Aniquila-me

7 Dependência


Notas iniciais
Oi lindos! Como estão? Agora não estou com tantos capítulos adiantados como gostaria, por pura falta de criatividade, mas ainda tenho alguns para continuar postando regulamente. Enfim, espero que gostem!

Terceira Pessoa

— Garoto, você tem certeza de que quer ouvir isso? — O médico, Freddy, perguntou com preocupação para Stiles.

— Eu já disse que sim! Tenho o direito de saber o estado dela!

— Não estou dizendo que não tem, é que se você se importa tanto com essa garota, não vai gostar do que eu tenho para dizer.

— Freddy, fala logo, por favor. — Melissa interveio, segurando a mão do filho do xerife que estava visivelmente irritado.

— Tudo bem. — O homem suspirou, digitando algo no computador antes de voltar a encarar o humano e a enfermeira, a expressão séria. — Lydia está aqui há uma semana e tenho que dizer que não vi nada assim durante todos esses anos de profissão. Ela tem cerca de quarenta pequenas cicatrizes espalhadas pelo corpo, marcas claras de tortura, violência sexual, hematomas, substancias desconhecidas em seu sangue que provavelmente foram introduzidas no seu corpo e resquícios de drogas que causam os apagões súbitos de memória. Alguma dúvida até aqui?

O médico olhava diretamente para Stiles, que estava pálido. O garoto negou com a cabeça e pegou o copo d’agua na mesa a sua frente, mas a sua mão tremia tanto, que derramou a maior parte do liquido na roupa.

— Pode continuar. — A voz dele falhou, no entanto olhou sério para o doutor e não deixou que Melissa o ajudasse a se secar.

— Ela apresenta mudanças de humor drásticas, tem constantes crises quando alguém encosta nela, só é possível fazer exames depois de dar algum remédio para dormir, agrediu vários enfermeiros que se recusaram a voltar a cuidar dela, tem um medo anormal de médicos, ataques de pânico e precisa de acompanhamento psiquiátrico. — O homem respirou fundo, a expressão acabada e novamente, observou Stiles que parecia prestes a desmaiar. — Sinceramente, não adianta eu continuar falando essas coisas, não estou mais dizendo isso com médico, mas como amigo, Melissa. Apesar de definitivamente ter algo muito errado fisicamente com ela, eu não tenho mais como ajudar, não tenho o que fazer, ela precisa ir para alguma instituição que...

— Ela não vai a lugar nenhum! — Stiles levantou da cadeira, sem se preocupar em ter educação. — Se não tem mais nada para fazer, dê alta para ela, doutor, mas Lydia não vai para nenhuma instituição!

— Stiles, essa menina passou por muita coisa, eu sei que é difícil aceitar, mas ela demonstra claros sinais de...

Melissa tentou impedir, mas Stiles saiu da sala batendo a porta com fúria, andando pelo hospital com passos raivosos, com um único pensamento. Pegou o celular, ligou para o pai pedindo para vir até o hospital e esperou a enfermeira o alcançar.

— Melissa, faça com que ela receba alta o mais rápido possível.

— Stiles, o que você quer fazer? Talvez ele tenha...

— Foi um hospício que a deixou desse jeito! Ela não vai voltar para algum lugar como aquele, eu vou sair de Beacon Hills, é disso que ela precisa, se afastar dessa loucura.

— Como você pretende fazer isso?

— Meu pai tem um apartamento em uma cidade próxima, que ele nunca teve coragem de se desfazer porque ia com a mamãe para lá. Eu vou levar Lydia para esse apartamento, é distante de tudo isso que ela conhece.

— Stiles, você está vendo o estado dela, ela tentou te atacar várias vezes.

— Não importa, ela vai voltar ao normal, eu fazer com que volte. — Melissa percebeu a segurança na voz do menino e entendeu que ele não mudaria de opinião.

— Ela tem sorte de ter você, Stiles.

E sabendo todo o estresse, preocupação e fúria que o garoto sentia, a enfermeira o abraçou.

**

— Stiles, adianta eu tentar dizer alguma coisa? — O xerife perguntou sondando a expressão determinada do filho.

— Não. — Foi a resposta segura do humano, encarando o pai a sua frente e apertando a mão de Malia. — Eu já expliquei tudo para vocês, tive uma semana para me organizar e como Lydia recebe alta hoje, só quero me despedir. — Todos estavam em um quarto vazio do hospital, Stiles entre Malia e Scott, Kira ao lado do alfa e Liam de frente para eles, perto do xerife.

— Você tem certeza de que vai ficar tudo bem? Nessas duas semanas Lydia continua muito instável e se tentar...

— Eu sei me virar, vocês me tratam como uma criança prestes a morar com um serial killer, ela não vai me machucar. — Stiles disse interrompendo Kira que suspirou pela teimosia do garoto.

— Ela ainda tem medo de você. — Scott tentou, frustrado, mesmo sabendo que não adiantaria dizer nada.

— Ela vai ter mais medo se tiver que ficar perto de todos nós e aqui não é seguro, nós sabemos que sempre acontece alguma coisa em Beacon Hills e eu só quero me afastar temporariamente, ficar alguns meses sozinho, cuidando dela até que possa voltar com a velha Lydia.

— E se ela nunca se recuperar, Stiles? Já pensou pelo menos uma vez nessa possibilidade? Ela pode nunca ficar boa! — Malia perdeu a calma, encarando Stiles que a olhou com incredulidade.

— Como você pode... — O humano também se irritou, ele e Malia brigaram constantemente desde que ele falou que deixaria Beacon Hills por um tempo.

— Stiles, o único problema de fato aqui é que a gente não quer ficar sem você, nós já perdemos a Lydia por muito tempo e agora você quer ir embora. — Foi Liam que falou, surpreendendo a todos. Ele abaixo a cabeça e ao falar novamente, disse com maior timidez. — Eu, pelo menos, não quero ter que me despedir.

— O que? — O garoto perdeu a compostura, finalmente observando a expressão de cada um e entendendo o motivo de tanta irritação da Malia.

— Não é obvio que vamos sentir sua falta, Stiles? Como você pode falar para seus amigos e seu pai que vai embora por tempo indeterminado e esperar que a gente aceite? — Scott falou, encarando-o. — Eu sei que você pode ajuda-la, você é o único que de alguma forma consegue se comunicar com a Lydia, mas você também é meu melhor amigo e humano, não tem como não ficar preocupado.

Stiles não resistiu, soltou a mão de Malia e abraçou Scott com uma força exagerada, tentando dizer silenciosamente que ele entendia aquela preocupação. Ao se afastar do melhor amigo, o garoto só conseguiu dizer “Eu também vou sentir saudades”.

O humano se despediu individualmente de cada um deles, prometendo que ia dar um jeito de vê-los sempre e que assim que Lydia estivesse melhor, que ia leva-los para visita-los na cidade próxima. Com o pai, foi mais difícil, o homem não queria se despedir do filho, mesmo sabendo que era temporário, mas apesar disso, confessou para o menino que ele estava fazendo a coisa certa e que ia ser capaz de cuidar de Lydia.

— Malia? — O garoto sussurrou o nome da namorada, que estava com os braços cruzados e virada de costas para ele.

— Quando você achou que eu tivesse ido embora, ficou desesperado e disse para eu nunca te deixar. Eu prometi que nunca te deixaria e você prometeu a mesma coisa.

— Eu sei. — Ele murmurou ainda mais baixo, sem saber o que dizer, segurando a garota e fazendo com que ela virasse para ele. — Mas eu preciso cuidar dela, preciso fazer isso, Lydia não tem com quem ficar e precisa de atenção especial.

— Você vai me abandonar por causa da Lydia.

— Não, shh, eu não estou a abandonando. — Stiles abraçou Malia com força e foi correspondido. — Eu não queria fazer isso.

Eles ficaram abraçados durante um longo tempo, desfrutando da intimidade que criaram no tempo de namoro e o menino, começou a beijar seu cabelo curto, deslizando a boca até o pescoço, querendo decorar o cheiro e o sabor da pele morena.

— A gente precisa terminar. — Falou sem coragem, se controlando para não beijar a boca que tanto amava e afastando o rosto para encarar a expressão de Malia. — Eu não quero fazer isso, mas não posso deixar você aqui sozinha e exigir que tenha um compromisso comigo. Querendo ou não, vou morar sozinho com uma mulher e você é linda demais para não ter a liberdade de ficar com alguém se sentir vontade.

— Mas eu gosto de você. — Aquilo destruiu Stiles, ele não estava acostumado com a coiote demonstrando seu lado mais frágil.

— Eu também gosto, muito. Você fez com que eu me apaixonasse completamente. — Ela desviou o olhar, desconfortável e logo seguida, encarou sua boca.

— Quando a gente se ver, eu ainda posso transar com você se eu sentir vontade?

O humano riu com a pergunta, Malia tinha vergonha com sentimentos e não com sexo. Ele concordou com a cabeça, disse que se ela quisesse, eles teriam uma amizade colorida, depois teve que explicar para ela o que era isso e então, finalmente, a beijou.

Malia foi a última pessoa que Stiles se despediu antes de ir ao quarto de Lydia, controlando o choro; ele sabia que precisava ser forte para conseguir ajudar a garota que a cada dia que permanecia no hospital, ficava mais silenciosa e com mais medo do humano, sem se acostumar com a presença dele todos os dias, dormindo no sofá de seu quarto.

Ele encontrou Lydia abraçando as pernas em cima da cama, encolhida e claramente assustada, encarando o enfermeiro a sua frente. Ela chorava discretamente, em completo silêncio, os olhos verdes arregalados.

— Lydia, eu só quero te ajudar no banho para você sair daqui limpa e com uma roupa de verdade. — Era o que o enfermeiro dizia para a menina de roupa hospitalar.

— O que está acontecendo? — Stiles perguntou.

— Ela ainda não pode tomar banho sozinha, mas se recusa a ir com qualquer pessoa, as únicas vezes que conseguimos limpa-la foi com que ela dormindo! — Assim que o enfermeiro cansado, virou para Stiles, o menino entendeu imediatamente o medo de Lydia.

O homem tinha cabelo muito escuro e os olhos do mesmo tom, a pele amarelada, uma barriga proeminente. Ele lembrava Kevin e esse era o motivo do pavor de Lydia, ela estava com medo de que o enfermeiro também abusasse dela.

— Está tudo bem, ela vai embora agora, não precisa se preocupar com o banho dela, eu mesmo vou dar quando chegarmos em casa.

Lydia encarou Stiles, assustada e confusa, sem saber para onde iria com o humano e o menino, devolveu o olhar com receio e preocupação, se dando conta de como teria que ser cuidadoso, pois ela precisava de cuidados especiais até para coisas simples e essenciais como banho.

O menino precisava conquistar a confiança de Lydia de um jeito quase impossível, convencê-la de que nunca a abandonou, de que não precisava ter medo e nem tentar matá-lo. E ainda fazer com que ela se sentisse confortável ao ponto de ficar nua na sua frente, confiando que ele nunca a machucaria. Lydia ia ter que se expor e acreditar plenamente em Stiles, pois assim que ela saísse do hospital, dependeria completamente dele.

Notas finais
Como eu disse no inicio, estou com uma leve falta de criatividade apesar de já ter planos para uns capítulos mais adiantados, mas então gostaria de saber se tem alguma coisa que gostariam que acontecesse aqui, alguma cena, alguma situação, qualquer coisa! Se tiverem, falem por aqui, assim vocês me ajudam com a criatividade e eu posso realizar uns desejos de vocês. É isso, beijinhos e até semana que vem!