Notas iniciais
Oi, lindinhos! Como vocês estão? Confesso que ainda estou tristinha com essa fic, mas deve ser só cisma mesmo, então espero que me perdoem... Maaas fiquei muito grata por todas pessoas que lutaram para me animar, eu amo vocês! Espero que vocês gostem do capítulo, porque vocês não têm ideia do quanto está sendo difícil escrever. Boa leitura!

Inferno. Essa sempre foi a palavra que usei para descrever o tempo que passei presa na Eichen House. O tempo que fiquei sem amigos, sem família, sendo violentada, torturada, presa em uma cela.

Antes de ter sido pega, nunca tinha parado para pensar se eu acreditava na existência do inferno. O lugar destinado para o tormento das almas, tão falado em religiões e mitologias sempre pareceu tão perturbador, que eu não queria pensar naquela possibilidade.

No entanto, depois de tudo o que passei descobri que o inferno realmente existe. Existe na própria Terra. Não penso nisso por algo que eu acho, mas sim porque eu vivi durante um ano dentro do inferno. Conheci o pior e mais cruel tipo de demônios: homens. Sim, pessoas normais sem nenhum tipo de poder, foram os meus demônios.

Acredito que enquanto estivermos vivos, vai sempre existir infernos diferentes para cada pessoa, especializados em torturar de maneira intima e pessoal a vida de cada um. Talvez haja pessoas que nunca encontrem esse inferno. Mas ele sempre vai existir, esperando que o destino os leve até lá ou até mesmo, que as pessoas sejam burras e caíam na própria desgraça.

Se o inferno existe na Terra, passei a acreditar que também existe para aqueles que morrem. Só assim eu consigo ter esperança de que um dia todos aqueles que me fizeram sofrer, encontrarão a punição eterna. E também, assim, posso esperar, ter esperança, de que quando eu morrer vou encontrar a paz eterna, longe de todos os demônios que me fizeram ansiar pela morte.

Naquele dia, no Jeep ao lado de Stiles, eu estava decidida a fazer com que meus demônios encontrassem o inferno mais cedo. Não ia mais esperar que a morte natural os alcançassem. Precisava matá-los, todos eles, um por um e fazer com que eles encontrassem os verdadeiros demônios no inferno que existe após a morte.

— Stiles. — Chamei baixo, preocupada.

Stiles estava muito, muito pálido. Percebia que ele queria chorar, mas impedia que as lágrimas presas em seus olhos despencassem pelo rosto. A expressão dele era torturada, agoniante, os lábios perderam a cor.

— Desculpa Lydia, me perdoa por estar fazendo você voltar para lá.

Típico de Stiles. Ele não falou sobre seus medos, sobre seus pensamentos, não demonstrou a dor que era visível que ele sentia. Ele só se preocupou comigo, em como eu me sentia. Se desculpou mesmo ter motivo.

— Nós vamos encontrá-lo. Você sabe disso, não sabe?

— Você ficou sumida por um ano, Lydia. — Ele finalmente liberou as lágrimas. — N-não posso deixar que isso aconteça de novo.

Eu não estava triste. Não queria chorar. Não sentia vontade de me lamentar, nem me esconder. De alguma forma, eu já sabia que o meu inferno ainda não tinha acabado de me atormentar. Enquanto os demônios estivessem vivos, o inferno estaria firme, pronto para me atacar.

Mas eu achei que quando aquele momento fosse chegar, eu fosse sentir medo. Sempre pensei que eu ficaria apavorada, entraria em pânico e voltaria a ser a garota assustada, frágil, como aquela que eu era quando vivia presa como um animal dentro de uma cela.

Porém, para minha própria surpresa, eu não estava com medo. Nem mesmo sabendo que eu estava voltando para a cidade onde tudo aconteceu. Não estava triste. Eu estava com raiva, ódio. Nenhuma palavra é o suficiente para descrever o furor capaz de acelerar meu coração.

— Não vai acontecer. — Tentei passar o máximo de segurança e apoiei a mão no joelho dele, o vendo desmoronar na minha frente.

Aquele dia estava perfeito até eu sair do banho e encontrar Stiles paralisado em frente à mesa de jantar. Ele estava em pé olhando fixamente para uma caixa de papelão e seu celular estava jogado no chão.

Dentro da caixa tinha dez garras de lobisomem. Dez! Todas sujas de um sangue aparentemente recente. Aquelas unhas tinham sido arrancadas brutalmente de um lobisomem transformado.

Antes de Stiles falar, eu já tinha entendido que aquelas garras pertenciam a Scott. E a confirmação daquela suspeita horrenda foi quando ele falou da ligação de Malia e quando eu vi um pequenino papel no fundo da caixa.

O papel sujo de sangue tinha somente duas palavras imprensas: Eichen House.

Foi assim que descobri que meu inferno terreno ainda esperava por mim. Os demônios queriam a mim, queriam ter a última Banshee. Mas então, de alguma forma, conseguiram o alfa genuíno e mandaram aquela encomenda como uma ameaça muda.

Eles já sabiam onde eu estava morando, sabiam que eu estava com Stiles. Nenhum lugar era seguro para nós. Todos os demônios estavam preparados para me atacar, me aprisionar novamente e me afastar do homem que me fez voltar à vida.

— Nós já sabemos onde ele está! Vocês conseguiram me tirar da... — Não consegui dizer o nome do hospício.

Stiles me encarou por poucos segundos e voltou a olhar para a estrada. Fechei os olhos e respirei fundo. Não sabia o que tentar dizer para ele, não tinha ideia de como ele se sentia. Eu só conseguia pensar no que passei no inferno e se Scott estaria passando pelas mesmas coisas.

— Não foi fácil entrar na Eichen, Lydia. O maior problema nunca foi descobrir onde você estava, mas sim chegar até você.

— Como assim?

— Nós precisávamos conseguir passar por todas as portas e descobrir a cela exata onde você ficava. — Percebi que Stiles, finalmente, estava me contanto em como chegou até mim. Ele nunca tinha dado detalhes do plano para me resgatar e eu sempre soube que ele omitia algumas informações. — Eu fui até a Eichen e me internei lá durante uma semana.

Abri os olhos, senti meu maxilar pender para baixo. Fixei o olhar no rosto sério e concentrado de Stiles. Ele não me encarava, mas eu podia ver a sinceridade transbordando de seu rosto molhado por algumas lágrimas.

— Você se internou lá? Stiles! Você tem noção do que eles poderiam ter feito? É óbvio que eles sabiam que você queria me buscar! — As palavras sumiram da minha boca quando eu comecei a entender.

Stiles sempre teve o mau hábito de esconder seu sofrimento, seus problemas. O único motivo para ele nunca ter dito sobre meu resgaste, só podia ser por algo ter acontecido com ele. Algo que não queria que eu soubesse.

— O que eles fizeram?

Ele estremeceu, os olhos permaneceram focados na rua à sua frente. O horror surgiu dentro de mim como pancadas violentas. Pela primeira vez percebi que Stiles poderia ter tido uma amostra de como é ficar aprisionado no inferno.

— Torturam você. — A afirmação saiu amarga dos meus lábios.

— Eu peguei o cartão de acesso que precisava.

— Stiles.

O medo que não tinha me atingindo até aquele momento, surgiu. Aquele temor se alimentou do meu ódio, cobrindo cada sentimento, cada pensamento meu. Não conseguia pensar na possibilidade de alguém machucá-lo. Como alguém poderia tocar nele?

— Não fizeram nada que marcasse meu corpo. — Mordi a boca com a fala dele, pensando nas minhas cicatrizes. — Não há nada que eu não faria por você, Lydia. Eu fiz o que foi preciso e vou fazer o mesmo pelo Scott.

Sua voz não falhou, seu rosto não demonstrou dúvida. Aquilo não era uma possibilidade, algo a ser pensado. Stiles estava falando com convicção, certo do que faria.

Por que a pessoa mais doce do mundo tinha que ser a que está mais disposta a se sacrificar? Ele não pensava em si, nem nos próprios medos, na própria dor. Stiles não queria proteção, ele só queria proteger.

— Eu não vou deixar você entrar sozinho naquele lugar. — Stiles não pareceu surpreso com minhas palavras, mas eu me surpreendi com a resposta dele.

— Você não vai me impedir.

O choque da resposta severa me pegou completamente desprevenida. Fechei as mãos em punho e o encarei incrédula. Ele apertava o volante com força, o maxilar estava trincado, demonstrando firmeza e irritação.

— Como ...

— É você que não vai entrar naquele lugar, Lydia. — Só quando ele virou totalmente o corpo na minha direção é que eu percebi que já tínhamos percorrido todo o longo caminho até Beacon Hills. Ele tinha acabado de estacionar o Jeep. — Se eu for com alguém para aquele lugar, vai ser com o Liam e a Malia.

Raiva ainda era um sentimento difícil de ser controlado. Eu já tinha conseguido vencer a ira constante que eu sentia a cada segundo que passei no inferno, no entanto, ainda assim, foi quase impossível controlar o ódio que queimou meu corpo.

— Eu preciso ir! Como vou ajudar a pegar o...

— Você não vai ajudar, Lydia. — Senti minhas mãos tremerem de raiva, revolta. Desde que me apaixonei por Stiles, desde que entendi que o amava, eu não senti tanta raiva dele como naquele momento. — Você vai ficar em algum lugar seguro.

Duas coisas aconteceram simultaneamente enquanto eu abria a boca para responder Stiles. Em um momento, só conseguia pensar que estava começando a brigar com ele e no outro, escutava um som irritante que tirou meus pensamentos de foco.

A primeira coisa foi um vulto que surgiu na janela próxima de Stiles. A segunda, foi perceber que também tipo algo, ou alguém, próximo a minha janela, atrás de mim.

Não tive tempo para pensar. Não tive tempo para entender. Não tive tempo para gritar.

Vi a expressão de susto de Stiles e então, os vidros se estilhaçaram no mesmo segundo. O barulho das janelas quebrando, foi o som que me tirou de foco, que roubou meu raciocínio.

Cacos caíram sobre meu corpo, cortaram minha pele. Algo atingiu minha nuca com uma força alucinante. Então, de repente, eu só podia sentir a dor crescente e enxergar a escuridão, o vazio.

Não podia me mover, não podia fazer um grito romper de minha boca. Fui aprisionada pelo escuro, pela falta dos sentidos. E naquela escuridão, naquele vazio, o que mais me apavorou foi não enxergar Stiles, nem o ouvir.

Onde ele estava? O que tinha acontecido?

Notas finais
Eu sei que estou demorando demais para responder os comentários, mas saibam que eu leio cada um e que é muito importante para mim o apoio que vocês me dão! Vou lutar para conseguir responder cada um de vocês. E sobre a fic... Fiquem tranquilos que eu vou saciar todas as dúvidas de vocês nos próximos capítulos! Eu finalmente tenho certeza de como vai acabar a história e quero mais do que tudo, que vocês aproveitem intensamente esses últimos capítulos. Beijinhos e até logo!