Aniquila-me
18 Anjo
Notas iniciais
— Lydia, por que você ficou assim?
— Vai lá ficar com a Malia e me deixa em paz! — Disse frustrada, por não poder fechar a porta do quarto, e me jogando na cama.
— Você tinha dito que ela podia ficar aqui e não precisou falar com ela, como eu prometi.
— Eu não estou impedindo que ela fique, só quero ficar sozinha.
— Lydia...
— Droga, Stiles! Eu tinha esquecido de como você é teimoso! — Minha voz aumentou, sendo preenchida por um tipo de irritação que há muito tempo não sentia. Não era do tipo de raiva que me fazia querer matar a mim mesma ou alguém, era o tipo de irritação cotidiana, que me dava vontade de espernear como uma criança mimada.
Para a minha surpresa, ele começou a rir. Uma gargalhada gostosa que fez o garoto franzir os olhos e mostrar os dentes brancos, emitindo aquele som grave, rouco e reconfortante.
— Essa é a Lydia que eu conheço. — Ele murmurou, deixando minha expressão ainda mais surpresa. — Eu sempre consegui a irritar por ser uma das únicas pessoas que a enfrenta e por ser insistente com você.
Quando ele disse aquilo, flashes de memórias invadiram minha mente. Lembrei de um Stiles um pouco mais novo, de cabelo curto, me seguindo pelos corredores da escola e falando sem parar, me irritando com a sua insistência e excesso de palavras.
— Você me seguia pela escola. — Falei automaticamente e o sorriso dele aumentou. — Não importa, sai daqui! — Sinceramente, não soube se disse aquilo porque realmente queria ficar sozinha ou porque enquanto eu falasse aquilo, tinha a certeza que ele me daria atenção e ficaria comigo.
Stiles revirou os olhos, ainda com aquele sorriso inabalável nos lábios e soltou um longo suspiro.
— Posso deitar com você? Ou está tão brava com a Malia, que não quer nem meu cafuné?
Stiles sabia perfeitamente o quanto eu amava o carinho que ele fazia em mim e de acordo que me sentia mais a vontade com ele, ficava difícil não demonstrar o quanto eu gostava, até porquê, nos banhos, eu tinha consciência de que continuava gemendo baixinho enquanto ele lavava meu cabelo e fazia massagem na minha cabeça, pescoço e ombros.
Com minha falta de resposta, ele subiu na cama com uma expressão convencida. Era a segunda vez que ele fazia aquilo, senti meus pelos se arrepiarem e meu instinto era me retesar, fugir do toque, mas eu sabia que ele não me machucaria, por isso permiti que passasse um braço por meus ombros e me puxasse para perto.
— Sua namorada não vai ficar brava? — Não pretendia expor meus pensamentos, todavia, quando percebi, a pergunta já tinha saído da minha boca em um tom de irritação.
— Eu já disse que ela não é minha namorada. — Ele me ajeitou no seu peito macio e os dedos longos começaram a se mover no meu cabelo.
— Você ficou o dia todo com ela. — Murmurei me controlando para falar do que vi na noite anterior.
— Você só está com ciúmes de mim e não quer admitir. — Ele falou com uma expressão engraçada que me fez arregalar os olhos. — Mas ela não é minha namorada.
— Então por que vocês.... — Desisti no meio da pergunta, corando e o garoto de pintinhas me olhou com curiosidade.
— Fala.
— Não, esquece.
Stiles largou meu cabelo e segurou meu queixo com cuidado, analisando minha expressão.
— Você está escondendo alguma coisa de mim, anjo.
Meu coração acelerou quando ele disse anjo. Por um instante, até mesmo esqueci o que ia dizer, sendo preenchida por um sentimento bom ao ouvir um apelido carinhoso como aquele.
Eu me senti verdadeiramente querida e esse sentimento aqueceu meu peito.
— Você gostou desse apelido? Eu fiquei pensando em um depois do nosso, han, incidente. — Ainda encantada, observando seus olhos, apenas concordei com a cabeça. — Então, anjo, pergunta o que você queria.
Eu queria continuar com o ódio que senti quando o vi no sofá com Malia, queria brigar com ele e o jogar para fora da cama, mas como podia ficar assim quando ele encarava com tanto afeto e me chamava de anjo?
— Se vocês não são namorados, continuam ficando por quê? — Escolhi as palavras com cuidado, hesitante e ele franziu a testa.
— Como você sabe que a gente ficou?
Meu rosto queimou insuportavelmente de vergonha, parei de encara-lo e tentei esconder o rosto em sua blusa azul.
— Ontem eu tive pesadelo e fui procurar você, acabei vendo vocês dois no sofá. — Minha voz morreu sufocada na garganta, sendo preenchida por uma sensação ruim que me fez esquecer a felicidade pelo apelido.
— V-você... Oh meu Deus! — Tomei coragem para olhar para Stiles, ele estava completamente corado, a boca aberta em um grande O. — Você viu a gente se beijando, né?
Não ia ter coragem de expor em palavras o que tinha visto, por isso permaneci calada e o encarei de maneira significativa. Stiles corou ainda mais, abriu a boca milhares de vezes como se tentasse falar alguma coisa e começou a se remexer na cama, hiperativo, soltando meu cabelo.
— Você me viu fazendo... — A voz dele estava tão sentida e desesperada, que pensei que ele fosse começar a chorar. Fiquei sem reação, sem conseguir me irritar com os olhos castanhos. — D-desculpa, Lydia. Meu Deus! Eu sou um imbecil, desculpa! Vou estragar tudo logo quando você está melhorando, desculpa!
Não tive oportunidade nem de pensar em uma resposta, Stiles levantou da cama, completamente desajeitado e saiu do quarto aos tropeços. Eu fiquei encarando a porta aberta, paralisada e quando percebi que Stiles ia falar algo com Malia, não resisti.
Andei com passos furtivos, decidida a espiar novamente e fui até a sala, observando a cozinha onde os dois estavam. Stiles andava de um lado para o outro, com as mãos no cabelo e Malia o encarava, confusa.
— O que foi, Stiles?
— Eu sabia que não era para gente ter feito nada, sabia! — Ele começou a falar aflito e pensei que seu rosto explodiria de tão vermelho. — E-eu tinha que ter me controlado quando você tirou a maldita roupa, eu sou uma pessoa e não animal no cio que ...
Ele falava tão rápido que era difícil acompanhar as palavras. Até aquele momento, eu não estava sentindo raiva, até Malia se aproximar, segurar o queixo dele com as duas mãos e deixar seus rostos próximos.
— Stiles, respira e fala o que aconteceu.
— Eu sou estúpido, foi que isso que... — Stiles parecia prestes a começar outra enxurrada de palavras quando Malia o beijou.
Senti um calor devastador subindo por meu corpo, trinquei os dentes com fúria e fechei as mãos em punhos, meus braços tremiam de raiva. Escorei o corpo na parede, tentando me conter, quando a vontade que eu tinha era de rasgar a pele dos dois.
Stiles interrompeu o beijo, empurrando Malia, mas a mulher era visivelmente mais forte e cada instante que os lábios dele se separavam dos dela, ela voltava a beija-lo, esfregando a boca bonita contra a dele. Minha raiva triplicou, ela tentava fazer com que ele cedesse, com que a beijasse com a vontade que desejava.
— Não. — Quando Stiles falou sério, Malia se afastou um pouco e eu já estava quase me jogando no meio dos dois. — Ela viu a gente no sofá.
O que fez com que eu explodisse, foi a expressão divertida de Malia, seguida de uma risada. Ela devia achar engraçado saber que eu vi o quanto ela era desejável, que vi o seu corpo lindo, enquanto nenhum homem jamais olharia para mim, porque sou completamente repulsiva.
A coiote devia estar divertida, pesando que Stiles preferia a ela e que ele devia estar enlouquecido para sair dessa casa e não ser mais meu babá. Eu já estava repleta de ódio acumulado e então, escutei duas vozes unidas, falando em minha mente.
— Vai deixar ela rir de você? — A voz feminina e a masculina soaram exatamente no mesmo instante, proferindo a mesma frase.
A voz feminina, era a conhecida de Allison e a masculina, era uma que não ouvia há muito tempo, Aiden.
Um rosnado se formou em minha garganta, podia sentir o poder se agitando na altura do ventre e meus olhos ardendo. Sai de trás da porta e entrei decidida na cozinha, inclinando o tronco como um animal, em sinal de desafio.
Ninguém me impediria de matar aquela coiote infeliz.
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