Animals
1 We Get Along When I'm Inside You
Notas iniciais
O russo e o americano, sempre podemos associá-los a Guerra Fria, aquela tensão entre as duas nações, a troca de olhares frios, as diferenças políticas... Não existe tanta diferença entre os dois personagens dessa história.
Ivan Braginski e Alfred F. Jones, o russo e o americano. Existia uma enorme tensão entre os dois, trocavam farpas e olhares frios o máximo que podiam durante as reuniões de trabalho. O americano obcecado com a ideia de que apenas um é o melhor, já o russo que deseja a igualdade, mais especificamente, o controle da igualdade. Cão e gato, pedra no sapato, todos os adjetivos de rivalidade poderiam ser atribuídos aos dois durante o dia.
Porque durante a noite, eram animais, animais sedentos por sexo.
Era sempre o mesmo quarto de motel, o maldito quarto de motel com as paredes no tom de vermelho, que acrescentava ao momento ainda mais calor e que transformava a tensão em tesão, excitação. Naquele pequeno espaço ocupado pela cama, ambos caçavam um ao outro, desesperados, querendo mais e mais. Estariam mentindo se dissessem que não sabiam qual era o cheiro do outro, porque aquilo era o estopim de cada noite ardente e cheia de luxúria.
Alfred levava seu parceiro a loucura, gemidos altos e provocativos, arranhões fortes como se suas unhas fossem garras de algum felino, seu corpo bem trabalhado que ficava coberto por marcas de mordidas do russo, que era lento mas a sua força e violência, que lembravam a de um urso, causava uma overdose de prazer no americano.
Faziam sexo como animais, com o desejo tranbordando de seus corpos. A verdade é que eram inimigos de dia, mas de noite seriam os amantes perfeitos. O maior adorava ver o loiro pedindo por mais, mas não podia negar que seu lado preferido do outro era o que tentava o controlar, puxando seu cabelo, agarrando seus braços e o provocando a cada gemido que saía de sua boca. Adorava quando ele mentia, pois sabia que era só uma tentativa de Alfred enganar Ivan, eram inimigos no fim das contas.
E as tentativas sempre tinham um resultado negativo, afinal, o americano sabia que estava preso ao russo. Não poderia ficar sem aquelas noites de sexo selvagem, onde somente a luxúria permanecia. Não queria relacionamentos, não queria compromissos, ele queria ser livre. E sendo provocativo desde que se conhece por gente, adorava torturar seu quase amante com a sua boca. Ele tinha certas habilidades com a línguas que se fossem avaliadas, poderiam acabar sem nota de tão incríveis.
E não era algo rápido, durava duas, três horas. Poderiam passar a noite inteira naquele ato selvagem, não se importavam com os vizinhos de quarto, não se importavam com os rangindos da cama, eram apenas ele e ele, dois homens procurando saciar o prazer. E no fim de tudo, compartilhavam um cigarro e um gole de whiskey ou de vodka. E o segundo round começaria, melhor do que o primeiro. Sempre era melhor.
Não era um relacionamento, não era amor e nem ódio, era desejo, era necessidade. E no outro dia, eles seriam os mesmos de sempre, com aquela atmosfera de indiferença. Era um segredo sujo, ninguém precisava saber, nessa brincadeira de adultos, apenas os dois que são os participantes. E é quando a brincadeira começa que as cartas são jogadas, já que a besta interior de ambos era indomável, nunca poderia ser controlada.
Definitivamente, eles não podiam negar a besta que residia em seus corpos.
A besta da luxúria.
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