Aniquila-me

4 Cala a boca!


Notas iniciais
Queria escrever algo bonitinho aqui nas notas, maaas estou de ressaca pelo Enem (sim, ainda não me recuperei), é o aniversário da minha mãe e nesse exato momento, estou morta de dor de cabeça, então só estou postando porque amo vocês, sabe como é... Aproveitem :3

— Se alguma coisa acontecer com ela, eu...

— Stiles, vai ficar tudo bem, minha mãe está cuidando dela.

— Mas você viu como ela está, Scott? Olha para ela e me diz se parece a mesma Lydia!

— Shh, Stiles, calma, não é bom ela ver você chorando.

— É minha culpa, eu tinha que protegê-la!

— Não tinha como fazer nada, você quase morreu tentando salva-la e agora nós conseguimos. Você conseguiu, Stiles!

— Eu preferia ter morrido, se isso tivesse impedido que ela fosse pega. O pior é que nem sei se ela me reconheceu, a forma que me olhava e agindo como se eu fosse machuca-la!

— Stiles!

— Olha para ela, Scott! Lydia ficou sozinha naquele lugar, passando por todo tipo de horror! Você viu como ela está magra? Viu a quantidade de cicatrizes? Ela chegou aqui completamente desnutrida, teve que passar por cirurgia, está com vários sinais de agressão, aquele desgraçado estava abusando dela! Como você quer que eu fique calmo?

— Stiles, por favor...

Abri os olhos depois de escutar parte da conversa e observei os garotos que conversavam. Scott estava visivelmente aflito, estressado, Stiles chorava, mas a expressão era de raiva.

— Lydia? — Stiles me viu imediatamente, fungou e enxugou as lágrimas, como se tentasse esconder o choro. — Ei, como você está?

— Como ele quase morreu? — Ignorei o garoto que se aproximou, encarando Scott.

Minha voz estava rouca, fraca, tinha aparelhos ligados à minha pele e estava deitada em uma cama dura, dentro de um lugar muito branco, mas já estava habituada com lugares assim.

— Você sabe como foi parar lá? — Scott perguntou se aproximando e eu apenas neguei com a cabeça. — Stiles estava com você na hora, vocês estavam conversando, alguém o atingiu por trás e quando ele voltou a si, um carro já estava a levando.

A forma como Scott falava comigo era diferente, ele completou frases sem nenhuma ofensa, dizendo tudo com palavras calmas, me tratando como igual. Não estava acostumada com aquilo, no entanto o que fez com que eu me remexesse inquieta, foi saber que minha última lembrança do mundo exterior era com Stiles, ele ria de algo e a sua volta, eu podia enxergar o céu. Depois disso, só lembrava de acordar na minha cela; aquele foi o último minuto da minha antiga vida.

— Ele levou um tiro tentando...

— Eu não consegui salva-la. — Stiles não deixou Scott terminar de falar, ele parecia constrangido, a cabeça baixa, os olhos fixos em mim.

Eu me sentia anestesiada, meus dedos formigavam e minha cabeça estava latejando. Tudo tornava a compreensão difícil, não conseguia sentir raiva por mais que quisesse, só me chamava atenção a atitude de Stiles e me perguntava se podia acreditar nas palavras incompletas de Scott.

— Você só vem agora? — Murmurei baixo ao ver a figura feminina se aproximar da cama, do lado oposto dos garotos.

— Não tinha me chamado? Agora não reclama. — Allison respondeu mau humorada.

— Eu chamei quando precisava!

— Você notou que está conversando com esses traidores, não é? Acho que é o exato momento que precisa de mim.

— Com quem ela está falando? — Escutei Stiles perguntar, sua voz era sofrida e eu apenas ignorei, encarando a caçadora.

— Cala a boca, Allison, eu não posso fazer nada agora! — Alguém ofegou quando disse o nome da garota, desviei os olhos por instantes e vi o rosto de Scott completamente transtornado, abalado.

— Então vai simplesmente conversar com eles como se nada tivesse acontecido?

— O que você quer que eu faça?

— Mate-os como você disse que faria, covarde!

— Eu nem sei onde estou! Como você quer que os mate? — Demorei alguns segundos para perceber que aumentei minha voz, mas não tinha controle para voltar a sussurrar. — Pelo menos eu saí daquele lugar!

— E você acha que agora está em um lugar melhor? — A expressão de Allison era furiosa, os olhos violentos e ela falou ainda mais alto. — É só eles inventarem uma história triste e já vai esquecer tudo o que aconteceu? Vai simplesmente perdoa-los?

— Cala a boca, Allison! — Coloquei minhas mãos em cima dos ouvidos e senti meus braços doerem com o movimento.

— Você precisa que eu lembre? Quer que eu fale o que você passou lá? — As lágrimas surgiram e começaram a desabar dos meus olhos, minha cabeça girou e perdi a consciência de tudo ao meu redor, só existia Allison e eu naquele lugar. — O doutor teve tanto trabalho tentando aprimora-la e o que você vai fazer? Seu tratamento não acabou e já está comemorando por ter saído! Vai se juntar novamente a eles? Vai ser estúpida o suficiente para isso?

— Eu não esqueci, Allison, eu não esqueci. — Bati as mãos contra as orelhas, não queria ouvir mais nada.

— Eu morri por causa deles! E você deixou ser carregada por esse humano imbecil que me fez morrer! — Fechei os olhos, negando com a cabeça, ela tinha que parar de falar, ela tinha que parar. — Deixou os braços imundos dele tocarem seu corpo e agora está conversando com o Scott! Como você...

— Para! Para! Cala a boca, Allison! Para! Para! — Comecei a gritar, a voz fina, falha, meu corpo tremia. — Eles vão achar que sou louca! Eu vou voltar para um hospício, para por favor!

Allison parou de falar qualquer coisa coerente e começou a gritar. O som perfurou meus ouvidos, causando uma dor agonizante que eu não conseguia suportar.

Só existia a dor e o grito. Não existia mais nada, não conseguia abrir os olhos, não conseguia enxergar, eu gritava junto com Allison e tentava atingi-la mesmo sem saber onde estava, ela precisava parar.

Queria esfolar minha pele e arrancar meus ouvidos na tentativa de parar com aquele desespero, mas uma voz, repentina, desesperada, bruta, se fez presente acima do grito.

— Lydia, abra os olhos! Lydia, olha para mim!

Obedeci.

— Não encosta em mim! — Assim que me deparei com o rosto de Stiles, gritei novamente.

— Não! Lydia, olha para mim! Foca nos meus olhos. — A voz dele era dura e ao mesmo tempo, mansa, decisiva e gentil. Aquele contrastaste me fez seguir as palavras, apesar do grito de Allison. — Foca na minha voz.

— Não encosta em mim. — Repeti, mas dessa vez minha voz soou fraca e suas mãos, que agarravam meus braços, me soltaram.

— Lydia, olhe para mim. — Ele também repetiu, a voz mais baixa, mais doce e dessa vez, suas mãos foram para o meu rosto. — Sou eu, Lydia, sou eu, não vou te machucar.

Encarei os olhos chocolates, o tom avelã era conhecido, quente, parecia derretido, quase dava vontade de morder aquela cor linda e brilhante. Sem entender, fui invadida por uma sensação de aquilo era familiar, de que era reconfortante.

— Isso, Lydia. Lembra de mim, não é? Se eu fizer alguma coisa, você pode me bater, olha para mim, sou muito magro para me defender. — Um sorriso irônico, a voz tranquila apesar da situação, aquilo era extremamente conhecido.

O grito de Allison parou.

A dor amenizou.

— Ela parou, Allison parou.

Esperava que ele me batesse, me xingasse, gritasse dizendo que era louca e que a Allison não existia, era o que todos diziam, mas em vez de disso, os dois polegares, apoiados em cada lado do meu rosto, começaram a fazer carinho em mim.

— Ela estava brigando com você? — Um sorriso meigo, compreensível, foi o que ele me deu.

— Estava gritando comigo.

— Ela tem o costume de fazer isso? — Ele estava tão perto, era a única coisa que eu enxergava. Sua pele emanava o cheiro de amêndoas.

— Aiden era pior. — Automaticamente, encolhi meus ombros, querendo afastar as lembranças.

Minha cabeça girou, fazendo com que eu tombasse para trás. Nem tinha percebido que meu tronco estava erguido.

— Agora ela foi embora, não foi? — Apenas concordei com a cabeça, confusa. — Então só tenta descansar.

Só com aquela última fala, percebi que o rosto de Stiles estava arranhando, grandes arranhões na bochecha. Nos seus braços também tinha marcas roxas, pequenos furos na altura do pulso, mais arranhões.

Não consegui pensar em mais nada, ele sorriu novamente e aquela foi minha última visão antes de apagar.

Notas finais
Só para explicar, a Lydia conseguiu falar assim com mais calma por causa dos remédios e durante os capítulos, vocês vão perceber que ela pode ficar com humor diferente a cada dia, uma hora vai querer matar todo mundo e logo em seguida, vai estar tão frágil que vai aceitar a presença de outras pessoas..espero conseguir demonstrar toda confusão e pavor que ela sente! O próximo capítulo vai ser em terceira pessoa, para dar uma noção do que está acontecendo fora da mente (perturbada) da nossa querida Banshee e é isso, até logo, lindos!