Animals

5 Memórias de Um Narciso


Notas iniciais
Hello, modafocas. Espero que gostem. Ele é um pouco diferente dos outros, mas acho que tá bom. Enjoy.

====> Cinthia: silencie Vriska.

– Pera lá, menina dos oitos. Não vamos matar a minha irmã em qualquer circunstância.

Paula estava chorando abraçada com Gamzee, que fazia uma barreira com os braços que impedia qualquer um de chegar perto dela.

– Que tipo de vidente você é? Não vê que a criatura pode matar todo mundo? Você quer que todos nós morramos?

Cinthia andava de um lado para o outro, cintilando e pensando.

– Podemos matar a criatura se esse for o caso. Mas Paula não.

Olhou de esguelha para a irmã, que se desvencilhou do abraço do matesprit. Ela deu as costas para todos, sem opinar.

– Além do mais, ela é minha garota. Se você matar ela, eu mato você. – Gamzee sorriu para Serket, que arregalou os olhos. – Você sabe que não estou blefando.

Gamzee deu um beijo na testa de Paula, que sorriu forçadamente e saiu andando.

Vriska suspirou.

– Não mataremos a humana. Mas como resolveremos então?

– Como sempre fazemos. Matando. – sorriu o Highblood.

=====> Paula: dê-se ao acaso.

Deixo a vida me levar

Aonde ela quiser

Boto a culpa no destino

No fim vai tudo se acertar

Andando a esmo e sem se importar aonde pararia. Era assim que a garota estava. Pensativa e triste. Ela era uma mistura de raiva com tristeza, de arrependimento com mágoa, de nojo com medo. Ela não tinha a mínima ideia do que fazer em seguida quando se viu na cozinha.

Se estou triste abro um uísque

Devo ter um bom motivo

Se não tenho, invento

Hoje eu só quero me livrar de mim

Fuçando nos armários achou um estoque ilegal de álcool: vodka, tequila, uísque, rum. Pegou o Red Label e um copo com gelo e começou a tomar.

Quando tinha seus oito anos jurara pra si que jamais fumaria ou beberia: ela assistiu seus pais se viciarem no cigarro de modo que sentia até vergonha de falar que eram seus pais. Porém naquele momento ela precisava de algo entorpecente, e caiu na bebida. E resolveu assim analisar suas opções.

Estou preso em meio a um labirinto cheio de espelhos

O meu mundo gira em torno das vontades que eu tenho

Estou imerso em um sistema que me diz: — você é livre!

Mas no fundo o desejo pela liberdade não cessou

Era morrer sozinha ou morrer em grupo. E entre morrer simplesmente e levar, tipo, todo mundo, ela resolveu morrer sozinha. Mas ela não ia simplesmente deixar que Vriska a matasse. Nisso ela tinha seu orgulho.

Pegou uma corda, fez um lindo nó de marinheiro e foi para a sala principal, segurando a garrafa numa mão e a corda na outra.

Paula Monteiro podia até estar sendo uma aberração no minuto, mas ela ainda tinha sua obstinação.

====> Samantha: faça merda. De novo.

Configurando o computador recém-formatado, Samantha planejava rasgar o espaço-tempo a tempo de jantar. Enquanto fazia cálculos e mais cálculos, Eridan saiu da sala para lhe buscar um café. Foi então que, como sua mãe sempre dizia, achou o que procurava.

Felizmente para Samantha, todos os Deltas estavam na sala com ela – e só os Deltas.

Infelizmente pros Deltas, isso foi inesperado e eles simplesmente foram sugados por um imenso buraco de minhoca.

Mas por que foi gerado um buraco de minhoca?

Simples, porque Samantha estava ouvindo Edward Sharpe & The Magnetic Zeros ao invés de One-Eyed Doll.

====> Gamzee: reaja.

Que eu sou escravo do consumo desse amor por mim

Eu sou escravo sem saber que sou assim

Eu sou escravo do consumo desse amor por mim

Eu sou escravo sem saber

– Paula, pelo amor de Signless, solta essa corda. – disse ele, cuidadosamente pra não assustar a garota. – Vai ficar tudo bem, só solte essa corda.

A garota tremia e seus olhos estavam vermelhos de choro e bebedeira.

– Eu não quero ser um estorvo. Eu faço isso rápido, e ninguém mais nota.

– Você está em God Tier, não vai morrer. Só vai me fazer sofrer. – disse ele, suplicando. – Solta a corda, por favor.

A garota pareceu fazer um impulso para se enforcar, mas foi aí que voou a garota de rabo-de-cavalo.

Pera, que garota de rabo-de-cavalo?

Mas havia mesmo uma garota de rabo de cavalo. Ela era baixa mas não muito, vestida com um moletom branco, calça jeans e all star preto. Seus olhos eram castanhos e no momento estavam arregalados de pânico.

No fundo eu me cansei de me relacionar comigo

E eu escrevo aqui as últimas memórias de um narciso

Vou procurar a paz que não se encontra em mim

Essa plenitude não se pode achar em alguém como eu

Logo após a garota se esparramar no chão, todos olharam para trás e viram um gigantesco buraco de minhoca, como aqueles que abriram no portal.

Um garoto de cabelos curtos, pele morena e olhos castanhos voou também. Ele vestia uma camiseta da banda Green Day, all star e jeans desbotado. Caiu por cima da garota, o que a fez reclamar.

– Finnian, sai logo de cima de mim.

– Af, Luna. Nem sou tão pesado. — o garoto levantou e ajudou a menina a se levantar também.

Mal levantaram e o buraco de minhoca cuspiu uma garota baixinha, com cachinhos fofos e grandes olhos azuis. Ela tinha as bochechas coradas e vestia uma camiseta do Peter Pan, short curto e sapatilha. Ela voou berrando e aterrissou de cara no chão.

Finnian teve um acesso de riso, enquanto Luna levantava a garota que recém voara, o que foi inútil, já que o portal cuspiu um garoto parecido com ela, de corte militar e olhos azuis, pele morena bonita, com uma camiseta branca e jeans com coturno. Ele aterrissou precisamente nas costas da garota, que caiu de novo.

– Desculpa, Liza.

– Não tem problema, Mi. — a garota se levantou e ajudou o garoto a se levantar.

O garoto que Liza chamara de Mi olhou ao redor.

– Nós estamos no laboratório? É sério isso, produção?

– Na verdade, Miguel, tem algo errado. — Luna respondeu o garoto. — Cadê Samantha? Foi ela que nos trouxe pra cá.

Liza parou simplesmente e perguntou em voz alta.

– Onde está Gabriel? Preciso dele. É urgente.

Miguel, rispidamente, rosnou para a garota.

– Você precisa dele? Eu que preciso. Errou feio, errou rude, Elizabeth. — e então inexplicavemente corou.

Como que invocado por Miguel e Elizabeth, o portal expeliu mais uma pessoa, dessa vez um menino com um corte de cabelo com franja. Ele era médio, um pouco bronzeado e tinha uma camiseta do Skrillex por baixo de um camisão xadrez, além de tênis e calça jeans.

Ele caiu no chão, porém usou o impulso pra rolar e sentar. Olhou aturdido onde estava, mas logo se situou pois Miguel correu pra ele, parecendo preocupado.

– Gabriel! Cê tá bem? Se machucou? Precisa de… — porém logo foi interrompido por um beijo do garoto, que o fez corar.

– Cansei de fingir. — disse Gabriel — Elizabeth, você também tá sentindo isso?

– Sim, estou. É como se esse lugar tivesse uma dualidade estranha.

E então, para finalizar, voando pra fora do portal que fechou saiu uma garota com o rosto cheio de maquiagem de cosplay, pintado para parecer Jack Skellington, e os cabelos negros presos numa trança. Seus olhos verdes estavam estreitos, sua camiseta do cantor Voltaire estava amassada e sua saia mostrava mais que deveria. Aterrissou no chão com cálculo de física perfeito, seus coturnos batendo no chão com estrondo. Tirou um martelo negro da Sylladex, extremamente parecido com o Mjölnir de Thor.

– É impressão minha ou todos vocês baixaram a guarda? — reclamou a garota, após checar que o perímetro era seguro. — Estamos numa dimensão alternativa, poderiam nos matar aqui!

– Mas nós estamos no laboratório, Sam. — replicou Gabriel.

– Não importa. Nunca baixe a guarda!

– Mas é seguro!

– Quem garante?

– Parem de brigar, vocês não são França e Alemanha! — reclamou Paula, já cansada de discussão e parecendo muito brava.

Ambos olharam pra ela e murmuraram:

– Desculpa, mãe.

E então, ambos em choque olharam bem a Bruxa do Espaço, com uma corda numa mão e uma garrafa de Red Label na outra, com um olhar de reconhecimento.

– Mãe?

Que sou escravo do consumo desse amor por mim

Eu sou escravo sem saber que sou assim

Eu sou escravo do consumo desse amor por mim

O amor não pode ser tão egoísta assim

Notas finais
Espero que tenham gostado.