Aniquila-me
52 Epílogo
Notas iniciais
Terceira pessoa
Stiles chorou. Chorou muito mais do que podia ser considerado saudável para alguém tão frágil em um leito de hospital. Ficou sem fôlego, arfando, o coração disparado martelando nos ouvidos.
Lydia não soube como reagir. Ficou paralisada, os olhos arregalados e a expressão repleta de angustia enquanto via Stiles se desfazer em lágrimas. Além de tudo, ele estava tímido, envergonhado com o choro.
— Eu posso chamar alguém... — Ela disse por fim, em um sussurro. Ela já sentia vontade de chorar, horrorizada pela reação do Stilinski.
— Lydia!
Ela já estava indo em direção a porta da pequena sala quando foi chamada. Encarou os olhos castanhos molhados de lágrimas e de forma automática, voltou a andar em sua direção, ansiosa para saber o que ele tinha para falar.
A Martin não tinha nem conseguido absorver que Stiles tinha a pedido em casamento. Apesar de tecnicamente, não ter sido a primeira vez que ele dizia para se casarem, algo naquele dia tornou o pedido mais real. Talvez pelo fato dos dois mais uma vez, terem passado por experiencias de quase morte, mas estarem ali, juntos, vivos.
Ela não teve a oportunidade de ter nenhuma reação, pois após os dois falaram ao mesmo tempo, ela contando sobre a gravidez e ele a pedindo em casamento, de imediato Stiles passou a chorar.
Os piores pensamentos já tinham passado pela cabeça de Lydia. Ela tentava interpretar a reação de Stiles. “Ele não quer o bebê” e “ele deve saber que tem algo errado com minha gravidez”, era o que mais atormentava sua mente.
Ela própria ainda não sabia como se sentir em relação ao feto, mas era óbvio que Stiles já sabia.
Stiles permaneceu calado, a encarando e chorando em silêncio. Por isso, Lydia se aproximou mais. Grudou o corpo na maca e se inclinou para mais perto. Então, para sua surpresa, as mãos grandes do garoto foram até as laterais do seu rosto.
Em uma das mãos, Stiles ainda tinha uma agulhada ligado ao soro que recebia na veia. Porém, isso não o incomodou. Nem mesmo os aparelhos ligados ao seu peito, controlando seus batimentos cardíacos.
Ele ignorou todos os objetos médicos, o lugar onde estava e também, ignorou a sua própria fragilidade. Pressionou os dedos nas maçãs do rosto de Lydia e a puxou. Fez com que os lábios se encontrassem com os da garota que amava.
Lydia achou que seria só um selinho, mas Stiles queria ir além. Ela ainda estava confusa, assustada com o choro do Stilinski, no entanto, os movimentos rápidos da boca fina sobre a sua, lhe roubou os pensamentos.
Não conseguia pensar direito e em questão de segundos, também já não conseguia respirar. Após o encontro das bocas, foi a vez das línguas se conectaram de maneira conhecida e então, os dentes de Stiles se ocuparam em consumir o lábio inferior de Lydia.
O aparelho que indicava os batimentos cardíacos de Stiles, se agitou. O bipe que antes era lento, acelerou consideravelmente, mostrando o quanto o beijo estava o afetando.
— Stiles... — Lydia queria reclamar, o afastar, porém, o som ficou semelhante a um gemido sofrido.
Em resposta, Stiles grunhiu e levou uma das mãos a base da coluna de Lydia. Pressionou ali com força o suficiente para fazê-la se desequilibrar, desabando sobre a cama, sobre o corpo dele.
O peso sobre o corpo machucado, fez Stiles fazer uma careta de dor e resmungar baixo. O rosto de Lydia se tornou preocupado e ela estava prestes a tentar afastá-lo mais vez, no entanto, ele voltou a beijá-la.
Era impossível interromper um beijo tão bom, com tanta intimidade e paixão.
Lydia, que segundos antes não conseguia parar de pensar e se preocupar, esqueceu imediatamente de tudo que antes a afligia. Tentando ter cuidado, se permitiu levar as pernas para a cama de Stiles, conseguindo colar seus corpos daquela forma.
Seios contra o peitoral magro. As mãos dele caminhavam pelo rosto macio e por toda a coluna de Lydia e as delas, intercalavam entre pescoço e peito. A temperatura de seus corpos aumentou e arrepios dominaram as peles.
Em algum momento, Lydia se deu conta de que não se importava em fazer sexo ali mesmo e Stiles... bem, aquele já era o plano dele desde que a beijou. Ele não tinha nenhuma preocupação com as feridas do corpo.
Duas batidas na porta ecoaram pelo quarto, mas óbvio que eles não ouviram. Estavam ocupados demais.
Melissa abriu a porta devagar e logo em seguida, arquejou de surpresa. Isso sim foi capaz de atrair a atenção de Stiles e Lydia. Eles pararam de se beijar e a encararam, surpresos.
— Deus! Por que isso sempre acontece comigo? — A mulher se lamentou corada, pensando em quando flagrou o filho em uma situação muito parecida.
Constrangida, Lydia saltou da cama e ajeitou a blusa que Stiles tinha tentado tirar. O Stilinski corou muito e secou as lágrimas que ainda permaneciam marcadas no rosto.
— Seu pai está ansioso para vê-lo, Stiles — Melissa murmurou ainda constrangida, desviando o olhar — E Scott também.
Os olhos de Stiles ganharam brilho ao ouvir o nome de Scott. De imediato, ele sorriu.
— Scott está...
— Ele vai para casa daqui a poucos dias.
Stiles sorriu mais. Melissa também sorriu.
— Eu... vou deixar vocês se ajeitarem antes de chamar o Noah! — Anunciou constrangida outra vez e se virou para sair do quarto — E Stiles, você ainda tem que ficar de repouso! Nada de sexo até que esses machucados melhorem!
Lydia conseguiu rir. Um som baixo e embaraçado. Stiles encarou as próprias mãos como uma criança que sabia que tinha feito besteira. Assim, Melissa saiu do quarto hospitalar.
— Primeiro você chora e depois me beija! — Lydia disse, enfim expondo sua frustração. Levou as mãos ao cabelo ruivo e voltou a pensar demais. Se dando conta de que Stiles ainda nem sabia sobre o plano de Eichen que provocou aquela gravidez.
Stiles encolheu os ombros e sorriu ao mesmo tempo. Mais uma vez, as atitudes contrastantes deixaram Lydia confusa.
— Eu sempre quis ser pai.
Os olhos verdes analisaram Stiles com surpresa e incredulidade. Ele tinha chorado de emoção?! Todas aquelas lágrimas incessáveis e desesperadas eram de alegria?
— Você...
— Nunca pensei que um dia fosse realizar esse sonho! Tinha tudo para dar errado, para eu morrer ou você.... — Stiles se engasgou. A voz continuava falha e ele não tinha forças para pronunciar o medo que o assombrou. — E então você me diz isso...
— Stiles — Lydia sussurrou o nome dele, apesar de nem saber o motivo. Gostava de como sua voz pronunciava aquilo.
— Anjo, você tem ideia do quanto me faz feliz? Do quanto estou realizado?
Lydia abriu e fechou a boca, mas nenhum saiu.
— Você me salvou lá dentro, Lydia. Você conseguiu me salvar e salvar Scott e agora... — Mais uma vez, Stiles parecia prestes a chorar — Eu amo tanto você, meu anjo.
Ela arfou. Novamente, não conseguiu responder.
— Agora você está me salvando de novo...
A frase pareceu incompleta e por isso, Lydia conseguiu forçar a garganta até sussurrar “salvando do quê? ”. Sua voz mal saiu, porém Stiles escutou com perfeição.
— De viver uma vida sem você.
Eles continuaram se encarando por um silêncio que pareceu longo demais e depois, riram juntos. As risadas inesperadas saíram de ambos os jovens como se não tivessem passado recentemente por tantas atrocidades.
Talvez quem olhasse para o garoto ferido no leito do hospital, não entendesse o motivo para rir. Porém os dois, conectados pela convivência, pela familiaridade, encontraram motivo para gargalhar em meio àquela situação desconfortável, pelo simples fato de Stiles ter sido meloso demais.
— Parece que você é um personagem de uma comedia romântica ruim! — Ela acusou, ainda rindo.
Quando o pai de Stiles entrou no quarto, nervoso para falar com o filho, ele encontrou o casal rindo sem nenhum motivo aparente e de imediato, pode se tranquilizar.
Lydia sabia que ainda precisava contar que a Eichen estava relacionada a gravidez. Stiles sabia que precisava ficar preocupado por seu pai adolescente. Os dois sabiam que ainda passariam um bom tempo naquele hospital.
No entanto, naquele dia, eles precisavam ser felizes. Precisavam se entregar ao alivio e a alegria de estarem vivos por mais um dia. Eles tinham sobrevivido e nada mais importava.
Por um dia, Stiles e Lydia não tiveram nenhum medo, nenhum problema.
**
As mãos de Stiles estavam entrelaçadas com as de Lydia. Os dedos dele tremiam e a palma estava toda suada. Já a mão da Martin, estava gelada. O contraste entre as temperaturas parecia aumentar a tensão entre eles.
— Que tal Bruce?! — Stilinski se apressou em dizer, ansioso para tentar acalmá-la.
— Tipo Bruce Wayne — Lydia completou com um revirar de olhos.
— Peter? — Ele tentou mais uma vez, já com um meio sorriso nos lábios finos.
— Por causa do Peter Parker.
— Então... Luke?
— Sério, Stiles? Luke Skywalker?
— Não é justo colocar defeito em todos os nomes — Por fim, ele reclamou rabugento, fazendo um enorme bico nos lábios e soltando a mão de Lydia.
— Você só pensando em nomes de personagens nerds!
A voz de Lydia aumentou e então, Stiles realmente se irritou. Ficou de pé, cruzou os braços na frente do peito e encarou a noiva com uma expressão brava. Os olhos estreitos, as sobrancelhas unidas de tão franzidas.
— Como você ousa... — Stiles se engasgou no meio da fala pelo constrangimento quando a medica voltou para a sala, flagrando-os no meio da discussão que estava prestes a acontecer.
Com muito esforço, o Stilinski se esforçou para engolir a irritação e voltou a sentar na poltrona perto de onde Lydia estava. Passou a bater o tênis contra o chão de forma irritante.
— Tem como ser mais infantil do que isso? — Ela reclamou o olhando com raiva.
Stiles fez sua típica expressão de “desafio aceito” e mostrou a língua para ela, agindo como uma criança de cinco anos. Lydia tentou se conter, mas acabou repetindo o gesto: Mostrou também a língua e depois, lutou contra o desejo de sorrir.
No entanto, as laterais de seus lábios grossos se inclinaram para os lados, denunciando o sorriso reprimido. Stiles acabou sorrindo também e a expressão antes irritada, se suavizou em questão de segundos.
— Nerd! — Ela disse ainda com tom de briga.
— Melhor ser um nerd assumido do que uma nerd incubada igual a você!
A risada baixa não veio de Lydia nem de Stiles, mas sim da medica que erguia na direção do casal as imagens da ultrassonografia que tinha acabado de ser realizada.
— Normalmente os pais choram ao descobrir o sexo do bebê. — Ela comentou ainda risonha.
— Não somos pais comuns — Stiles comentou com tranquilidade e sem perceber, coçou a cicatriz fina e rosada que marcava seu rosto.
Lydia odiava vê-lo coçando a cicatriz que adquiriu graças a surra que levou de Kevin. Stiles tinha pego a mania irritante de mexer ali toda hora, pois o incomodava sentir sobre a pele aquela imperfeição que antes não existia.
— Nem esse bebê — A médica comentou despreocupada, porém, se arrependeu ao ver a tensão que surgiu no casal à sua frente.
— T-tem alguma coisa errada? — Lydia perguntou rápido, se mexendo na cadeira dura.
— Não! O bebê está bem! — Apesar da fala tranquilizadora, a médica, Sarah, percebeu que os dois continuaram tensos.
Melissa sabia que toda grávida precisava de um obstetra, ainda mais uma grávida como Lydia, que tinha passado por experimentos desconhecidos. Por isso, logo depois que ela soube daquela gravidez, fez de tudo para encontrar uma médica boa.
Foi com a ajuda de Deaton que ela encontrou a médica perfeita: Sarah. Além de uma ótima obstetra, ela sabia do mundo sobrenatural e por isso, Melissa, Noah, Lydia e Stiles, todos juntos, conversaram com Sarah sobre o caso especifico da gravidez da Martin.
Só uma medica que soubesse sobre os experimentos desconhecidos e que Lydia era uma banshee, seria capaz de ajudar naquela situação delicada. Então, Sarah sabia muito bem o motivo da tensão do casal toda vez que ia falar sobre o feto que se desenvolvia.
Eles tinham acabado de descobrir que o bebê era um menino, mas só conseguiam sentir preocupação e eram invadidos por diversas perguntas emboladas e sem respostas.
— Ele está se desenvolvendo normalmente, como um feto comum e saudável — Sarah disse tentando demonstrar sua sinceridade, ansiando acalmar os jovens.
— Se é um menino, talvez não aconteça nada com ele, não é? — A voz de Lydia transmitiu uma esperança que há um bom tempo já não se permitia sentir.
— Só existe banshee mulher — Stiles disse em concordância, afirmando com a cabeça como se quisesse convencer a si mesmo — Talvez ele só herde o gene e seja uma criança normal!
Após falarem, os dois olharam fixamente para a médica com uma esperança muda no rosto. Sarah suspirou, frustrada, pois queria ter uma resposta conclusiva para eles.
Da biologia humana, ela entendia, porém, sobre o mundo sobrenatural, ainda mais envolvendo uma ciência obscura, não tinha como ela conhecer amplamente. Não tinha como confirmar que o bebê seria como qualquer outro.
— Só vamos saber quando a criança nascer — Disse por fim, abaixando o olhar para não ter que encarar o rosto deles — Não tem como prever o que vai acontecer. Só posso garantir que agora, vocês esperam um menino muito saudável e que vou continuar fazendo exames regulares para acompanhar toda a gravidez.
Lydia estremeceu ao pensar que seria sujeita a muitas injeções e exames. Ela tentava se controlar, porém, ainda sentia medo de todo ambiente hospitalar depois de ter enfrentado tantas experiencias traumáticas no meio de agulhas e aventais de médicos.
Como se soubesse o que Lydia pensava, Stiles voltou a segurar na mão dela. A Martin abaixou a cabeça e ficou encarando a mão direita do Stilinski, onde estava a aliança de noivado, brilhando com sutiliza na pele muito branca.
— Eu estou com você, anjo — Ele lembrou em um sussurro corajoso, apesar do medo visível nos olhos castanhos.
**
Poucos meses depois da primeira ultrassonografia, as alianças douradas passaram a adornar as mãos esquerdas de Stiles e de Lydia. Deixarem de ser apenas namorados, apenas noivos.
Eles conseguiram encontrar uma pequena casa em uma cidade muito próxima de Beacon Hills. Era necessário cerca de uma hora dirigindo para romper a distância das cidades. Foi ali, na pequenina casa com o quintal repleto de diferentes flores, que eles começaram a vida de casados.
Stiles voltou a cursar a faculdade de direito, passando a estudar no período da noite. Lydia conseguiu começar a faculdade, na mesma universidade que o marido, na nova cidade em que moravam.
Bastou o Stilinski arrumar novos atestados falsos mostrando que Lydia tinha finalmente se curado da “rara doença” que exigiu que ela buscasse tratamento fora do país. Aquela mentira planejada pelo menino salvou o futuro estudantil da banshee.
Dentre as opções de curso disponíveis a Lydia, ela optou por arquitetura. Unia seu talento para desenho e a facilidade assustadora para matemática.
Além disso, Prada, o cachorro de Lydia, passou a morar com eles. Noah ficou sentido por ter que se despedir do bichinho que estava morando com ele a quase dois anos, mas Stiles adotou um novo cachorro e presenteou ao pai como uma forma de consolo.
Lydia se emocionou quando reencontrou o cachorro que odiava Stiles. Vivia perseguindo o garoto pela casa, rosnando e o mordendo sem parar. Ainda assim, Stiles era bonzinho com o animal que o irritava, até porque, sabia o quanto era importante para Lydia aquele pequeno cachorrinho que a fazia lembrar de sua vida antes do Inferno.
— Será que ele está bem? Malia pode...
— Malia vai cuidar bem do nosso menino, anjo — Stiles tentou pela decima vez no mesmo dia, tranquilizar Lydia — Scott está com eles também.
Lydia concordou com a cabeça e lutou para tentar relaxar sobre a cama os ombros tensos. Stiles suspirou cansado e sentou, olhando para a esposa deitada com o corpo duro, desconfortável.
— Vire de costas — Ele pediu gentil e de imediato, ela sorriu.
Lydia virou as costas para Stiles, apoiando a barriga contra o colchão. Fechou os olhos quando sentiu as mãos grandes e conhecidas apertando seus ombros em uma massagem relaxante.
— Você precisa relaxar — Sussurrou rouco, descendo com delicadeza os dedos sobre as costas esbeltas, sentindo a tensão presente ali.
Ela não respondeu. Não se moveu. A mulher, que recentemente tinha adquirido o sobrenome Stilinski, só continuou parada, controlando a respiração, permitindo que o marido cuidasse de seus músculos cansados.
— Desde que o Benjamin nasceu, nós não temos um momento sozinhos... — Stiles voltou a falar. Dessa vez, inclinado por cima de Lydia o suficiente para que os lábios tocassem sua nuca exposta.
A menina, jovem demais para já ser casada e mãe, sorriu ao ouvir o nome do filho. Depois de muita briga sobre qual seria o nome, o casal chegou ao consenso de que escolheriam o nome pelo significado.
Depois de um pouco de pesquisa, Lydia se deparou com o nome Benjamin. E nesse nome, encontrou o significado perfeito: filho da felicidade, o bem-amado. Assim, ela conseguiu convencer a Stiles a não nomear o filho inspirado em personagens nerds.
Stiles e Lydia já tinham decidido que nunca esconderiam o mundo sobrenatural do filho e que também, em algum momento, falariam sobre o ano que Lydia passou na Eichen, para que ele entendesse o risco de algo ser diferente em seu organismo por causa dos experimentos.
É claro que não contariam os detalhes pesados demais, coisas que Benjamin nunca precisaria saber. No entanto, a maior preocupação que eles já tinham era deixar claro que apesar da forma como ele veio ao mundo, era a maior felicidade na vida dos dois.
Eles amavam com todas as forças o pequeno Benjamin. Ele era um bebê gordinho, com cabelo muito escuro e olhos verdes e brilhantes como os da mãe. Era lindo.
— Faz cinco meses que não fazemos sexo? — Lydia perguntou, surpresa ao se dar conta do tempo.
— Sete meses! — Stiles respondeu rápido demais, fazendo com que a esposa virasse o corpo para o lado, impedindo que a massagem continuasse para poder encará-lo. — Não que eu esteja contando o tempo... — Ele tentou corrigir a situação, envergonhado.
Eles riram quase ao mesmo tempo.
— Tem razão... nós não fizemos nada nos últimos meses da gravidez. — Ela percebeu e desistindo de tentar relaxar, sentou ao lado de Stiles.
— Como as pessoas conseguem trabalhar, estudar, cuidar de um filho pequeno, um cachorro chato e fazer sexo?!
Lydia deu um tapa fraco em Stiles quando ele disse “cachorro chato”. Em resposta, ele apenas balançou os ombros com indiferença e continuou a encarando, como se esperasse uma resposta.
— Acho que ninguém consegue dar conta de tudo.
— Talvez se a gente largar o emprego, dê para gastar esse tempo fazendo sexo, o que você acha? — Ele ergueu uma sobrancelha ao falar, a expressão debochada e um tanto familiar.
— Bem mais divertido do que trabalhar! — Concordou risonha.
Olheiras marcavam os olhos de ambos os jovens. No entanto, enquanto estavam ali, sentados na cama, se encarando, tinham a impressão de que nunca estiveram tão lindos.
Lydia estava descabelada, vestindo um pijama curto que era quase infantil demais e Stiles, usava uma cueca samba canção do Batman e do Robin com uma blusa antiga cobrindo o tronco.
— Eu amo você — Ele disse com sinceridade.
— Eu sei!
Stiles abriu o maior sorriso do dia. Os olhos se arregalaram de empolgação.
— Você acabou de fazer uma referência a Star Wars?! — Ele praticamente gritou, feliz.
Mais uma vez, ela começou a rir.
— O império contra-ataca! — Ela pronunciou o nome do filme em um tom provocativo.
— Meu Deus! Não existe nada mais sexy do que você!
Após falar aos gritos, Stiles se jogou sobre Lydia. Ficou por cima do corpo magro e os dedos compridos começaram a lhe provocar cosquinha. A menina passou a rir mais alto, refém das cocegas que as mãos do marido proporcionavam.
Ficaram daquela forma por longos minutos e Stiles só parou de fazer cocegas em Lydia quando os dois foram interrompidos pelo casal que invadiu o quarto deles sem nenhum pudor.
Era Scott e Malia.
Lydia tentou se recompor, empurrando Stiles para que saísse de cima dela. Preocupada, seus olhos maternais só se acalmaram ao ver a forma carinhosa que Scott segurava Benjamin.
— Malia, dava para a gente cuidar mais um pouquinho dele! — Scott resmungou e foi completamente ignorado pela Hale.
—Ficamos com o Benjamin por duas horas! Era isso que vocês precisavam, né? Algumas horas sozinhos?! — Malia se apressou em dizer e Stiles percebeu que ela parecia pálida demais.
— Continua com medo de bebês? — Stiles perguntou rindo, tranquilo.
— Eu não sei o que fazer! Não entendo o que ele quer dizer! Fica fazendo barulhos com a boca e tentando...
— Benjamin ama você, Malia! — Scott interviu e como se para comprovar aquela fala, o bebê se contorceu nos braços do McCall até conseguir agarrar a mão da Hale.
Malia pareceu se assustar, olhando com os olhos meio arregalados para o bebê de cincos meses que sorria para ela, babando um pouco por causa dos lábios abertos.
Lydia não suportou ficar sentada. Levantou e foi até Scott com os braços erguidos. Benjamin olhou para ela e largou a mão de Malia. Começou a balançar as perninhas gordinhas, feliz ao ver a mãe.
— Vem cá, meu bebe! — Ela cantarolou sorrindo. Pegou o filho dos braços de Scott e o aninhou sobre os seios e barriga. — Sentiu saudades de mim?
Stiles ficou admirando a cena. Observou a felicidade de Lydia com a pequena criança em seus braços. Depois, voltou a olhar de relance para Scott e Malia.
— Obrigado por cuidarem um pouco dele!
— Conseguiu transar?! — Scott tentou perguntar com a voz baixa, mas todos ouviram a pergunta dirigida a Stiles.
O Stilinski corou, a Hale riu.
Stiles ficou de pé, querendo arrumar uma maneira de expulsar os melhores amigos do quarto e só aí, se deu conta de que ainda vestia apenas a cueca samba canção.
— Todo mundo nesse quarto já viu você pelado várias vezes — Malia comentou antes que o garoto pudesse demonstrar o desconforto.
Lydia, que até aquele momento não tinha desviado os olhos do filho, franziu o cenho e encarou Malia dos pés à cabeça. O ciúme mal escondido em seu rosto fez Scott coçar a nuca em sinal de nervosismo.
— Vamos deixar eles em paz, Lia! — O apelido que Scott usou surpreendeu a todos e fez com que os olhares se voltasse para o McCall.
— Lia? — A Hale murmurou com estranheza.
— Vamos falar sobre isso lá fora! — Scott disse ansioso, sabendo que tinha enormes chances deles acabarem tendo uma de suas típicas discussões sem motivo.
Malia saiu do quarto com Scott a empurrando sem muita delicadeza. Nenhum dos dois se despediu de Stiles e Lydia.
— Eu gosto deles juntos — Stiles comentou sorrindo enquanto passava um braço ao redor dos ombros de Lydia.
Ele levou um dedo na direção do filho e de brincadeira, o pressionou contra a bochecha redonda de Benjamin. O menininho riu e balançou as pequenas mãos para o alto, animado.
Stiles continuou brincando e Benjamin começou a soltar barulhos semelhantes a “buh”.
— Hoje a gente faz sexo! — Lydia disse de repente, demonstrando que seus pensamentos estavam longe.
— Se o Benjamin colaborar e dormir cedo... — O pai murmurou ainda encarando o filho, dessa vez com o rosto franzido.
— Nem ficar acordando com cólica durante a noite — Lydia complementou, vendo outro problema que os impedia frequentemente de descansar.
Stiles encolheu os ombros e beijou com delicadeza o rosto de Lydia.
— Ele vai crescer um dia. — Ele afirmou apoiando a testa sobre o ombro de Lydia.
— A gente vai terminar a faculdade...
— E aí vamos conseguir um emprego melhor — Stiles completou suspirando — Meu pai, Melissa, Scott, Malia...
— Vão continuar nos ajudando — Ela disse sem permitir que ele concluísse a própria frase.
Ele concordou em silencio, afirmando com a cabeça.
Às vezes, era quase impossível suportar suas rotinas. Trabalhavam em turnos opostos, para que sempre um pudesse cuidar de Benjamin e também, montavam a grade curricular da faculdade em dias que se alternavam pelo mesmo motivo.
Tinham que depender da ajuda constantes dos amigos, Melissa e Noah. Era difícil encontrar tempo para estudar e os dois não estavam satisfeitos com os empregos temporários em que estavam e não exigia diploma. Mas era necessário para conseguirem se sustentar.
Muitas vezes, isso os impedia de se ver com a frequência que gostariam. Impedia de ficarem os três juntos, como família e também, de saírem como casal.
No entanto, eles continuavam com a mesma determinação que tiveram em todas as vezes que enfrentaram o mundo sobrenatural: Juntos, eles podiam suportar qualquer coisa.
Sabiam que em algum momento, iam ter mais tempo. Sabiam que ia ser mais fácil quando Benjamin fosse mais velho e que nunca perderiam o apoio das pessoas que amavam.
E o mais importante: eles sabiam o quanto se amavam e o quanto amavam o pequeno Benjamin. E só precisavam disso para ter a certeza de que o casamento permaneceria não importa quais problemas fossem enfrentar no futuro.
Estavam exaustos e com o eterno medo de um dia descobrirem alguma sequela em Benjamin por causa da Eichen House. Porém, estavam preparados para continuarem juntos, lutando um pelo outro.
Eles se olharam por muito tempo. Iniciaram um beijo calmo.
Benjamin começou a chorar.
— Ele não gosta que a gente se beije — Stiles reclamou com um suspiro frustrado.
Lydia abriu um meio sorriso e levou os lábios grossos até a testa de Benjamin. Quase que imediatamente, o choro do menino parou.
— Os dois homens da minha vida têm que parar de disputar por mim!
Stiles fez uma falsa expressão de irritação e apontou um dedo na direção do filho.
— Eu estou na vida da Lydia há muito mais tempo do que você!
Lydia desfrutou daquele pequeno e perfeito momento de sua nova vida.
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