se contorceu. Seu corpo ferido se moveu de forma violenta e algo semelhante a um rosnado rasgou de seus lábios feridos.

— E vou mostrar o que eu faço com sua namoradinha, como eu a rasgo por inteiro. — O sorriso sádico dele fez as minhas lágrimas aumentarem com um horror mudo. — Aposto que vai ser divertido fazer você assistir como a princesa grita enquanto eu gozo dentro dela!

Notas finais
Então... o que acharam? Como devem ter percebido, nessa reta final da fic, a história volta para o clima dos primeiros capítulos. Mais tristeza, sangue, lado sombrio.. e menos amor e sexo hahahaha Eu estou bem nervosa escrevendo esses momentos, então não deixem de comentar para eu saber a opinião de vocês! E ah! Fiquem tranquilos que eu vou explicar tudinhooo que está acontecendo. Cada dúvida que eu deixei solta na fic, está prestes a ser revelada. Vão saber mais do que aconteceu com o Stiles, tanto no presente, como na época que foi salvar a Lydia. Vão saber de cada plano da Eichen House.. e vou até mesmo falar de alguns detalhes, que talvez vocês já tenham esquecido. É isso... até logo! Beijinhos