Aniki no Baka / Irmão idiota
1 Capítulo único
— Irmãs são as melhores — ouvi meu irmão repetir em sua discussão inútil com Akihito.
— Não! As com óculos são melhores! — Akihito retrucou.
Respirei fundo, virando a página do livro que estou a folhear e ajeitei a mecha do meu cabelo que insiste em cair. Quero me focar no livro já que precisamos de ideias para o festival cultural e, como em quase todos os anos, o clube de literatura se junta para escrever uma obra e vendê-los dentro da escola. Mas a conversa deles está a ganhar minha atenção. Na maioria das vezes, opto por ignorar ou, quando não o faço, os encaro com repulsa e nojo, principalmente para Hiroomi por me usar em seus fetiches malucos com irmãs mais novas, só que, dessa vez, os dois estão mais intensos que das últimas vezes.
— Mas com as irmãs, você pode ser íntimo dentro de casa. É quase como se já estivessem casados e podem aproveitar do seu grande amor 24h por dia.
— Mas as garotas de óculos são mais bonitas! Elas ficam mais atraentes e podem ser facilmente achadas. Uma irmã você não arruma tão rápido!
Ainda não entendo como conseguem ter essas conversas em frente a uma garota. Falta de vergonha na cara? A maioria dos garotos conversam apenas entre si sobre mulheres e seus fetiches estranhos e eles, já nem se importam com a minha presença, mesmo quando os encaro ou os humilho.
E Hiroomi, até onde irá em seus argumentos e por suas ideias? Nunca escondeu seu suposto interesse em mim e sabe que o Japão não é moralmente aceito incestos entre irmãos. Então por que diz isso com tanta facilidade? Ou talvez esteja se referindo a irmãs mais novas postiças e não as de sangue?
No fundo, os dois são apenas pervertidos buscando alguma vítima para agradá-los em seus desejos.
— Mas olha, a Mitsuki é tão fofa que não precisa ser trocada! — argumentou com intensidade me fazendo o encarar mortalmente.
— Poderia falar de mim quando não estou? — reclamei, só que não tenho esperanças de ser compreendida.
Por que sou irmã de um desses idiotas?
E por que estou envergonhada?
Fechei o livro com força e me levantei para trocar a leitura.
— Algo belo precisa ser apreciado e eu quero que você saiba que sou fiel.
O encarei após passar por trás do Akihito ficando em frente ao meu irmão. Como ele consegue ser tão cara de pau? E ainda me abrir um sorriso tão galanteador. Não consigo entender o motivo das minhas bochechas queimarem. Provavelmente é por raiva? Que efeito ele jogou sob mim? Até dias atrás, estava incomodada com seus assédios frequentes de quando me flerta abertamente.
— Você é nojento, Hiroomi — joguei minhas expressões de repudia, mas como sempre, seu encanto subiu me deixando sem palavras. Como ele pode se sentir tão feliz quando o maltrato? É um masoquista? Virei o rosto e continuei a caminhar até a estante de livros — Vocês deviam me ajudar a achar um tema para escrevermos esse ano.
— Já disse! Vamos fazer um de irmãs mais novas.
Suspirei.
Como se pudéssemos fazer algo com esse tema...
Ouvi os passos fortes de alguém chegando enquanto encaro os diversos temas na estante de livros do clube. Nenhum me interessa e não tenho vontade de escrever nada do tipo. Talvez um suspense de novo? Ou algo com tema mais leve e escolar?
A porta foi aberta, podendo ser ouvido os ofegos de Kuriyama.
— Me desculpem pela demora — Kuriyama jogou sua mochila ao lado de Akihito e começou a dar atenção plena as suas plantas. Provavelmente veio correndo apenas para isso.
Encarei um pouco mais a Hiroomi que retorna o assunto com Akihito. O que tem de tão legal em irmãs mais novas? E se ele é tão fiel a mim, por que algumas vezes está a dar em cima do Akihito? Ainda não o compreendo, mas sei que seu tal amor não fraternal é mentira. Se fosse, ele não flertaria com os outros.
Folheei outro livro, apesar da minha atenção voltar ao Hiroomi. Ultimamente tenho pensado mais nele e ando buscando o agradar inconscientemente. Desde quando possuí esse charme? Sempre soube que meu irmão é atraente, mas por que estou notando esse efeito? Esse sorriso, esses lábios, suas expressões, o cabelo liso e sedoso, essas mãos. Engoli em seco, principalmente ao notar que meus olhos sempre voltam a se direcionar em seus lábios.
Será que ele realmente sente isso por mim quando me vê?
Verdadeiramente, eu quero saber, mas não quero ter a resposta.
— O que houve, Mitsuki? — ouvi Akihito me perguntar o que me fez dar um pulo leve no lugar onde estou.
— Não é nada! — respondi atropelando as palavras.
Peguei o primeiro livro que vi, aquele em que meus dedos estavam parados em frente, e voltei a me sentar ao lado de Hiroomi. Todos notaram? Mordi meu lábio inferior o mais discreta possível, tentando tirar qualquer rastro de vergonha que possui em meu rosto.
O que estou fazendo?
Por que estou tão ansiosa?
Que efeito Hiroomi tacou em mim?
Quando foi que comecei a vê-lo diferente?
Me sinto um livro aberto com todas as descrições em um manual, ainda mais depois de todas as encaradas dos meus colegas.
— O que foi? — briguei com todos, os encarando desejando firmemente que me esquecessem ou ignorasse qualquer diferença de comportamento que tive nesses últimos minutos.
— Não é nada — ambos respondem quase ao mesmo tempo.
Me forcei a me focar no livro. A todo momento em que me distraía com a conversa alheia, voltei a encarar meu doce e precioso livro. Preciso de ideias, só preciso saber do que escrever e sei que se perguntar a eles, nada de bom sairá. Mirai que é a única opção com ideias minimamente decentes, está mais focada em seus resultados como Guerreira do Mundo Espiritual. Não posso depender deles!
— Vamos embora? — Akihito se levantou e nos encarou, esperando nossa resposta.
— Sim, senpai — Mirai pegou sua mochila, aproveitando que já cuidou de todas as suas plantas e se dirigiram a porta juntos.
Me levantei para devolver o livro na estante, quando as palavras do meu irmão me fazem interromper minhas atitudes.
— Podem ir na frente. Tenho algo para falar com a Mitsuki.
— Como assim? Vai mesmo deixá-lo-
— Depois alcançamos vocês, Akkey, Kuriyama-san.
Maldito! O que está planejando?
Meu sangue ferveu após visualizar os dois saindo da sala do clube. O que é mais importante do que garantir a vida de todos? Akihito é o maior perigo da humanidade e Hiroomi simplesmente joga nossa responsabilidade como se não fosse nada! E ainda, em cima da Mirai.
Poderíamos ter falado outra hora. Somos irmãos, afinal! Estamos quase o tempo todo juntos!
— E então, o que é tão importante pra expulsar ele? — o questionei com o livro em mãos, me segurando para não acabar com nada enquanto finjo um sorriso amistoso.
— O que você tem hoje? Não parou de me encarar o dia todo. Não resiste ao meu charme?
Corei forte.
Então ele notou.
Esse idiota mandou um sorriso convencido pra mim o que me enfureceu mais.
— Pare de idiotices! — segui o meu rumo para finalmente devolver o livro antes que o tacasse nessa pessoa — Sabe que não penso em ti dessa forma — guardei o objeto no primeiro espaço livre que encontrei.
Os passos dele vindo até mim pude ouvir e em sincronia, meu coração bate um pouco mais rápido do que devia.
— Hurum. Então por que está estranha?
Sua mão notei tocar na estante me fazendo sentir sua proximidade a mim. Ele está perto, muito perto ao ponto de poder sentir suas falas quentes batendo no meu cabelo.
Maldito, irmão. O que pretende fazer comigo?
— Não é só sua impressão? — inventei a primeira desculpa que consegui, mas seus lábios vieram para mais perto do meu ouvido, me fazendo estremecer toda com suas respiradas.
— Eu te conheço melhor do que ninguém.
Tem razão.
Um lado meu se irritou por ter que concordar, mas como devo responder? Que algo nele está chamando minha atenção? Que ele se tornou diferente? Que seus lábios me atiçam de uma forma nojenta e errada? Mas se depender do Hiroomi, ele vai gritar para todo mundo que sua preciosa irmã, agora, finalmente, está interessada nele.
— Se me conhecesse, saberia que não tem nada.
Ignorei-o, me afastei dele.
Preciso sair daqui antes que me enlouqueça e façamos coisas erradas. Antes que me note mais do que deveria.
— Mitsuki! — meu pulso é puxado para perto dele, me forçando a encostar-me na estante e encará-lo. Seus olhos esverdeados estão cheios de intensidade e seriedade. Talvez esteja preocupado? Talvez seja egoísmo da minha parte tentar fugir de todas as sensações? Nunca o vi me encarar de tal forma — Não fuja.
— Hi... — seu nome não consegui completar. Fui pega pela surpresa dos seus atos e o sentimento obsceno me corrói.
— Quer mesmo que eu acredite em uma desculpa horrível como essa?
Não, eu não quero, mas... Entre te permitir saber as minhas verdadeiras emoções e uma desculpa esfarrapada, prefiro que fique com essa desculpa.
Mordo meu lábio novamente abaixando meu rosto para evitar as encaradas que estou a dar entre a boca e os olhos. Desde quando me tornei tão indecente?
— Olhe pra mim — o meu queixo foi puxado, forçando-me a encarar os seus olhos chateados. As batidas do meu coração foram acelerando a cada segundo que passa, levando meu folego para bem longe do meu corpo. E esses lábios... Estão a me chamar — O que tem na minha boca?
Hiroomi, por que seu rosto cora?
Por que está desviando o olhar?
— Você... Quer? — com dificuldade, me perguntou.
Se eu quero? Não. Não devia, mas...
Meu corpo seguiu ao instinto, juntando-os sem permitir-lo ter reação. Segurei sua camisa com força, deixando-o me guiar enquanto encaixa a mão no meu rosto e em minha cintura.
Hiroomi... Por que estamos fazendo algo tão errado? Por que tem que ser justo você a minha paixão? Você não sabe o quão é proibido irmãos terem esse tipo de relação? Não sabe que não deveríamos estar fazendo isso, ainda mais na sala do clube onde qualquer um poderia entrar e nos ver? Ou realmente não te importa, Hiroomi?
Tentei o afastar após sentir meu corpo esquentar. Nossas línguas estão a brincar com indecência e meu corpo está a reagir. Pela cintura, Hiroomi me puxou para mais perto tendo minhas coxas ao redor da dele.
Não quero gostar... Não devia... Mas seu toque é tão hipnotizante ao ponto de ser difícil resistir.
Com o afastamento das nossas línguas, pude finalmente voltar a respirar.
— Hiromi — foi a primeira coisa que disse, em meio aos ofegos descontrolados por culpa do meu coração. Um sorriso malicioso se formou no rosto do meu irmão, apesar de estar no mesmo estado que o meu.
— Você sabe que expressão está fazendo?
— Sua culpa, idiota.
Soltei levemente a camisa dele e desviei o olhar. Aos poucos, Hiroomi fez o mesmo, mas mantendo uma distância íntima entre nós.
— Não imaginei que minha querida irmãzinha estivesse apaixonada por um pervertido nojento incestuoso — brincou jogando minhas próprias palavras contra mim, o que me trouxe mais a culpa de tê-lo feito.
— Continua sendo um nojento, incestuoso, louco para atacar sua irmã mais nova.
Um riso soltou, indo em direção da sua bolsa. Fiz o mesmo, ainda tentando recompor todas as emoções bagunçadas que me causou.
Devia ter fugido com Akihito...
Até a porta, Hiroomi foi me esperando terminar de arrumar as minhas coisas.
— Da próxima vez que quiser me enganar, olha pra mim de um jeito mais discreto.
Meu rosto queima e minha mochila jogo nele que o pegou sem dificuldade alguma.
Essa peste está se divertindo com a minha desgraça!
— Você é tão fofa irritada, Mitsuki — segui para perto dele, estendendo a mão.
— Idiota! Me devolve!
— Sim — a mochila me entregou e dessa vez, me puxou para dar-me um beijo na bochecha antes de sair correndo, provavelmente para alcançar ao Akihito. Me deixando ali petrificada e com raiva.
Idiota! Irmão idiota!
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