Animals - Eren Jaeger

3 O início da nova Ontcester


Notas iniciais
Dmorei, mas atualizei! Espero que gostem!

Foi mais um dia exaustivo de trabalho em Ontcester, a cidade grande localizada em Nova York sempre foi muito movimentada e como Melissa trabalhava em um dos principais hoteis, sempre acabava sabendo das novidades que corriam. Quando estava prestes a encerrar o dia e ir para a faculdade, deparou-se com uma notícia e tanto.

— Você está falando sério? — Jean indagou com certa incredulidade.

— Escutei sobre isso depois que voltei, na hora do almoço, mas mesmo assim…

Ambos olharam para a tela do telefone da jovem de cabelos negros, a mensagem avisando sobre o cancelamento das aulas na faculdade em que frequentavam, o pior, era por tempo indeterminado. O motivo? uma chacina que havia ocorrido perto da escola, deixando os alunos e professores horrorizados.

Olhando no grupo da faculdade, onde havia sido feito o anúncio, os olhos castanhos da morena rolaram para as mensagens debaixo, se arregalando quando viu as fotos dos cadáveres, estavam decapitados e os corpos irreconhecíveis, como se tivessem sidos estraçalhados por um animal selvagem; seus ossos estavam expostos e a carne parecia ainda viva. O rosto da Lashes se contorceu em desconforto e o Kirschtein rapidamente tapou a tela do celular com a sua mão.

— Não olhe para isso, droga. — resmungou, tirando o aparelho da mão dela. — Quem foi o imbecil que mandou isso?

Foram um total de sete mortos e nenhuma pista de quem havia feito isso. Ontcester era uma cidade grande, movimentada, mas não era violenta, todos estavam em choque e assustados. Depois de apagar as imagens do celular da amiga, o homem devolveu o telefone para ela.

— É a primeira vez que isso acontece, não? — Ela falou depois de um tempo.

— Que eu saiba, sim. — respondeu ele. — Vamos, eu te levo para casa.

— Jean, não precisa… — tentou argumentar, mas recebeu um olhar de desaprovação do amigo e ela suspirou. — Tudo bem.

Do lado de fora, estava prestes a subir na garupa da moto quando notou três pessoas paradas na frente do hotel, algumas malas aos seus pés e todos estavam vestidos de preto. O mais baixo entre eles pareceu notar o olhar da jovem e virou-se para encará-la; sua expressão era fria e sem emoção, seus olhos afiados pareciam que poderiam a cortar a qualquer momento. Um arrepio correu pela espinha de Melissa e se não fosse pela voz de Jean que a chamou, não sabia se seria capaz de desviar o olhar.

— Estou, vamos. — informou, terminando de colocar o capacete e logo o acastanhado acelerou, a moto dando a volta e correndo.

Quem quer que sejam aquelas pessoas, Melissa não se sentiu muito confortável com a presença delas, contudo, se fossem, de fato, hóspedes, teria que conviver um pouco com eles e quem sabe, esse sentimento desagradavel foi apenas alguma coincidência, pois ela tinha acabado de ver aquelas fotos. Logo, graças a carona que o Kirschtein a ofereceu, ou melhor, a obrigou a aceitar, chegou cedo em casa e se despediu do rapaz antes de entrar no casarão.

Quando destrancou a porta, foi rápida em entrar e subir as escadas para o segundo andar, abriu a porta e foi recebida por uma visão que poderia se tornar familiar para ela em breve.

— Hey… — murmurou baixinho, como se não quisesse assustar o animal e foi até ele, se ajoelhando ao seu lado. — Como você está? — perguntou, passando a mão na pelagem negra, acariciando de leve.

O cão, que parecia um lobo, permaneceu quieto, mas não se afastou do toque dela, não paralisou dessa vez e a Lashes percebeu isso, sorrindo ao ver que estava ganhando a confiança dele.

— Espere um pouco e irei servir o jantar! — Ela deu um tapinha de leve na cabeça dele e depois se levantou, caminhando até o banheiro.

A morena não demorou muito, saindo do banheiro e quando estava prestes a se trocar, não notou quando aquela bola de pelos negra virou totalmente sua cabeça para o lado oposto, como se não ousasse dar uma única espiada. Após isso, desceu para a cozinha e pensou por um momento no que iria fazer; a cozinha era antiga, o estilo americano e os móveis retrô davam seu charme único para o local. Segundos depois de divagar, abriu a geladeira e tirou o que precisava e começou a cozinhar.

No andar de cima, em frente a lareira, as orelhas do animal se agitaram com a suave melodia que vinha do andar debaixo, junto do cheiro de algo bastante gostoso, ainda mais para ele que estava faminto. Por mais que não quisesse se aproximar, se “misturar” com nenhuma dessas pessoas dessa cidade, seu corpo se moveu sozinho e quando notou, estava sentado em um dos bancos que estavam perto do balcão.

— Oh! — A Lashes pegou um pequeno susto ao vê-lo parado ali, a olhando fixamente. — Sentiu o cheiro? É bom, não é? — sorriu, se aproximando do cão.

Melissa falava como se estivesse falando com uma outra pessoa, sorria e o tratava com carinho e cuidado, e quando estendeu a mão para acariciar a cabeça dele, seu toque era gentil, igual o da noite anterior, quando ela o salvou de algo imaginável. Aos olhos daquela… coisa que era tudo menos um cachorro, aquela jovem não era uma pessoa ruim e talvez pudesse passar um tempo sob os cuidados dela, embora fosse bem mais fácil ser ao contrário.

— Pensando bem, eu ainda não te dei um nome. — comentou ela, a comida já no forno. — Então, vamos pensar…

A bola de pelos não teve um bom pressentimento sobre isso, contudo, permaneceu onde estava, sem se mover um centímetro sequer e estava sob o olhar atento da morena.

— Não importa o quanto eu olhe para você, sempre me lembro de quando eu era criança e tinha medo de dormir sozinha.

Ele deveria considerar isso uma ofensa? Talvez um elogio mascarado de ofensa. Ela era alguém um pouco estranha.

— Depois que assistir aquele maldito filme de terror, sempre achava que tinha um demonio atrás de mim.

Era um medo bobo de infância, seus pais sempre estavam lá, naquelas noites assustadoras para ela, entretanto, quando se foram, não sobrou ninguém e Melissa Lashes teve que aprender a lidar com esses medos “bobos” sozinha, sem mais ninguém para lhe dizer que demônios não eram reais.

— Vou te chamar de Daemon, aquele que vai me proteger e também proteger meu castelo em ruinas. — brincou, rindo em seguida.

Ao contrário do que imaginou, o nome foi de seu agrado e ele se pegou pensando em como protegeria aquela estranha garota e seu castelo em ruínas, mas logo afastou o pensamento. O jantar ficou pronto minutos depois e a morena tentou, mais uma vez, ração para o então chamado Daemon, mas em vão.

Dividiu sua comida com ele, terminando e lavando a louça suja; subiu para o quarto, o cachorro a seguindo sempre em silêncio e cada vez mais que o olhava, ele parecia cada vez mais grande. Sentou-se na cama e ligou a televisão, dando de cara com o noticiário, com a matéria da chacina.

Foram realmente sete corpos, ainda não identificados, contudo, o mais macabro de tudo foi o fato de ter ocorrido nesta manhã e ninguém viu, ou ouviu alguma coisa. Nenhuma câmera de segurança registrou algo, como se nada tivesse acontecido. As imagens foram censuradas na reportagem, entretanto, Melissa se lembrava bem do que tinha visto em seu telefone, mais cedo quando estava prestes a sair do trabalho e novamente aquele sentimento de desconforto a atingiu no estômago.

Rapidamente pegou o controle remoto e silenciou a TV, levantando-se e indo até o banheiro para escovar os dentes. Enquanto isso, Daemon olhou fixamente para as imagens que passavam na tela fina do aparelho, seus olhos negros e arregalados brilhavam com cada frame e momentos depois, a tela foi apagada.

— Vamos dormir. — disse ela.

Antes que o animal pudesse voltar para o seu lugar, no carpete perto da lareira, foi repentinamente agarrado pela mulher e quase soltou um rosnado. Ele era pesado, bastante pesado, não sabia como havia conseguido carregar o cachorro no meio daquela tempestade na noite anterior; e com esforço, colocou-o na cama e se deitou ao lado dele.

— Boa noite, Daemon. — murmurou e o abraçou.

A Lashes ainda estava perturbada e se não fosse pela presença do seu novo animal de estimação, não saberia se iria conseguir dormir bem essa noite. Fechando os olhos, caiu em um sono profundo.



[...]



Uma leve chuva estava caindo na madrugada, o quarto estava um breu e apenas a respiração suave da mulher podia ser ouvida; e ao contrário da jovem que parecia estar tendo uma boa noite de sono, Daemon, ou melhor, Eren Jaeger olhava para o teto com olhos desprovidos de qualquer tipo de emoção, mas com pensamentos complicados rondando sua mente.

Lenta e cuidadosamente, conseguiu se soltar do aperto da moça ao seu lado, logo levantou-se da cama, seu longo cabelo negro caindo em seus ombros, seu corpo completamente nu e se amaldiçoou por estar nesse estado. Se cobrindo com uma toalha que estava pendurada em um canto qualquer do quarto, ele foi até o banheiro, ligando a luz e olhando para Melissa, esperando por qualquer reação dela com a pouca claridade que adentrou no quarto, contudo, como ela nem sequer se mexeu, ele entrou no pequeno cômodo e fechou a porta.

Agora, parando em frente a pia e encarando seu reflexo no espelho, podia ver o quão mal ele estava: as olheiras mais escuras que o normal; seus lábios secos e rachados, e os diversos cortes espalhados pela sua pele morena. Seus olhos se desviaram para suas mãos que estavam apoiadas na pia, vendo vestígios de sangue seco e uma carranca cruzou sua face ao se lembrar daqueles sete homens, sete infelizes que não sabiam com quem estava lidando. Depois de limpar as mãos, Eren molhou seu cabelo, como se quisesse esclarecer seus pensamentos.

Momentos depois, ele saiu de dentro do banheiro, apagando as luzes e ficando ao lado da cama. Inclinou a cabeça enquanto observava Melissa Lashes dormir, seus olhos muito bem acostumados com a escuridão. Sentou-se na beirada da cama e inclinou-se para frente, suas mãos em cada lado do corpo da jovem, seu rosto próximo do dela; seu cabelo caiu e roçou a face da garota, que por sua vez, nem parecia dar sinais de acordar.

— Melissa Lashes… — murmurou com uma voz grave, seus olhos verdes eram intensos e sombrios. — Você salvou a minha vida e em troca, eu a protegerei enquanto estiver aqui, mas… — Uma de suas mãos deixou o colchão macio e afastou uma mecha de cabelo dela, deixando-a espalhada pelo travesseiro abaixo de sua cabeça. — Espero que nossos caminhos nunca mais se cruzem, que não ousem se cruzar.

Era como se ele estivesse desafiando o destino, e de fato estava. Não demorou muito para ele deslizar novamente para dentro do aperto dela, seu olhar não suavizando nem por um segundo enquanto era sufocado pelo cheiro quase enjoativo de morango, algo que ele poderia terrivelmente se acostumar em breve, afinal, qual foi a última vez que ele havia dormido nos braços de alguém? Que coisa, realmente, terrível Ontcester era para ele. Um perigo jamais enfrentado antes.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.